Posts Tagged ‘Flaubert’

Professor da USP escreve sobre “O idiota da família” na Folha de S. Paulo

quarta-feira, 12 fevereiro 2014

A convite da Folha de S. Paulo, o professor da USP Franklin Leopoldo e Silva escreveu um texto sobre o recente lançamento de “O idiota da família” ( L&PM Editores), de Jean-Paul Sartre. Professor de história da filosofia contemporânea na USP, Franklin é autor do livro “Ética e literatura em Sartre” (Unesp, 2004). Clique na imagem para ler seu texto, publicado no caderno Ilustríssima em 9 de fevereiro:

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Sartre fala sobre “O idiota da família”

quarta-feira, 15 janeiro 2014

Em 1967, Jean-Paul Sartre concedeu uma longa entrevista à Rádio Canadá que ficou conhecida como “Dossier Sartre-De Beauvoir”. Os entrevistadores foram Claude Lanzmann, redator da revista “Les Temps Modernes” e Madeleine Gobeil, professora da Universidade de Carlton. Abaixo, o trecho em que Lanzmann pergunta sobre Flaubert que, na época, estava sendo biografado por Sartre. A resposta é uma verdadeira aula:

 

A invenção do amor por Sergius Gonzaga

segunda-feira, 12 agosto 2013

O amor na literatura é o tema do curso que será ministrado pelo professor Sergius Gonzaga ao longo do mês de agosto na Casa de Ideias, em Porto Alegre. Serão 3 encontros + uma palestra-bônus em que o professor do Instituto de Letras da UFRGS analisa textos clássicos de Goethe, Flaubert, Dostoiévski, F. Scott Fitzgerald, Machado de Assis e outros grande autores de acordo com o cronograma a seguir:

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Mais informações e inscrições pelo telefone (51) 3018 7740 ou contato@casadeideias.com

Todos queriam se despedir de Sartre

segunda-feira, 15 abril 2013

Jean-Paul Sartre saiu da vida para entrar definitivamente na história em 15 de abril de 1980. “Eu não penso na morte” dissera ele dois anos antes. “Ela não entra nos meus planos, fica de fora. Um dia minha vida vai acabar, mas não quero, de modo algum, que até lá sofra com o peso da morte. O que eu quero é que  minha morte não se intrometa na minha vida, que não a defina, para que seja sempre um apelo para viver.”

Sartre jamais foi esquecido. Segue no topo da nata da intelectualidade moderna. Em Sartre – Uma biografia, da escritora francesa Annie Cohen-Solal, publicada pela L&PM, pode-se entender o fenômeno da popularidade sartriana. Nas 600 páginas dessa biografia belíssima, a autora conta, com detalhes, como o pensamento – e comportamento – de Sartre atraía e fascinava, por exemplo, os jovens.

A última obra de Sartre, para a qual ele dedicou anos da sua vida, foi O idiota da família, a biografia definitiva de Flaubert. São 3.000 páginas divididas em três tomos que serão lançados pela primeira vez em português pela L&PM. O primeiro volume de O idiota da família já está em revisão e será lançado no segundo semestre de 2013.

O funeral de Sartre atraiu uma multidão de 50 mil pessoas e causou algumas confusões como Annie Cohen-Solal descreve em seu livro (leia abaixo).

50 mil pessoas compareceram ao funeral de Sartre em 19 abril de 1980

50 mil pessoas compareceram ao funeral de Sartre em 19 abril de 1980 / © Guy Le Querrec/Magnum Photos

A multidão acorre em massa, com os filhos nos ombros, para que assistam a tudo. É uma aglomeração imensa, confusa, inesperada, um vagalhão humano que ondula. Empurrões, gritos, brigas. Um homem cai no buraco em cima do caixão. É sábado de tarde, e mais de cinquenta mil pessoas insistem, simbolicamente, em estar presentes. Acontece nesse dia, sob um céu cizento, de chumbo, a longa caminhada desordenada do “povo de Sartre”, num percurso sartriano de três quilômetros, no meio da espontaneidade e dos empurrões. Há quem afirme, ao passar na frente do célebre restaurante La Coupole, ter visto os garçons, do lado de fora, curvando-se diante do cortejo. “Entra-se no túmulo de um morto como se fosse a casa da sogra”, escreve Sartre, um dia, no prefácio de Flaubert. Sem sombra de dúvida, nas cenas desse enterro, nas brigas e nas confusões, tudo confirma isso: e esse povo de Sartre, variado, movediço, heterogêneo, tumultoso e solidário talvez corresponda à descrição. É modesto e, ao mesmo tempo, digno; sóbrio e descontrolado. Sartre se vai, causando com sua partida uma das manifestações mais desconcertantes do poder intelectual nesse final do século XX. O homenzinho solitário, o isolado, o anarquista, o pai sem filhos, ingressa nesse dia numa espécie de lenda. Colocado à força no pináculo oficial. Nômade forçado a arrastar consigo todos os filhos do século e a usar roupas fulgurantes. O escritor refratário às honrarias recebe, impotente, seu tributo de homenagens e glória. (…) Milhões de palavras de louvor para saudar sua partida, milhares de telex das agências de notícias – “Biografia longa”, “Biografia curta” – que se cruzam pelo mundo inteiro e em todas as línguas, análises, sínteses, fotos, citações, histórias pitorescas, tentativas infrutíferas para defini-lo em cada campo de criação, quilos e mais quilos de arquivos, de palavras, papeis, discursos, num inacreditável acúmulo verbal. (Trecho de Sartre – Uma biografia)

