Mil vida em uma única biografia

19 setembro 2018

Se você curte cinema, deve conhecer (ou já ter ouvido falar) em Jean-Paul Belmondo. O ator francês que estreou na tela grande no filme Acossado de Jean-Luc Godard. Há dois anos, Belmondo lançou sua autobiografia, “Mil vidas valem mais do que uma“, que agora chega ao Brasil pela L&PM Editores. Em 2016, o jornal O Globo publicou uma matéria sobre o ator e seu livro, escrita por Fernando Eichenberg. Leia aqui na íntegra:

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Seu relato vai dos tempos tenebrosos da Segunda Guerra, quando aos onze anos o jovem Jean-Paul e seus amigos recolhiam cadáveres de aviadores abatidos nas terríveis batalhas no interior da França, até a consagração nas grandes telas do mundo inteiro. Neste período, mil vidas foram vividas e são narradas com maestria e emoção. Alguns dos mais famoso e importantes nomes da literatura e das artes plásticas e do cinema desfilam pelas páginas, protagonizando histórias dramáticas ou hilariantes. Há a presença forte da mãe, as lembranças do atelier do pai, escultor, e seus amores. Há encontros, desencontros, gargalhadas, lágrimas, amores e acrobacias. Há mil vidas a serem descobertas pelo leitor.

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Dia de lembrar, homenagear e ler Caio Fernando Abreu

12 setembro 2018

Caio Fernando Abreu nasceu em 12 de setembro de 1948. Estaria completando 70 anos hoje. Seus textos, às vezes crus, outras vezes extremamente poéticos, seguem encantando, emocionando, fazendo vibrar. Sua obra é considerada tão marcante que até o Google está prestando sua homenagem:

CAIO DUDDLE

Para marcar a data postamos aqui um trecho do livro O ovo apunhalado que traz 21 contos que como diz Lygia Fagundes Telles no prefácio são “inseparáveis na sua alquimia profunda”.

 antes que tentes aviso que já disse tudo não sou nada além de meu nome meu nome é minha essência mais profunda assim como a tua talvez seja a que vivas no momento talvez sejas além destas paredes descascadas destes móveis poucos esta bacia de louça naquele canto mas não te julgo pelo que vejo em ti externamente não julgo a ninguém nem a mim mesmo vim duma coisa que ainda não conheces vim duma coisa enorme da escuridão e de luz mais absolutas que possas imaginar a um só tempo vim duma coisa sem medo mas não sabes que trago em mim o princípio e o fim de todas as coisas

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Mais duas adaptações de “Mulherzinhas”, o célebre livro de Louisa May Alcott

28 agosto 2018

O livro “Mulherzinhas“, no original “Little Women”, chegou aos 150 anos cheio de energia. Lançado originalmente em 1868, o livro de Louisa May Alcott, baseado na sua própria infância e adolescência, tornou-se um sucesso da noite pro dia, apresentando uma personagem feminina que desconstruía todos os estereótipos da literatura norteamericana de até então.

“Mulherzinhas” ganhou algumas adaptações para o cinema e TV ao longo das últimas décadas. O filme mais famoso (até agora) que conta a história das irmãs March é o de 1933 com Katharine Hepburn no papel de Jo e que levou o Oscar de melhor roteiro, além de ter concorrido às estatuetas de melhor filme e melhor direção:

Outra adaptação que também ficou conhecida foi a de 1994 – que no Brasil ganhou o título de “Adoráveis Mulheres” – com Winona Rider, Kirsten Dunst, Christian Bale e Susan Sarandon no elenco.

Agora, mais dois filmes estão vindo por aí, ambos dirigidos por mulheres.

