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Eduardo Galeano é o Pelé da literatura sobre futebol, aponta jornal britânico

sexta-feira, 6 junho 2014

O Pelé da literatura sobre futebol não é um brasileiro, mas o escritor uruguaio Eduardo Galeano. A afirmação foi feita pelo jornalista esportivo do jornal britânico “The Guardian” Richard Williams, que preparou uma lista dos melhores livros esportivos para se ler durante a Copa do Mundo.

Williams cita algumas obras, mas, segundo ele nenhuma supera “Futebol ao Sol e à Sombra”, de Galeano, que é publicado pela L&PM Editores em pocket e também em formato convencional e e-book.

Ágil e emotivo, o livro de Galeano traz muitas histórias sobre mundiais. E não é preciso ser um apaixonado pela bola para apreciá-lo. Basta se apreciar a boa literatura.

 Via Folha de S. Paulo

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GARRINCHA

Algum de seus muitos irmãos batizou-o de Garrincha, que é o nome de um passarinho inútil e feio. Quando começou a jogar futebol, os médicos o desenganaram: diagnosticaram que aquele anormal nunca chegaria a ser um desportista. Era um pobre resto de fome e de poliomelite, burro e manco, com um cérebro infantil, uma coluna vertebral em S e as duas pernas tortas para o mesmo lado.

Nunca houve um ponta direita como ele. No Mundial de 58, foi o melhor em sua posição. No Mundial de 62, o melhor jogador do campeonato. Mas ao longo de seus anos nos campos, Garrincha foi além: ele foi o homem que deu mais alegria em toda a história do futebol.

Quando ele estava lá, o campo era um picadeiro de circo; a bola, um bicho amestrado; a partida, um convite à festa. Garrincha não deixava que lhe tomassem a bola, menino defendendo sua mascote, e a bola e ele faziam diabruras que matavam as pessoas de riso: ele saltava sobre ela, ela pulava sobre ele, ela se escondia, ele escapava, ela o expulsava, ela o perseguia. No caminho, os adversários trombavam entre si, enredavam-se nas próprias pernas, mareavam, caíam sentados.

(…)

Quando Sun Tzu participou da Copa

quarta-feira, 21 maio 2014

Na Copa de 2002, quando Luiz Felipe Scolari comandou a seleção brasileira, ele distribuiu a edição em pocket da L&PM de A arte da guerra, de Sun Tzu, para todos os jogadores. Na época, ele falou sobre essa estratégia tática para a Folha de S. Paulo. Leia abaixo um trecho da reportagem.

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“A ARTE DA GUERRA” SERÁ O MANUAL DA COPA

FÁBIO VICTOR – DA REPORTAGEM LOCAL / FERNANDO MELLO E JOSÉ ALBERTO BOMBIG  - DO PAINEL FC

Um pequeno livro, com 111 páginas numa edição de tamanho normal e 141 no formato de bolso, escrito há cerca de 2.500 anos, no século 6º antes de Cristo, é o principal guia da seleção brasileira para enfrentar a Copa do Mundo. Trechos de “A Arte da Guerra”, do chinês Sun Tzu, um filósofo que se tornou general no reino Wu, estarão espalhados pelos quartos dos jogadores nas concentrações do time nacional na preparação para o Mundial. O mentor da estratégia é Luiz Felipe Scolari, entusiasta de técnicas de motivação e psicologia esportiva, supersticioso notório e admirador confesso do ex-ditador chileno Augusto Pinochet. A revelação foi feita por Scolari em entrevista exclusiva à Folha, na última quinta-feira, em dois momentos distintos: no início de uma visita à Redação do jornal e dentro de um carro rumo ao aeroporto de Congonhas, onde tomou um vôo para Porto Alegre. “A Arte da Guerra” prega basicamente que uma vitória militar depende mais de aspectos morais e intelectuais dos oficiais e das circunstâncias da batalha do que do poderio dos Exércitos. Um dos maiores clássicos da literatura de guerra, o livro teria servido de inspiração para Napoleão e foi manual para Mao Tsé-tung e para os exércitos chinês e russo ao longo da história.

