Arquivo de junho, 2010

Toshiba lança portátil para concorrer com iPad e Kindle

quarta-feira, 23 junho 2010

A Toshiba lançou na última segunda-feira um computador portátil de pequeno porte que pode também funcionar como e-reader. A diferença do Libretto, como o aparelho foi batizado, para os tablets tradicionais é o formato: o portátil da Toshiba possui duas telas, enquanto iPad e kindle, para citar os mais “famosos”, têm formato de prancheta.

Libretto pode ser notebook ou e-reader / Divulgação

O Libretto começará a ser vendido no Japão no final de agosto e depois segue para outros mercados. De qualquer maneira, não deve exercer muita influência no mercado dos livros digitais a curto prazo, já que ainda não firmou acordo com provedores de conteúdo.

Acusado de roubar obra de Shakespeare vai a julgamento

quarta-feira, 23 junho 2010

Em 1998, o First Folio (Primeiro Fólio), publicado em 1623 e considerado uma das obras mais importantes da literatura inglesa, foi roubado da Universidade de Durham. Só reapareceu 10 anos depois, quando um playboy chamado Raymond Scott se apresentou na Folger Shakespeare Library de Washington tentando vendê-lo. Ele alegava, e ainda alega, que o livro foi presente de um amigo cubano. O fato é que os funcionários da Biblioteca não acreditaram muito nessa história, ligaram para a polícia e a perícia confirmou que se tratava da obra roubada.

Edição publicada em 1623 reapareceu em público / Reprodução The Independent

Scott foi preso em janeiro de 2009, mas pagou a fiança e foi solto pouco depois. Agora, em junho de 2010, o julgamento teve início. Começou na semana passada e deve se estender até julho. No último sábado, 19, o First Folio foi levado ao tribunal e mostrado em público pela primeira vez desde 1998. Já Scott, o acusado, quer mesmo é aparecer. Chegou ao tribunal de limusine, usando um chapéu panamá e fazendo o V de vitória para os fotógrafos…

Veja todas as obras de Shakespeare publicadas pela L&PM.

Original inédito de Mark Twain é vendido nos Estados Unidos

terça-feira, 22 junho 2010

Os leilões estão mesmo bombando nos últimos dias (vide post anterior sobre a máquina de escrever do Kerouac). O inédito “A Family Sketch”, de Mark Twain, foi vendido por mais de US$ 242 mil na última quinta-feira, bem mais que os US$ 180 mil esperados pelos organizadores. O comprador não foi identificado.

O manuscrito era uma homenagem do autor de As aventuras de Tom Sayer a sua filha, Olivia “Susy” Clemens (para os mais desavisados, o verdadeiro nome de Mark Twain é Samuel Langhorne Clemens). Susy inspirou duas das histórias do pai e morreu aos 24 anos, depois de contrair meningite.

“A Family Sketch”, de 64 páginas, estava entre outros duzentos manuscritos, cartas e fotografias de Twain. O restante dessa coleção de documentos, que pertencia ao executivo James S. Copley, deve ser vendida por no mínimo US$ 750 mil.

Última máquina de escrever de Kerouac será leiloada

terça-feira, 22 junho 2010

Essa é para mexer com o coração – e com o bolso – dos fãs da geração beat: a última máquina de escrever usada por Jack Kerouac, esse modelo Hermes vintage verde da foto, está sendo leiloada pela Christie’s. Foi nela que Kerouac escreveu as novelas Vanity e Pic (além de algumas cartas de cobrança para seu agente), entre 1966 e 1969. Para quem se interessou, o ideal é já começar a fazer as contas: os lances devem ficar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil.

