Arquivo de dezembro, 2012

A primeira opinião de Allen Ginsberg sobre “On the road”

segunda-feira, 17 dezembro 2012

Eis um trecho da carta que Allen Ginsberg escreveu a Jack Kerouac logo depois de ler os originais de On the road em 1952:

(clique na imagem para ampliar)

Ainda bem que ele estava errado! Esta e outras preciosidades estão no livro As cartas que acaba de chegar ao Brasil pela L&PM.

Patti Smith na Premiere de “On the Road”

segunda-feira, 17 dezembro 2012

A Premiere novaiorquina do filme On the Road, baseado no livro homônimo de Jack Kerouac, que aconteceu na semana passada, teve várias presenças marcantes. Entre elas, Patti Smith, cantora, poeta e artista visual que muito conviveu com os beats Allen Ginsberg e William Burroughs, escritores que aparecem em On the road como Carlo Marx e Old Bull Lee. Patti chegou na companhia de Michael Stipe, ex-vocalista da banda R.E.M e, fãs da obra de Kerouac, dizem que ambos sairam da sala de cinema bastante animados com o que viram.

Patti Smith e Michael Stipe na premiere de On the Road em NY

Carl Solomon, Patti Smith, Allen Ginsberg e William Burroughs

A L&PM acaba de lançar Allen Ginsberg e Jack Kerouac: as cartas, livro que traz a correspondência trocada por anos entre os dois amigos.

Obras do Louvre que foram de Edmond de Rothschild estão em São Paulo

sexta-feira, 14 dezembro 2012

Para os que passarem por São Paulo até 13 de janeiro, aqui vai uma dica imperdível: a mostra “Luzes do Norte” em exibição no Masp. Doado ao Museu do Louvre de Paris pelos herdeiros do barão, colecionador e filantropo Edmond de Rothschild, esta exposição apresenta um fantástico conjunto de obras de arte do Renascimento alemão, concebida exclusivamente para o museu. São 61 gravuras e desenhos sobre papel. O mais fascinante é acompanhar na seleção como a estética da época foi evoluindo da influência gótica para as inovações de perspectiva herdadas da Itália

Vale lembrar que Edmond de Rothschild é um dos que está no livro A dinastia Rothschild, livro escrito por Herbert R. Lottman (autor de “A Rive Gauche”) e publicado no Brasil em 2011 pela L&PM.

Um restaurador de arte que conhecia todos os Rothschild e que fazia visitas frequentes a Edmond em Pregny – Edmond passou a apreciar a arte um pouco tarde, mas, quando começou, aprendeu ligeiro e rapidamente transformou seu castelo em uma caverna de Ali Babá – descobriu que ele era o menos “rothschiliano”, quer dizer, o menos pomposo, do clã. (Trecho do capítulo “Edmond e os outros” de A dinastia Rothschild)

Gravura “O Baile”, de Mestre Mz, parte da coleção Barão Edmond de Rothschild/Museu do Louvre (Clique para ampliar)

Virgem Transtornada, um Busto, de Martin Schongauer (1450-1491)

SERVIÇO

Exposição: Luzes do Norte
Onde: Masp – Avenida Paulista, 1578
Horário: Terça, quarta, sexta, sábado, domingo e feriados, 10h às 18h; quinta, 10h às 20h
Quanto: R$ 15 (terça é grátis para todos os visitantes, nos demais dias, grátis para menores de 10 anos, pessoas com mais de 60 e grupos de estudantes de escolas públicas agendadas)
Quando: até 13 de janeiro

“On the road” chegou em Nova York

sexta-feira, 14 dezembro 2012

O filme “On the road” de Walter Salles, baseado no romance mais famoso de Jack Kerouac, finalmente chegou em sua terra natal, Nova York, e arrancou aplausos da plateia lotada no SVA Theatre. A imprensa, que já tinha feito uma grande cobertura na estreia europeia do filme no primeiro semestre, voltou seus holofotes para Kristen Stewart. A atriz que faz o papel de Marylou no filme de Walter Salles usava um look descrito pelos periódicos mais gentis como “duvidoso”.

O fato é que o figurino de Kristen destoa do estilo clássico adotado por seus colegas de elenco e isso, talvez, tenha acentuado um pouco o estranhamento dos repórteres que cobriram a premiére em NY.

Mas o que importa é que o filme é um sucesso de público e crítica por onde passa. E está emocionando a plateia. Incluindo aqueles que conviveram com Allen Ginsberg e os beats.