Folha – Você vai estimular a leitura na concentração?
Scolari -
Vou levar alguns livros de motivação…

Folha – Quais livros?
Scolari -
A “Arte da Guerra” é um livro. Vou tentar passar para eles algumas coisas que eu leio ali, através do Rodrigo [Paiva, assessor de imprensa da CBF”, que vai bater no computador, ou do Guilherme [Ribeiro, administrador da CBF”, e fixar nos quartos. Vou levar os meus livros de motivação, um ou dois, que eu não vou ter muito tempo, não. Vou levar minhas revistas normais, porque ali tem umas frases para determinados momentos.

Leia aqui a reportagem completa.

Professor da USP escreve sobre “O idiota da família” na Folha de S. Paulo

quarta-feira, 12 fevereiro 2014

A convite da Folha de S. Paulo, o professor da USP Franklin Leopoldo e Silva escreveu um texto sobre o recente lançamento de “O idiota da família” ( L&PM Editores), de Jean-Paul Sartre. Professor de história da filosofia contemporânea na USP, Franklin é autor do livro “Ética e literatura em Sartre” (Unesp, 2004). Clique na imagem para ler seu texto, publicado no caderno Ilustríssima em 9 de fevereiro:

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Uma bela entrevista com a biógrafa de Sartre

quarta-feira, 27 março 2013

A franco-argelina Annie Cohen-Solal é considerada a biógrafa oficial do filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). Autora de Sartre – Uma biografia (L&PM) e Sartre (L&PM Pocket), Annie concedeu uma entrevista à Folha de S. Paulo, publicada em 26 de março na capa do Caderno Ilustrada. Segundo ela, o Brasil é um dos países mais sartreanos em que ela já esteve e que isso se deve, em parte, ao fato do filósofo ter passado três meses no país em 1960. Clique sobre a imagem para ler a entrevista:

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Clique na imagem para ampliá-la

A partir do segundo semestre de 2013, a L&PM Editores dá início à publicação de O idiota da família, a obra definitiva de Sartre em que ele traça, em três volumes, uma biografia minuciosa e impressionante do escritor Gustave Flaubert.

Senado aprova Vale-Cultura, que aguarda a sanção de Dilma

quinta-feira, 6 dezembro 2012

Folha de S. Paulo – 06/12/2012 – Por Gabriela Guerreiro, de Brasília

Benefício mensal de R$ 50 para compra de livros e ingressos para shows e peças já passou pela Câmara

Como já havia acordo entre o governo e a oposição, votação ocorreu em tempo recorde no plenário

O Senado aprovou ontem projeto que cria o Vale-Cultura, benefício mensal de R$ 50 para quem recebe até cinco salários mínimos (R$ 3.110) gastar em produtos culturais -como entradas para shows e peças e compra de livros. O auxílio funcionará como uma espécie de “vale-alimentação” e poderá ser usado em todo o território nacional.

O projeto agora segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. Não houve mudanças, no Senado, em relação ao texto que passou pela Câmara em novembro. A votação ocorreu em tempo recorde no plenário, de forma simbólica (sem registro do voto no painel da Casa), depois de acordo fechado entre governo e oposição. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) endossara o texto na manhã de ontem. Segundo o projeto, o prazo para gastar o benefício deverá ser definido posteriormente em regulamento.

O texto também estipula que o vale seja disponibilizado aos empregados preferencialmente em cartões magnéticos, confeccionados por empresas cadastradas no Ministério da Cultura. De autoria da deputada Manuela D’Ávila (PC do B-RS), o projeto determina que as empresas que decidirem oferecer o vale tenham direito a deduzir o valor despendido do Imposto de Renda até 2017, no limite de 1% do total devido.

A pedido do governo, a versão aprovada na Câmara excluiu os servidores públicos, aposentados e estagiários. Essa emenda na redação original poupa o Planalto do desgaste de vetar trecho da que previa o benefício para essas três categorias. O objetivo do governo era aprovar o projeto até o fim do ano. Havia uma preocupação do Planalto com as eleições presidenciais de 2014, quando Dilma deve concorrer à reeleição.

Projetos com renúncia fiscal só passam a valer no exercício seguinte. Ou seja, aprovado agora, o Vale-Cultura só vigoraria em 2013. Além disso, há que considerar um prazo de seis meses que o governo acredita ser necessário para efetivamente implementar o vale, que estaria a pleno vapor no ano eleitoral.

