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On the map

Depois de conhecer o trabalho da artista Stefanie Posavec, a sua experiência com On the road de Jack Kerouac nunca mais será a mesma. A começar pelo título, que ela transformou em On the map. Seu trabalho mapeia toda a saga de Sal Paradise e Dean Moriarty e reconta a história por meio de gráficos aparentemente complexos, mas muito reveladores.

Antes de qualquer coisa, ela dividiu o texto em trechos e classificou-os de acordo com o conteúdo: “Festas, bebedeiras e drogas”, “Mulheres, sexo e relacionamento”, “Atividades ilegais e episódios envolvendo polícia”, “Sal Paradise” entre outros. Ao final desta etapa, seu exemplar de On the road ficou assim:

O resultado do levantamento está devidamente registrado e ilustrado num livro. Veja alguns trechos:

Cada cor representa uma categoria de conteúdo

O gráfico varia também de acordo com o número de palavras

Este é o "On the road" de Jack Kerouac representando graficamente

Stefanie Posavec fez ainda outras releituras do livro, como esta em que a representação gráfica varia de acordo com o tamanho de cada frase, dando uma ideia do ritmo do texto de Kerouac (clique na imagem abaixo para ampliar a explorar melhor o gráfico).

Gráfico que mostra o ritmo da narrativa de "On the road"

Al Hinkle, um dos personagens de On the road

Em um post anterior, falamos brevemente de Al Hinkle (Albert C. Hinkle) que, junto com Neal Cassady, comprou o Hudson 49, carro que também virou personagem de Jack Kerouac em On the road. Al e sua mulher, Helen, foram muito amigos de Kerouac, de Ginsberg e também de Neal Cassady e de sua mulher Carolyn. Em On the road, o casal Hinkle foi imortalizado com os nomes de Big Ed Dunkel e Galantea.

Ontem, descobrimos que Al, que hoje tem 85 anos, possui uma página no Facebook, onde postou algumas fotos ao lado de Jack Kerouac e dos atores principais do filme de Walter Salles, Garrett Hedlund (Sal Paradise) e Sam Riley (Dean Moriarty):

Os amigos Jack Kerouac e Al Hinkle nos bons tempos de estrada

Al escreveu na legenda desta foto: "Aqui está o Garrett e eu, em minha casa, na frente do meu retrato e do de minha esposa Helen que Carolyn Cassady pintou. Eu estarei postando mais fotos em breve."

Nessa ele colocou a legenda: "Aqui estou eu com Sam Riley, o ator que interpreta Sal Paradise (Jack Kerouac) no filme On The Road. Minha filha Dawn tem uma foto com Garrett Hedlund, que interpreta Dean Moriarty (Neal Cassady), mas ela não me deixou postá-la!"

Os offs do filme On the road acabam de ser gravados

Segundo a produção de On the road, foi justamente hoje, 21 de outubro, dia em que se completa 42 anos da morte de Jack Kerouac, que Sam Riley, que interpreta Sal Paradise no filme de Walter Salles, gravou os offs com os trechos do livro de Kerouac.  Sam é aquele ator que fez o papel de Ian Curtis, líder da banda Joy Division em “Control”. Não vemos a hora de assistir ao filme de Salles!

Os atores Garrett Hedlund (de camiseta branca) e Sam Riley (de camisa xadrez) no set de filmagem de On the Road. A voz de Sam é que estará nos offs do filme

Quem não está louco para assistir a este filme?

Há 42 anos, Jack Kerouac chegava ao fim de sua estrada

Jack Kerouac bebeu até morrer. Em 21 de outubro de 1969, o autor de On the road saiu da estrada e se foi, solitário e decadente, aos 47 anos e com apenas 91 dólares em sua conta bancária. Mal sabia ele que, 42 anos depois de sua morte, seu nome teria um valor incalculável para seus fãs.

