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E agora, Albert?

sexta-feira, 23 setembro 2011

Eles são em número de cinco, cinco profetas de papel dos tempos modernos. Vão irromper no mundo científico e durante décadas, até os dias de hoje, alimentar os debates, as fantasias, as venerações e os ódios. Permitirão explorar mundos, suscitar outras descobertas. Abrirão para uma nova concepção do universo. Estes cinco artigos irão pregar, cada um num mundo diferente, uma palavra revolucionária. Encontrarão apóstolos às centenas, detratores aos milhares. Os mais importantes sobreviverão ao século. Alguns conhecerão as chamas do inferno.

Este trecho está no livro Albert Einstein da Série Biografias e se refere ao conjunto de 5 trabalhos do jovem físico alemão publicados na revista Annalen der Physik, que constituem um exemplo único na história da criatividade científica. No espaço de 6 meses, um rapaz de apenas 25 anos enunciou uma nova definição da luz, explicitou a existência dos átomos, explicou o movimento das moléculas e inventou o conceito espaço-tempo. A partir daquele ano de 1905, a física não seria mais a mesma e o conjunto da obra de Einstein inaugurava a Física Moderna.

No entanto, quase cem anos depois, parece que mais uma revolução está para acontecer. Esta semana, um grupo de pesquisadores do Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear anunciou a descoberta de uma partícula que viaja mais rápido do que a luz, colocando em xeque a Teoria da Relatividade Restrita de Einstein. Se você pensou “meu mundo caiu!”, é isso mesmo – ou quase.

Foram feitas mais de 15 mil medições da velocidade de neutrinos disparados num acelerador de partículas em direção a outro ponto a 730km de distância. Segundo o responsável pela pesquisa, em entrevista ao site da BBC, “de forma estatísticamente significativa”, os neutrinos pareciam chegar 60 nanosegundos (ou 60 bilionésimos de segundo) antes da luz.

Parece pouco? Olhando o número isoladamente, pode até parecer desprezível. Mas na prática, isso significa que a fórmula mais famosa do mundo, que diz que E=m.c² (em que a massa é mutável – até o tempo, segundo Einstein, pode ser dilatado! – e c seria uma “constante cósmica” correspondente à velocidade da luz) pode estar com os dias contados e um dos pilares da Física Moderna ameaça vir a baixo.

Mas calma! Ainda não é hora de jogar todos os livos de física na lata do lixo. A comunidade científica recebeu a novidade com certo ceticismo e até mesmo os pesquisadores que realizaram as experiências parecem não querer acreditar que Einstein estava errado. “Meu sonho é que outro experimento independente chegue à mesma conclusão. Eu ficaria aliviado. Por enquanto, não estamos afirmando nada, apenas queremos a ajuda da comunidade científica para entender esses resultados malucos. As consequências podem ser muito sérias”, disse um dos cientistas envolvidos na pesquisa.