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Memórias beats numa tarde em Nova York

Very interesting”. Foi o que eu ouvi de um senhor de cabelos brancos que saía da exposição “Beat Memories” na minha frente. O que se passou por baixo dos seus cabelos brancos, eu não sei. Mas ele parecia empolgado. E eu mais ainda. Um encontro com os beats em plena tarde fria de um sábado em Manhattan é algo que realmente emociona. Principalmente quando esse encontro se dá ao acaso. Isso porque eu não sabia dessa exposições de fotos de Allen Ginsberg. Esbarrei com ela sem querer, ao dobrar uma esquina no primeiro dia da minha viagem (não são esses os melhores encontros?), quando dei de cara com um imenso cartaz na vitrine da National Galery of Art. Na exposição, fotos que o autor de Uivo clicou ao longo da vida – ou que algum outro beat fez dele entre as décadas de 50 e 90. Algumas imagens são célebres como a de Kerouac passando pela estátua de Samuel Cox ou a dos amigos beats em frente à City Lights. Outras eu nunca tinha visto antes como a foto de Peter Orlowski – que foi companheiro de Ginsberg por décadas – sentado ao lado de sua família. Uma imagem que é de uma melancolia desconcertante. Assim como também é impactante ver os autos-retratos que o poeta/fotógrafo fez alguns poucos anos antes de morrer, em frente a espelhos de hotéis. Para completar, no meio das fotos, aquários de vidro mostram cartas, bilhetes e primeiras edições como as de Uivo e Tristessa. Por tudo isso, esse encontro foi, na verdade, muito mais do “very interesting” para mim. Fica a dica para quem visitar Nova York até 6 de abril, data de encerramento da exposição. (Paula Taitelbaum)

O grande Allen - Foto: Paula Taitelbaum

O grande Allen – Foto: Paula Taitelbaum

As famosas de Jack Kerouac - Foto: Paula Taitelbaum

As famosas de Jack Kerouac – Foto: Paula Taitelbaum

Muito preto no branco. Foto: Paula Taitelbaum

Foto: Paula Taitelbaum

A cidade em que nasceu Jack Kerouac

Estranha e sombria Lowell

Jack Kerouac nasce em 12 de março de 1922 em Lowell, pequena cidade de Massachusetts a 45 quilômetros ao norte de Boston, onde as indústrias têxteis e de calçados estão bem implantadas. O nome dela vem do empresário industrial Francis Cabot Lowell, que desenvolveu suas manufaturas nessa área, construiu o dique de Pawtucket e mandou cavar um canal a fim de utilizar as águas revoltas do Merrimack. A cidade, que conheceu seu apogeu na segunda metade do século XIX e no começo do XX, expandiu-se em função das estratégias das empresas sucessivas, englobando vilarejo após vilarejo e acolhendo diversas vagas de imigração de operários de origem anglo-saxã de partida para Boston que se consideravam mal pagos. E assim se instalaram em Lowell franco-canadenses, irlandeses, gregos, poloneses, portugueses. Havia até cristãos da igreja siríaca. (…) Em 12 de março, o inverno continental não terminou. O Merrimack arrasta ainda alguns blocos de gelo e o céu é baixo, úmido e ventoso. É no número 9 da Lipine Road que Jack Kerouac vem ao mundo. A rua, calma, pertence a Centralville. A casa, de madeira, é simples, à imagem das que podem ser almejadas pelos operários qualificados e a pequena burguesia. Duas crianças, sabe-se, o precederam naquele lar: Gerard e Carolyn (Nin). O pai possui então sua gráfica, a Spotlight Print, onde ele trabalha frequentemente só e emprega algumas vezes um ou dois assistentes. Gabrielle, a mãe, aplainadora de couro em uma fábrica de sapatos, alterna períodos de permanência no lar e na fábrica. O meio familiar é descrito como caloroso, atento às crianças e banhado na tradição católica, não sem propensão carola. Leo, conhecido por sua exuberância e afirmador de seu livre-pensamento – para ele, a religião é fraude -, estabelece com a religiosidade uma certa distância. (Trecho de Kerouac, de Yves Buin, Série Biografias L&PM)

Jack nasceu Jean-Louis e, em casa, era chamado de Ti-Jean, apelido, aliás, com o qual ele assina várias das cartas que trocou com seu amigo Allen Ginsberg e que estão no livro Jack Kerouac & Allen Ginsberg: as cartas.

