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Tchékhov no teatro com o Grupo Galpão

quarta-feira, 19 setembro 2012

Dias 20, 21 e 22 de setembro, o grupo mineiro Galpão apresenta, dentro da programação do Porto Alegre em Cena deste ano, a peça Eclipse, montada a partir da leitura de quase 200 contos do escritor russo Anton Tchékhov. O espetáculo faz parte das comemorações dos 30 anos da companhia teatral. Em Eclipse, o grupo mergulhou na obra de Tchékhov para criar uma peça em que cinco pessoas, presas num mesmo espaço, aguardam o final de um eclipse solar. Enquanto isso, elas discorrem sobre a existência e a condição humana, perpassando os contos e a filosofia do escritor. Eclipse faz parte do projeto “Viagem a Tchékhov”, que deu origem também à montagem “Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)” e marca o retorno do Galpão ao Porto Alegre em Cena. A peça será apresentada no Theatro São Pedro, sempre às 21h.

No vídeo abaixo, um dos integrantes do grupo fala sobre a montagem e a direção de Jurij Alschitz em entrevista concedida em abril de 2012, quando Eclipse foi apresentada no festival de teatro de Curitiba.

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Autor de hoje: Anton Tchékhov

domingo, 17 abril 2011

Tanganrov, Rússia, 1860 – † Badenweiler, Alemanha, 1904

Descendente de servos da gleba e filho de um pequeno comerciante, formou-se médico pela Universidade de Moscou. Trabalhou duramente para pagar seus estudos e sustentar a família, exercendo a medicina numa clínica rural. Depois de alguns anos, dedicou-se apenas à literatura, publicando contos e revistas. A contenção necessária do conto, numa época em que o governo russo exercia rigorosa censura sobre a intelectualidade, fez dele o criador de textos intensos e concisos. Mestre do gênero, sua visão de mundo é ética e democrática, voltada para o combate das injustiças e para a sátira contra a sociedade. Apontado pela crítica como o criador do conto sem enredo ou de atmosfefra, sua obra veicula simpatia e compaixão entre os homens, sendo considerado o intérprete dos intelectuais, das mulheres e das crianças. Dramaturgo, romancisa e contista, seus textos influenciaram toda a literatura ocidental.

Obas principais: A estepe, 1888; Enfermaria  n˚ 6, 1892; Tio Vânia, 1898; A dama do cachorrinho, 1898

ANTON TCHÉKHOV por Juremir Machado da Silva

Neto de servo, filho de pequeno comerciante, o adolescente Anton Tchékhov foi arrancado de sua cidade natal, Tanganrog, situada à beira do mar de Azov, pela falência do pai. Descobriu, então, as ruas de Moscou e a “escola da vida”. Graças a esse aprendizado diário do cotidiano, complementado pelo curso de medicina, ele se tornaria um extraordinário observador e narrador da vida comum. Não lhe interessavam os grandes heróis nem os sábios exemplares, mas sim os homens médios, a gente de todo dia, a existência menor que constituiu o social como um todo. De certo modo, Tchékhov, mestre da pecisão e da narrativa concisa, sempre quis entender as engrenagens do vivido a partir de sua essência: o banal.

Como se fosse um cientista examinando fenômenos bem delimitados, tratou de individualizar os casos abordados pelo seu olhar de escritor e de mostrar o existente com base em dados e elementos concretos em lugar de refletir sobre abstrações ou generalidades. Essa maneira de ver o mundo e de construir os seus personagens aparece nas suas novelas ou no seu teatro. Habituado a escrever histórias muito curtas para jornais e revistas, ele sempre soube ir direto ao ponto, mesclando detalhes com uma percepção aguda e, através do humor, revelando o absurdo das situações descritas. Escreveu mais de seiscentos textos em quarenta anos de vida.

Nunca mudou seu método. Quem descobre Tio Vânia, Três irmãs (1901), O jardim das cerejeiras (1904), ou qualquer uma das suas histórias célebres ou menos conhecidas, defronta-se com uma mistura de cômico, patético e trágico. Em resumo, acompanha a transfiguação do banal pelos incidentes do cotidiano. Em “Angústia”, história muito breve, que pode ser lida na edição basileira de O homem no estojo (1889), toda a arte de Tchekhov emerge: num anoitecer gelado, sob a neve, o cocheiro Iona tenta falar com alguém sobre a morte do filho. Ninguém quer ouvi-lo. Ao final de uma jornada de trabalho infrutífera, no mais fundo da sua solidão, ele encontra, enfim, quem lhe dê ouvidos: sua égua. Uma última frase econômica resume um mundo em desespero: “Iona se deixa arrebatar e conta-lhe tudo.”

* Guia de Leitura – 100 autores que você precisa ler é um livro organizado por Léa Masina que faz parte da Coleção L&PM POCKET. A partir de hoje, todo domingo,você conhecerá um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos clássicos, Léa convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores.

Grupo Galpão prepara montagem de “Tio Vânia” para 2011

segunda-feira, 20 dezembro 2010

O grupo mineiro Galpão está orbitando pela Rússia e, em 2011, anunciou que chegará em Tchékhov. Para o primeiro semestre do ano, já está marcada a estreia de “Tio Vânia”, sob o comando da diretora convidada Yara Novaes. Além dessa peça, o premiado grupo, que em 2012 completará 30 anos, prepara para dezembro uma montagem com base nos contos do escritor e que terá direção do também russo Jurij Alschitz. Enquanto as estreias não chegam, vá lendo Tchékhov nas suas férias. Veja aqui mais sugestões de títulos.

Cartaz da peça "Romeu e Julieta", encenada pelo Grupo Galpão em Londres