Um deles é uma adaptação da história para os dias atuais. Dirigido e roteirizado por Clare Niederpruem e com previsão de estreia para setembro de 2018:

Mas o mais esperando é o remake dirigido por Greta Gerwig, atriz que foi ovacionada com seu longa de estreia, “Lady Bird: é hora de voar”, e concorreu aos Oscars de melhor direção e roteiro original. A adaptação de Greta está em pré-produção e pretende ser fiel ao original no que se refere à época em que se passa: os Estados Unidos pós Guerra Civil. O elenco contará com nomes como Saoirse Ronan, Emma Watson e Meryl Streep. A previsão é que o filme de Greta chegue aos cinemas no Natal de 2019.

Enquanto isso, que tal ler o livro? A L&PM publica “Mulherzinhas” em pocket.

Dicas de Bill Gates para uma boa leitura

14 agosto 2018

Bill Gates é um dos gênios dos nossos tempos. O criador do Windows e responsável pela democratização do uso do computador pelo mundo informou ao canal Quartz, no Youtube, que lê cerca de 50 livros por ano, e deu algumas dicas para realizarmos uma boa leitura.

Quanto mais livros surgem nas estantes das livrarias, mais a gente quer ler, certo? Às vezes dá até vontade de se multiplicar para poder acompanhar todas as obras adquiridas (e até as boas e velhas leituras de criado-mudo). Para isso, foram reunidas essas quatro dicas de Bill Gates, um assíduo leitor.

BILL GATES LENDO

1. “Faça notas nas margens”.

Segundo Gates, quando você está lendo, deve ter cuidado com o que está prestando atenção. Principalmente em um livro de não-ficção (como Sapiens: uma breve história da humanidade, por exemplo). Logo, fazer notas nas margens o ajuda o leitor a se concentrar ainda mais nas informações.

2. “Termine o que você começou”.

Bill Gates explica que ele nunca começa um livro se sabe que irá largá-lo. Isso porque, quando você abandona uma leitura, você pode ter pensamentos inacabados sobre algo, e deixar sua compreensão sobre ele incompleta.

3. “Livros impressos ou digitais? Qual é a melhor opção?”

O empresário admite que com o tempo fará a troca do impresso para o digital, porém ainda está acostumado a ler uma revista ou livro, à noite. Aqui, a gente aproveita para deixar a nossa dica: Leia da forma como se sentir bem e confortável, certo?

4. “Fique ausente por pelo menos 1 hora”

Bill Gates sugere que o leitor concentre seu tempo de leitura em pelo menos uma hora, para livros que requerem mais atenção.  “Esse não é o tipo de coisa que você pode fazer 5 minutos aqui, 10 minutos lá. Alguns artigos de revistas ou vídeos curtos de Youtube podem se encaixar nesses pequenos tempos.” Isso porque, para Gates, é importante que você pense enquanto lê, não apenas absorva as palavras.

Você pode conferir as dicas de leitura aqui no vídeo original.

Anotou tudo nas margens do seu livro e está pronto para colocar em prática? Bem, a nossa única dica é: leia!

Bill Gates já indicou o livro “Sapiens: uma breve história da humanidade” da Coleção L&PM Editores e L&PM Pocket.

 

Luz, câmera e ainda mais ação em “O Papai é Pop”

13 agosto 2018

O livro O Papai é Pop de Marcos Piangers é um super sucesso. Isso porque ele conta a história de um homem comum, casado e pai de duas filhas, que descobre a aventura da paternidade. O mérito da obra é justamente esse: a forma como Piangers consegue divertir e comover, enquanto revela as percepções de um pai sobre o desenvolvimento das filhas, suas dificuldades, vitórias e vivências do cotidiano.

Foto Tiago Ghizoni

Foto Tiago Ghizoni

Pois eis que agora as histórias de O Papai é Pop vão ganhar a tela grande. Foi confirmado que a obra de Piangers vai virar filme com produção da Prodigo Films e roteiro de Ricardo Tiezzi (Qualquer Gato Vira Lata e O Outro Lado do Paraíso). As filmagens devem começar em 2019 e ainda não há previsão de estreia, mas estamos loucos para assistir!

O Papai é Pop e O Papai é Pop 2 são publicados na Coleção L&PM Pocket.