“No verão de 1969, o dinheiro faltou. (Em setembro, ele fará um testamento definitivo, todos os seus bens revertem a Gabrielle [sua mãe] e, na morte dela, o beneficiário é seu sobrinho Paul Blake. Stella [sua esposa, na época] não é mencionada, nem Jan [sua filha com Joan Haverty]. Durante os anos seguintes, a luta pela sucessão será acerbada, pois o Fundo Kerouac ultrapassará dez milhões de dólares!) Ele exuma um velho manuscrito de 1951, Pic, relato da viagem de um jovem negro do Sul, Pictorial Review Jackson, a caminho do Norte, ajudado pelo irmão em sua intenção de chegar a Nova York. Escrito imitando o fraseado negro do Sul, é um breve e belo texto, metáfora de Jack e de Neal que Kerouac faz aparecerem numa cena final e que – não se sabe exatamente por que ele obedeceu – Gabrielle lhe pede para retirar. (…) No dia 18 de outubro, Cliff Robertson, o último dos próximos a visitá-lo, ficou emocionado com a intensidade do longo adeus e do olhar, muito delicado e parecendo estar sempre à beira das lágrimas mesmo quando Jack ria, capaz de tocar os corações sensíveis. No dia 19 de manhã, ele teve um encontro com o pai a respeito de um texto do qual espera fazer um livro, The Spotlight Print, um título vindo da infância, do nome da gráfica de Leo. E depois, de repente: a morte, sob forma de uma hemorragia digestiva cataclísmica não derrotada por 26 transfusões. Ele desapareceria aos 47 anos.” (Trecho de Kerouac, de Yves Buin, Série Biografias L&PM).

Leia o obituário de Jack Kerouac publicado no The New York Times em 22 de outubro de 1969.

50. Quando a L&PM foi parar no “Olho da Rua”

Em outubro, como já anunciado, a Série “Era uma vez… uma editora” ficou um pouco diferente. Este mês, como o editor Ivan Pinheiro Machado* estava na Feira de Frankfurt, ficou decidido que os posts seriam dedicados a livros que deixaram saudades. Hoje, no entanto, no lugar de um título, resolvemos falar de uma coleção inteira. A ideia de contar a história da Coleção “Olho da Rua” surgiu de uma conversa com o escritor Eduardo Bueno (que alguns chamam de Peninha) que, nos anos 80, criou esta série de livros marginais, como ele mesmo definiu.

A Coleção “Olho da Rua” começou quando Eduardo convidou Antonio Bivar para (re)publicar o seu livro Verdes Vales do Fim do Mundo, que já estava há tempo fora de catálogo. Bivar era co-tradutor, junto com Bueno, da primeira versão da tradução de On the Road. O plano era, a partir deste livro, dar início a uma versão brasileira da Coleção “Rebeldes e Malditos”, criada por Ivan Pinheiro Machado e que, em 1984, já publicava, entre outros, Cartas a Théo de Van Gogh, De Profundis, de Oscar Wilde, Paraísos Artificiais, de Charles de Baudelaire e A correspondência de Arthur Rimbaud.

A edição de "Verdes Vales do Fim do Mundo" de 1984, depois relançada na Coleção L&PM POCKET

“A seguir, convidei Jorge Mautner, Roberto Piva, Pepe Escobar, Reinaldo Moraes e outros malucos para se juntarem ao bando. Precisávamos de um nome para a coleção, que soasse rebelde e maldito o suficiente. Da conversa com o Bivar surgiu o nome “Olho da Rua”, já que vários deles tinham a vivência plena das calçadas e das sarjetas, nunca foram de circular muito pelas avenidas principais e já haviam sido orgulhosamente postos no olho da rua várias vezes. Além de tudo, o “olhar” deles era o olhar típico dos escritores que não produziam seus livros “de pantufas no gabinete, com a lareira acesa e um gato ronronando”. Aí, eu e Ivan achamos o nome não apenas adequado como ótimo. E a coleção saiu. Ela era quase uma “resposta” à Cantadas Literárias, lançada pouco antes pela editora Brasiliense. Resposta não é bem o caso: era complementar a ela e seguia a tendência de editar “marginais”, que a L&PM já fazia tanto na “Rebeldes e Malditos” como na Coleção “Alma Beat”. Era o inicio dos anos 80, o país vivia grande efervescência, todo mundo ansiava pela abertura e pela volta das “liberdades democráticas” e então a “Olho da Rua” veio para resgatar textos já publicados e/ou censurados e também livros inéditos (como “Speedball” de Pepe Escobar e “Abacaxi”, de Reinaldo Moraes).” Conta Eduardo Bueno.

