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Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens”, fala sobre o novo Coronavírus

sexta-feira, 20 março 2020

Em entrevista para o canal CNN dos Estados Unidos, Yuval Noah Harari, autor de Sapiens, afirmou que “esta é a pior epidemia em pelo menos cem anos”. Aqui você pode assistir à entrevista completa. As perguntas e respostas estão transcritas em português, abaixo do vídeo.

Yuval Noah Harari, mais uma vez bem-vindo ao nosso programa.
É bom estar aqui, obrigado.

São dias incomuns. Você escreveu muito sobre História, muito sobre o que nos torna humanos. Você viu nos tempos modernos, em nossa sociedade tecnológica e economicamente globalizada, uma crise como esta?
Como esta na verdade não. Não vemos uma epidemia global como esta há pelo menos cem anos. Realmente ninguém teve a experiência disso que estamos vendo agora, e em parte é isso o que a torna tão assustadora e alarmante. Mas se você olha de um ponto de vista histórico, sim, a humanidade já lidou com muitas dessas epidemias antes e provavelmente estamos em uma situação melhor do que nunca para lidar com esse surto.

Por quê?
Por causa da medicina. Quando a Peste Negra eclodiu, no século 14, ela atingiu desde a China até a Grã-Bretanha, em cerca de dez anos, matando de um quarto a metade de toda a população da Ásia e da Europa, ninguém tinha idéia do que estava acontecendo, qual a causa da doença e o que podia ser feito a respeito. Hoje, com a epidemia de coronavírus, foram necessárias apenas duas semanas para cientistas e médicos não apenas identificarem o vírus por trás do surto, mas também sequenciar todo o seu genoma e desenvolver testes que pelo menos nos dizem quem tem o vírus e quem não tem. Ainda há um longo caminho até superarmos isso, mas estamos em uma situação melhor do que em qualquer outro momento da história.

Mas não esqueçamos que o covid-19 atingiu da China até a Grã-Bretanha e os Estados Unidos em um período muito mais curto, de apenas alguns meses. O que, como cidadão, mais assusta você? Ou o que você mais deseja que aconteça, para pôr fim ao pânico?
Acho que o pior é que essa falta de união que vemos no mundo, a falta de coordenação, de cooperação entre diferentes países e a falta de confiança, tanto entre os países quanto também entre as populações e seus governos, esse é basicamente o dia de acerto para isso que temos visto nos últimos anos, com a epidemia de notícias falsas e com a deterioração das relações internacionais. Se você comparar isso, por exemplo, com a crise financeira de 2008, que é obviamente uma crise de um tipo diferente, mas há semelhanças, em 2008, você tinha adultos responsáveis ​​no mundo, que assumiram uma posição de liderança, orientaram o mundo e impediram os piores resultados. Mas, nos últimos quatro anos, basicamente, vimos uma rápida deterioração da confiança no sistema internacional. O país que antes era o líder, tanto na crise de 2008 como também na última epidemia, a epidemia de ebola em 2014, e esse país são os Estados Unidos, agora não está assumindo nenhum tipo de liderança, na verdade desde 2016 a atual administração deixou muito claro que os EUA renunciaram ao seu papel de líder mundial; deixou bem claro que os EUA não têm mais amigos no mundo, apenas interesses. Mesmo se daqui para frente os EUA tentarem assumir uma posição de liderança, ninguém seguirá um líder cujo lema é “eu primeiro”. O que realmente me assusta é a falta de liderança e cooperação, e o que as pessoas devem perceber é que a propagação da epidemia em qualquer país ameaça o mundo inteiro. Por causa do perigo de que, se não contivermos isso a tempo, o vírus vai evoluir. Talvez um dos piores problemas com esse tipo de epidemia seja uma rápida evolução do vírus. Já vimos isso antes. A epidemia de ebola de 2014 na verdade começou com uma única mutação genética em um vírus em uma pessoa na África Ocidental, que transformou o ebola de uma doença relativamente rara em uma epidemia violenta. Esta mutação aumentou a contagiosidade do vírus quatro vezes. Isso pode estar acontecendo agora, em algum lugar no Irã ou na Itália ou em qualquer outro lugar, e onde quer que aconteça, coloca em perigo o mundo inteiro. A humanidade precisa se unir contra o vírus.