Contatos imediatos com Hilda Hilst

1 agosto 2018

Um portão antigo, um gravador, microfones e Hilda Hilst. É assim que começa o documentário Hilda Hilst Pede Contato, que estreia nesta quinta-feira, 2 de agosto, nos cinemas nacionais. Com direção e roteiro de Gabriela Greeb, o filme apresenta a sensibilidade de Hilda e sua busca por inspiração no cósmico literário, utilizando um velho gravador. A escritora paulista, que foi homenageada da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, apresentava um misticismo curioso ao realizar suas criações tentando se conectar com os mortos, e é retratada de forma sensível e ao mesmo tempo arrepiante.

Segundo relatos da produção, alguns eventos sobrenaturais aconteceram durante as gravações na Casa do Sol, morada de Hilda em Campinas. Objetos que se mexiam, direcionamentos da luz repentinos e ruídos estranhos compuseram o cenário de gravações que permitiram que a escritora, dessa vez, tivesse uma comunicação inversa: do mundo dos mortos para os vivos.

A Coleção L&PM Pocket está publicando o Teatro Completo de Hilda Hilst. Os dois primeiros volumes já estão nas livrarias e apresentam, cada um deles, duas peças. O volume 1 traz O Verdugo e A Noite do Patriarca e o volume 2 oferece As Aves da Noite e O Visitante. Os volumes 3 e 4 estão previstos para chegarem ainda em 2018.

Van Gogh vem aí

23 julho 2018

Segundo a coluna de Mônica Bergamo no Jornal Folha de S. Paulo, o MASP (Museu de Arte de São Paulo), planeja para 2023 uma exposição com obras de Van Gogh. A única questão é que o museu se preocupa com as taxas aeroportuárias de armazenamento que antes eram calculadas pelo peso e agora são cobradas sobre o valor das obras. Se fosse assim, o MASP teria que pagar, numa expectativa otimista, cerca de de US$ 7,5 milhões pela vinda de 20 obras de Van Gogh. O valor inviabilizaria a exposição. Até agora, o museu tem conseguido mandados de segurança na Justiça para evitar que a cobrança seja feita desta forma. Vamos torcer para que dê tudo certo.

A L&PM Editores publica Vincent – A História de Vincent Van Gogh em quadrinhos, Van Gogh na Série Biografias L&PM, Cartas a Theo em pocket e Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh em formato grande. Além disso, será publicado, ainda em 2018, o livro O capital de Van Gogh – Ou como os irmãos Van Gogh foram mais espertos do que Warren Buffet, de Wounter Van Der Veen, livro que mostra que, através da aquisição de obras de muitos artistas, bem como a criação de pinturas de Vincent, os dois irmãos pacientemente reuniram uma coleção de valor inestimável. Ao fazê-lo, criaram uma empresa inigualável que até hoje emprega milhares de pessoas em todo o mundo e assegura bilhões de dólares.

Van Gogh Capital capa primeira

“Neste dia da minha libertação”

18 julho 2018

Condenado à prisão perpétua em 1964, Mandela se recusou a se retirar da atenção mundial. Em vez disso, tornou-se o foco de um crescente movimento internacional contra o apartheid. O slogan “Libertem Nelson Mandela” foi ouvido em muitas manifestações durante os anos 1970 e 1980 – e inclusive se tornou, em 1984, o refrão de uma canção de sucesso da banda inglesa de ska The Specials.

Apesar da desaprovação internacional, no entanto, o apartheid perdurou. Houve irrupções de violência severa em cidades negras, notadamente em Soweto, perto de Johannesburgo. No início dos anos 1980, o primeiro-ministro P. W. Botha (mais tarde, presidente) aceitara uma necessidade de mudança, anunciando que os brancos deveriam “se adaptar ou morrer”. Algumas leis do apartheid foram revogadas, mas Mandela se recusou a renunciar à luta armada em troca de uma oferta condicional de soltura em 1985.

