Posts Tagged ‘Anton Tchékhov’

Uma taça de champanhe e um trem de ostras na morte de Tchékhov

quinta-feira, 14 julho 2016

“Anton sentou-se totalmente ereto e disse em voz alta e clara (embora ele não soubesse quase nada de alemão): Ich sterbe (Estou morrendo). O médico o acalmou, pegou uma seringa, deu-lhe uma injeção de cânfora e pediu champanhe. Anton tomou uma taça cheia, examinou-a, sorriu para mim e disse: “Já faz muito tempo que eu não bebo champanhe.” Ele esvaziou a taça e inclinou-se tranquilamente para a esquerda. E eu só tive tempo de correr em sua direção e colocá-lo na cama e chamá-lo, mas ele tinha parado de respirar e estava dormindo em paz como uma criança…”

O relato acima foi escrito por Olga, esposa de Anton Tchékhov, depois da morte do marido, na noite do dia 14 para 15 de julho de 1904.

Tchékhov, um dos maiores nomes da literatura russa, viu sua tuberculose se agravar em maio daquele ano. Em 3 de junho, ele partiu com Olga para a cidade alemã de Badenweiler, na Floresta Negra, de onde passou a escrever cartas para sua irmã Masha, nas quais descrevia a comida e o ambiente. Em sua última carta, ele comentou a maneira como as mulheres alemãs se vestiam: “não há uma única alemã decentemente vestida. A falta de gosto delas me deprime.”

Após sua morte, o corpo foi levado para Moscou em um vagão de trem refrigerado que servia para transportar ostras frescas, o que causou indignação em seu amigo e também escritor, Gorky. Outro fato que hoje soa engraçado é que, por engano, milhares de pessoas seguiram o cortejo fúnebre do general Fyodor Keller, por estar ele acompanhado de uma banda militar. Tchékhov foi enterrado ao lado de seu pai no Cemitério Novodenichy na capital russa.

Tchékhov e Gorky em 1900

Tchékhov e Gorky em 1900

 

Teatro de bolso

sábado, 28 março 2015

Teatro do Absurdo, da Crueldade, de Revista, de Rua, do Oprimido, Elisabetano, Épico, Japonês, Invisível, Grego… estes são só alguns (nem a metade!) dos tipos listados no Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcellos (Coleção L&PM Pocket). E por falar nisso, 28 de março é o Dia Mundial do Teatro, de todos estes teatros, que em sua essência têm o mesmo objetivo: tocar o público, fazer rir ou fazer chorar.

A santíssima trindade do teatro grego – Ésquilo, Sófocles e Eurípedes – fazia o público chorar como ninguém. As tragédias escritas por eles há mais de dois mil anos como Édipo Rei, Sete contra tebas e Antígona são reencenadas ainda hoje em todo o mundo e a dramaturgia contemporânea ainda se alimenta de personagens como Édipo, Medeia, Helena de Troia, Antígona e Electra.

Cena de “Antígona”, de Sófocles.

No volume Tragédias gregas, da série Encyclopaedia, você pode conhecer em detalhes a biografia dos principais autores trágicos e o contexto de sua obra. Já se o assunto for comédia, o maior representante foi Aristófanes, autor de Lisístrata –  A greve do sexo.

Avançando mais de um milênio, em plena Londres do século 16, eram exibidas as primeiras peças de um tal William Shakespeare, que veio a se tornar um dos autores mais encenados de todos os tempos. Textos como Hamlet, MacbethSonho de uma noite de verão inspiraram adaptações, paródias e versões para cinema e TV. São cerca de 20 títulos do autor na Coleção L&PM Pocket e um volume inteiro dedicado ao dramaturgo inglês na série Ouro: Shakespeare – Obras escolhidas.

Confira a lista completa de textos teatrais publicados pela L&PM, que contém entre outros autores os brasileiros Millôr Fernandes e Martins Pena, os russos Anton Tchekhov e Máximo Gorki e o francês Molière.

“Dobradinha russa” no teatro em São Paulo

quinta-feira, 27 setembro 2012

Depois de passar pelo festival Porto Alegre em Cena, um dos maiores do país, a peça “Eclipse” do Grupo Galpão chega a São Paulo no melhor estilo “dobradinha russa”, no mesmo fim de semana em que estreia o espetáculo “Pais e filhos”, uma adaptação da Mundana Companhia do livro homônimo de Ivan Turguêniev.