Você diz “se unir” e isso parece contrariar o que os populistas e nacionalistas tem dito desde 2016, como você afirmou, seja nos Estados Unidos, aqui no Reino Unido e em outras partes do mundo, de que a globalização é ruim e que precisamos nos unir para que nada de ruim cruze as nossas fronteiras. Mas você está dizendo que essa se mostrou uma teoria ineficaz ao se lidar com este tipo de crise.
Sim, porque você não se pode evitar epidemias através do isolamento. Você só pode impedi-las com informações. Se você realmente deseja se isolar ao ponto de não ficar exposto a epidemias externas, nem mesmo voltar à Idade Média basta. Porque tivemos esse tipo de epidemia na Idade Média. Se você realmente quer se isolar como uma estratégia contra epidemias, precisa voltar até a Idade da Pedra, e ninguém pode fazer isso. A fronteira real que precisamos proteger com muito cuidado não é entre países, mas entre o mundo humano e a esfera dos vírus. Seres humanos estão cercados por uma enorme variedade de vírus, em todos os tipos de animais e lugares. Se um vírus cruza essas fronteiras, em qualquer lugar do mundo, coloca em risco toda a espécie humana. É nessa fronteira que deveríamos estar pensando. Se um vírus que se originou, digamos, de um morcego, consegue atravessar a fronteira da espécie humana, em qualquer lugar do mundo, esse vírus se adapta ao corpo humano e é um perigo para qualquer pessoa no mundo. É uma ilusão pensar que, a longo prazo, é possível se proteger simplesmente fechando a fronteira do seu país. A política mais eficaz é policiar a fronteira entre a humanidade e o mundo dos vírus.

Como você faz isso?
Apoiando os sistemas de saúde em todo o mundo, percebendo que algo que está acontecendo na África Ocidental ou no Irã ou na China não é apenas uma ameaça para os iranianos dos chineses. É também uma ameaça para os israelenses. Portanto, precisamos de mais organizações como a Organização Mundial de Saúde e mais solidariedade internacional para ajudar o país mais afetado a lidar com uma crise, seja enviando equipamentos, pessoal e sobretudo conhecimento, conhecimento científico, seja com apoio econômico. Um país em que um surto começa, se achar que está por si só, hesitará em tomar medidas drásticas de quarentena porque diz: bem, se bloquearmos todo o país ou cidades inteiras, entraremos em colapso econômico e ninguém nos ajudará, então vamos esperar pra ver se é mesmo tão perigoso, e aí é tarde demais. Mas se um país como a Itália souber que, ao adotar o confinamento, receberá ajuda de outros países, então estará disposto a tomar essas medidas drásticas mais cedo, e isso será um benefício para toda humanidade. Todo euro que a Alemanha ou a França gasta ao auxiliar a Itália em tal situação, economizaria cem euros mais tarde por não ter que lidar com a epidemia em suas próprias cidades.

Agora que esse vírus está à solta e pode-se dizer que houve uma resposta lenta em todo o mundo para tentar preservar essa fronteira entre os vírus e os seres humanos, a Itália tomou uma medida drástica. Quero dizer, o país inteiro está em isolamento. O que acha disso?
Eu diria que este é um teste, especialmente para a União Europeia, que perdeu muito apoio nos últimos anos. É uma chance para a União Europeia comprovar seu valor. É hora de os outros membros da União Europeia apoiar a Itália. Se o fizerem, não apenas protegerão seus próprios cidadãos, mas também mostrarão o valor de um sistema como a União Europeia. Se não o fizerem, o vírus pode destruir a União, e não apenas vidas humanas individuais.

Quero perguntar sobre o impacto social. Algo assim, em que as pessoas são forçadas a se auto-isolar com muito pouca informação, com muito pouca testagem, com muito pouca confiança no que lhes dizem, como você vê isso afetando a sociedade?
A questão imediata é de confiança: se as pessoas confiam em seus governos e se as pessoas confiam no que ouvem na mídia. Para ter uma quarentena efetiva, você precisa da cooperação da população, e isso é uma questão muito problemática, pois esse tipo de confiança foi corroída nos últimos anos. A outra grande questão, a longo prazo, é a vigilância. Um dos perigos da epidemia atual é justificar medidas extremas de vigilância, especialmente de vigilância biométrica, que serão justificadas como um meio de lidar com essa emergência. Mas mesmo depois que a emergência terminar, ela permanecerá. Estamos falando de um sistema de monitoramento de sinais biométricos de uma população inteira o tempo todo, supostamente para proteger as pessoas de futuras epidemias. Mas isso também pode formar a base de um regime totalitário extremo. Estamos enfrentando um enorme problema de vigilância e privacidade em nossa época e acho que veremos uma grande batalha entre privacidade e saúde, e é provável que a saúde vença. As pessoas não terão privacidade em nome de protegê-las da propagação de tais epidemias. A questão é: a tecnologia pode ser muito eficaz. Agora temos a tecnologia para monitorar populações inteiras e descobrir, por exemplo, o surgimento de uma nova doença quando ela está apenas começando e é muito fácil contê-la, e seguir todas as pessoas infectadas e saber exatamente onde elas estão e o que fazem. Mas esse tipo de sistema de vigilância pode então ser usado para monitorar muitas outras coisas, o que as pessoas pensam, o que as pessoas sentem, e, se não tomarmos cuidado, essa epidemia pode justificar o desenvolvimento acelerado de regimes totalitários.