Em 10 de fevereiro de 1990, o sucessor de Botha, F. W. de Klerk, finalmente ordenou a soltura de Mandela. No dia seguinte, o mundo inteiro assistiu a Mandela sair da prisão, admirado com a figura nobre e ereta que fora ocultada da vista por tanto tempo. Mais tarde, ele falou em um comício na praça Grand Parade, na Cidade do Cabo. Em seu discurso, ele saúda aqueles que o apoiaram durante seu confinamento e que mantiveram viva a luta contra o apartheid. Em seguida, insiste na necessidade de uma África do Sul democrática e não racial.

Mandela_discurso

“Neste dia da minha libertação”

11 de fevereiro de 1990, Cidade do Cabo, África do Sul 

“Amigos, camaradas e concidadãos sul-africanos, eu os saúdo em nome da paz, da democracia e da liberdade para todos. Estou aqui diante de vocês não como um profeta, e sim como um humilde servo do povo. Seus sacrifícios heroicos e incansáveis tornaram possível eu estar aqui hoje. Eu, portanto, coloco em suas mãos os anos de vida que me restam.

Neste dia da minha libertação, expresso minha afetuosa e sincera gratidão aos milhões de compatriotas e àqueles que, no mundo todo, lutaram incansavelmente para que eu fosse libertado.

Agradeço especialmente ao povo da Cidade do Cabo, esta cidade em que vivi por três décadas. Suas manifestações de massa e outras formas de luta serviram como uma fonte constante de força para todos os prisioneiros políticos.

Saúdo o Congresso Nacional Africano, que cumpriu todas as nossas expectativas em seu papel como líder da grande marcha para a liberdade.

Saúdo nosso presidente, o camarada Oliver Tambo, por liderar o CNA mesmo nas circunstâncias mais difíceis.

Saúdo os membros da base do CNA, que sacrificaram a vida pela causa nobre da nossa luta.

Saúdo os combatentes do Umkhonto we Sizwe, como Solomon Mahlangu e Ashley Kriel, que pagaram o preço mais alto pela liberdade de todos os sul-africanos.

Saúdo o Partido Comunista da África do Sul por sua excelente contribuição à luta pela democracia. Vocês sobreviveram a quarenta anos de perseguição implacável. A memória de grandes comunistas como Moses Kotane, Yusuf Dadoo, Bram Fisher e Moses Mabhida será estimada pelas futuras gerações.

Saúdo o secretário-geral Joe Slovo, um de nossos melhores patriotas. Ficamos animados com o fato de que a aliança entre nós e o partido continua forte como sempre.

Saúdo a Frente Democrática Unida, o Comitê Nacional da Crise na Educação, o Congresso da Juventude Sul-Africana, os congressos indianos de Transvaal e Natal e o Cosatu, e as muitas outras formações do Movimento Democrático de Massa.

Também saúdo a Faixa Negra e a União Nacional dos Estudantes Sul–Africanos. Observamos com orgulho que vocês agiram como a consciência dos sul-africanos brancos. Mesmo durante os dias mais obscuros na história da nossa luta, vocês mantiveram erguida a bandeira da liberdade. A mobilização de massa em larga escala dos últimos anos é um dos fatores principais que levaram ao início do capítulo final da nossa luta.

Estendo meus cumprimentos à classe trabalhadora do nosso país. Sua força organizada é o orgulho do nosso movimento. Vocês continuam sendo a força mais confiável na luta pelo fim da exploração e da opressão. Presto tributo às muitas comunidades religiosas que prosseguiram com a campanha por justiça quando as organizações do nosso povo foram silenciadas.

Saúdo os líderes tradicionais do nosso país. Muitos de vocês continuam a seguir os passos de grandes heróis como Hintsa e Sekhukune.

Presto tributo ao incessante heroísmo da juventude, vocês, os jovens leões. Vocês, os jovens leões, energizaram toda a nossa luta.

Presto tributo às mães, esposas e irmãs da nossa nação. Vocês são o alicerce da nossa luta. O apartheid causou mais sofrimento a vocês do que a quaisquer outras pessoas.