O mais curioso é que os dois espetáculos brasileiros têm na direção encenadores russos: “Eclipse” é baseada na obra de Anton Tchékhov e acontece sob a batuta de Jurij Alschitz e “Pais e filhos” tem direção de Adolf Shapiro – tanto Alschitz quanto Shapiro foram alunos do mestre Constantin Stanislávski, um dos maiores nomes da história do teatro mundial.

A atriz Inês Peixoto, do Grupo Galpão, em cena da peça "Eclipse"

Para os amantes da literatura russa, uma bela sugestão de programa para os próximos fins de semana ;)

“Eclipse” (baseado na obra de Tchékhov)
de 27/9 a 14/10 (de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 18h)
no Sesc Vila Mariana (r. Pelotas, 141; tel. 0/xx/11/5080-3000)
R$ 24
Classificaçao 12 anos

“Pais e Filhos” (uma adaptação do livro homônimo de Ivan Turguêniev)
de 29/9 a 11/11 (sextas e sábado, às 21h, e domingo às 19h)
no Sesc Pompeia (r. Clélia 93; tel. 0/xx/11/3871-7700)
R$ 20
Classificação 16 anos

Tchékhov no teatro com o Grupo Galpão

quarta-feira, 19 setembro 2012

Dias 20, 21 e 22 de setembro, o grupo mineiro Galpão apresenta, dentro da programação do Porto Alegre em Cena deste ano, a peça Eclipse, montada a partir da leitura de quase 200 contos do escritor russo Anton Tchékhov. O espetáculo faz parte das comemorações dos 30 anos da companhia teatral. Em Eclipse, o grupo mergulhou na obra de Tchékhov para criar uma peça em que cinco pessoas, presas num mesmo espaço, aguardam o final de um eclipse solar. Enquanto isso, elas discorrem sobre a existência e a condição humana, perpassando os contos e a filosofia do escritor. Eclipse faz parte do projeto “Viagem a Tchékhov”, que deu origem também à montagem “Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)” e marca o retorno do Galpão ao Porto Alegre em Cena. A peça será apresentada no Theatro São Pedro, sempre às 21h.

No vídeo abaixo, um dos integrantes do grupo fala sobre a montagem e a direção de Jurij Alschitz em entrevista concedida em abril de 2012, quando Eclipse foi apresentada no festival de teatro de Curitiba.

Clique aqui e veja os livros de Tchékhov publicados na Coleção L&PM Pocket.

Semana da cultura russa em São Paulo: ainda dá tempo de participar

quarta-feira, 15 agosto 2012

A Biblioteca Mário de Andrade está sendo palco de uma semana dedicada à cultura russa. Começou no dia 13 de agosto e vai até o dia 17 (sexta-feira), a segunda edição da “Semana da Língua e Cultura Russa” que, este ano, homenageia o escritor Anton Tchékhov. O evento é uma iniciativa da Associação Cultural Grupo Volga com apoio da Embaixada da Federação da Rússia no Brasil e as entradas são gratuitas. Olha o que ainda dá pra aproveitar:

AULA LIVRE DE LÍNGUA E CULTURA RUSSA
Coordenação de Alla Gueorguievna Dib e participação de Francisco Marcio de Araújo e Rafael Almir Marcial Tramm. De um modo descontraído e informal, professores de russo apresentam noções sobre língua, alfabeto e cultura russa.
Sala de convivência. Dias 15 e 16, às 17h

SARAU: “MÚSICA E POESIA TRADICIONAIS DA RÚSSIA”
Coordenação do maestro Victor E. Selin e participação do Coral Folclórico Grupo Volga. Regente por mais de 25 anos de diversos corais de música popular e lírica russas em São Paulo, Selin coordena este sarau literomusical.
Sala de convivência. Dia 17, às 19h

A Biblioteca Mário de Andrade fica na Rua Consolação, 94, centro de São Paulo. Fone: (11) 3256-5270

Os últimos dias de Tolstói

segunda-feira, 21 novembro 2011

Em 1910, Leon Tolstói já contava 82 anos. Mas nem a idade avançada e a saúde frágil o fizeram perder de vista a coerência entre seu modo de vida e seus ideais. Apesar da pressão de sua esposa para que lhe deixasse em testamento os direitos sobre sua obra, ele resolveu fazer o que achava certo: modificou seu testamento sem que ela soubesse. Para garantir que sua obra se tornasse pública após sua morte, todos os direitos foram deixados como herança para um de seus discípulos mais fiéis.

