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O romance de Agatha Christie com William Shakespeare

Acaba de chegar à L&PM o livro Ausência na primavera de Mary Westmacott, pseudônimo escolhido por Agatha Christie para publicar uma série de romances escritos entre 1930 e 1956.  Poucos conhecem este outro lado da Rainha do Crime. O livro, publicado em 1944 na Inglaterra, explora a alma humana, seus conflitos e emoções.

Uma curiosidade interessante desta obra: Agatha buscou em William Shakespeare inspiração para o romance. Além do Soneto 98 From you I have been absent in the spring, que dá nome ao livro, há várias citações de Shakespeare na trama. “O mercador de Veneza”, “Cimbeline” e os Sonetos 18 e 116 estão por lá. Um dos personagens centrais da trama, chama-se…adivinhem! William! Seria uma homenagem? A escritora Paula Taitelbaum fez uma tradução livre do soneto 98. Deleitem-se!

 

Soneto 98 – De você estive ausente na Primavera

 

De você estive ausente na Primavera

Quando abril chegou e despediu-se de suas heras

Vestindo com espírito jovem tudo o que via

Rindo e saltando como se Saturno fosse pura alegria

 

Tão indefinível o quente canto adocicado das aves

O odor e a cor das flores que surgiam suaves

Nenhuma história de verão poderia isso contar

Pois seu orgulho a brandura do colo iria arrancar

 

Nem mesmo sei por que o lírio branco eu escolhi

Por que a vermelhidão da rosa eu não preferi?

Troquei a doçura pela soma do prazer

Terminamos em empate, ser versus não ser

 

No entanto, o inverno ainda geme e você continua ausente

Somente sua sombra brinca em minha frente

“As veias abertas…” fora da América Latina

O clássico livro de Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina, que acaba de ser relançado em formato convencional e pocket pela L&PM (com nova tradução, nova introdução do autor e índice analítico) já foi, segundo o próprio Galeano, publicado em 28 países diferentes. Aqui você vê algumas das capas que andam pelas livrarias do mundo…

Na Austrália com leão de inspiração aborígene:

Na Alemanha com foto de Galeano jovem:

No Reino Unido em versão pop:

Na França em edição pocket:

Capote e Bukowski na The Paris Review

Qual foi a idéia que deu inicio à trama do livro? O escritor buscou conhecer pessoas para criar o personagem? Quando escreve, o que faz?

Algumas respostas estão no novo site da publicação literária The Paris Review. A revista reuniu em um grande arquivo entrevistas com grandes escritores como Ernest Hemingway, Ralph Ellison, Jorge Luis Borges, entre outros. Estão por lá, também, artigos sobre autores publicados pela L&PM, como Charles Bukowski e Truman Capote. Vale a pena conferir.

L&PM recebe visita especial de Sergio Faraco

Olha quem está aqui na editora: Sergio Faraco.  Um dos mais importantes contistas do Brasil, ele acaba de traduzir As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, que chega amanhã às livrarias com a nova tradução, nova capa, nova introdução do autor, além de contar agora com um índice analítico. Pela L&PM, Faraco publicou, entre outros, o livro de contos Dançar tango em Porto Alegre, agraciado com o Prêmio Nacional de Ficção da Academia Brasileira de Letras em 1999.

Vera Shida e Sergio Faraco

Nossa simpática visita não recusou um café. Adoramos recebê-lo. Volte sempre Faraco!

Sergio Faraco esperando um cafezinho na sede da L&PM - Foto: Angélica Segui

Presentes especiais para Minduim

Sábado  é dia de alegria para os fãs de Peanuts. Para festejar a “terceira idade” do Minduim, já foram produzidos presentes especiais como Moleskines, tênis, canecas e outros mimos.  Agora os admiradores das criações de Charles M. Schulz também contam com um hotsite especial de aniversário da turma do Charlie Brown. No http://greatpumpkincountdown.com estão trechos de desenhos animados do Snoopy, tirinhas, jogos virtuais e backgrounds especiais para publicar no perfil de redes sociais, como Twitter e Facebook.  Amanhã, divulgamos aqui no blog o que a L&PM preparou para esta data tão especial.

Os céus de Monet sob o céu de Paris

Quem está indo para Paris, já tem programa obrigatório. Desde 22 de setembro, quarta-feira, o magnífico Grand Palais, à beira do Sena, exibe a maior exposição de pinturas de Claude Monet (1840 – 1926) jamais realizada. Vindos dos museus franceses, de grandes museus do mundo inteiro e de coleções particulares, cerca de 200 quadros de Monet cobrem as paredes deste que é o grande palco de exposições em Paris. A mostra irá até 24 de janeiro de 2011.

Esta exposição já é a “vedete” do calendário cultural parisiense de 2010 e busca reunir toda a obra deste que é um dos fundadores do Impressionismo. Aliás, um quadro seu, “Impressão, sol nascente” deu origem ao nome da escola que revolucionou a história da arte. Estão expostos seus principais quadros, desde as paisagens da Normandia, que ele pintou quando jovem, até a célebre série dos jardins da sua casa em Giverny. Como a exposição seguirá até início de 2011, ainda dá tempo de você programar uma viagem à Cidade Luz.

A L&PM publica Impressionismo na coleção L&PM Pocket, série Encyclopaedia.

Charlie Brown, quem diria, nas ruas da China!

A paixão dos fãs por tirinhas do maestro Charles M. Schulz não se resume a comprar livros, revistas e souvenirs com os personagens criados por ele. As declarações de amor estão espalhadas pelos quatro cantos do mundo em diversas formas e lugares.