A família Kerouac reunida: os pais Leo e Gabrielle e os filhos Gerard, Carolyn e o caçula Jean-Louis (Jack)

A família Kerouac reunida: os pais Leo e Gabrielle e os filhos Gerard, Carolyn e o caçula Jean-Louis (Jack) – Clique na imagem para ampliar

A casa em que Jack Kerouac nasceu ainda está lá, em Lowell (nesta foto com uma placa de "Aluga-se) - clique na imagem para ampliar

A casa em que Jack Kerouac nasceu ainda está lá, em Lowell (nesta foto com uma placa de “Aluga-se”) – Clique na imagem para ampliar

 

Encontro sobre os beats em Belo Horizonte

Seis décadas depois de ter nascido nos Estados Unidos, sob a liderança de Jack Kerouac, a geração beat, que reunia grupo de escritores “malucos” em busca de novos caminhos para a literatura e a vida, segue repercutindo e angariando admiradores em boa parte do mundo, inclusive no Brasil. Muitos dos autores beats, além de Kerouac, caso de Allen Ginsberg, Gregory Corso e William Burroughs, entre outros, continuam sendo editados por aqui, onde não faltam leitores, nem estudiosos do movimento. Quem afirma é o escritor paulista Cláudio Willer, autor do livro Geração beat, publicado pela L&PM. 

Willer estará em Belo Horizonte no dia 12 de março, no Palácio das Artes, no projeto Terças poéticas, a partir das 18h30, para falar sobre o tema. E, em abril, ministra curso sobre os beats na Flipoços, em Poços de Caldas.

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Jack Kerouac e Allen Ginsberg: expoentes da geração beat

Além de ser autor de Geração beat, Willer é o tradutor de Uivo, de Allen Ginsberg e está traduzindo os Haikais de Jack Kerouac que serão publicados pela L&PM ainda este ano em edição bilíngue.

Filme baseado em “On the road” acaba de chegar às locadoras do Brasil

Você perdeu “Na Estrada”, de Walter Salles, no cinema? Gostou tanto que quer ver de novo? Então corra à locadora mais próxima e alugue o DVD ou Blu-ray do filme baseado em On the Road, de Jack Kerouac. A distribuidora Playarte anunciou que ele já está disponível para locação em todo o Brasil. E para completar, tem promoção no Facebook e Twitter da L&PM que vai dar Blu-ray de presente. Vai lá ver…

“Big Sur” estreia no Sundance Film Festival

Acaba de ser divulgado o trailer de “Big sur”, filme de Michael Polish baseado no livro homônimo de Jack Kerouac, que estreia este mês no Sundance Film Festival nos Estados Unidos. No elenco, Josh Lucas como Neal Cassady, Radha Mitchell como Carolyn Cassady e Jean-Marc Barr no papel de Jack Kerouac. Assista ao trailer:

Lançado em 1962, Big Sur é o livro mais honesto e pessoal de Jack Kerouac. Após o enorme sucesso de On the Road, em 1957, o escritor passou um período retirado em uma cabana do amigo e poeta beat Lawrence Ferlinghetti, na região de Big Sur, na costa da Califórnia, onde se dedicou à escrita. O romance mostra a deterioração física, mental e de ideais vivida por Jack Duluoz (alter ego de Kerouac).

“Big Sur” ainda não tem data para chegar ao Brasil. Enquanto isso, dá pra ler a obra de Jack Kerouac que deu origem ao filme, publicada pela L&PM em formato de bolso.

