Arquivo de setembro, 2011

Autor de hoje: Júlio Verne

domingo, 25 setembro 2011

 

Nantes, França, 1828 – † Amiens, França, 1905

Considerado o pai da moderna ficção científica, desde cedo demonstrou interesse pela literatura. Estudou Direito, mas não chegou a exercer a profissão. Trabalhou como secretário do Teatro Lírico entre 1852 e 1854 e, depois, tornou-se corretor de bens públicos, atividades que exerceu paralelamente à de escritor. Suas obras mais conhecidas são Viagem ao centro da Terra, Viagem ao redor da Lua, Vinte mil léguas submarinas e A volta ao mundo em 80 dias. Nelas, o autor prevê um grande número de descobertas científicas, incluindo o submarino, o aqualung, a televisão e as viagens espaciais. Tendo desfrutado em vida de enorme popularidade, Júlio Verne é considerado um dos maiores escritores franceses e um dos mais influentes da literatura universal. Em 1892, foi condecorado com a Legião de Honra.

OBRAS PRINCIPAIS: Viagem ao centro da Terra, 1864; Viagem ao redor da Lua, 1865; Vinte mil léguas submarinas, 1870; Volta ao mundo em 80 dias, 1873; A ilha misteriosa, 1874

JÚLIO VERNE por Luiz Paulo Faccioli

A França entrou no século XIX ainda sob o impacto da Revolução e guiada pela mão megalômana de Napoleão Bonaparte. Com a queda do imperador, sobreveio uma longa fase de turbulência política: ora restaurava-se a república, ora ressurgia a monarquia, ora voltava o império. Para as artes, contudo, foi um século fulgurante. E, especialmente para a literatura, basta dizer que nele encontramos Flaubert, Stendhal, Dumas – pai e filho –, Victor Hugo, Balzac, Maupassant, Rimbaud, Baudelaire, Verlaine. O romantismo que dominava no início cedeu lugar à estética do realismo e do naturalismo que sobreviveu ao nascer do século XX. Cinqüenta anos antes, o público começara a cansar daquela concepção romântica que punha o indivíduo no centro do mundo e se dedicava a extrair dele suas confidências e aflições. O progresso da ciência estimulava o homem a olhar para fora de si, e a arte não poderia deixar de absorver e retratar essa nova realidade. É nesse cenário que Júlio Verne aparece com seus relatos de viagens fantásticas, antecipando na ficção um futuro que viria a se confirmar nos detalhes de suas projeções tecnológicas, e logo se torna um dos mais populares escritores franceses de todos os tempos.

A narrativa de aventura não era nova e já havia produzido bons frutos pelas mãos de Jonathan Swift, em As viagens de Gulliver, e de Daniel Defoe, em Robinson Crusoé. Verne agregou a ela o conceito de verossimilhança científica inaugurado por Edgar Allan Poe e produziu uma obra original que ainda instiga e muito ainda irá instigar. Dono de um estilo fácil e envolvente, sem prescindir da elegância característica da escrita de sua época, foi um autor inventivo e meticuloso. Autodidata, passou a vida mergulhado em leituras, viajando pela Terra, por dentro dela e pelo espaço sem ter saído muitas vezes de casa. As inovações tecnológicas imaginadas por ele, mas que o mundo só viria a conhecer no século XX, formam uma lista longa que inclui o fax, a televisão, o helicóptero, os mísseis teleguiados, os arranha-céus, o cinema falado, o gravador e tantas outras.

Pai da moderna ficção científica, Júlio Verne ganhou a merecida fama de ter sido um visionário, mas não há nada de místico ou sobrenatural nesse atributo. Ele foi um intelectual profundamente identificado com o seu tempo, atento às mudanças que a evolução das ciências impuseram à humanidade e dedicado a exercitar o raciocínio lógico e científico. Não houve mágica, e sim sede de conhecimento e leitura, muita leitura.

* Guia de Leitura – 100 autores que você precisa ler é um livro organizado por Léa Masina que faz parte da Coleção L&PM POCKET. Todo domingo,você conhecerá um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos clássicos, Léa convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores. Veja os outros autores já publicados neste blog.