Esse é um pensamento bastante pessimista para digerirmos. Os seres humanos não foram feitos para viver em isolamento, somos uma espécie gregária. E já existem histórias da Itália e de outros lugares, de mulheres idosas, que gostam de ir a um café, conversar, encontrar pessoas, sendo quase proibidas de fazê-lo. Há relatos de solidão, síndrome de encarceramento e depressão. Essa também é uma grande preocupação para a sociedade.
Seres humanos são especialmente vulneráveis ​​às epidemias porque somos animais sociais e é assim que as epidemias se espalham. O problema dos vírus é que eles muitas vezes usam as melhores partes da natureza humana contra nós. Usam não apenas o fato de gostarmos de socializar, mas também o fato de nos ajudamos. Quando alguém está doente, a coisa natural e óbvia a se fazer, sobretudo se esse alguém é um amigo ou membro da família, é procurá-lo, ajudá-lo, cuidar da pessoa, dar apoio emocional, tocá-la, abraça-la, e é exatamente assim que o vírus se espalha. O vírus usa as melhores partes da natureza humana contra nós. Há duas maneiras de lidar com isso: uma é dar informação às pessoas e, se as pessoas confiam nessas informações, elas podem mudar seu comportamento, pelo menos até a epidemia terminar. O outro caminho é o totalitário. Não poderia ser feito na Idade Média, mas hoje em dia sim: monitorar todos. Identificar os sinais iniciais quando alguém fica doente. Agora temos a tecnologia para, mesmo sem colocar algo dentro do corpo de alguém, apenas à distância, saber se a temperatura do corpo está alta. Podemos saber todas as pessoas com quem você se encontrou hoje. E saber, por exemplo, quem quebrou as instruções do governo para não abraçar ou não beijar. Então, se as pessoas não acreditam nas informações que recebem e não confiam nelas, podem ser compelidas a fazê-lo, por meio de um regime onipresente de vigilância. Esta é a parte perigosa. Espero que não sigamos nessa direção.

“Sapiens” vai virar série pelas mãos de Ridley Scott e Asif Kapadia

quinta-feira, 12 julho 2018
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É isso mesmo: Ridley Scott, diretor de sucessos como o primeiro “Blade Runner” e “Alien, o oitavo passageiro” será o produtor e Asif Kapadia, vencedor do Oscar de melhor documentário por “Amy”, será o diretor.

Scott e Kapadia estão desenvolvendo juntos essa adaptação de “Sapiens: Uma breve história da humanidade“, livro de Yuval Noah Harari que é publicado no Brasil pela L&PM. O formato exato da produção ainda não está definido, mas ela está sendo pensada como um projeto audiovisual multiplataforma, podendo ir para a TV, o streaming, ou para ambos.

“Sapiens” é um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie – de primatas insignificantes a senhores do mundo. Na obra, Harari tenta explicar como o homo sapiens, apenas um dos muitos ramos da árvore genealógica do sapiens, passou a dominar o planeta.

Ridley Scott e Asif Kapadia

Ridley Scott e Asif Kapadia

Barack Obama também recomenda “Sapiens”

terça-feira, 25 outubro 2016

Depois de Bill Gates e de Mark Zuckerberg contarem que leram e que adoraram o livro Sapiens (publicado no Brasil pela L&PM), é a vez de Barack Obama indicar a obra de de Yuval Noah Harari. Foi em uma entrevista à revista Wired de novembro que o presidente dos EUA indicou seus livros preferidos. Leia abaixo o trecho:

Prepare-se para arranjar 89 horas para as leituras essenciais recomendadas pelo presidente Obama

Relatórios de serviços de inteligência, documentos secretos, esboços de discursos – o presidente Obama não pode partilhar os detalhes da sua lista de leitura diária do Salão Oval. Mas Obama, um dos maiores oradores da política moderna, foi influenciado por grandes autores desde muito antes de receber passe livre do serviço de segurança nacional. Na nossa edição de novembro, o presidente deu à Wired um curso intensivo sobre os livros que influenciaram sua formação.