A “Olho da Rua” acabou não ficando só nos brasileiros. Foi nela que, pela primeira vez, Sam Shepard foi publicado no Brasil com o livro Louco para Amar. E também Gasolina e Lady Vestal, de Gregory Corso, De repente, acidentes de Carl Solomon, 7 Dias na Nicarágua Libre, de Lawrence Ferlinghetti, A queda da América, de Allen Ginsberg, Luna Caliente de Mempo Giardinelli e Isadora – fragmentos autobiográficos, de Isadora Duncan.

Alguns dos livros que inicialmente sairam na “Olho da Rua” acabaram sendo relançados na Coleção L&PM POCKET. Como Verdes Vales do Fim do Mundo, por exemplo.

* Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o quinquagésimo post da Série “Era uma vez… uma editora“.

Ó pá: Jack Kerouac em português de Portugal

Nós fomos descobertos e colonizados por eles, herdamos a sua língua e alguns de seus hábitos. Mas, mesmo assim, há um oceano de diferenças que separam os brasileiros dos portugueses. Prova disto são os títulos dos livros de Jack Kerouac na versão “luso beat”. 

Cá entre nós, Pela estrada fora parece música da Chapeuzinho Vermelho, não? Pois este é o título que Portugal escolheu para On the road que, aqui no Brasil, virou Pé na estrada. Abaixo, a edição deles do manuscrito original:

O que para nós é algo suave como Despertar: uma vida de Buda para os portugueses virou uma ordem: Acorda! A vida de Buda:

Este não chega a ser tão diferente, mas o nosso Os vagabundos iluminados soa bem melhor do que Os vagabundos do Dharma, você não acha?

E por falar em Jack Kerouac, não esqueça que, em breve, On the road – O manuscrito original será lançado em versão pocket.

“On the road” pela França

Não é de hoje que a famosa viagem de Jack Kerouac pelos Estados Unidos inspira fãs e seguidores pelo mundo. O fotógrafo Arnaud Contreras (fã confesso dos beats) colocou uns livros na mochila (mais especificamente os livros de Kerouac), chamou o amigo Alain Dister (que faz as vezes de Neal Cassady, também é fotógrafo e carrega um exemplar de On the road na mochila) e colocou o pé na estrada numa viagem semelhante à que deu origem à bíblia dos beats. A diferença é que Contreras e seu fiel escudeiro viajaram pela França – e não pelos Estados Unidos, mas isso não fez com que a dupla perdesse o foco da viagem. Afinal, Jack Kerouac está presente em diversas ruas na França:

Os registros da viagem estão disponíveis no blog de Arnaud Contreras e fazem parte do documentário “Kerouac, l’obsession bretonne” realizado pelo fotógrafo e lançado no início deste ano.

Se você ainda não leu o clássico beat On the road, de Jack Kerouac, ainda é tempo! Além do livro em formato pocket, a L&PM publica também o manuscrito original.

