Arquivo de março, 2020

Na Holanda, ladrões fazem a festa no aniversário de Vincent Van Gogh

segunda-feira, 30 março 2020

No exato dia do aniversário de Van Gogh, quando se comemora 167 anos de seu nascimento, ladrões aproveitaram que o museu holandês Singer Laren estava fechado devido à pandemia de coronavírus e fizeram a festa: surrupiaram a obra do pintor holandês intitulada Parsonage Garden at Neunen in Spring e avaliada em torno de 5 milhões de libras.

VAN GOGH ROUBADO

Se foi proposital o roubo acontecer na madrugada do aniversário de Van Gogh não se sabe, mas parece que essa foi a única pintura levada do museu. O alarme chegou a soar às 3h15, mas os ladrões fugiram quando os policiais chegaram.

Durante uma conferência de imprensa transmitida pelo Youtube, o diretor do museu, Jan Rudolph de Lorm, disse estar “incrivelmente chateado” com a perda da pintura, que foi emprestada pelo Museu Groninger, localizado no norte da Holanda e que só possuía este Van Gogh em seu acervo.

A pintura faz parte de uma série de obras de Van Gogh pintadas entre 1883 e 1884.

A L&PM Editores publica vários livros sobre Van Gogh, veja aqui.

Freud: o novo seriado da Netflix para você maratonar

quarta-feira, 25 março 2020

As recomendações para os últimos dias seguem as mesmas: fique em casa e lave as mãos. Dentre as atividades para passar esse tempo de quarentena, estão: arrumar a casa, aprender atividades que você nunca teve tempo, fazer exercícios, meditar, aprender alguma dança exótica, ver filmes e, claro, ler os e-books da L&PM que estão com 30% de desconto. #Dica

freudnetflix

Se você está procurando mais uma série pra maratonar durante esses dias e adora suspense, nós temos uma dica especial: no dia 23 de março estreou “Freud” na Netflix, com a produção austríaco-alemã da plataforma. Apesar de ter o nome do pai da psicanálise, a série não trata-se exatamente de uma biografia, mas sim, sobre uma investigação criminal, tendo Freud como principal aliado na resolução dos casos envolvendo um serial killer. A história se passa no século 19, em Viena, e é ideal para aqueles que já conhecem as várias publicações do psicanalista. Na série, são retratos diversos conceitos da psicanálise, como o ego, ID e superego, além de diversas questões da mente humana.

Confira o trailer da série e os livros publicados pela L&PM Editores com tradução direta do alemão.

Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens”, fala sobre o novo Coronavírus

sexta-feira, 20 março 2020

Em entrevista para o canal CNN dos Estados Unidos, Yuval Noah Harari, autor de Sapiens, afirmou que “esta é a pior epidemia em pelo menos cem anos”. Aqui você pode assistir à entrevista completa. As perguntas e respostas estão transcritas em português, abaixo do vídeo.

Yuval Noah Harari, mais uma vez bem-vindo ao nosso programa.
É bom estar aqui, obrigado.

São dias incomuns. Você escreveu muito sobre História, muito sobre o que nos torna humanos. Você viu nos tempos modernos, em nossa sociedade tecnológica e economicamente globalizada, uma crise como esta?
Como esta na verdade não. Não vemos uma epidemia global como esta há pelo menos cem anos. Realmente ninguém teve a experiência disso que estamos vendo agora, e em parte é isso o que a torna tão assustadora e alarmante. Mas se você olha de um ponto de vista histórico, sim, a humanidade já lidou com muitas dessas epidemias antes e provavelmente estamos em uma situação melhor do que nunca para lidar com esse surto.

Por quê?
Por causa da medicina. Quando a Peste Negra eclodiu, no século 14, ela atingiu desde a China até a Grã-Bretanha, em cerca de dez anos, matando de um quarto a metade de toda a população da Ásia e da Europa, ninguém tinha idéia do que estava acontecendo, qual a causa da doença e o que podia ser feito a respeito. Hoje, com a epidemia de coronavírus, foram necessárias apenas duas semanas para cientistas e médicos não apenas identificarem o vírus por trás do surto, mas também sequenciar todo o seu genoma e desenvolver testes que pelo menos nos dizem quem tem o vírus e quem não tem. Ainda há um longo caminho até superarmos isso, mas estamos em uma situação melhor do que em qualquer outro momento da história.