Como todas as diligentes pessoas de sucesso, nós levamos a sério nossa lição de casa. Então, calculamos quanto tempo você vai precisar para ler tudo da ementa do professor Obama. Estamos falando de 89 horas na companhia de grandes mentes como Abraham Lincoln, James Baldwin e Elizabeth Kolbert. Obama gosta de romances primorosos como Batalha incerta, de John Steinbeck, mas não se intimida diante de textos pungentes de não-ficção, como Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Harari. E tem um fraco por biografias de grandes inovadores americanos, de Andy Grove a Martin Luther King Jr.

Claro, você sempre pode espaçar essas leituras num período maior de tempo. Mas você também poderia trabalhar na sua declaração de imposto de renda uma hora por semana e termina-la só lá por março. Então, da próxima vez que você tiver uma semana livre, ponha os pés para cima e dedique-se a seu seminário de literatura no Salão Oval. Nunca houve uma desculpa melhor para evitar conversas com a família estendida nas festas de final de ano; que comecem as leituras!

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SapiensEm Sapiens, YuvalHarari escreve sobre inovadores de outro tipo. Muito antes dos chips de computador, nossos ancestrais Homo sapiens viveram uma revolução cognitiva, expandindo e colonizando o resto do mundo. Harari pontua os momentos significativos de mudança, desde as revoluções científicas e industriais até nossos experimentos modernos com a bioengenharia, que podem significar o fim do Homo sapienstal como existimos há 150 mil anos. Uma leitura obrigatória para qualquer humano – ou para qualquer aspirante a robô.

Tempo total de leitura: 6,5 horas

Como ler: Como um livro de cabeceira quando você precisar sentir um pouco de orgulho da espécie.

Obama também falou indicou seus livros preferidos em entrevista à CNN:

Autor de “Sapiens”, Yuval Harari faz conferência no TED

sexta-feira, 24 julho 2015

Foi na sexta-feira, 24 de julho, que o historiador israelense Yuval Noah Harari, autor do livro Sapiens, apresentou uma nova conferência no TED (Tecnologia, Entretenimento, Design). As palestras do TED são super famosas por apresentarem, no tempo máximo de 16 minutos, assuntos interessantes que depois são viralizados pela internet.

A conferência de Yuval teve o título de “O que explica o aumento dos seres humanos” começou com o historiador falando “70 mil anos atrás, nossos ancestrais eram animais insignificantes. A coisa mais importante que precisamos saber sobre os seres humanos pré-históricos é que eles não eram importantes. Seu impacto sobre o mundo não era maior do que o da água-viva ou do vaga-lume ou do pica-pau. Hoje, ao contrário, nós controlamos este planeta. A pergunta é: Como chegamos até aqui? Como nos transformamos de macacos insignificantes para governantes do planeta Terra?”

 