O resgate de uma trip beat

Uma viagem lisérgica, libertária, lendária, hippie, beat… “Magic Trip” é isso. Na verdade, mais do que isso. O filme de Alex Gibney e Alison Ellwood é o resgate de uma viagem real, liderada por Ken Kensey, autor de “One Flew Over the Cuckoo’s Nest (Voando Sobre Um Ninho de Cucos)”. Em 1964, Kensey botou o pé na estrada, num ônibus embalado por LSD, e na companhia de “The Merry Band of Pranksters”, um grupo de renegados da contracultura que estava em busca da “verdade”. O grupo incluía Neal Cassady, o companheiro de Jack Kerouac em On the road. Cassady não apenas ajudou a pintar o ônibus psicodélico, como também dirigiu o veículo. Kesey e os Pranksters gravaram toda a viagem com uma câmera 16mm, pois pretendiam fazer um documentário. Mas o filme nunca foi terminado e as imagens ficaram praticamente perdidas. Até agora. Gibney e Ellwood tiveram acesso exclusivo a este material bruto através da família de Kesey. Eles trabalharam com a Fundação de Cinema e História da “UCLA Film Archives” para restaurar mais de 100 horas de filme e áudio e conseguiram moldar um documento de valor inestimável. O filme “Magic Trip“, que conta ainda com a participação de Jack Kerouac e Allen Ginsberg, estreou no circuito underground americano em agosto deste ano. Vamos ficar torcendo pra que ele participe de algum festival de cinema alternativo por aqui também.

Clique sobre a imagem e assista ao trailer legendado pela L&PM WebTV:

O sonho de consumo do tradutor de “On the road”

Foi ao entrar na famosa e tradicional livraria londrina Foyles que Eduardo Bueno, o tradutor de On the road, viu seu lado consumista ser consumido pelo desejo. Lá estava uma linha inteira de acessórios para quem quer colocar o pé na estrada junto com Jack Kerouac: agenda, capa de passaporte, garrafa térmica, caderno, eco bag, chaveiro, identificador de bagagem e necessaire de On the road.

Kit completo da Penguin para quem quer colocar o pé na estrada.

Obviamente, Eduardo não se conteve e comprou cinco dos itens oferecidos:

Eduardo Bueno e seus objetos de desejo.

Os objetos são um oferecimento da editora Penguin e ocupam um canto inteiro da Foyles, livraria que tem tudo a ver com o livro de Kerouac, já que tem a maior sessão de livros e de literatura de viagem do Reino Unido. A Foyles ocupa cinco andares de um prédio de tijolos à vista na Charing Cross Road, rua que foi eternizada no filme Nunca te vi, sempre te amei (cujo título original é 84 Charing Cross Road).

Mas é bom dizer que a rua e a região inteira sofreram o impacto da chegada dos e-books e as pequenas livrarias estão todas fechando suas portas. Felizmente, a Foyles persiste e resiste no mesmo endereço desde 1903, no número 121 e, em 2010, foi eleita a melhor livraria da Inglaterra. (Paula Taitelbaum, direto da Charing Cross Road)

“On the road” no iPad

A editora Penguin Classics lançou neste fim de semana uma edição ampliada do clássico On the road, de Jack Kerouac, para iPad. Além do texto integral da obra (na versão original, em inglês), o aplicativo traz diversas notas históricas e biográficas, mapas interativos com três rotas possíveis para a road trip de Sal Paradise e Dean Moriarty, links externos com informações sobre os lugares por onde a história passa, além de fotos inéditas, gravações raras em áudio do próprio Kerouac lendo alguns trechos e documentos intactos até então.

Screenshots da versão ampliada de "On the Road"

Screenshots da versão ampliada de "On the Road", da Penguin Classics

E para reafirmar a gradiosidade deste clássico que nunca perde a majestade e nem espaço na lista de desejos dos amantes da literatura de todo o mundo, o aplicativo traz um slideshow com as capas de On the road em diversos países, da Argentina à China – juntando com as imagens deste post, dá pra ter uma visão bem completa do caráter universal da obra mais célebre da literatura beat. O aplicativo está à venda na App Store da Apple por US$ 12,99.

Mas se você ainda não leu On the road, sempre é tempo: a L&PM publica no Brasil a tradução de Eduardo Peninha Bueno em formato pocket.