Contardo Calligaris assitiu ao filme “Na estrada”

quinta-feira, 19 julho 2012

“Na estrada”

Por Contardo Calligaris*

Assisti a “Na Estrada”, de Walter Salles, na sexta passada, no Rio. E passei o fim de semana pensando na minha vida.

Li “Na Estrada”, de Jack Kerouac, no fim dos anos 1960, provavelmente em Nova York -mas talvez em Houston. O texto que eu li era uma versão expurgada; isso, na época, eu não sabia. Não voltei ao texto em 2007, quando a Viking publicou o manuscrito original (em português pela L&PM). Mas o texto voltou em mim com força, na sexta-feira, quando assisti ao filme.

Nos anos 1960, eu era um hippie lendo um “beat”. Na mesma época, “Almoço Nu”, de William Burroughs, me seduzia, mas me assustava -longe demais de minha experiência (das drogas, do sexo e da vida). Também lia Allen Ginsberg e Gregory Corso, mas, aos dois, preferia Lawrence Ferlinghetti -outra escolha “bem comportada”, dirá alguém.

O fato é que “Na Estrada” foi a parte da herança “beat” da qual eu me apropriei imediatamente. Por quê? As drogas, o álcool ou o sexo “livre” me pareciam secundários -apenas um jeito de dizer: “Não esperem que a gente viva como manda o figurino”.

O essencial, para mim, era a junção da fome de aventura com uma raivosa vontade de escrever. A vida se confundia com um projeto literário que exigia os excessos: era preciso viver intensa e loucamente, de peito aberto, para que valesse a pena contar a história. Por isso, eu e outros podíamos, ao mesmo tempo, venerar Kerouac e Hemingway -os quais, álcool à parte, provavelmente, não se dariam.

Pensando bem, eu fui mais um “beat” atrasado do que um hippie. A procura por iluminações interiores e comunhões cósmicas da idade de Aquário, tudo isso me parecia pacotilha para “Hair”, coisa da Broadway. Fiz minha peregrinação à Índia e ao Nepal, mas considerava com desconfiança o orientalismo que estava na moda: o budismo dos anos finais de Kerouac e Ginsberg não me parecia mais sério do que o hinduísmo dos Beatles.

O problema é que eu era um espécimen bastardo: “mezzo” hippie e “mezzo” maio-68 francês, “mezzo” descendente dos “beats” e “mezzo” filho marxista do pós-guerra europeu.

Kerouac não tinha simpatia pelo marxismo. Ele preferia o individualismo dos que procuram uma fronteira para desbravar -pouco a ver com um projeto de reforma social ou de revolução. Para os “beats”, aliás, transformar a sociedade seria um problema. Certo, Neal Cassady e Gregory Corso passaram tempo na cadeia; e Burroughs, Kerouac e Ginsberg foram censurados. Mas, justamente, num mundo que não lhes resistisse, a vida dos “beats” perderia sua dimensão épica.

Ao longo dos anos 1970 e 1980, fazendo um balanço, eu teria dito que, em mim, a herança marxista europeia prevalecera sobre a herança “beat”. Hoje, penso o contrário -não sei se por decepção política ou por maturidade. Mas não tenho muitas certezas: por exemplo, minha errância pelo mundo foi uma experiência da estrada ou uma versão “chique” do cosmopolitismo forçado dos trabalhadores modernos?

E será que vivi como um fogo de artifício? Ou então durar e continuar vivo se tornou, para mim, mais importante do que me arriscar na intensidade das experiências?

O filme de Salles está sendo a ocasião imperdível de um balanço -ainda não decidi se festivo ou melancólico. Cuidado, o balanço não interessa só minha geração. Cada um de nós pode se perguntar, um dia, como resolveu a eterna e impossível contradição entre segurança e aventura: quanta aventura ele sacrificou à sua segurança?

Essa conta deveria ser feita sem esquecer que 1) a segurança é sempre ilusória (todos acabamos morrendo) e 2) qualquer aventura não passa de uma ficção, um sonho suspenso entre a expectativa e a lembrança.