70 mil anos atrás, nossos ancestrais eram animais insignificantes. A coisa mais importante a saber sobre os seres humanos pré-históricos é que eles não eram importantes. Seu impacto sobre o mundo não era muito maior do que a de água-viva ou vaga-lumes ou pica-paus. Hoje, ao contrário, nós controlamos . este planeta E a pergunta é: Como chegamos de lá para cá? Como nós transformar-nos de macacos insignificantes, cuidando de seu próprio negócio em um canto da África, para os governantes do planeta Terra? Normalmente, olhamos para a diferença entre nós e todos os outros animais . no nível individual Queremos acreditar – Eu quero acreditar - que há algo especial sobre mim,sobre o meu corpo, sobre o meu cérebro, que me faz tão superior a um cão ou um porco, ou um chimpanzé. Mas a verdade é que, no nível individual, eu sou embaraçosamente semelhante a um chimpanzé. E se você me e um chimpanzé tirar e colocar-nos juntos em uma ilha solitária, e tivemos de lutar pela sobrevivência para ver quem sobrevive melhor, eu com certeza gostaria de colocar a minha aposta no chimpanzé, e não em mim mesmo. E isso não é algo errado comigo pessoalmente.Eu acho que se eles levaram quase qualquer um de vocês, e você colocou sozinho com um chimpanzé em alguns ilha, o chimpanzé iria fazer muito melhor. A verdadeira diferença entre os seres humanos e todos os outros animais não está no nível individual; é no nível coletivo. Os seres humanos controlar o planeta, porque eles são os únicos animais que podem cooperar tanto com flexibilidade e em muito grande . números Agora, existem outros animais - como os insetos sociais, as abelhas, as formigas - . que podem cooperar em grande número, mas eles não fazê-lo de forma flexível A sua cooperação é muito rígida. Há basicamente apenas uma maneira em que uma colméia pode funcionar.E se há uma nova oportunidade ou um novo perigo, as abelhas não pode reinventar o sistema social durante a noite. Eles não podem, por exemplo, executar a rainha e estabelecer uma república das abelhas, ou uma ditadura comunista de abelhas operárias . Outros animais, como os mamíferos sociais - os lobos, os elefantes, os golfinhos, os chimpanzés - eles podem cooperar muito mais flexível, mas fazê-lo apenas em pequenas quantidades, porque a cooperação entre os chimpanzés se baseia no conhecimento íntimo, um do outro. Eu sou um chimpanzé e você é um chimpanzé, e eu quero colaborar com você. Eu preciso saber que você pessoalmente. Que tipo de chimpanzé é você? Você é um bom chimpanzé? Você é um chimpanzé mal? Você está confiável? Se eu não te conheço, como posso cooperar com você? O único animal que pode combinar as duas habilidades em conjunto e cooperar tanto fazer de forma flexível e ainda assim em grande número é nós, Homo sapiens. Um contra um , ou até mesmo 10 contra 10, chimpanzés pode ser melhor do que nós. Mas, se você pit 1.000 seres humanos contra 1.000 chimpanzés, os humanos vai ganhar facilmente, pela simples razão de que mil chimpanzés não pode cooperar em tudo. E se você agora tentar empinar 100.000 chimpanzés em Oxford Street, ou em Wembley Stadium, ou Tienanmen Square ou o Vaticano, você vai ter caos, caos completo. Imaginem Wembley Stadium com 100.000 chimpanzés. loucura completa.Em contraste, os seres humanos normalmente se reúnem ali em dezenas de milhares, eo que temos não é o caos, normalmente. O que temos é redes extremamente sofisticados e eficazes de cooperação. Todas as grandes conquistas da humanidade ao longo da história, quer se trate de construção das pirâmides ou voar para a lua, foram baseada não em habilidades individuais, . mas nesta capacidade de cooperar de forma flexível em grande número , mesmo Pense sobre isso muito falar que eu estou dando agora: eu estou aqui de pé na frente de uma platéia de cerca de 300 ou 400 pessoas, a maioria de vocês são completos estranhos para mim. Da mesma forma, eu realmente não sei todas as pessoas que organizaram e trabalharam neste evento. Eu não sei o piloto e os tripulantes do avião que me trouxe até aqui, ontem, para Londres. Eu não sei as pessoas que inventaram e fabricados este microfone e estas câmeras, que está gravando o que estou dizendo. Eu não sei as pessoas que escreveu todos os livros e artigos que li em preparação para essa conversa. E eu certamente não fazer conhecer todas as pessoas que poderiam estar assistindo esta conversa através da Internet, em algum lugar em Buenos Aires ou em Nova Deli. No entanto, apesar de nós não conhecem uns aos outros, podemos trabalhar juntos para criar esta troca global de idéias. Isso é algo chimpanzés não pode fazer. Eles se comunicam, é claro, mas você nunca vai pegar um chimpanzé viajar para alguma banda chimpanzé distante para dar-lhes uma palestra sobre bananas ou sobre elefantes, ou qualquer outra coisa que possa interessar chimpanzés. Agora cooperação é, claro, não sempre agradáveis; todas as coisas horríveis seres humanos têm vindo a fazer ao longo da história - e temos vindo a fazer algumas coisas muito horríveis - todas essas coisas também se baseiam na cooperação em grande escala. As prisões são um sistema de cooperação; matadouros são um sistema de cooperação; campos de concentração são um sistema de cooperação. Os chimpanzés não têm matadouros e prisões e campos de concentração. Agora suponha que eu consegui convencê-lo, talvez, que sim, podemos controlar o mundo, porque nós podemos cooperar de forma flexível em grandes números. O próximo questão que se coloca imediatamente na mente de um ouvinte curioso é: Como, exatamente, fazemos isso? O que nos permite por si só, de todos os animais, a cooperar de forma? A resposta é a nossa imaginação. Podemos cooperar de forma flexível com um número incontável de estranhos, porque nós apenas, de todos os animais do planeta, pode criar e acreditar ficções, histórias de ficção. E enquanto todo mundo acredita na mesma ficção, todo mundo obedece e segue as mesmas regras, as mesmas normas, a mesmos valores. Todos os outros animais usam seu sistema de comunicação só para descrever a realidade. Um chimpanzé pode dizer: “Olha!Há um leão, vamos fugir! “ Ou: “Olha! Há uma árvore de banana por lá! Vamos começar bananas! “ Os seres humanos, ao contrário, utilizar a sua língua e não apenas descrever a realidade, mas também para criar novas realidades, realidades ficcionais. Um ser humano pode dizer: “Olha, há um deus acima das nuvens! E se você não faça o que eu lhe disser para fazer, quando você morrer, Deus vai castigá-lo e enviá-lo para o inferno. “ E se vocês acreditam que esta história que eu inventei, então você vai seguir as mesmas normas e leis e valores , e você pode colaborar. Isso é algo que só os humanos podem fazer. Você nunca pode convencer um chimpanzé para dar-lhe uma banana , prometendo-lhe: “… depois que você morrer, você vai ir para chimpanzé céu …” (Risos ) “… e você receberá lotes e lotes de bananas para as vossas boas obras. Então, agora me dar esta banana. “ Não chimpanzé jamais acreditaria em tal história. Somente os seres humanos acreditam que tais histórias,é por isso que controlar o mundo , enquanto que os chimpanzés