Mais Hunter Thompson na coleção de bolso e no cinema

segunda-feira, 21 junho 2010

A L&PM acaba de lançar Medo e delírio em Las Vegas, e, ainda para esse ano, estão previstos mais dois títulos do gonzo jornalista Hunter Thompson. Primeiro, Hell’s Angels, que deve chegar à Coleção POCKET em setembro, e Rum: diário de um jornalista bêbado, em dezembro.
Rum… irá também ao cinema. O lançamento está previsto ainda para 2010, nos Estados Unidos. No elenco está Johnny Depp, que volta às telas em mais uma adaptação de Thompson (ele foi o protagonista da versão cinematográfica de Medo e delírio) .
Os trailers ainda não estão disponíveis, mas já algumas fotos já estão por aí, como essa aí embaixo:


Via Trabalho Sujo

Primeira visita à Biblioteca de São Paulo

segunda-feira, 21 junho 2010

Caroline Chang

Eis que no domingo fui almoçar num restaurante distante aqui em São Paulo, e, na volta, desci na estação Carandiru da linha azul do metrô, para conhecer a Biblioteca de São Paulo, há pouco inaugurada. Bem, fiquei pasma com o que vi, e achei que era o caso de partilhar com pessoas que acreditam no poder civilizatório dos livros e da literatura: dezenas de jovens, e não só jovens, da periferia estudando, usando computador, lendo num ambiente totalmente acolhedor, amigável, aberto e moderno (inclusive para deficientes físicos). Mais do que pelo acervo, a biblioteca surpreende pela maneira eficiente com que convida as pessoas da comunidade para lá. Não lembro de ter visto algo assim no Brasil.

Não bastasse isso, a biblioteca fica encravada no Parque da Juventude – também construída na área do do ex-complexo penitenciário do Carandiru. O parque é lindíssimo, igualmente friendly, e equipado com aparelhos de exercício para cadeirantes. Não pude deixar de pensar que oferecendo alternativas desse tipo deve ser mais fácil evitar que jovens, da periferia ou não, se envolvam com drogas e criminalidade.

Adeus a Saramago, o único Prêmio Nobel da língua portuguesa

sexta-feira, 18 junho 2010

Por Ivan Pinheiro Machado

Aquela quarta-feira de outubro de 1998 parecia uma quarta-feira comum na Feira do Livro de Frankfurt. Os corredores apinhados de editores, agentes e livreiros em geral cumpriam a rotina de vender e comprar livros e direitos de publicação. O segundo andar da ala 5, no enorme espaço destinado às Feiras, era ocupado pelos estandes das editoras espanholas, italianas, gregas, turcas e pelo estande oficial do Brasil que ficava há poucos metros do estande oficial de Portugal. Um espaço bem grande, onde os editores portugueses recebiam seus clientes e amigos.

Estávamos tomando o primeiro café do dia no estande brasileiro, prontos para cumprir uma agenda que inclui uma média de 10 reuniões por dia, de quarta à sábado, quando ouviu-se uma explosão de gritos, risos e assovios vindos do estande ao lado. Parecia gol de Portugal. Os 30 hectares da Feira de Frankfurt, com seus longos corredores acarpetados e suas esteiras rolantes que comunicam os pavilhões, costumam guardar um certo recato silencioso. Negócios de milhões de dólares são sussurrados pelos estandes. Não é comum gritos, assovios, cantorias. Salvo quando um autor é comunicado de que acaba de ganhar o prêmio Nobel.

Enquanto saíamos curiosos de onde estávamos, tivemos tempo de ver um senhor magro e alto ser arrastado em triunfo por uma multidão de conterrâneos emocionados que cantava o hino da Revolução dos Cravos, “Grândola Vila Morena”. José Saramago havia recebido a notícia, coincidentemente no meio dos livros, em território do seu país, na grande feira internacional. A correria foi infernal. Em minutos, centenas de jornalistas, emissoras de TVs, curiosos e seguranças engolfavam o estande português marcado por aquele momento histórico. Todos estavam comovidos, inclusive nós brasileiros e nossa velha língua portuguesa. José Saramago escreveu, entre outros romances, “Evangelho segundo Jesus Cristo”, “A jangada de Pedra”, Ensaio sobre a cegueira”, “Memorial do convento” e o maravilhoso “O ano da morte de Ricardo Reis”.

