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A cidade em que nasceu Jack Kerouac

terça-feira, 12 março 2013

Estranha e sombria Lowell

Jack Kerouac nasce em 12 de março de 1922 em Lowell, pequena cidade de Massachusetts a 45 quilômetros ao norte de Boston, onde as indústrias têxteis e de calçados estão bem implantadas. O nome dela vem do empresário industrial Francis Cabot Lowell, que desenvolveu suas manufaturas nessa área, construiu o dique de Pawtucket e mandou cavar um canal a fim de utilizar as águas revoltas do Merrimack. A cidade, que conheceu seu apogeu na segunda metade do século XIX e no começo do XX, expandiu-se em função das estratégias das empresas sucessivas, englobando vilarejo após vilarejo e acolhendo diversas vagas de imigração de operários de origem anglo-saxã de partida para Boston que se consideravam mal pagos. E assim se instalaram em Lowell franco-canadenses, irlandeses, gregos, poloneses, portugueses. Havia até cristãos da igreja siríaca. (…) Em 12 de março, o inverno continental não terminou. O Merrimack arrasta ainda alguns blocos de gelo e o céu é baixo, úmido e ventoso. É no número 9 da Lipine Road que Jack Kerouac vem ao mundo. A rua, calma, pertence a Centralville. A casa, de madeira, é simples, à imagem das que podem ser almejadas pelos operários qualificados e a pequena burguesia. Duas crianças, sabe-se, o precederam naquele lar: Gerard e Carolyn (Nin). O pai possui então sua gráfica, a Spotlight Print, onde ele trabalha frequentemente só e emprega algumas vezes um ou dois assistentes. Gabrielle, a mãe, aplainadora de couro em uma fábrica de sapatos, alterna períodos de permanência no lar e na fábrica. O meio familiar é descrito como caloroso, atento às crianças e banhado na tradição católica, não sem propensão carola. Leo, conhecido por sua exuberância e afirmador de seu livre-pensamento – para ele, a religião é fraude -, estabelece com a religiosidade uma certa distância. (Trecho de Kerouac, de Yves Buin, Série Biografias L&PM)

Jack nasceu Jean-Louis e, em casa, era chamado de Ti-Jean, apelido, aliás, com o qual ele assina várias das cartas que trocou com seu amigo Allen Ginsberg e que estão no livro Jack Kerouac & Allen Ginsberg: as cartas.

A família Kerouac reunida: os pais Leo e Gabrielle e os filhos Gerard, Carolyn e o caçula Jean-Louis (Jack)

A família Kerouac reunida: os pais Leo e Gabrielle e os filhos Gerard, Carolyn e o caçula Jean-Louis (Jack) – Clique na imagem para ampliar

A casa em que Jack Kerouac nasceu ainda está lá, em Lowell (nesta foto com uma placa de "Aluga-se) - clique na imagem para ampliar

A casa em que Jack Kerouac nasceu ainda está lá, em Lowell (nesta foto com uma placa de “Aluga-se”) – Clique na imagem para ampliar

 

Há 42 anos, Jack Kerouac chegava ao fim de sua estrada

sexta-feira, 21 outubro 2011

Jack Kerouac bebeu até morrer. Em 21 de outubro de 1969, o autor de On the road saiu da estrada e se foi, solitário e decadente, aos 47 anos e com apenas 91 dólares em sua conta bancária. Mal sabia ele que, 42 anos depois de sua morte, seu nome teria um valor incalculável para seus fãs.

“No verão de 1969, o dinheiro faltou. (Em setembro, ele fará um testamento definitivo, todos os seus bens revertem a Gabrielle [sua mãe] e, na morte dela, o beneficiário é seu sobrinho Paul Blake. Stella [sua esposa, na época] não é mencionada, nem Jan [sua filha com Joan Haverty]. Durante os anos seguintes, a luta pela sucessão será acerbada, pois o Fundo Kerouac ultrapassará dez milhões de dólares!) Ele exuma um velho manuscrito de 1951, Pic, relato da viagem de um jovem negro do Sul, Pictorial Review Jackson, a caminho do Norte, ajudado pelo irmão em sua intenção de chegar a Nova York. Escrito imitando o fraseado negro do Sul, é um breve e belo texto, metáfora de Jack e de Neal que Kerouac faz aparecerem numa cena final e que – não se sabe exatamente por que ele obedeceu – Gabrielle lhe pede para retirar. (…) No dia 18 de outubro, Cliff Robertson, o último dos próximos a visitá-lo, ficou emocionado com a intensidade do longo adeus e do olhar, muito delicado e parecendo estar sempre à beira das lágrimas mesmo quando Jack ria, capaz de tocar os corações sensíveis. No dia 19 de manhã, ele teve um encontro com o pai a respeito de um texto do qual espera fazer um livro, The Spotlight Print, um título vindo da infância, do nome da gráfica de Leo. E depois, de repente: a morte, sob forma de uma hemorragia digestiva cataclísmica não derrotada por 26 transfusões. Ele desapareceria aos 47 anos.” (Trecho de Kerouac, de Yves Buin, Série Biografias L&PM).

Leia o obituário de Jack Kerouac publicado no The New York Times em 22 de outubro de 1969.