Há alguns meses, postamos por aqui o Diário de Xangai onde a nossa colega Paula Taitelbaum compartilhou as suas descobertas pelas ruas chinesas. Foi ela quem clicou esta placa do Café inspirado na turma do Minduim numa avenida em Hong Kong.

O pequeno Charlie dá as boas vindas na entrada do café…

Como já falamos aqui no blog, dia 2 de outubro Charlie Brown completa 60 anos de vida. Além dos três volumes de Peanuts Completo que a L&PM já lançou e das também das tirinhas em pocket, estamos preparando outras surpresas para comemorar a data.

60 anos de preguiça e sátira

“Uma jornada de mil milhas começa com o primeiro passo, dizem, mas tome cuidado com este primeiro passo; é um dos grandes. Começar uma história em quadrinhos é como dar um passo no escuro. Quem sabe onde você vai parar? Eu não sabia.”

É desta forma que o cartunista americano Mort Walker introduz o livro O melhor do Recruta Zero, criação que completou 60 anos de existência este mês. Walker certamente não imaginava onde o Recruta Zero iria parar. O HQ é publicado atualmente em 1.800 jornais ao redor do mundo.

O jornalista Renato Félix, do Correio da Paraíba, realizou uma entrevista especial com Mort Walker. Veja aqui:

A L&PM publica em pocket O MELHOR DO RECRUTA ZERO com tradução de Marco Aurélio Poli.

Estreia amanhã, nos EUA, filme sobre o Uivo de Allen Ginsberg

Atenção  fãs de Allen Ginsberg, o tão esperado Howl (Uivo) está prestes a entrar em cartaz nas telas de cinema dos Estados Unidos. Para os que não leram nossos posts anteriores sobre o filme, ele gira em torno do profético Uivo, de Allen Ginsberg,  lançado em 1956 e que, sob a acusação de se tratar de uma obra obscena,   foi apreendido pela polícia de San Francisco. Depois de um tumultuado julgamento, o poema foi liberado pela Suprema Corte americana e vendeu milhões de exemplares. Dirigido por Rob Epstein e Jeffrey Friedman, o filme conta esse trecho da vida de Ginsberg e mostra o surgimento da cultura beat. No elenco estão, entre outros,  James Franco (Homem Aranha e Milk) no papel do poeta, Jon Hamm,  Mary-Louise Parker e Jeff Daniels. Torcemos para que o filme venha “uivar” no Brasil. Veja aqui seu trailer oficial.

Na Coleção L&PM POCKET, o longo poema Uivo é acompanhado do também famoso e magistral “Kaddish” e de outros poemas. Na edição em formato convencional, há um ensaio do tradutor e poeta Claudio Willer sobre Uivo que é, sem dúvida, o melhor texto de iniciação ao célebre poema. Willer dissecou os versos com a ajuda do próprio  Allen Ginsberg com quem manteve intensa correspondência.

Um livro que discute um dos mais poderosos mitos do Rio Grande

Para os brasileiros de todas as latitudes entenderem o assunto deste post:

Houve entre 1835 e 1845, no Rio Grande do Sul, a famosa “Guerra dos Farrapos”, onde o exército Farroupilha, chefiado pelo general Bento Gonçalves proclamou a República de Piratini, separando o Rio Grande do Brasil. Os motivos alegados eram econômicos, ou seja, má distribuição de impostos, etc. Embora sem a adesão da capital, Porto Alegre, a República existiu e resistiu ao poder do Império durante 10 anos. Duque de Caxias, chefe do exército imperial, comandou o final da revolução e promoveu uma espécie de “paz honrosa” com o comando rebelde. 20 de setembro de 1845 foi o dia em que assinou-se esta paz e a data é hoje conhecida como o “dia dos gaúchos”. 

Muito se falou e estudou sobre a revolução, principalmente após os anos 1920, quando foi iniciada uma espécie de “culto” político que servia às oligarquias no poder. O mito do gaúcho guerreiro aqueceu lendas e, de certa forma, estimulou o caudilhismo como uma maneira de fazer política no Brasil. A partir do golpe militar de 1964, 20 de setembro passou a ser feriado regional. A Revolução Farroupilha, apesar de servir de “modelo a toda a terra” como diz o hino riograndense composto pelo maestro Medanha, têm sido objeto de vários estudos nos últimos 20 anos. Muitos deles discutem verdades “indiscutíveis” com conceituados intelectuais levantando a cortina de fumaça que faz com este episódio seja praticamente intocável no Rio Grande do Sul.

Juremir Machado da Silva pesquisou durante três anos as causas e o processo da guerra Farroupilha. Estudou 15 mil documentos com a ajuda de mais 10 pesquisadores. O resultado foi História regional da infâmia, um livro que desnuda a Revolução Farroupilha do manto de mitos que a envolve. É um ensaio, ao mesmo tempo, sobre a história da revolta e sobre ‘a questão do mito’. Há no livro um estudo minucioso sobre o célebre combate de Porongos, onde foram massacrados mais de 100 soldados que faziam parte do batalhão dos lanceiros negros. Juremir alimenta a discussão sobre se houve ou não traição em Porongos. História regional da infâmia é um livro ímpar pela profundidade com que ataca assuntos considerados tabus no Rio Grande. É a história contada na contramão do mito. O famoso “contraditório” que estabelece a polêmica e enriquece o debate. (IPM)