DVD do filme “Na Estrada” chega este mês

A Playarte, distribuidora de “Na Estrada” – filme baseado em On the road de Jack Kerouac – nos contou que a partir do dia 27 de janeiro já será possível encontrar o DVD e Blu-Ray nas locadoras de todo o Brasil.

Pra quem não assistiu no cinema, essa vai ser uma ótima oportunidade de conferir o filme que tem direção de Walter Salles e que traz Sam Riley no papel de Sal Paradise, Garrett Hedlund como Dean Moriarty e Kristen Stewart na pele de Marylou.

O poster do DVD que chega às locadoras ainda em janeiro

Retrospectiva: os destaques de 2012

E lá se foi 2012. Deixando boas lembranças e ótimos livros no catálogo L&PM. Foram muitos os lançamentos em formato convencional e pocket. Aqui, destacamos um para cada mês do ano que está terminando, de dezembro até até janeiro.

DEZEMBRO – Não tenho inimigos, desconheço o ódio, de Liu Xiaobo. Por que é destaque: o chinês Liu Xiaobo é um escritor, intelectual, ativista e professor que foi condenado a 11 anos de prisão por suas ideias. Prêmio Nobel da Paz 2010, pela primeira vez seus textos foram reunidos e publicados no Brasil, apresentando uma China que o ocidente ainda não conhece.

NOVEMBRO – Allen Ginsberg e Jack Kerouac: as cartas. Por que é destaque: o livro reúne a correspondência trocada entre os dois escritores beats durante mais de 20 anos. As quase 500 páginas que separarm a primeira da última carta oferecem “uma das mais frutíferas fusões de vida e obra da literatura do século 20” conforme disse a Folha de S. Paulo.

OUTUBRO – Um lugar na janela, de Martha Medeiros. Porque é destaque: a autora de Feliz por nada compartilha com seus leitores as mais afetuosas memórias de viagens feitas em várias épocas da vida, aos vinte e poucos anos e sem grana, depois, já mais estruturada, mas com o mesmo espírito aventureiro.

SETEMBRO – A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud. Por que é destaque: pela primeira vez no Brasil traduzida direto do alemão, a obra maior de Freud chegou à coleção L&PM Pocket em dois volumes coordenados por psicanalistas e professores de renome e que incluindo notas e comentários que Freud adicionou ao longo da vida, mais exclusivo índice de sonhos, nomes e símbolos.

AGOSTO – Guerra e Paz, de Tolstói, na Série Clássicos da Literatura em Quadrinhos. Por que é destaque: no caso de Guerra e Paz, uma obra bastante extensa, a adaptação para HQ é muito impressionante. “Coleciono HQs, de forma intensa, desde 1958. Nunca, nesses anos todos, vi ou ouvi falar de Guerra e Paz no formato de quadrinhos. Qualquer roteirista, mesmo com experiência e capacidade, deve ter sonhado com essa aventura louca.” disse Goida a respeito do livro.

JULHO – Os filhos dos dias, de Eduardo Galeano. Por que é destaque: inspirado na sabedoria dos maias, Galeano escreveu um livro que se situa como uma espécie de calendário histórico, onde de cada dia nasce uma nova história. Provocante, intenso e sensível como toda obra do escritor, os textos formam uma colcha de retalhos costurada com poesia, emoção e concisão.

JUNHO – Uma breve história da filosofia, de Nigel Warburton. Por que é destaque: a filósofa e escritora Sarah Bakewell definiu este livro como um “manual de existência humana em que poucas vezes a filosofia pareceu tão lúcida, tão importante, tão válida e tão fácil de nela se aventurar”. Partindo da tradição iniciada com Sócrates, o autor traz dados interessantes sobre a vida e o pensamento de alguns dos mais instigantes filósofos de todos os tempos.

MAIO – História secreta de Costaguana, de Juan Gabriel Vásquez. Por que é destaque: Juan Gabriel Vásquez foi um dos convidados da Flip 2012 – Festa Literária Internacional de Paraty. Misturando fatos históricos e ficção, Vásquez cria uma história em que o escritor Joseph Conrad é um dos personagens e que tem como pano de fundo a construção do Canal do Panamá.