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Autor de hoje: Júlio Verne

domingo, 25 setembro 2011

 

Nantes, França, 1828 – † Amiens, França, 1905

Considerado o pai da moderna ficção científica, desde cedo demonstrou interesse pela literatura. Estudou Direito, mas não chegou a exercer a profissão. Trabalhou como secretário do Teatro Lírico entre 1852 e 1854 e, depois, tornou-se corretor de bens públicos, atividades que exerceu paralelamente à de escritor. Suas obras mais conhecidas são Viagem ao centro da Terra, Viagem ao redor da Lua, Vinte mil léguas submarinas e A volta ao mundo em 80 dias. Nelas, o autor prevê um grande número de descobertas científicas, incluindo o submarino, o aqualung, a televisão e as viagens espaciais. Tendo desfrutado em vida de enorme popularidade, Júlio Verne é considerado um dos maiores escritores franceses e um dos mais influentes da literatura universal. Em 1892, foi condecorado com a Legião de Honra.

OBRAS PRINCIPAIS: Viagem ao centro da Terra, 1864; Viagem ao redor da Lua, 1865; Vinte mil léguas submarinas, 1870; Volta ao mundo em 80 dias, 1873; A ilha misteriosa, 1874

JÚLIO VERNE por Luiz Paulo Faccioli

A França entrou no século XIX ainda sob o impacto da Revolução e guiada pela mão megalômana de Napoleão Bonaparte. Com a queda do imperador, sobreveio uma longa fase de turbulência política: ora restaurava-se a república, ora ressurgia a monarquia, ora voltava o império. Para as artes, contudo, foi um século fulgurante. E, especialmente para a literatura, basta dizer que nele encontramos Flaubert, Stendhal, Dumas – pai e filho –, Victor Hugo, Balzac, Maupassant, Rimbaud, Baudelaire, Verlaine. O romantismo que dominava no início cedeu lugar à estética do realismo e do naturalismo que sobreviveu ao nascer do século XX. Cinqüenta anos antes, o público começara a cansar daquela concepção romântica que punha o indivíduo no centro do mundo e se dedicava a extrair dele suas confidências e aflições. O progresso da ciência estimulava o homem a olhar para fora de si, e a arte não poderia deixar de absorver e retratar essa nova realidade. É nesse cenário que Júlio Verne aparece com seus relatos de viagens fantásticas, antecipando na ficção um futuro que viria a se confirmar nos detalhes de suas projeções tecnológicas, e logo se torna um dos mais populares escritores franceses de todos os tempos.

A narrativa de aventura não era nova e já havia produzido bons frutos pelas mãos de Jonathan Swift, em As viagens de Gulliver, e de Daniel Defoe, em Robinson Crusoé. Verne agregou a ela o conceito de verossimilhança científica inaugurado por Edgar Allan Poe e produziu uma obra original que ainda instiga e muito ainda irá instigar. Dono de um estilo fácil e envolvente, sem prescindir da elegância característica da escrita de sua época, foi um autor inventivo e meticuloso. Autodidata, passou a vida mergulhado em leituras, viajando pela Terra, por dentro dela e pelo espaço sem ter saído muitas vezes de casa. As inovações tecnológicas imaginadas por ele, mas que o mundo só viria a conhecer no século XX, formam uma lista longa que inclui o fax, a televisão, o helicóptero, os mísseis teleguiados, os arranha-céus, o cinema falado, o gravador e tantas outras.