Vencedor do Prêmio Camões, Dalton Trevisan mantém tradição e não aparece

quinta-feira, 13 dezembro 2012

Além da indiscutível qualidade literária de seus textos, outra característica notável de Dalton Trevisan é sua aversão a aparições públicas – tanto que foi difícil encontrar uma foto do autor para ilustrar este post. E para manter a tradição de escritor recluso, ele não compareceu à cerimônia do Prêmio Camões, uma das maiores honrarias da literatura em língua portuguesa no mundo, nesta quarta, dia 12, no Rio.

A vice-presidente da editora Record, Sonia Machado, recebeu o prêmio em nome do escritor e leu um fax enviado por ele. “Os muitos anos, ai de mim, já me impedem de receber pessoalmente o prêmio”, diz Trevisan, em um trecho da carta, onde manifestou espanto por receber o que chamou de “o prêmio dos prêmios”, que lhe rendeu 100 mil euros.

Dalton Trevisan bem mais jovem, quando ainda aparecia em uma ou outra fotografia

A L&PM publica contos e pequenos textos de Dalton Trevisan em 111 ais, 99 corruíras nanicas, Continhos galantes, Duzentos ladrões, Frufru Rataplã Dolores, A gorda do Tiki Bar, O grande deflorador, Mirinha e Nem te conto, João.

via Folha de S. Paulo

Um grande presente para os fãs de Flaubert: o prefácio de “O idiota da família”

quarta-feira, 12 dezembro 2012

Gustave Flaubert nasceu em 12 de dezembro de 1821. Um gênio que daria origem à Madame Bovary, mas que quando criança foi considerado literalmente um idiota. Jean-Paul Sartre era obcecado por ele. Tanto que dedicou anos da sua vida a escrever a biografia definitiva de Flaubert. Em O idiota da família, Sartre proporciona ao leitor um livro de cerca de 3.000 páginas, dividido em três tomos, que é lido como uma grande aventura. Até hoje inédito em língua portuguesa, O idiota da família finalmente poderá chegar às mãos dos brasileiros em nossa língua mater. A L&PM Editores já recebeu da tradutora Júlia da Rosa Simões as primeiras mil páginas do volume 1 que será lançado em meados de 2013. E como hoje é aniversário de Flaubert, aqui vai um presente a todos aqueles que aguardam ansiosamente a chegada deste que é considerado um projeto soberbo, o livro que encerra a obra sartriana. Com vocês, o prefácio de O idiota da família finalmente em português:

PREFÁCIO

O idiota da família é a continuação de Questões de método. Seu tema: o que podemos saber de um homem, hoje em dia? Pareceu-me que só poderíamos responder a essa pergunta através do estudo de um caso concreto: o que sabemos – por exemplo – de Gustave Flaubert? Isso significa totalizar as informações de que dispomos sobre ele. Nada prova, de início, que essa totalização seja possível e que a verdade de uma pessoa não seja plural; os dados são muito diferentes por natureza: ele nasceu em dezembro de 1821, em Rouen ­– eis um; ele escreve à amante, muito tempo depois: “A Arte me espanta” – eis outro. O primeiro é um fato objetivo e social, confirmado por documentos oficiais; o segundo, também objetivo quando nos atemos à coisa dita, por seu significado remete a um sentimento vivido, e nada decidiremos sobre o sentido e o alcance desse sentimento se antes não tivermos estabelecido se Gustave é sincero, em geral e, particularmente, nesta circunstância. Não corremos o risco de chegar a camadas de significados heterogêneos e irredutíveis? Este livro tenta provar que a irredutibilidade é apenas aparente e que cada informação colocada em seu devido lugar torna-se a parte de um todo que continua a fazer-se e, ao mesmo tempo, revela sua profunda homogeneidade com todas as outras.

Porque um homem nunca é um indivíduo; seria melhor chamá-lo de universal singular: totalizado e, por isso mesmo, universalizado por sua época, ele a retotaliza ao reproduzir-se nela como singularidade. Universal pela universalidade singular da história humana, singular pela singularidade universalizante de seus projetos, ele exige ser estudado simultaneamente pelas duas pontas. Precisaremos encontrar um método apropriado. Apresentei os princípios de um em 1958 e não repetirei o que disse então: prefiro mostrar, cada vez que necessário, como ele se faz no próprio trabalho para obedecer às exigências de seu objeto.