Nesta ocasião, agradecemos à comunidade mundial por sua grande contribuição à luta contra o apartheid. Sem o seu apoio, nossa luta não teria chegado até aqui. O sacrifício dos Estados na linha de frente será para sempre lembrado pelos sul-africanos.

Minhas saudações ficariam incompletas sem expressar meu profundo apreço pela força que recebi de minha amada esposa e família durante meus longos e solitários anos na prisão. Estou convencido de que a dor e o sofrimento de vocês foram muito maiores do que os meus [...]

Hoje, a maioria dos sul-africanos, negros e brancos, reconhece que o apartheid não tem futuro. Precisa acabar por meio de nossa ação decisiva para construir a paz e a segurança. A campanha das massas em desafio ao apartheid e outras ações da nossa organização e do nosso povo só podem culminar no estabelecimento da democracia.

A destruição causada pelo apartheid em nosso subcontinente é incalculável. O tecido da vida familiar de milhões do meu povo foi destruído. Milhões estão desabrigados e desempregados. Nossa economia está em ruína e nosso povo está envolvido em rixas políticas. Nosso recurso à luta armada em 1960, com a formação da ala militar do CNA, o Umkhonto we Sizwe, foi uma ação puramente defensiva contra a violência do apartheid. Os fatores que exigiram a luta armada existem ainda hoje. Não temos outra opção senão continuar. Expressamos a esperança de que logo se crie um clima que conduza a um acordo negociado, para que não haja mais necessidade de luta armada. Sou um membro leal e disciplinado do Congresso Nacional Africano. Portanto, estou totalmente de acordo com todos os seus objetivos, estratégias e táticas.

A necessidade de unir o povo do nosso país é, hoje, uma tarefa tão importante como sempre foi. Nenhum líder individual é capaz de realizar
essa tarefa enorme sozinho. É nossa tarefa, como líderes, apresentar nossas opiniões à organização e permitir que as estruturas democráticas decidam. Quanto à questão da prática democrática, sinto o dever de esclarecer que um líder do movimento é uma pessoa que foi eleita democraticamente numa conferência nacional. Esse é um princípio que deve ser seguido sem exceções.

Hoje, desejo informar a vocês que minhas conversas com o governo têm o objetivo de normalizar a situação política no país. Ainda não começamos a discutir as demandas básicas da luta. Desejo enfatizar que eu, em momento algum, entrei em negociações sobre o futuro do nosso país, exceto para insistir em uma reunião entre o CNA e o governo.

O sr. De Klerk foi mais longe do que qualquer outro presidente nacionalista ao dar passos reais para normalizar a situação. No entanto, há outros passos, conforme delineados na Declaração de Harare, que precisam ser dados antes que as negociações sobre as demandas básicas do nosso povo possam começar. Reitero o apelo por, entre outras coisas, o fim imediato do estado de emergência e a libertação de todos, e não apenas alguns, os prisioneiros políticos. Somente tal situação normalizada, que permita a livre atividade política, pode nos permitir consultar nosso povo a fim de obter um mandato.

O povo precisa ser consultado sobre quem negociará e sobre o conteúdo dessas negociações. As negociações não podem acontecer por cima nem pelas costas do nosso povo. Acreditamos que o futuro do nosso país só pode ser determinado por um órgão que seja eleito democraticamente em uma base não racial. As negociações sobre o desmantelamento do apartheid terão de responder às demandas irrefutáveis do nosso povo por uma África do Sul unida, democrática e não racial. Deve haver um fim ao monopólio dos brancos sobre o poder político e uma reestruturação fundamental dos nossos sistemas político e econômico, para garantir que as desigualdades do apartheid sejam superadas e que nossa sociedade seja totalmente democratizada.