Que você tenha lido ou não o livro de Kerouac, e seja qual for sua geração, assista ao filme e se interrogue: se uma noite, inesperadamente, Neal Cassady tocar a campainha de sua casa, louco de aventuras para serem vividas e com o olhar fundo de quem dirige há horas e ainda quer se jogar na estrada, você saberia e poderia, sem fazer mala alguma, simplesmente ir embora com ele?

*Este texto foi publicado originalmente na coluna de Contardo Calligaris no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo no dia 19 de julho de 2012.

O futuro da Turma da Mônica

segunda-feira, 8 agosto 2011

Durante décadas, a Turma da Mônica permaneceu com a mesma idade: sete anos. Até que, em 2008, eles ganharam uma versão adolescente em revistas do tipo Mangá. Não bastasse isso, Mauricio de Sousa decidiu que, a partir de 2012, o tempo vai mesmo passar para eles. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali vão crescer e, quem sabe, até envelhecer.“Será como um folhetim, uma história ininterrupta. Tenho planos de montar uma equipe com psicólogos e médicos” disse Mauricio em entrevista à Folha de S. Paulo, explicando que tais profissionais ajudariam a compôr o futuro dos personagens. Mauricio contou ainda que a turminha vai viver situações e conflitos de gente grande como se alistar no exército, fazer vestibular, conquistar o primeiro emprego, casar e ter filhos. Aliás, isso acaba deixando uma pergunta no ar: como seria o rebento da Mônica com o Cebolinha? Baixinho, dentuço, com cinco fios de cabelo e trocando o erre pelo ele? A ideia pode ser boa… Mas, felizmente, para os fãs das histórias originais, as  tirinhas com os personagens crianças vão continuar existindo.

Nem mesmo Mônica poderia imaginar que, no futuro, ela viraria adulta (clique para ampliar)

A Coleção L&PM POCKET publica vários livros com as tirinhas da Turma da Mônica.

Aline X BBB

sexta-feira, 4 março 2011

Por Paula Taitelbaum

Aline tem dois maridos. Mas não se contenta só com eles. Ela é tarada e totalmente pirada, anda nua na rua, faz suruba, faz de tudo, faz o diabo (e até com o diabo!). Aline é a personagem criada pelo talentosíssimo Adão Iturrusgarai. E quando a gente lê as tirinhas com ela, só tem vontade de fazer uma coisa: rir. Mesmo assim, apesar dos pedidos insistentes da minha filha de nove anos, eu prefiro deixá-la afastada da personagem. Melhor esperar mais um tempo… Pois a Globo adaptou a Aline para a TV e colocou no ar a série homônima que estreou no dia 3 de fevereiro com a promessa de que seriam exibidos oito episódios. A Aline global, vivida pela atriz Maria Flor, ficou muito mais light do que a Aline dos quadrinhos. Os maridos viraram namorados, ela deixou de ser tarada e ficou romântica, as pernas de fora deram lugar a meias-calças coloridas e ela praticamente virou uma menina de família.

Eis que essa semana foi divulgada a notícia de que Aline estava se despedindo da programação e que, no lugar de oito, a segunda temporada da série teria apenas cinco episódios. A matéria dizia que a razão para o adiantamento do fim teria sido uma baixa audiência. Fazer o quê… nem tudo o que é bom agrada a todos. A questão é que, hoje, a Folha de S. Paulo traz um texto cujo título é “Cena de suposto suingue fez Globo encurtar série ‘Aline’”. Hein???!!!! A nota diz ainda que “Segundo fontes ligadas à produção, a direção do canal teria ficado incomodada com cena do capítulo em que os pais de Aline (Maria Flor) e seus respectivos marido e mulher (eles são separados na história) se encontram no motel e vão para a cama, o que de alguma forma sugere um suingue (troca de casais).”. Confesso que fiquei com vontade de rir. Pra não chorar… Porque não posso acreditar que a mesma emissora que exibe o Big Brother, a novela das nove e mais uma penca de programas recheados de “sugestões” eróticas explícitas possa ter tirado a Aline do ar por causa de uma suposta cena de suingue exibida após às 23h20min. A assessoria da Globo negou que o motivo do fim da série tenha sido a tal cena. Mesmo assim, fica a pulga atrás da orelha… Felizmente, pra compensar, as tirinhas continuam aí, sem censura, para quem quiser se divertir com a Aline original.