Feito isto, o melhor a fazer era abandonar tudo e fugir em busca de uma vida diferente. Ao deixar a mansão na calada da noite para uma longa viagem de trem, Tolstói renunciava definitivamente à família, à propriedade, mas também à própria vida. O frio, a fumaça e as péssimas acomodações dos vagões da terceira classe (já que luxo e conforto não estavam em acordo com a vida simples que buscava) lhe renderam uma penumonia, que se agravou rapidamente e culminou em sua morte no dia 20 de novembro de 1910, aos 82 anos, numa modesta estação de trem em Astapovo, cercado de curiosos, seguidores fanáticos, e de uma das filhas, a única da família que aderiu à sua cruzada.

A saga dos últimos meses de vida do autor de Guerra e paz está contada no filme A última estação (2009), do diretor Michael Hoffman, lançado em 2009. Emocionante e intenso, o longa traz Christopher Plummer no papel de Tolstói e Dame Helen Mirren como sua esposa Sofia. Veja o trailer:

Aristocrata russo, filho do conde Nicolau Ilich Tolstói e da princesa Maria Nikolayevna Volkonski, Leon Tolstói teve uma infância carente e complicada. Sua mãe morreu quando ele tinha dois anos e seu pai foi vítima fatal de uma apoplexia antes do pequeno Leon completar dez anos. Ele e os três irmãos foram criados por parentes próximos na província de Kazan. Já adulto e incentivado por seu irmão, o tenente Nicolai Tolstói, Leon alistou-se no exército e participou da guerra da Turquia e da guerra da Criméia, onde conheceu profundamente a vida militar, os horrores e os heroísmos de uma guerra. Quando finalmente desligou-se do exército, já com 30 anos, ele conheceu a bela e moscovita Sofia, com quem se casou e teve 13 filhos. Foi neste período que ele escreveu suas obras mais conhecidas: Guerra e paz e Anna Karenina.

Anarquista convicto, Tolstói era admirado pelo filósofo Joseph Proudhon, cujas ideias coincidiam com a filosofia que ele difundia entre seus empregados e vizinhos. Seus escritos foram aplaudidos também por seus contemporâneos russos Fiódor Dostoiévski, Ivan Turguêniev e Anton Tchékhov e festejados por Gustave Flaubert, que comparou-o a William Shakespeare.

No final de sua vida, trocou intensa correspondência com Mahatma Ghandi, cuja teoria de resistência não-violenta tinha muito em comum com suas teses, inclusive as que ficaram imortalizadas no tratado pacifista Guerra e paz, uma das maiores obras da literatura mundial – não só em volume de páginas mas também em excelência literária.

Na apresentação da edição de bolso de Guerra e Paz publicada pela L&PM em 4 volumes, o editor Ivan Pinheiro Machado faz a seguinte comparação: “Guernica de Pablo Picasso está para o povo espanhol assim como Guerra e paz de Leon Tolstói está para o povo russo”.

Já não resta dúvidas de que este livro é leitura obrigatória, né? :)

Autor de hoje: Anton Tchékhov

domingo, 17 abril 2011

Tanganrov, Rússia, 1860 – † Badenweiler, Alemanha, 1904

Descendente de servos da gleba e filho de um pequeno comerciante, formou-se médico pela Universidade de Moscou. Trabalhou duramente para pagar seus estudos e sustentar a família, exercendo a medicina numa clínica rural. Depois de alguns anos, dedicou-se apenas à literatura, publicando contos e revistas. A contenção necessária do conto, numa época em que o governo russo exercia rigorosa censura sobre a intelectualidade, fez dele o criador de textos intensos e concisos. Mestre do gênero, sua visão de mundo é ética e democrática, voltada para o combate das injustiças e para a sátira contra a sociedade. Apontado pela crítica como o criador do conto sem enredo ou de atmosfefra, sua obra veicula simpatia e compaixão entre os homens, sendo considerado o intérprete dos intelectuais, das mulheres e das crianças. Dramaturgo, romancisa e contista, seus textos influenciaram toda a literatura ocidental.

