Uma taça de champanhe e um trem de ostras na morte de Tchékhov

“Anton sentou-se totalmente ereto e disse em voz alta e clara (embora ele não soubesse quase nada de alemão): Ich sterbe (Estou morrendo). O médico o acalmou, pegou uma seringa, deu-lhe uma injeção de cânfora e pediu champanhe. Anton tomou uma taça cheia, examinou-a, sorriu para mim e disse: “Já faz muito tempo que eu não bebo champanhe.” Ele esvaziou a taça e inclinou-se tranquilamente para a esquerda. E eu só tive tempo de correr em sua direção e colocá-lo na cama e chamá-lo, mas ele tinha parado de respirar e estava dormindo em paz como uma criança…”

O relato acima foi escrito por Olga, esposa de Anton Tchékhov, depois da morte do marido, na noite do dia 14 para 15 de julho de 1904.

Tchékhov, um dos maiores nomes da literatura russa, viu sua tuberculose se agravar em maio daquele ano. Em 3 de junho, ele partiu com Olga para a cidade alemã de Badenweiler, na Floresta Negra, de onde passou a escrever cartas para sua irmã Masha, nas quais descrevia a comida e o ambiente. Em sua última carta, ele comentou a maneira como as mulheres alemãs se vestiam: “não há uma única alemã decentemente vestida. A falta de gosto delas me deprime.”

Após sua morte, o corpo foi levado para Moscou em um vagão de trem refrigerado que servia para transportar ostras frescas, o que causou indignação em seu amigo e também escritor, Gorky. Outro fato que hoje soa engraçado é que, por engano, milhares de pessoas seguiram o cortejo fúnebre do general Fyodor Keller, por estar ele acompanhado de uma banda militar. Tchékhov foi enterrado ao lado de seu pai no Cemitério Novodenichy na capital russa.

Tchékhov e Gorky em 1900

Tchékhov e Gorky em 1900

 

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