ABRIL – Simon’s Cat, de Simon Tofield. Por que é destaque: em abril, Simon’s Cat foi publicado pela primeira vez no Brasil. O gato que não tem nome definido é o mais famoso felino do Youtube. Depois de Simon’s Cat – As aventuras de um gato travesso e comilão, em novembro deste ano foi lançado o segundo volume da série: Simon’s Cat – Em busca de aventura.

MARÇO – Erma Jaguar, de Alex Varenne. Por que é destaque: esta HQ luxo traz todas as aventuras de Erma Jaguar, personagem criada pelo notável ilustrador Alex Varenne. Erma é uma espécie de “madame” moderna que à noite, vestindo seu corpete preto e dirigindo seu carro, vai satisfazer todas as suas fantasias. Insaciável, ela enlouquece homens e mulheres de todos os tipos.

FEVEREIRO – Diários de Andy Warhol. Por que é destaque: esta nova edição dos Diários do artista pop Andy Warhol, dividida em dois volumes em formato de bolso (e reunidos em uma caixa especial), marcou a entrada da Coleção L&PM Pocket na casa dos 1.000 títulos. Um dos mais reveladores retratos culturais do século XX, Diários de Andy Warhol soma mais de mil páginas de glamour, fofocas e culto às celebridades.

JANEIRO – 1961 – O golpe derrotado, de Flávio Tavares. Por que é destaque: este livro conta como um movimento de rebelião popular paralisou e derrotou o golpe de Estado dos ministros do Exército, Marinha e Aeronáutica e evitou a guerra­ civil. Escrito por um jornalista que testemunhou e participou do Movimento da Legalidade junto a Leonel Brizola,­ então governador­ do Rio Grande do Sul.

Balzac, Dickens e Dostoiévski nas cartas de Kerouac e Ginsberg

Jack Kerouac e Allen Ginsberg nutriram uma intensa amizade durante mais de 20 anos por meio de cartas. Os assuntos eram os mais variados, desde assuntos pessoais até o gosto em comum por autores como Balzac, Dickens e Dostoiévski e estes registros estão no livro As cartas que acaba de chegar ao Brasil pela L&PM.

Leia uma das cartas, em que Kerouac fala do “espírito de Natal” e termina desejando “Feliz ano novo” ao amigo Allen Ginsberg:

(clique na imagem para ampliar)

“On the Road” eleito um dos dez melhores filmes independentes de 2012

Você já parou pra pensar na quantidade de filmes independentes que são feitos no mundo inteiro ao longo de um ano inteiro? A gente garante que são muitos. Isso significa que ser escolhido como um dos melhores de 2012 é um feito e tanto. E “On the Road”, de Walter Salles, conquistou essa posição. O filme baseado na obra homônima de Jack Kerouac foi eleito um dos dez melhores filmes independentes de 2012 segundo a National Board of Review.

Há mais de cem anos, a National Board of Review, uma organização sem fins lucrativos, “celebra a voz inconfundível do artista individual, honrando a excelência e apoiando a liberdade de expressão no cinema” como diz o seu site. Ao longo do ano, essa ONG promove seminários e oferece subsídios a estudantes de cinema. A cada ano, são assistidos e analisados mais de 250 filmes (de grande estúdio, independente, de língua estrangeira, animação e documentário) por um seleto grupo do qual fazem parte cineastas, acadêmicos, estudantes e entusiastas do cinema em geral.

No final do ano, os membros da National Board of Review recebem uma lista de todos os filmes exibidos, juntamente com as cédulas finais de votação. Depois, os votos são tabulados por uma empresa de contabilidade pública certificada, a fim de determinar os homenageados. Confira aqui a lista dos vencedores de 2012 da qual faz parte o excelente On the Road de Salles.

Garrett Hedlund (Dean Moriarty) e Kristen Stewart (Marylou) ao lado do diretor de On the road, Walter Salles