Mas não esqueçamos que o covid-19 atingiu da China até a Grã-Bretanha e os Estados Unidos em um período muito mais curto, de apenas alguns meses. O que, como cidadão, mais assusta você? Ou o que você mais deseja que aconteça, para pôr fim ao pânico?
Acho que o pior é que essa falta de união que vemos no mundo, a falta de coordenação, de cooperação entre diferentes países e a falta de confiança, tanto entre os países quanto também entre as populações e seus governos, esse é basicamente o dia de acerto para isso que temos visto nos últimos anos, com a epidemia de notícias falsas e com a deterioração das relações internacionais. Se você comparar isso, por exemplo, com a crise financeira de 2008, que é obviamente uma crise de um tipo diferente, mas há semelhanças, em 2008, você tinha adultos responsáveis ​​no mundo, que assumiram uma posição de liderança, orientaram o mundo e impediram os piores resultados. Mas, nos últimos quatro anos, basicamente, vimos uma rápida deterioração da confiança no sistema internacional. O país que antes era o líder, tanto na crise de 2008 como também na última epidemia, a epidemia de ebola em 2014, e esse país são os Estados Unidos, agora não está assumindo nenhum tipo de liderança, na verdade desde 2016 a atual administração deixou muito claro que os EUA renunciaram ao seu papel de líder mundial; deixou bem claro que os EUA não têm mais amigos no mundo, apenas interesses. Mesmo se daqui para frente os EUA tentarem assumir uma posição de liderança, ninguém seguirá um líder cujo lema é “eu primeiro”. O que realmente me assusta é a falta de liderança e cooperação, e o que as pessoas devem perceber é que a propagação da epidemia em qualquer país ameaça o mundo inteiro. Por causa do perigo de que, se não contivermos isso a tempo, o vírus vai evoluir. Talvez um dos piores problemas com esse tipo de epidemia seja uma rápida evolução do vírus. Já vimos isso antes. A epidemia de ebola de 2014 na verdade começou com uma única mutação genética em um vírus em uma pessoa na África Ocidental, que transformou o ebola de uma doença relativamente rara em uma epidemia violenta. Esta mutação aumentou a contagiosidade do vírus quatro vezes. Isso pode estar acontecendo agora, em algum lugar no Irã ou na Itália ou em qualquer outro lugar, e onde quer que aconteça, coloca em perigo o mundo inteiro. A humanidade precisa se unir contra o vírus.

Você diz “se unir” e isso parece contrariar o que os populistas e nacionalistas tem dito desde 2016, como você afirmou, seja nos Estados Unidos, aqui no Reino Unido e em outras partes do mundo, de que a globalização é ruim e que precisamos nos unir para que nada de ruim cruze as nossas fronteiras. Mas você está dizendo que essa se mostrou uma teoria ineficaz ao se lidar com este tipo de crise.
Sim, porque você não se pode evitar epidemias através do isolamento. Você só pode impedi-las com informações. Se você realmente deseja se isolar ao ponto de não ficar exposto a epidemias externas, nem mesmo voltar à Idade Média basta. Porque tivemos esse tipo de epidemia na Idade Média. Se você realmente quer se isolar como uma estratégia contra epidemias, precisa voltar até a Idade da Pedra, e ninguém pode fazer isso. A fronteira real que precisamos proteger com muito cuidado não é entre países, mas entre o mundo humano e a esfera dos vírus. Seres humanos estão cercados por uma enorme variedade de vírus, em todos os tipos de animais e lugares. Se um vírus cruza essas fronteiras, em qualquer lugar do mundo, coloca em risco toda a espécie humana. É nessa fronteira que deveríamos estar pensando. Se um vírus que se originou, digamos, de um morcego, consegue atravessar a fronteira da espécie humana, em qualquer lugar do mundo, esse vírus se adapta ao corpo humano e é um perigo para qualquer pessoa no mundo. É uma ilusão pensar que, a longo prazo, é possível se proteger simplesmente fechando a fronteira do seu país. A política mais eficaz é policiar a fronteira entre a humanidade e o mundo dos vírus.