são travados acima em zoológicos e laboratórios de pesquisa. Agora você pode achar que é aceitável que sim, no campo religioso, os seres humanos cooperar crendo nas mesmas ficções. Milhões de pessoas se juntam para construir uma catedral ou uma mesquita ou luta em uma cruzada ou uma jihad, porque todos acreditam nas mesmas histórias sobre Deus e sobre o céu eo inferno. Mas o que eu quero enfatizar é que exatamente o mesmo mecanismo subjacente a todas as outras formas de cooperação humana em grande escala,não só no religioso campo. Tomemos, por exemplo, o campo legal. A maioria dos sistemas legais no mundo hoje são baseados em uma crença em direitos humanos. Mas o que são os direitos humanos?Os direitos humanos, assim como Deus e do céu, são apenas uma história que nós temos . inventouEles não são uma realidade objetiva; eles não são algum efeito biológico sobre o homo sapiens. Tome um ser humano, cortá-lo aberto, olhar para dentro, você encontrará o coração, os rins, os neurônios, hormônios, DNA, mas você ganhou ‘ t encontrar quaisquer direitos. O único lugar onde você encontrará os direitos estão nas histórias que inventaram e espalhados ao longo dos últimos séculos.Eles podem ser histórias muito positivo, muito boas histórias, mas eles ainda são apenas histórias de ficção que nós ‘ ve inventada. O mesmo acontece com o campo político. Os fatores mais importantes na política moderna são estados e nações. Mas o que são os estados e nações? Eles não são uma realidade objetiva. A montanha é uma realidade objetiva. Você pode vê-lo, você pode tocá-lo, você nunca pode sentir o cheiro. Mas uma nação ou um Estado, como Israel ou o Irã ou a França ou a Alemanha, esta é apenas uma história que nós temos inventado e tornou-se extremamente ligado a. O mesmo é verdade para a economia campo. Os atores mais importantes hoje na economia global são as empresas e corporações. Muitos de vocês hoje, talvez, o trabalho para uma corporação, como o Google ou Toyota ou McDonald. O que são exatamente essas coisas? Eles são o que os advogados chamam ficções legais. Eles são histórias inventadas e mantidos . pelos magos poderosos que chamamos de advogados (Risos) ? E o que as empresas fazem todo o dia . Principalmente, eles tentam ganhar dinheiro ? No entanto, o que é dinheiro Mais uma vez, o dinheiro não é uma realidade objetiva; ele não tem valor objetivo. Pegue este pedaço de papel verde, nota de dólar. Olhe para ele – ele não tem valor. Você não pode comê-lo, você não pode beber, você não pode usá-lo. Mas então veio ao longo desses contadores de histórias mestre – - os grandes banqueiros, os ministros das Finanças, os primeiros-ministros - e eles nos contam uma história muito convincente: “Olha, você ver este pedaço de papel verde . É realmente vale 10 bananas “ E se eu acredito nisso, e você acreditar, e todo mundo acredita nisso, ele realmente funciona. Posso levar este pedaço de papel sem valor, ir ao supermercado, dá-la a um completo estranho que eu nunca conheci antes, e obter, em troca, bananas reais que eu pode realmente comer. Isto é algo incrível. Você nunca poderia fazê-lo com os chimpanzés. Chimpanzés comércio, é claro: “Sim, você me dá um coco, eu vou te dar uma banana.”Isso pode funcionar. Mas, você me dá um pedaço de papel sem valor e você, exceto que eu lhe dê uma banana? De jeito nenhum! O que você acha que eu sou, um ser humano? (Risos) O dinheiro, na verdade, é a história de maior sucesso já inventado e disse por seres humanos, porque é a única história que todo mundo acredita. Nem todo mundo acredita em Deus, nem todo mundo acredita em direitos humanos, nem todo mundo acredita no nacionalismo, mas todo mundo acredita em dinheiro, e na nota de um dólar. Tome-se, ainda, Osama Bin Laden. Ele odiava a política americana e de religião americana e cultura americana, . mas ele não tinha objeção a dólares americanos . Ele gostava muito deles, na verdade, (Risos) Para concluir, então: Nós, humanos, controlar o mundo, porque vivemos em uma realidade dual. Todos os outros animais vivem em uma realidade objetiva. A realidade consiste de entidades objetivas, como rios e árvores e leões e elefantes. Nós, seres humanos, nós também vivemos em uma realidade objetiva. Em nosso mundo, também, há rios e árvores e leões e elefantes.Mas ao longo dos séculos, nós construímos no topo desta realidade objetiva uma segunda camada de realidade ficcional, uma realidade feita de entidades fictícias, como as nações, como deuses, como o dinheiro, como corporações. E o que é surpreendente é que, como a história se desenrolava, esta fictícia realidade tornou-se mais e mais poderosos para que hoje, as forças mais poderosas do mundosão estas entidades ficcionais. Hoje, a própria sobrevivência de rios e árvores e leões e elefantesdepende das decisões e desejos de entidades ficcionais, como os Estados Unidos, como o Google, como o Banco Mundial - . entidades que existem apenas em nossa própria imaginação . Obrigado(Aplausos) . de Bruno Giussani: Yuval, você tem um novo livro Depois Sapiens, você escreveu um outro, e está fora em hebraico, mas ainda não traduzido para … Yuval Harari Noah: Eu estou trabalhando na tradução como nós falamos. BG: No livro, se eu entendi corretamente, você argumenta que os avanços surpreendentes que estamos experimentando agora não só irá potencialmente tornar nossa vida melhor, mas eles vão criar – e eu citá-lo - “… novas classes e novas lutas de classes, assim como a revolução industrial fez.” Você pode elaborar para nós? YNH: Sim. Na revolução industrial,vimos a criação de uma nova classe do proletariado urbano. E grande parte da história política e social dos últimos 200 anos envolvidos o que fazer com essa classe, e os novos problemas e oportunidades.Agora, nós vemos a criação de uma nova classe maciça de pessoas inúteis. (Risos) Como os computadores se tornam cada vez melhor em mais e mais campos, há uma possibilidade de que os computadores vão realizar-se-nos na maioria das tarefas e fará com que os seres humanos redundante. E então o grande questão política e econômica do século 21 será, “O que precisamos para os seres humanos?”, ou, pelo menos, “O que precisamos de tantos seres humanos para?” BG: Você tem uma resposta no livro? YNH: No momento, o melhor palpite que temos é para mantê-los felizes com drogas e jogos de computador … (Risos) , mas isso não soar como um futuro muito atraente. BG: Ok, então você está dizendo, basicamente, no livro e agora, que para toda a discussão sobre a crescente evidência da desigualdade econômica significativa, nós somos apenas uma espécie de, no início do processo? YNH: Mais uma vez, não é uma profecia; é ver todos os tipos de possibilidades diante de nós. Uma possibilidade é esta . criação de uma nova classe maciça de pessoas inúteis Outra possibilidade é a divisão da humanidade em diferentes castas biológicas, com o rico que está sendo atualizado em deuses virtuais, e os pobres sendo degradados a este nível de pessoas inúteis. BG: Eu sinto que não há outro TED talk chegando em um ano ou dois. Obrigado, Yuval, para fazer a viagem. YNH: Obrigado (Aplausos)

