Primeira visita à Biblioteca de São Paulo

Caroline Chang

Eis que no domingo fui almoçar num restaurante distante aqui em São Paulo, e, na volta, desci na estação Carandiru da linha azul do metrô, para conhecer a Biblioteca de São Paulo, há pouco inaugurada. Bem, fiquei pasma com o que vi, e achei que era o caso de partilhar com pessoas que acreditam no poder civilizatório dos livros e da literatura: dezenas de jovens, e não só jovens, da periferia estudando, usando computador, lendo num ambiente totalmente acolhedor, amigável, aberto e moderno (inclusive para deficientes físicos). Mais do que pelo acervo, a biblioteca surpreende pela maneira eficiente com que convida as pessoas da comunidade para lá. Não lembro de ter visto algo assim no Brasil.

Não bastasse isso, a biblioteca fica encravada no Parque da Juventude – também construída na área do do ex-complexo penitenciário do Carandiru. O parque é lindíssimo, igualmente friendly, e equipado com aparelhos de exercício para cadeirantes. Não pude deixar de pensar que oferecendo alternativas desse tipo deve ser mais fácil evitar que jovens, da periferia ou não, se envolvam com drogas e criminalidade.

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  1. Olá!

    Posso dizer que sou frequentadora da BSP e o que tenho visto lá é desanimador.

    Durante a semana, principalmente a tarde, muitas crianças ficavam perambulando pelo espaço, gritando, arrastando os pufes, falando alto e perturbando quem queria ler. Muitos jovens apenas usavam o espaço para sentar nos espaços com pufes para conversar. Como o uso dos computadores não tinha tempo determinado, e as crianças só queriam jogar, ficavam ociosas. Os monitores não estavam preparados para lidar com isso, nem os guardas. Eu vi um usuário quaser ser agredido por um menino, só porque pediu que ele falasse mais baixo.

    Hoje, a entrada está restrita a quem tem carteirinha (pelo menos na semana é obrigatório apresentar a carteirinha da bilbioteca para entrar), o que afastou muitas crianças: para fazer o documento é provável que os menores tenham que levar um responsável. O tempo de uso dos computadores é restrito a uma hora por usuário, e somente depois de um certo tempo você pode usar de novo (cerceou nosso direito de usar livremente os computadores, mas agilizou e democratizou o acesso: já cheguei a ficar mais de 2 horas esperando um computador ficar disponível).

    Sobre o acervo, a novidade boa é que tem MUITOS lançamentos, coisa que eu sempre sento falta em bibliotecas públicas. Infelizmente, nem todos os livros estavam cadastrados na época da inauguração. Hoje boa parte do acervo já está cadastrada, mas se o livro que você quer tem um selo dourado ou prateado não pode ser retirado. Quem não pode sentar nas confortáveis poltronas e perder 2 ou 3 horas lendo, só vai poder ler o lançamento quando ela já for “catálogo”.

    Os atendentes continuam despreparados: não sabem abordar o usuário com delicadeza e são muitas vezes rudes ao dar respostas. Outra coisa que irrita: eles interrompem sua leitura para avisar dos eventos que acontecem na biblioteca. Se eu estou entretida com um livro, não quero ser incomodada nem assistir nenhum evento certo?!

    Os frequentadores costumam falar ao celular e conversar em voz alta, sem serem incomodados. Os próprios funcionários também conversam entre si sem se importar com os leitores. E o som do auditório e das tvs que ficam na entrada vazam para os ambientes.

    A iniciativa é ótima, o acervo é bárbaro, a biblioteca é linda, mas está longe de ser um lugar para ler e estudar, ficando mais perto de um “centro de entretenimento” do que um “local de leitura e estudo”.

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