Como você faz isso?
Apoiando os sistemas de saúde em todo o mundo, percebendo que algo que está acontecendo na África Ocidental ou no Irã ou na China não é apenas uma ameaça para os iranianos dos chineses. É também uma ameaça para os israelenses. Portanto, precisamos de mais organizações como a Organização Mundial de Saúde e mais solidariedade internacional para ajudar o país mais afetado a lidar com uma crise, seja enviando equipamentos, pessoal e sobretudo conhecimento, conhecimento científico, seja com apoio econômico. Um país em que um surto começa, se achar que está por si só, hesitará em tomar medidas drásticas de quarentena porque diz: bem, se bloquearmos todo o país ou cidades inteiras, entraremos em colapso econômico e ninguém nos ajudará, então vamos esperar pra ver se é mesmo tão perigoso, e aí é tarde demais. Mas se um país como a Itália souber que, ao adotar o confinamento, receberá ajuda de outros países, então estará disposto a tomar essas medidas drásticas mais cedo, e isso será um benefício para toda humanidade. Todo euro que a Alemanha ou a França gasta ao auxiliar a Itália em tal situação, economizaria cem euros mais tarde por não ter que lidar com a epidemia em suas próprias cidades.

Agora que esse vírus está à solta e pode-se dizer que houve uma resposta lenta em todo o mundo para tentar preservar essa fronteira entre os vírus e os seres humanos, a Itália tomou uma medida drástica. Quero dizer, o país inteiro está em isolamento. O que acha disso?
Eu diria que este é um teste, especialmente para a União Europeia, que perdeu muito apoio nos últimos anos. É uma chance para a União Europeia comprovar seu valor. É hora de os outros membros da União Europeia apoiar a Itália. Se o fizerem, não apenas protegerão seus próprios cidadãos, mas também mostrarão o valor de um sistema como a União Europeia. Se não o fizerem, o vírus pode destruir a União, e não apenas vidas humanas individuais.

Quero perguntar sobre o impacto social. Algo assim, em que as pessoas são forçadas a se auto-isolar com muito pouca informação, com muito pouca testagem, com muito pouca confiança no que lhes dizem, como você vê isso afetando a sociedade?
A questão imediata é de confiança: se as pessoas confiam em seus governos e se as pessoas confiam no que ouvem na mídia. Para ter uma quarentena efetiva, você precisa da cooperação da população, e isso é uma questão muito problemática, pois esse tipo de confiança foi corroída nos últimos anos. A outra grande questão, a longo prazo, é a vigilância. Um dos perigos da epidemia atual é justificar medidas extremas de vigilância, especialmente de vigilância biométrica, que serão justificadas como um meio de lidar com essa emergência. Mas mesmo depois que a emergência terminar, ela permanecerá. Estamos falando de um sistema de monitoramento de sinais biométricos de uma população inteira o tempo todo, supostamente para proteger as pessoas de futuras epidemias. Mas isso também pode formar a base de um regime totalitário extremo. Estamos enfrentando um enorme problema de vigilância e privacidade em nossa época e acho que veremos uma grande batalha entre privacidade e saúde, e é provável que a saúde vença. As pessoas não terão privacidade em nome de protegê-las da propagação de tais epidemias. A questão é: a tecnologia pode ser muito eficaz. Agora temos a tecnologia para monitorar populações inteiras e descobrir, por exemplo, o surgimento de uma nova doença quando ela está apenas começando e é muito fácil contê-la, e seguir todas as pessoas infectadas e saber exatamente onde elas estão e o que fazem. Mas esse tipo de sistema de vigilância pode então ser usado para monitorar muitas outras coisas, o que as pessoas pensam, o que as pessoas sentem, e, se não tomarmos cuidado, essa epidemia pode justificar o desenvolvimento acelerado de regimes totalitários.