“Sapiens” ganha destaque em Brasília

sexta-feira, 22 maio 2015

Sapiens, de Yuval Noah Harari, é um livro sobre nós todos: seres humanos. Ler suas páginas é mergulhar no nosso passado, mas principalmente no nosso futuro, pois ele não mostra apenas de onde viemos, mas questiona para onde vamos.

O jornal de Brasília Correio Braziliense dedicou uma página inteira ao livro e a seu autor, o israelense Yuval Noah Harari. Clique sobre a imagem para ler a matéria assinada por Nahima Maciel:

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Clique sobre a imagem para ampliar e ler a matéria

 

Jornalista Jorge Pontual diz que “Sapiens” é seu livro favorito

quinta-feira, 23 abril 2015

Foi durante o Programa GloboNews em Pauta que o jornalista Jorge Pontual começou a falar sobre Sapiens, de Yuval Noah Harari, lançado há pouco no Brasil pela L&PM. Depois de explicar que se trata de uma obra sobre a evolução da nossa espécie, em que o autor faz projeções inclusive sobre o futuro da raça humana, Pontual confessou: “Sapiens virou o meu livro favorito. (…) O livro é fascinante, é brilhante, eu já li duas vezes e vou começar pela terceira vez, tô obcecado. E brincou: “E já que vocês estão me permitindo falar sobre o livro e a gente ainda tem mais dez minutos de programa, eu vou falar sobre ele até o final.” Todos riram.