O risoto da primavera

sábado, 24 setembro 2011

A primavera chegou! Junto com ela, chegaram as flores, os passarinhos, o ar fresco, o vinho branco e as comidinhas leves. Aninha Comas, no livro 100 receitas de arroz, oferece aos seus leitores uma belíssima e deliciosa receita que não poderia ser nada mais nada menos que o próprio risoto primaveril. E que fica ainda melhor se degustado em um belo jardim.

RISOTO PRIMAVERA (4 pessoas)

Ingredientes:

2 xícaras de arroz arbório ou carnaroli; 1/2 xícara de cebola picada ou ralada; 3 dentes de alho picadinho; 1/4 de xícara de azeite; 1/2 xícara de vinho branco; 1 litro de caldo de galinha; 1 xícara de cenoura crua em cubos; 1 xícara de ervilhas naturais; 1 pimentão vermelho cortado em tirinhas finas; 50g de manteiga; 1 pitada de pimenta; 1 colher (chá) de sal; 100g de queijo parmesão ralado.

Como preparar:

Numa panela média, coloque o azeite, leve ao fogo e aquela bem. Depois adicione a cebola e o alho e frite até que fiquem levemente dourados. Junte os vegetais, frite mais um pouco e coloque o arroz, mexendo sempre. Frite por mais dois minutos, tempere com sal, adicione o vinho branco e então comece a agregar o caldo de galinha. Quando o caldo terminar, coloque a manteiga, mexa mais um pouco, adicione a pimenta, misture o queijo ralado e sirva imediatamente.

Sábado tem sempre uma “Receita do dia” vinda diretamente dos livros da Série Gastronomia L&PM.

E agora, Albert?

sexta-feira, 23 setembro 2011

Eles são em número de cinco, cinco profetas de papel dos tempos modernos. Vão irromper no mundo científico e durante décadas, até os dias de hoje, alimentar os debates, as fantasias, as venerações e os ódios. Permitirão explorar mundos, suscitar outras descobertas. Abrirão para uma nova concepção do universo. Estes cinco artigos irão pregar, cada um num mundo diferente, uma palavra revolucionária. Encontrarão apóstolos às centenas, detratores aos milhares. Os mais importantes sobreviverão ao século. Alguns conhecerão as chamas do inferno.

Este trecho está no livro Albert Einstein da Série Biografias e se refere ao conjunto de 5 trabalhos do jovem físico alemão publicados na revista Annalen der Physik, que constituem um exemplo único na história da criatividade científica. No espaço de 6 meses, um rapaz de apenas 25 anos enunciou uma nova definição da luz, explicitou a existência dos átomos, explicou o movimento das moléculas e inventou o conceito espaço-tempo. A partir daquele ano de 1905, a física não seria mais a mesma e o conjunto da obra de Einstein inaugurava a Física Moderna.

No entanto, quase cem anos depois, parece que mais uma revolução está para acontecer. Esta semana, um grupo de pesquisadores do Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear anunciou a descoberta de uma partícula que viaja mais rápido do que a luz, colocando em xeque a Teoria da Relatividade Restrita de Einstein. Se você pensou “meu mundo caiu!”, é isso mesmo – ou quase.

Foram feitas mais de 15 mil medições da velocidade de neutrinos disparados num acelerador de partículas em direção a outro ponto a 730km de distância. Segundo o responsável pela pesquisa, em entrevista ao site da BBC, “de forma estatísticamente significativa”, os neutrinos pareciam chegar 60 nanosegundos (ou 60 bilionésimos de segundo) antes da luz.

Parece pouco? Olhando o número isoladamente, pode até parecer desprezível. Mas na prática, isso significa que a fórmula mais famosa do mundo, que diz que E=m.c² (em que a massa é mutável – até o tempo, segundo Einstein, pode ser dilatado! – e c seria uma “constante cósmica” correspondente à velocidade da luz) pode estar com os dias contados e um dos pilares da Física Moderna ameaça vir a baixo.

Mas calma! Ainda não é hora de jogar todos os livos de física na lata do lixo. A comunidade científica recebeu a novidade com certo ceticismo e até mesmo os pesquisadores que realizaram as experiências parecem não querer acreditar que Einstein estava errado. “Meu sonho é que outro experimento independente chegue à mesma conclusão. Eu ficaria aliviado. Por enquanto, não estamos afirmando nada, apenas queremos a ajuda da comunidade científica para entender esses resultados malucos. As consequências podem ser muito sérias”, disse um dos cientistas envolvidos na pesquisa.