Obas principais: A estepe, 1888; Enfermaria  n˚ 6, 1892; Tio Vânia, 1898; A dama do cachorrinho, 1898

ANTON TCHÉKHOV por Juremir Machado da Silva

Neto de servo, filho de pequeno comerciante, o adolescente Anton Tchékhov foi arrancado de sua cidade natal, Tanganrog, situada à beira do mar de Azov, pela falência do pai. Descobriu, então, as ruas de Moscou e a “escola da vida”. Graças a esse aprendizado diário do cotidiano, complementado pelo curso de medicina, ele se tornaria um extraordinário observador e narrador da vida comum. Não lhe interessavam os grandes heróis nem os sábios exemplares, mas sim os homens médios, a gente de todo dia, a existência menor que constituiu o social como um todo. De certo modo, Tchékhov, mestre da pecisão e da narrativa concisa, sempre quis entender as engrenagens do vivido a partir de sua essência: o banal.

Como se fosse um cientista examinando fenômenos bem delimitados, tratou de individualizar os casos abordados pelo seu olhar de escritor e de mostrar o existente com base em dados e elementos concretos em lugar de refletir sobre abstrações ou generalidades. Essa maneira de ver o mundo e de construir os seus personagens aparece nas suas novelas ou no seu teatro. Habituado a escrever histórias muito curtas para jornais e revistas, ele sempre soube ir direto ao ponto, mesclando detalhes com uma percepção aguda e, através do humor, revelando o absurdo das situações descritas. Escreveu mais de seiscentos textos em quarenta anos de vida.

Nunca mudou seu método. Quem descobre Tio Vânia, Três irmãs (1901), O jardim das cerejeiras (1904), ou qualquer uma das suas histórias célebres ou menos conhecidas, defronta-se com uma mistura de cômico, patético e trágico. Em resumo, acompanha a transfiguação do banal pelos incidentes do cotidiano. Em “Angústia”, história muito breve, que pode ser lida na edição basileira de O homem no estojo (1889), toda a arte de Tchekhov emerge: num anoitecer gelado, sob a neve, o cocheiro Iona tenta falar com alguém sobre a morte do filho. Ninguém quer ouvi-lo. Ao final de uma jornada de trabalho infrutífera, no mais fundo da sua solidão, ele encontra, enfim, quem lhe dê ouvidos: sua égua. Uma última frase econômica resume um mundo em desespero: “Iona se deixa arrebatar e conta-lhe tudo.”

* Guia de Leitura – 100 autores que você precisa ler é um livro organizado por Léa Masina que faz parte da Coleção L&PM POCKET. A partir de hoje, todo domingo,você conhecerá um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos clássicos, Léa convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores.

Casa de Tchékhov será restaurada

quarta-feira, 10 novembro 2010

Após anos de descaso e abandono, a casa onde o escritor russo Anton Tchékhov escreveu algumas das suas principais obras será restaurada até o final deste ano. A “Datcha Branca”, como era chamada, fica na cidade de Ialta, na costa ucraniana do Mar Negro, e Tchékhov mudou-se para lá em 1898 para tratar da tuberculose, doença que acabaria causando a sua morte em 1904. Foi nessa casa que  Tchekhov escreveu O jardim das cerejeiras e, além disso, a costa próxima à Datcha foi o cenário de A dama do cachorrinho. Em 1921, o imóvel foi transformado em museu até que, em 2007,  teve que ser parcialmente fechada porque estava caindo aos pedaços.

Criada pela biógrafa, e tradutora de Tchékhov, Rosamund Bartlett, a fundação Yalta Chehhov é responsável pela campanha de restauração e pela preservação da memória do escritor. Para conhecer mais sobre a fundação visite o site http://www.yaltachekhov.org/

No ano em que se comemora os 150 anos de nascimento do escritor russo, a casa onde viveu e escreveu Tchékhov começa a ser restaurada

As últimas palavras dos escritores

quarta-feira, 11 agosto 2010

O site do jornal britânico The Guardian publicou uma matéria bem legal sobre as últimas palavras de célebres escritores. Selecionamos algumas delas (em tradução livre):