Pai da moderna ficção científica, Júlio Verne ganhou a merecida fama de ter sido um visionário, mas não há nada de místico ou sobrenatural nesse atributo. Ele foi um intelectual profundamente identificado com o seu tempo, atento às mudanças que a evolução das ciências impuseram à humanidade e dedicado a exercitar o raciocínio lógico e científico. Não houve mágica, e sim sede de conhecimento e leitura, muita leitura.

* Guia de Leitura – 100 autores que você precisa ler é um livro organizado por Léa Masina que faz parte da Coleção L&PM POCKET. Todo domingo,você conhecerá um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos clássicos, Léa convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores. Veja os outros autores já publicados neste blog.

Sartre: o rosto misterioso de um irmão

terça-feira, 21 junho 2011

Hoje seria o aniversário de Jean-Paul Sartre (1905-1980). Poucos intelectuais encarnaram seu tempo como ele. Poucos filósofos esquadrinharam com tanta profundidade os abismos do ser humano. Filosofia que ele levou para a ficção com a coletânea de contos O muro, a trilogia Os Caminhos da Liberdade (A idade da razão, Náusea e Sursis) ou clássicos da dramaturgia como A prostituta respeitosa, Entre quatro paredes, A mosca entre muitos outros.

E se muitos de seus estudos filosóficos são de extrema complexidade e sofisticação, se a sua biografia de Flaubert, O Idiota da família, ficou inconclusa com pouco menos de quatro mil páginas (e isto é só a metade do que seria), o “outro” Sartre é pop. Coerente com sua vida e suas idéias, recebeu e recusou o Prêmio Nobel de Literatura de 1964. Cabeça privilegiada, soube, no ocaso de sua vida, ser um dos principais interlocutores da juventude rebelde que sacudiu Paris e o mundo em maio de 1968, transformando as ruas do Quartier Latin num campo de batalha. Foi engajado com as causas da esquerda, alinhou-se com Cuba e a URSS num determinado momento, mas mais tarde atacou o cerceamento às liberdades individuais. Sua visão da sociedade e dos homens era generosa e ao mesmo tempo utópica. Nunca perdeu a fé em um mundo mais justo, que fosse um lugar melhor para passar por esta efêmera experiência de existir. Ele mesmo dizia que o grande fracasso do ser humano era a existência da morte. E ao morrer, em abril de 1980, mais de 50 mil pessoas acompanharam seu funeral. Sobre este grande ato de despedida, o jornalista e intelectual francês Gilles Lapouge escreveu um belo texto que foi publicado no Brasil pelo O Estado de S. Paulo. Ele conclui assim:

“(…) é preciso não esquecer que as idéias de Sartre, por mais luminosas e fecundas que sejam, não passariam de um sistema a mais, se não tivessem sido expressas numa das linguagens mais límpidas e mais belas que existem. Sobretudo porque cada uma dessas idéias foi afiançada, garantida, por um homem que ao longo de toda a sua vida, mas principalmente na claridade descorada da morte, tinha o rosto misterioso de um irmão”.

(Ivan Pinheiro Machado)

A L&PM publica a grande biografia de Sartre, escrita por Annie Cohen-Solal, e as obras Esboço para uma teoria das emoções, da Série Pocket Plus, e A imaginação, ambas na Coleção L&PM Pocket.

Gustave Flaubert, o imor(t)al

segunda-feira, 7 fevereiro 2011
Gustave Flaubert

Gustave Flaubert

Em janeiro de 1857, Gustave Flaubert foi acusado de ofensa à moral e à religião após a publicação de sua obra-prima Madame Bovary na França. A censura da época chegou a exigir o corte de uma das cenas do romance original como condição para a publicação, mas a medida não foi suficiente para acalmar os puristas. Mesmo com a cena suprimida, a Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena decidiu proibir a circulação da obra e punir o autor e o diretor da revista Revue de Paris, onde a história foi publicada pela primeira vez.

A represália tinha também a intenção de descobrir quem era Emma Bovary, mulher imoral e adúltera retratada por Flaubert no romance. A dúvida teve fim junto com o processo, quando em 7 de fevereiro de 1857, há exatos 154 anos, Flaubert declarou “Emma Bovary sou eu”, causando ainda mais escândalo e reafirmando a importância de uma das personagens mais debatidas da literatura.

Apesar da ousadia – e graças à brilhante atuação de seu advogado – Flaubert foi absolvido e sua obra continuou a circular, tornando-se um clássico da literatura mundial. Se um dia foi considerado imoral e passível de censura, o livro é hoje leitura obrigatória nas escolas, servindo de inspiração para releituras criativas como esta:

Madame Bovary faz parte da Coleção L&PM Pocket.