De que morreu Pablo Neruda?

sexta-feira, 23 setembro 2011

Jornal da época noticia a morte de Pablo Neruda

Em 23 de setembro de 1973, há exatos 38 anos, Pablo Neruda morria aos 69 anos. Em seu livro Paula, Isabel Allende defende que o grande poeta teria morrido de “tristeza”, poucos dias depois do golpe militar de Augusto Pinochet ter derrubado o governo de Salvador Allende. Mesmo assim (e mesmo ele estando doente), há os que acreditam que Neruda teria sido assassinado pela ditadura de Pinochet. Essa teoria ganhou força em junho de 2011, quando o Ministério Público chileno incluiu seu nome em uma lista de 726 pedidos de investigação sobre mortes em circunstância duvidosas. O resultado das investigações que estão em andamento promete ajudar a reescrever a história recente do Chile, marcada por uma das ditaduras mais violentas que a América Latina testemunhou.

Pablo Neruda é considerado um dos mais importantes poetas de língua espanhola do século 20 e durante as eleições presidenciais chilenas nos anos 70, desistiu de sua candidatura para que Salvador Allende vencesse. No livro Últimos poemas (O mar e os sinos), a voz de Neruda se levanta pela última vez, cheia de nostalgia e melancolia, mas ao mesmo tempo reafirmando a fé na palavra. Este livro derradeiro foi concluído em seu leito de morte e sua primeira edição saiu pela L&PM Editores em 1983. Atualmente, o livro em edição bilingue faz parte da coleção pocket.

Perdão se pelos meus olhos não chegou
mais claridade que a espuma marinha,
perdão porque meu espaço
se estende sem amparo
e não termina:
- monótono é meu canto,
minha palavra é um pássaro sombrio,
fauna de pedra e mar, o desconsolo
de um planeta invernal, incorruptível.
Perdão por esta sucessão de água,
da rocha, a espuma, o delírio da maré
- assim é minha solidão –
saltos bruscos de sal contra os muros
de meu ser secreto, de tal maneira
que eu sou uma parte do inverno,
da mesma extensão que se repete
de sino em sino em tantas ondas
e de um silêncio como cabeleira,
silêncio de alga, canto submergido.

(Versos de “Últimos poemas”, de Pablo Neruda)

Pernas pra que te quero…

quinta-feira, 22 setembro 2011

As pernas de Úrsula e outras possibilidades, de Claudia Tajes, é a novidade do dia. O livro, lançado originalmente em 2001, volta agora em nova edição, na Coleção L&PM POCKET. Para homenagear essas que nos aproximam de pessoas e lugares, que correm o mundo, que caminham sem rumo e que se enlaçam de amor, nós separamos alguns textos e poemas que falam nelas, as pernas:

“Nos meus devaneios, as pernas de Úrsula haviam andado pelo mundo inteiro, conhecido línguas, em todos os sentidos, e causado a desgraça de franceses, egípcios e neozelandeses. Eu podia ver as pernas de Úrsula correndo da polícia nas manifestações das Diretas Já, dançando em cima da mesa nos bailes de carnaval do Monte Líbano, entrando em campo para uma partida de futebol feminino, fazendo um strip-tease para um felizardo qualquer…” (Trecho de As pernas de Úrsula, de Claudia Tajes)

* * *

(…) a garota do vestido vermelho
que desceu do carro branco
tinha as melhores pernas
a garota do vestido rosa
que desceu do carro vermelho
tinha pernas razoáveis

mas sigo lembrando da garota no vestido azul
que desceu do carro azul
vi suas calcinhas

você não sabe o quão excitante a vida pode ser
por volta
das 5h35 da tarde.
(Trecho de garotas voltando para casa, de Charles Bukowski, em O amor é um cão dos diabos)

* * *

(…) E todavia aquela perna indica
que muito longe dela o céu não fica:
tentar, como um Titã de raio em troco?