Esse é um pensamento bastante pessimista para digerirmos. Os seres humanos não foram feitos para viver em isolamento, somos uma espécie gregária. E já existem histórias da Itália e de outros lugares, de mulheres idosas, que gostam de ir a um café, conversar, encontrar pessoas, sendo quase proibidas de fazê-lo. Há relatos de solidão, síndrome de encarceramento e depressão. Essa também é uma grande preocupação para a sociedade.
Seres humanos são especialmente vulneráveis ​​às epidemias porque somos animais sociais e é assim que as epidemias se espalham. O problema dos vírus é que eles muitas vezes usam as melhores partes da natureza humana contra nós. Usam não apenas o fato de gostarmos de socializar, mas também o fato de nos ajudamos. Quando alguém está doente, a coisa natural e óbvia a se fazer, sobretudo se esse alguém é um amigo ou membro da família, é procurá-lo, ajudá-lo, cuidar da pessoa, dar apoio emocional, tocá-la, abraça-la, e é exatamente assim que o vírus se espalha. O vírus usa as melhores partes da natureza humana contra nós. Há duas maneiras de lidar com isso: uma é dar informação às pessoas e, se as pessoas confiam nessas informações, elas podem mudar seu comportamento, pelo menos até a epidemia terminar. O outro caminho é o totalitário. Não poderia ser feito na Idade Média, mas hoje em dia sim: monitorar todos. Identificar os sinais iniciais quando alguém fica doente. Agora temos a tecnologia para, mesmo sem colocar algo dentro do corpo de alguém, apenas à distância, saber se a temperatura do corpo está alta. Podemos saber todas as pessoas com quem você se encontrou hoje. E saber, por exemplo, quem quebrou as instruções do governo para não abraçar ou não beijar. Então, se as pessoas não acreditam nas informações que recebem e não confiam nelas, podem ser compelidas a fazê-lo, por meio de um regime onipresente de vigilância. Esta é a parte perigosa. Espero que não sigamos nessa direção.

Para ver (e ler) com as crianças

terça-feira, 17 março 2020

As aulas estão canceladas. E agora? O que fazer com as crianças em casa? Apesar da gente preferir livros no lugar de séries, a Netflix parece fazer parte das opções de dez entre dez pais. E já que o streaming é mesmo inevitável (não que a gente não goste dele, mas como já dissemos, preferimos livros), que tal assistir a animações que foram inspiradas em clássicos da literatura? Seguem aqui algumas sugestões que tiveram origem em livros que fazem parte do catálogo L&PM:

O LIVRO DA SELVA e MOGLI, ENTRE DOIS MUNDOS – São duas adaptações em live action baseadas na mais famosa obra de Rudyard Kipling; O livro da selva, que conta a história do menino lobo e de sua luta contra o malvado tigre Shere-Khan.

O LIVRO DA SELVA

MOGLI ENTRE DOIS MUNDOS

CANINOS BRANCOS - O desenho animado baseado na obra homônima de Jack London é uma ótima opção para toda a família. Já o livro que conta a história de um cão selvagem, que descobre o que há de pior e de melhor no ser humano, certamente vai agradar a ala adolescente da casa.

CANINOS BRANCOS

AS AVENTURAS DE ROBINSON CRUSOÉ - Nessa animação belga, o clássico de Daniel Defoe é mais bem humorado do que no livro. Mas se o objetivo do filme é dar boas risadas, o da obra literária é fazer refletir sobre o herói que passa 25 anos em uma ilha na mais completa solidão. A L&PM publica As aventuras de Robinson Crusoé em pocket e na série Clássicos em quadrinhos.

ROBINSON CRUSOE

O PEQUENO PRÍNCIPE - Apesar do título, não é uma adaptação exata do livro de Saint-Exupéry, já que tem como personagem principal uma menina cuja mãe quer que ela cresça rápido demais. Essa menina conhece um velho aviador que lhe conta uma grande aventura que viveu no deserto. Na L&PM, O Pequeno Príncipestá em formato convencional e pocket.

PEQUENO PRINCIPE

SHERLOCK GNOMES – O próprio nome do filme já explica: essa animação transporta o mais famoso detetive da literatura para o mundo dos gnomos. E não bastasse isso, ainda tem mais dois personagens clássicos nessa história: Gnomeu e Julieta. Uma ótima oportunidade para explicar para as crianças quem são Sherlock Holmes e Romeu e Julieta.

SHERLOCK GNOMES

“O político fascista gira em torno do inimigo”, diz Jason Stanley para a Folha

segunda-feira, 9 março 2020

Jason Stanley, filósofo, professor da Universidade de Yale e colaborador do New York Times e do Washington Post, chega ao Brasil nesta semana. Autor de “Como funciona o fascismo“, publicado no Brasil pela L&PM, ele vem para o Festival Serrote, promovido pelo Instituto Moreira Salles em São Paulo. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Jason fala sobre Trump, as eleições nos EUA, o governo Bolsonaro e o papel da imprensa diante de líderes autoritários. Leia abaixo a matéria completa de João Perassolo:

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