Assista aqui:

 

Nosso DNA ainda acha que estamos na savana africana, diz autor de “Sapiens”

segunda-feira, 16 março 2015

Jornal O Globo – Por William Helal Filho – 15/03/2015

Livro de Yuval Noah Harari, que leciona em Jerusalém, usa narrativa eloquente para refletir sobre quem somos e para onde vamos

Pintura egípcia no túmulo de Unsou mostra trabalho de agricultores

Pintura egípcia no túmulo de Unsou mostra trabalho de agricultores

RIO – Evolucionistas têm explicação para tudo. As nossas dores nas costas, por exemplo, são o preço que pagamos por cérebros avantajados e por andar com “apenas” duas pernas, em posição ereta. Nossos bebês nascem assim, tão subdesenvolvidos e molengos, porque o caminhar ereto exige quadris estreitos e canais de parto apertados, o que não combina com nenéns de cérebros grandes. As mulheres que davam à luz antes do tempo tinham mais chances de sobreviver, o que levou a seleção natural a favorecer, e perpetuar, nascimentos “precoces”. Tudo aconteceu ao longo de milhões de anos, até chegar o Homo sapiens. A espécie surgida há 150 milênios passou a reinar no planeta há 70 mil anos, depois da “revolução cognitiva”, a primeira de uma série de revoluções que, segundo o livro “Sapiens — Uma breve história da humanidade” (Editora L&PM), recém-lançado no Brasil, ditou e continua direcionando o caminhar da civilização.

A obra é uma tentativa de resumir nossa presença e nosso impacto na Terra, assim como de especular para onde a inteligência artificial e a “revolução biológica” vão nos levar. Tudo isso em 418 páginas, o que soa bastante pretensioso. Mas o autor Yuval Noah Harari, um israelense de 39 anos com doutorado em História pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, usa amarrações inteligentes e bem-humoradas, sempre do ponto de vista da evolução, para sobrevoar informações que, se estivessem lá, fariam do livro uma impossível enciclopédia.

— Muitas pessoas não conhecem bem a história da nossa espécie. A gente vê filmes, ouve falar um pouco na escola, mas esses detalhes não se conectam. É um problema porque o passado tem influência direta em nossas escolhas — diz, em entrevista por telefone, o professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, cuja obra entrou para a lista de mais vendidos do “New York Times”, sob elogios da crítica internacional.

Antes da tal revolução cognitiva, o Homo sapiens não era muito diferente dos outros animais. Mas, há 70 mil anos, começamos a pensar de forma diferente e a criar códigos de comunicação complexos. Isto permitiu ao homem se organizar em grandes grupos, o que foi um dos motivos para ele prevalecer enquanto centenas de animais, inclusive outras espécies humanas, eram extintas:

— Mas as características impressas no nosso código genético por todos os milênios na selva continuam lá. Nossos hábitos alimentares, conflitos e sexualidade são resultado de como as mentes de caçadores-coletores interagem com celulares, metrópoles e tudo mais. Nosso DNA ainda acha que estamos na savana africana.

Nossas faculdades mentais fizeram de nós a única espécie capaz de criar ficção. Foi isto, diz Harari, que tornou possível a expansão da sociedade. Religiões, empresas e dinheiro seriam obras de ficção. “Toda cooperação humana — seja um Estado moderno, uma igreja medieval (…) — se baseia em mitos partilhados que só existem na imaginação coletiva”, afirma o livro. Mas são esses elementos que nos unem em torno das diferentes comunidades.

A revolução cognitiva nos levou à revolução agrícola, há cerca de dez mil anos. Há 500 anos, veio a revolução científica e 250 anos depois, a revolução industrial. Chegou a revolução da informação, há cinco décadas, que nos trouxe à revolução biotecnológica. Harari acha que o sapiens pode estar perto do fim. Seria substituído por castas de humanos geneticamente modificados e “amortais”.

— Estamos confiando cargos de trabalho e até decisões pessoais a computadores. A Amazon faz um ótimo trabalho usando meus dados para escolher o próximo livro que vou ler. Os humanos estão correndo o risco de se tornar obsoletos — alerta o autor, rejeitando o rótulo de pessimista. — Sou apenas realista.

Sapiens

Livro de Yuval Harari acaba de sair no Brasil pela L&PM Editores