Aquela ponte de marfim maciço
passar, subir… quem pode fazer isso?
um louco? – Eu vou… Quem há do que eu mais louco?
(Trecho de A Perna, de Luís Delfino, em Livro dos poemas)

* * *

Eu abro as pernas para perpetuar a tênue ternura do infinito / da Fênix e seu rito. / Eu abro as pernas para enrijecer o grelo / descontrolar o grito / gotejar a gruta / e me perder no atrito. / Eu abro as pernas para entrar em mim / mimetizar o ego / e transformá-lo em mito.
(poema de Paula Taitelbaum em Porno Pop Pocket)

“Pulp magazines” em 3D

quinta-feira, 22 setembro 2011

Quando foram criadas, em 1896, as “pulp magazines” eram inspiradas nos folhetins de contos e romances baratos vendidos em bancas de revista, desde o papel “fajuto” até a total ausência de ilustrações. Mas com o tempo os papéis se inverteram: os publishers perceberam que as revistas com capas ilustradas vendiam mais e começaram a produzir primeiro as capas para que a história fosse construída depois, a partir da ilustração.

Já no início do século 20, praticamente todas as pulp magazines eram ilustradas e diversos autores que conhecemos hoje começaram a lançar seus escritos por meio destas publicações. O conto “Aprisionado com os faraós” de H.P. Lovecraft foi publicado originalmente na edição de maio de 1924 da revista Weird Tales e aparece na coletânea A tumba e outras histórias.

Eis que no século 21 o artista Thomas Allen foi um pouco além e deu vida às capas ilustradas das pulp magazines. E não estamos falando aqui das maravilhas da computação gráfica e da animação. Ao contrário do que se imagina, o upgrade foi totalmente analógico: ele recortou as imagens, destacando-as da capa e dando a elas o aspecto tridimensional. E ao fotografar as novas figuras em planos diferentes, ele conseguiu recompor as cenas de forma muito mais real e até misturou capas para formar novas cenas:

via Zupi e blog da Letras&Cia

Todo mundo ama os Smurfs!

quarta-feira, 21 setembro 2011

Ok, isso todo mundo já sabia. Mas agora temos vários números que não deixam dúvida. Da estreia do filme até o momento, cerca de 70% veio de fora dos Estados Unidos. E não é pouca coisa: são 345 milhões de dólares de todas as partes do planeta, sendo 30 milhões só do Brasil. Isso não deixa dúvidas de que, em terras “tupiniquins”, as divertidas criaturinhas azuis são um sucesso!

Até o último domingo, dia 18, as catracas dos cinemas brasileiros registraram a incrível marca de 4.765.086 espectadores nas sessões de “Os Smurfs”, superando até mesmo o sucesso de “Piratas do Caribe 4″.

No ranking das maiores bilheterias nacionais de 2011, o filme dos Smurfs só perde para “Harry Potter e as relíquias da morte: parte 2″ e “Rio”.

Os Smurfs em quadrinhos também fizeram bonito nas bancas e livrarias de todo o Brasil. A L&PM publica as histórias do Bebê Smurf e do Smurf Repórter em dois formatos, pocket e convencional.

E o Oscar dos quadrinhos vai para…

quarta-feira, 21 setembro 2011

Palmas para Peanuts Completo. O quarto álbum com as tiras originais de Charlie Brown e sua turma foi mais uma vez responsável pela L&PM Editores levar o Troféu HQMix, o Oscar dos quadrinhos no Brasil na categoria “Publicação de Clássico”. 

A 23ª edição do evento aconteceu na sexta-feira, 16 de setembro, tendo Serginho Groisman como mestre de cerimônias. Foram 45 categorias e cada vencedor recebeu como troféu uma escultura de Geraldão, personagem do saudoso Glauco, falecido em 2010. A criação da peça foi de Olintho Tahara que, além de tridimensionalizar Geraldão, ainda deu movimento a suas pernas e braços.

O premiado e seu prêmio

A entrega dos troféus, que aconteceu no Sesc Pompeia em São Paulo, reuniu muita gente do meio cultural brasileiro que foi receber seus prêmios e aplaudir os vencedores. Os premiados que não puderam estar presentes enviaram vídeos de agradecimento. Veja o nosso:

O “Dia do Gaúcho” sem fanatismo

terça-feira, 20 setembro 2011

Hoje é o “Dia do Gaúcho” ou, para aqueles que vivem mais acima do mapa do Brasil, a data que marca a Revolução Farroupilha, conflito que durou dez anos e que começou em 20 de setembro de 1835 numa oposição ao império de Dom Pedro II.