The Guardian publicou uma seleção de “últimas palavras” / Reprodução

Mark Twain: Death, the only immortal, who treats us alike, whose peace and refuge are for all. The soiled and the pure, the rich and the poor, the loved and the unloved. (“Morte, a única imortal, que nos trata da mesma forma, para a qual paz e refúgio são para todos. O sujo e o puro, o rico e o pobre, o amado e o não-amado.”)
Essa nota foi encontrada no leito de morte do autor de Tom Sawyer e publicada em uma coletânea de 1935. Depois de sofrer um ataque cardíaco em Bermudas, Twain voltou para sua casa em Connecticut para se recuperar. Previu em 1909 que iria “sair de cena” com o cometa Halley – que tinha aparecido no ano de seu nascimento. E morreu um dia depois da maior aproximação do astro com a Terra. De acordo com seu biógrafo, ele disse: “’Adeus’, e o Dr. Quintard, que estava perto, achou que ele tinha acrescentado: ‘Se nós nos encontrarmos’ – mas as palavras foram muito fracas.”

Emily Dickinson: I must go in, the fog is rising. (“Eu devo ir, o nevoeiro está aumentando.”)
A saúde de Dickinson piorou consideravelmente nos últimos anos de sua vida, até que ela finalmente ficou presa à cama, limitando-se a escrever pequenas notas. Seu médico considerou como causa da morte a doença de Bright, um mal renal agora chamado de nefrite.

Robert Louis Stevenson: What’s that? Do I look strange? (“O que é isso? Eu pareço estranho?”)
Com a saúde debilitada desde 1880 (ele morreu em 1894), o autor de O médico e o monstro mudou-se para Samoa na tentativa de uma recuperação. Stevenson provavelmente morreu de hemorragia cerebral. De acordo com sua biógrafa, “no fim da tarde, ele desceu as escadas falando sobre um tour de palestras na América que estava ansioso por fazer, já que estava ‘se sentindo tão bem’… de repente ele colocou as duas mãos sobre a cabeça e gritou: ‘o que é isso?’ Aí ele perguntou logo depois: ‘eu pareço estranho?’” E logo que fez isso caiu de joelhos ao lado dela.

Anton Tchékhov: It’s a long time since I drank champagne. (“Fazia muito tempo que eu não bebia champanhe.”)
Já doente terminal, foi com a esposa Olga para Badenweiler, no interior da Alemanha. Mais tarde, ela recordou seus últimos momentos: “Anton sentou-se estranhamente reto e disse alta e claramente (embora não soubesse quase nada de alemão): ‘Ich sterbe’ (estou morrendo). O doutor o acalmou, pegou uma seringa, aplicou uma injeção e pediu champagne. Anton pegou uma taça cheia, examinou-a, olhou pra mim e disse: ‘Fazia muito tempo que eu não bebia champagne’. Aí ele bebeu tudo, colocou a taça do seu lado esquerdo sem fazer barulho e eu só tive tempo de correr até ele, me inclinar sobre a cama e chamá-lo, mas ele tinha parado de respirar e estava dormindo tranquilamente como uma criança.”

Franz Kafka: Dearest Max, my last request: Everything I leave behind me … in the way of diaries, manuscripts, letters (my own and others’), sketches, and so on, (is) to be burned unread. (“Querido Max, meu último pedido: tudo que eu deixo pra trás… diários, manuscritos, cartas (minhas próprias e de outros), sketches, e assim por diante, deve ser queimado antes que possa ser lido.”)
O bilhete foi deixado por Kafka pouco antes de morrer de tuberculose em um sanatório perto de Viena. Como se sabe, Max Brod não cumpriu o último pedido do amigo, o que resultou agora, em 2010, numa grande disputa judicial pelos direitos do material deixado por Kafka.

Virgínia Woolf: I feel certain that I’m going mad again… (“Tenho certeza de que estou enlouquecendo de novo…”)
Temendo que estivesse a beira de mais uma crise, Woolf suicidou-se enchendo seus bolsos de pedras e afongando-se no Rio Ouse. O corpo só foi encontrado vinte dias depois. O bilhete que deixou para o marido dizia: “Tenho certeza de que estou enlouquecendo de novo… Eu sinto que não podemos passar novamente por outro daqueles tempos terríveis. E não acho que vou me recuperar dessa vez. Comecei a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Então estou fazendo o que parece ser o melhor a fazer… Eu não posso continuar a estragar a sua vida por mais tempo. Eu não acho que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes do que nós fomos.”

Leia a íntegra da matéria aqui.