Uma última palavra: por que Flaubert? Por três motivos. O primeiro, bastante pessoal, há muito tempo deixou de valer, apesar de estar na origem dessa escolha: em 1943, ao reler sua Correspondência na má edição Charpentier, tive a sensação de ter contas a ajustar com ele e que devia, com vistas a isso, conhecê-lo melhor. Desde então, minha antipatia inicial transformou-se em empatia, única atitude exigida para compreender. Por outro lado, ele se objetivou em seus livros. Qualquer pessoa dirá: “Gustave Flaubert é o autor de Madame Bovary”. Qual, então, a relação do homem com a obra? Eu nunca o disse até agora. Nem ninguém, que eu saiba. Veremos que é dupla: Madame Bovary é derrota e vitória; o homem que se manifesta na derrota não é o mesmo exigido para sua vitória; será preciso entender o que isso significa. Por fim, suas primeiras obras e sua correspondência (treze volumes publicados) manifestam-se, veremos, como a confidência mais estranha, a mais facilmente decifrável: como se ouvíssemos um neurótico falando “ao acaso” no divã do psicanalista. Acreditei que seria permitido, para esta difícil demonstração, escolher um tema fácil, que se revela facilmente e sem o saber. Acrescento que Flaubert, criador do romance “moderno”, está na interseção de todos os nossos problemas literários de hoje.

Agora, é preciso começar. Como? Pelo quê? Pouco importa: penetramos em um morto da maneira que quisermos. O essencial é partir de um problema. Daquele que escolhi, geralmente pouco se fala. Leiamos, no entanto, essa passagem de uma carta à srta. Leroyer de Chantepie: “É de tanto trabalhar que consigo calar minha melancolia natural. Mas o velho fundo muitas vezes reaparece, o velho fundo que ninguém conhece, a chaga profunda sempre escondida”[1]. O que isso quer dizer? Uma chaga pode ser natural? Seja como for, Flaubert nos remete à sua proto-história. O que se precisa tentar conhecer é a origem dessa chaga “sempre escondida” e que, em todo caso, tem origem em sua primeira infância. Este não será, acredito, um mau começo.

[1]Croisset, 6 de outubro de 1864.

Lançamento de peso: os três volumes de "O idiota da família" na edição francesa. O primeiro volume chega em meados de 2013 pela L&PM

Flávio Tavares é um dos destaques do 7º Prêmio Joaquim Felizardo

quarta-feira, 12 dezembro 2012

Será realizada hoje, 12 de dezembro, a partir das 20h30min, a entrega dos troféus do 7º Prêmio Joaquim Felizardo que homenageia iniciativas, veículos de comunicação, artistas e intelectuais que contribuem para o desenvolvimento da cultura em Porto Alegre.

Entre os premiados está o escritor e jornalista Flávio Tavares que recebe o troféu na Categoria Especial Intelectual. Autor, entre outros, do livro Memórias do Esquecimento – obra que recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Reportagem no ano 2000 e que acaba de ser lançado na Coleção L&PM Pocket – Flávio participou de grupos de resistência armada durante a ditadura militar e foi perseguido, preso e torturado. Libertado com outros catorze presos políticos em troca do embaixador dos Estados Unidos, em 1969, iniciou um longo exílio no qual foi vítima (e sobrevivente) da chamada Operação Condor.   

Nos anos 1990, Flávio voltou a ser correspondente internacional, escrevendo de Buenos Aires para os jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Zero Hora.

Seu livro mais recente, 1961 – O Golpe Derrotado, reconstitui o movimento que derrotou a tentativa de golpe de Estado que tentava evitar a posse de João Goulart depois da renúncia de Jânio.

Começou a Festa do Livro da USP: tudo com 50% de desconto

quarta-feira, 12 dezembro 2012

Começa hoje, na cabalística data de 12/12/12, a 14ª Festa do Livro da USP em São Paulo. É uma grande e imperdível feira onde todos os livros são oferecidos com, no mínimo, 50% de desconto.

Segundo o site do evento, são 135 as editoras participantes. Entre elas está a L&PM que, em seu espaço no prédio da Mecânica, oferece todas as obras pela metade do preço. Os destaques são os títulos da Série Beats, entre eles o recém lançado Amor nos tempos de fúria de Lawrence Ferlinghetti, toda a Série Quadrinhos, títulos de Agatha Christie e muito mais.

Essa grande festa acontece nos dias 12, 13 e 14 de dezembro na Escola Politécnica da USP que fica nos Prédios da Mecânica, da Civil e do Biênio. Se você está em São Paulo, não pode perder.