Neste dia, no Rio Grande do Sul, feriado regional, alguns vestem a bombacha, o lenço vermelho e empunham seu chimarrão pelas ruas. Outros, ao contrário, não são tão fanáticos assim. Como Mario Quintana. Veja a história contada no livro Ora Bolas – O humor de Mario Quintana:

SEM FANATISMO

Os TRADICIONALISTAS, essa turma que acha que inventou o cavalo e o campo, nunca conseguiram cooptar Mario Quintana. Temendo suas tiradas mortais, sempre se mantiveram a uma distância respeitosa. Mas ele não tinha por que pagar imposto ao altar da tradição e escrevia coisas do tipo: “Lembro que certa vez me encontrei com seu Zé na rua. Como bons gaúchos, paramos, relichamo-nos, abraçamo-nos…”

Mesmo assim, não faltavam incautos que vinham cobrar posições. Em um dia de boa paciência, Mario deu a um deles uma explicação sociológica:

- Eu não sou gaúcho fanático. Não sou porque meu pai nasceu no Mato Grosso, estudou no Rio de Janeiro, era farmacêutico e, para ele, o mate de boca em boca era uma coisa anti-higiênica.

46. Quem nunca errou que atire a primeira pedra

terça-feira, 20 setembro 2011

Por Ivan Pinheiro Machado*

Você sabe quanto custa um erro?

Há aqueles que erram na vida e são punidos pela lei. Há os que erram por amor. Há os que simplesmente erram e vão em frente, há os que erram e capitulam, se submetem ao emaranhado de equívocos em que se enredaram. Há erros e erros. Uns maiores, outros menores. E há um custo para os nossos erros. Perdemos amores, perdemos empregos, amigos, lealdades e até a liberdade. Sempre há uma consequência, um castigo, uma penalidade.

Pois uma editora geralmente é refém da possibilidade de um erro.

Depois de tantos anos eu sempre digo que aprender a ser editor custa muito caro. Por exemplo: um belo dia, foram impressos 3.000 exemplares de um romance de Honoré de Balzac (1789-1850). Os livros chegaram na editora e a aquipe examinava o exemplar quando, de repente, alguém gritou desesperado: nããããããão, 1932 nããããão!!!

O Coronel Chabert saiu em 1832 e a contracapa do livro, em lugar nobilíssimo, exibia um rutilante 1932 como data de lançamento da primeira edição. Cem anos de equívoco. Recolhe-se o livro, devolve-se para a gráfica, corrige-se o erro e imprime-se de novo. Encaixa-se o prejuízo. Este é o caminho. Não tem outro jeito.

Duas versões da mesma quarta capa: a errada e a certa (clique para ampliar)

Um editora com 37 anos de vida como a nossa já passou por um longo e caríssimo aprendizado. Erramos muito no passado e de tanto errar, aprendemos. O lugar comum, “é com erros que se aprende”, é uma verdade absoluta quando se fala em editar livros.

Hoje, os recursos eletrônicos geram menos erros de digitação, o famoso “pastel” como se dizia antigamente. Se você digitar “atrazo” em vez de atraso, o Windows grita e você corrige correndo. Mas mesmo assim, com todo o aparato tecnológico, hoje, um livro passa no mínimo por cinco revisões, podendo chegar a seis ou sete. Há a revisão de originais, de tradução, a revisão de paginação, há a revisão da revisão, enfim. Há um enorme trabalho por trás de um livro. Tudo para que ele chegue quase perfeito nas mãos do leitor.

Neste tempo todo editamos mais de 3 mil livros. E foram dezenas de edições perdidas. Livros que foram “reciclados” por conterem doenças incuráveis, que são os erros que saltam aos olhos, erros de português, de estrutura, de páginas que faltam, por erro nosso, ou simplesmente por uma fatalidade da informática. No envio de um arquivo à gráfica por internet, a pag 71 e 72, por exemplo, somem no éter virtual. E para o desespero do editor, o erro só aparece quando um leitor liga e diz: “quero meu dinheiro de volta! Faltam duas páginas no meu livro”. Aí então se recolhe o livro (para “reciclar”), corrige-se, manda-se os arquivos para a gráfica, revisa-se as provas pré-impressão e imprime-se de novo. E depois deste erro assustador, revisa-se a primeira rodagem da máquina. Enfim, revisa-se, revisa-se, revisa-se e mesmo assim, vez que outra, acaba se descobrindo um errinho…

* Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o quadragésimo sexto post da Série “Era uma vez… uma editora“.