Hoje pela manhã, enquanto a Sérvia estava prestes a derrotar a Alemanha na segunda rodada da Copa do Mundo, recebi a notícia de que José Saramago morrera na sua cidade de Lazarota, nas Ilhas Canárias, aos 87 anos. É sempre triste receber a notícia da morte de um homem bom. E com José Saramago morreu um símbolo de humanismo, fé na utopia e esperança de um mundo mais justo e igual. Membro do Partido Comunista Português, foi um dos pilares de sustentação intelectual da famosa Revolução de Cravos de 1975, que acabou com a terrível ditadura Salazarista. Aqueles “que são jovens há menos tempo do que nós”, como diz o Anonymus Gourmet, talvez não saibam. Mas não foi pouco acabar com a sanguinária tirania de Salazar, um déspota à altura dos seus piores colegas latinoamericanos da época. E Saramago lutou pelos seus ideais, foi perseguido, preso e, por fim, venceu a ditadura. Morreu fiel a sua utopia, acreditando que era possível haver um mundo melhor do este em que vivemos.

José Saramago recebendo o Prêmio Nobel de Literatura 1998

O homem que amava as mulheres

sexta-feira, 18 junho 2010

Por Ivan Pinheiro Machado

Para desespero de madame Balzac, Laure de Berny tinha 45 anos, era casada com um conde e tinha nove filhos. E foi o primeiro e maior amor de seu filho mais velho, Honoré.

Dela, ele recebeu o carinho que a mãe havia lhe negado e a definitiva iniciação sexual. Balzac era um menino do interior, tinha 22 anos. Laure excitava a imaginação do jovem Honoré, tão chegado no brilho da aristocracia. Afinal – prato cheio para um futuro romancista – Mme. de Berny traía um conde, e seus pais foram íntimos dos reis decapitados; a mãe foi dama de companhia de Maria Antonieta e o pai, harpista de Luis XVI… Não era pouca coisa. E o que no começo foi um escândalo provinciano, acabou por se transformar em uma amizade para toda a vida. Laure também foi decisiva na execução e concepção do grande projeto da Comédia Humana.

Zulma Carraud foi outra paixão da juventude. Casada com um militar, ela foi sua confidente, leitora e orientadora. Mas para desespero do escritor, jamais houve sexo entre eles.

Especialista no chamado “roman a clef” Balzac usava os livros para acertar contas e  concentrava o fogo de sua fúria nos homens. Já para as mulheres, dedicava toda a sua compreensão e tolerância. Como toda a regra tem exceção, seu belo romance “A Condessa de Langeais”, teria sido uma espécie de vingança ao desprezo da Marquesa de Castries, cuja mão foi recusada ao escritor. Mas, ao ler este livro pertencente à magnífica trilogia “História dos treze”, você verá que a marquesa não tinha nada do que reclamar, pois a condessa é um dos grandes personagens de Balzac.

Era conhecido nos ambientes mundanos como grande “causer” ou homem de excelente conversa. George Sand disse numa carta, “Quando entrava num salão, imediatamente o enchia”. No começo da década de 1830, principalmente depois do enorme sucesso de A pele de Onagro, ele já era um personagem célebre e colecionava “casos”, embora perseguisse obstinadamente um “bom casamento”, de preferência com uma condessa rica e viúva. Como Laure D’Abrantés, que foi sua amante por um breve tempo e, além de condessa, era viúva do célebre Marechal Junot, conquistador do Egito com Napoleão.

A celebridade em Paris da Restauração, como de resto em todas as épocas e em todo o mundo, atraía belas mulheres. Balzac recebia dezenas de cartas perfumadas e “diariamente, lindas desconhecidas batiam à sua porta”. Circulava entre os dândis “confirmados” de Paris. Um dos pontos altos da Comédia é a descrição das cortesãs. São várias, todas lindas e inteligentes como Josepha, Esther, Valeria, entre tantas outras que adoravam desfilar nos camarotes da Opéra com os garotos endinheirados. As descrições são tão verossímeis que pressupõe uma familiaridade que ele realmente teve na vida real.  Uma de suas prediletas foi a “demi-mondaine” Olympie Pélisser, uma das mulheres mais lindas de Paris por quem teve uma rápida paixão que custou até um pedido de casamento, por sinal, negado. Olympie foi amante do músico Rossini e do escritor de folhetins, famoso na época, e rival literário de Balzac, Eugène Sue. Dizia-se que a bela cortesã teria sido modelo para a deslumbrante e insensível Foedora de “A pele de Onagro”.