Devemos acrescentar que o próprio sr. De Klerk é um homem íntegro, plenamente ciente dos riscos de uma figura pública não honrar seus compromissos. Mas, como organização, baseamos nossas políticas e estratégias na dura realidade com a qual nos deparamos. E essa realidade é que ainda estamos sofrendo sob as políticas do governo nacionalista. Nossa luta chegou a um momento decisivo. Conclamamos nosso povo a aproveitar este momento, para que o processo rumo à democracia seja rápido e ininterrupto.

Esperamos tempo demais pela nossa liberdade. Já não podemos esperar. É hora de intensificar a luta em todas as frentes. Afrouxar nossos esforços agora seria um erro que as gerações futuras não seriam capazes de perdoar. A visão da liberdade despontando no horizonte deve nos encorajar a redobrar nossos esforços. É somente por meio da ação disciplinada das massas que nossa vitória pode ser assegurada.

Conclamamos nossos compatriotas brancos a se unirem a nós na construção de uma nova África do Sul. O movimento pela liberdade também é o seu lar político. Conclamamos a comunidade internacional a continuar a campanha pelo isolamento do regime de apartheid. Suspender as sanções agora seria correr o risco de abortar o processo rumo à completa erradicação do apartheid. Nossa marcha pela liberdade é irreversível. Não devemos permitir que o medo se interponha em nosso caminho.

O sufrágio universal com um registro unificado de eleitores numa África do Sul unida, democrática e não racial é o único caminho para a paz e a harmonia racial.

Para concluir, desejo citar minhas próprias palavras durante meu julgamento em 1964. Elas são tão verdadeiras hoje quanto foram na época: ‘Eu lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Nutri o ideal de uma sociedade livre e democrática em que todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com iguais oportunidades. É um ideal pelo qual espero viver e o qual espero alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer’.”

O discurso de Mandela e de outros grandes oradores estão na obra 50 Discursos que mudaram o mundo moderno.

“Sapiens” vai virar série pelas mãos de Ridley Scott e Asif Kapadia

12 julho 2018
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É isso mesmo: Ridley Scott, diretor de sucessos como o primeiro “Blade Runner” e “Alien, o oitavo passageiro” será o produtor e Asif Kapadia, vencedor do Oscar de melhor documentário por “Amy”, será o diretor.

Scott e Kapadia estão desenvolvendo juntos essa adaptação de “Sapiens: Uma breve história da humanidade“, livro de Yuval Noah Harari que é publicado no Brasil pela L&PM. O formato exato da produção ainda não está definido, mas ela está sendo pensada como um projeto audiovisual multiplataforma, podendo ir para a TV, o streaming, ou para ambos.

“Sapiens” é um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie – de primatas insignificantes a senhores do mundo. Na obra, Harari tenta explicar como o homo sapiens, apenas um dos muitos ramos da árvore genealógica do sapiens, passou a dominar o planeta.

Ridley Scott e Asif Kapadia

Ridley Scott e Asif Kapadia

John Malkovich na pele de Hercule Poirot

9 julho 2018

Quem diria que John Malkovich seria escalado para viver o famoso detetive Hercule Poirot. Pois o ator norteamericano de 64 anos incorporou o detetive belga criado por Agatha Christie. Ele já está filmando Os Crimes do ABC  (The ABC Murders), série baseada na obra homônima da Rainha do Crime. Rupert Grint, o Rony dos filmes de Harry Potter, também está no elenco. Fruto de uma parceira da BBC com a Amazon, que exibirá a atração nos EUA, a produção ainda não tem data de exibição.

Baseada no clássico romance de 1936, a história será dividida em três partes. Com o Reino Unido dividido e o ódio em ascensão, o drama mostra a busca de Poirot por um serial killer conhecido apenas como ABC. Primeiro, o criminoso ataca em Andover, depois em Bexhill e, por último, em Churston. À medida que a contagem de assassinatos aumenta, a única pista é a cópia de um famoso guia de trens deixada nas cenas dos crimes.

A L&PM publica Os Crimes do ABC na Coleção L&PM Pocket.

Poirot Malkovith com livro