A história dos quatro homens que fizeram o capitalismo americano

quarta-feira, 12 dezembro 2012

Por Ivan Pinheiro Machado*

Os Magnatas” é o livro brilhante de Charles R. Morris, advogado, ex-banqueiro, empresário da área da informática, articulista do Wall Street Journal e autor de livros sobre economia, finanças e história econômica dos EUA.

Este livro, escrito de forma magnífica, mereceu no Brasil a tradução impecável de Edmundo Barreiros que preservou o saboroso texto de Morris. Ele narra a saga de Andrew Carnegie (1835-1919), John D. Rockefeller (1839-1937), Jay Gould (1836-1892) e J. P. Morgan (1837-1913), os “barões ladrões” como eram chamados pelas más línguas. Eles foram os gigantes da Era de Ouro, os magnatas por trás do exuberante crescimento que fez dos EUA o país mais rico, mais criativo e mais produtivo do mundo.

Dos quatro, apenas J. P. Morgan era rico, filho de um grande banqueiro. Os outros, filhos da classe média, seriam, ao chegar na casa dos 30 anos, donos de segmentos fundamentais da economia americana. Rockefeller era dono do petróleo, Carnegie do aço, Gould era a raposa que devorava empresas através de inacreditáveis manobras na bolsa de valores. Morgan controlava o dinheiro – era o grande banqueiro, cuja assinatura no lado esquerdo dos títulos avalizava os mega empréstimos dos bancos europeus ao estado americano.

Inimigos, companheiros, rivais, concorrentes, estes desbravadores estiveram sempre no limite e muitas vezes além da lei. Toda legislação restritiva das bolsas foram criadas inspiradas nas tramóias de Jay Gould. A lei antitrust foi criada para esfacelar a Standard Oil, o monopólio de Rockfeller, em 32 empresas de petróleo. Operação aliás da qual ele saiu mais rico ainda, para morrer aos 98 anos como um dos homens mais influentes do mundo. Carnegie construiu uma imensa fortuna controlando durante décadas o negócio do aço na América, sendo várias vezes investigado por formação de cartel e até “dumping”, quando vendia aço por preços abaixo do custo de produção para destruir seus concorrentes.

Os Magnatas”, vai muito além de uma brilhante análise biográfica e psicológica destes quatro “tycoons”. É um minucioso relato político e econômico de mais de meio século de embates entre estes quatro homens que quase sempre estiveram – por força de negócios – juntos, embora se detestassem pessoalmente. Enfim, este é um livro fascinante, que conta a história fascinante de homens fascinantes, tanto pelo lado do bem, como do mal. No final das 450 páginas da edição de bolso de “Os Magnatas”, você vai compreender como se construiu, a ferro e fogo, num tempo sem lei e sem restrições, o maior país capitalista do mundo.

* Toda semana, a Série “Relembrando um grande livro” traz um texto assinado em que grandes livros são (re)lembrados. Livros imperdíveis e inesquecíveis.

O mergulho de Day-Lewis em Lincoln

terça-feira, 11 dezembro 2012

Abraham Lincoln foi mais do que o décimo sexto presidente dos Estados Unidos. Foi um gigante que virou exemplo, mito, ícone, herói, estátua, busto, cédula, moeda, muitos livros. Tanto é assim que contracapa do livro Lincoln, da Série L&PM Encyclopaedia, avisa: “Nenhum outro indivíduo no universo da língua inglesa teve tantas biografias escritas como Abraham Lincoln. Esta será uma biografia de suas ideias.” Não bastasse tudo isso, ele acaba de virar um filme que estreou em novembro nos EUA e logo vai ganhar o mundo.

Tendo Daniel Day-Lewis no papel título e Steven Spielberg na direção, essa superprodução é considerada uma das melhores do ano e está entre as favoritas para levar algumas estatuetas do Oscar, principalmente a de melhor ator, já que, no papel de Lincoln, Day-Lewis foi recentemente premiado pela Associação de Críticos de Nova York.

Mais uma vez, o ator britânico mergulhou na encenação de forma radical. Nas filmagens, ele jamais saía do personagem, falando com sotaque que retirou de suas pesquisas e escrevendo e assinando como o presidente, morto em 1865. “Para minha sorte, não há gravações de Lincoln, então ninguém pode afirmar, categoricamente, que não estou soando como ele. O que fiz foi ouvir gravações de pessoas que viveram nos mesmos condados que ele.” Disse Day-Lewis em entrevista à Folha de S. Paulo.

O resultado poderemos ver a partir do dia 25 de janeiro, quando então Lincoln estreia no Brasil. Falta pouco…

Daniel Day-Lewis incorporou Lincoln até quando não estava filmando