Mas entre as muitas mulheres que passaram pela sua vida, a que mais o marcou foi Eveline Hanska, condessa polonesa, leitora de Balzac que aproximou-se dele através de uma carta anônima. Balzac já era o escritor mais lido na Europa e nesta carta a condessa declarava sua admiração. Balzac investigou muito, acabou descobrindo a sua identidade e foi encontrá-la numa viagem a Suíça. Imediatamente tornaram-se amantes. A correspondência entre os dois é imensa e as cartas de Balzac para a “estrangeira” são a principal fonte de seus biógrafos. Já as cartas de Eveline para Balzac são raríssimas e supõe-se que Balzac as tenha destruído pois, afinal, ela era uma senhora casada. Esta ligação de duas décadas só consumou-se seis anos depois que a condessa enviuvou. E aos 50 anos, cansado e doente, Honoré de Balzac atingiu o sonho da vida inteira que era casar com uma condessa de verdade. Morreria seis meses mais tarde.

Leia também:

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Por que ler Balzac
O monumento chamado Comédia Humana
Balzac: o homem de (maus) negócios
Sexo para todos os gostos
20 de maio: aniversário de Balzac
Ouro e prazer
Balzac e as balzaquianas
O poder das mulheres na Comédia humana

CLIQUE AQUI PARA LER A PARTE 11 DESTA SÉRIE.

O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia

quinta-feira, 17 junho 2010

Escreveu Nelson Rodrigues que “a mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana”. Mas Nelson não foi o único a reunir, no mesmo campo, a literatura e o futebol. A lista de escritores que usaram a bola, os clubes e os times futebolísticos como tema é bastante extensa. Em Millôr definitivo – a Bíblia do caos, que a L&PM publica em formato especial, o genial Millôr Fernandes transcorre seus pensamentos sobre os mais variados assuntos, entre eles, claro, o futebol. Vamos combinar que, em tempos de Copa do Mundo, essa é uma leitura perfeita.  Basta ver algumas das frases que estão no livro para concordar com isso:

“O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia”

“E no oitavo dia Deus fez o Milagre Brasileiro: um país todo de jogadores e técnicos de futebol.”

“Há muito tempo me desinteressei pelo futebol. Foi quando comecei a ver aqueles latagões, ganhando fortunas e tratados como odaliscas, não conseguirem dar um passe certo no meio do campo – sem qualquer pressão do adversário. Como artista plástico, tratado daquele jeito, eu morreria de vergonha se não pintasse uma capela Sistina por semana.”

“Futebol, o pio do povo!”

“A vida é igualzinha ao futebol. Mas o campo não é demarcado, vale impedimento, a canelada marca ponto a favor, a bola é quadrada, o gol não tem rede e o Supremo Juiz é um ladrão que expulsa do jogo quem bem entende, sem qualquer explicação.”

Charge de Millôr Fernandes

Uma Polaroid famosa na parede de casa

quinta-feira, 17 junho 2010

Que tal ter uma foto de Truman Capote em casa? Ou então um autorretrato de Andy Warhol no álbum de família? E já pensou se não for uma simples cópia fotográfica, mas uma Polaroid única e exclusiva? Não será o máximo?

Pois agora é a sua chance. Para saldar suas dívidas, a Polaroid teve que colocar suas relíquias na roda: foi ordenado o leilão dos seus mais famosos instantâneos. O evento – porque será um evento – está marcado para segunda e terça da próxima semana.

De passagem marcada para Nova York? Com alguns US$ 30 mil sobrando? Então não perca essa. Nós aqui da L&PM adoraríamos adquirir algumas dessas preciosidades, mas esse é um luxo que não poderemos nos dar no momento (se formos para a Big Apple, quem vai atualizar o blog?). Abaixo, algumas das imagens que, breve, alguém terá em casa. Quem sabe não será você?