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Exposição em Porto Alegre relembra Josué Guimarães

quinta-feira, 11 janeiro 2018

Via Publishnews

A próxima terça-feira (16) marcará a abertura da exposição Tempo de ausência: 30 anos sem Josué Guimarães, que ocupará o Espaço Memória da Cultura (Rua dos Andradas, 1.234 – Sala 1003), em Porto Alegre. Josué foi uma das figuras mais atuantes no jornalismo gaúcho no século XX, tendo trabalhado como repórter, editor, correspondente internacional, ilustrador e colunista em jornais influentes como o Diário de Notícias, A Hora, Folha da Tarde, Zero Hora e Folha de S.Paulo. Na literatura, descoberta por ele apenas no fim dos anos 1960, Josué compôs, por meio de livros como Camilo Mortágua, Os tambores silenciosos Dona Anja e da trilogia inacabada A ferro e fogo, um fiel retrato da sociedade da qual foi observador implacável. A exposição foi montada originalmente em 2016, na Universidade de Passo Fundo, que sedia a cada dois anos, a Jornada Literária de Passo Fundo, da qual Josué foi um dos principais colaboradores. Na mostra, estão, por exemplo, a máquina de escrever de Josué Guimarães e os originais de A ferro e fogoÉ tarde para saber As muralhas de Jericó. O primeiro livro do autor, Os ladrões, e o esboço da capa da obra Um corpo estranho entre nós dois também fazem parte da exposição. Além disso, há preciosidades, como cartas trocadas entre Josué e o escritor Érico Veríssimo.

Máquina de escrever usada por Josué Guimarães compõe a mostra em sua homenagem | ©Arquivo/UPF

Máquina de escrever usada por Josué Guimarães compõe a mostra em sua homenagem | ©Arquivo/UPF

Clique aqui e leia no blog da L&PM o texto “30 anos de saudades de Josué Guimarães”, escrito pelo editor (e amigo de Josué Guimarães) Ivan Pinheiro Machado.

Começa a grande exposição em homenagem a Moacyr Scliar

terça-feira, 16 setembro 2014

Abre nesta terça-feira, 16 de setembro, para convidados – e a partir de quarta para o público -, a mostra Moacyr Scliar, o Centauro do Bom Fim. A exposição, que tem o apoio da L&PM Editores, acontece em Porto Alegre e vai prestar uma grande homenagem ao escritor, apresentando sua vida e a obra em uma área de 900 metros quadrados no Santander Cultural.

Com muitos recursos audiovisuais, fotografias e réplicas de objetos, a exposição começou a ser planejada em março do ano passado e custou cerca de R$ 1,5 milhão. O projeto foi idealizado por Judith Scliar, viúva do escritor, e seu irmão Gabriel Oliven e tem a curadoria de Carlos Gerbase e produção de Luciana Tomasi.

Montagem da exposição em homenagem a Moacyr Scliar que abre em 16 de setembro / Foto Júlio Cordeiro - Agência RBS

Montagem da exposição em homenagem a Moacyr Scliar que abre em 16 de setembro / Foto Júlio Cordeiro – Agência RBS

São 10 ambientes que contam a história do escritor a partir da vinda de sua família para o Brasil – o pai de Scliar, de origem russa, chegou a Porto Alegre no início do século 20, com sete anos. A infância no tradicional bairro Bom Fim, a carreira médica e os livros e personagens do autor.

Uma das imagens da exposição: Moacyr Scliar segura no colo o filho Beto na Rua da Ladeira, em Porto Alegre, em 1981 Foto: Carlos Gerbase / Arquivo Pessoal

Uma das imagens da exposição: Moacyr Scliar segura no colo o filho Beto na Rua da Ladeira, em Porto Alegre, em 1981 Foto: Carlos Gerbase / Arquivo Pessoal

Vídeos e áudios feitos especialmente para a mostra serão projetados em diferentes pontos e trechos de livros estarão em tablets à disposição dos visitantes. Além disso, o espaço contará com jogos de perguntas sobre as criações de Scliar em uma mesa interativa. Outra atração são os manuscritos originais de Scliar que serão expostos pela primeira vez.

Há fotos de diferentes épocas: Moacyr Scliar se prepara para aguardar o resultado da eleição que o escolheu integrante da Academia Brasileira de Letras Foto: Adriana Franciosi

Há fotos de diferentes épocas: Scliar se prepara para aguardar o resultado da eleição que o escolheu integrante da Academia Brasileira de Letras Foto: Adriana Franciosi

Em matéria publicada no Caderno PROA do Jornal Zero Hora,  Carlos Gerbase detalhou os bastidores de exposição. Leia abaixo:

Tive a honra de ser escolhido como curador da mostra Moacyr Scliar, o Centauro do Bom Fim, que será inaugurada no próximo dia 16 de setembro, no Santander Cultural. Conheci o autor – de quem já lera O Exército de um Homem Só e Os Deuses de Raquel – em dezembro de 1981, durante as filmagens do curta No Amor, dirigido por Nelson Nadotti, que adaptou um conto de Scliar chamado O Mistério dos Hippies Desaparecidos. Além de ser um dos produtores, eu atuava no filme como assistente de câmera e fotógrafo de cena. Moacyr foi visitar o set com o filho Beto no colo. Na rua da Ladeira, centro do Porto Alegre, fiz um retrato dos dois. Talvez esse retrato tenha ficado na memória de Judith Scliar, levando-a, mais de 30 anos depois, a me chamar para o desafio de homenagear o escritor talentoso, o médico preocupado com as questões sociais, o cronista incansável e, acima de tudo, o homem afável e bem-humorado que nunca deixou de ser o “Mico”, ou, como disse em seu discurso ao se tornar um imortal da Academia Brasileira de Letras, “o escritorzinho do Bom Fim”.

Com a ajuda das professoras Regina Zilberman e Marie Hélène Passos, do jornalista Gabriel Oliven, da cineasta Cláudia Dreyer, da produtora Luciana Tomasi, da própria Judith e de uma equipe experiente em exposições, tentei resgatar os aspectos mais significativos de uma vida que, se fosse considerada apenas em seus aspectos literários, já seria extraordinária. A obra de Scliar fala por si. Traduzido para mais de 10 idiomas, constantemente reeditado, com fãs de 10 a noventa anos, o “Mico” tinha um apetite desmedido pela escrita. Num pequeno bloco de notas, uma das joias que estarão no setor de manuscritos da mostra, ele sentenciou: “Escritor escreve”. E, para que não restasse dúvidas sobre o significado da frase em português, embaixo ele a verteu para o hebraico. Moacyr Scliar estava sempre escrevendo. Vamos mostrar suas anotações em guardanapos de bar, em notas fiscais, no verso de folhas da Secretaria da Saúde e em bloquinhos de propaganda de remédio. Ele não tinha problemas com inspiração. Se tinha uma ideia durante o banho, saía pelado para anotá-la, mesmo sob o rigoroso inverno gaúcho.

Em sua obra autobiográfica O Texto, ou: A Vida, que foi de extrema valia para o roteiro básico da exposição, separando o essencial do acessório, Scliar atribui sua voracidade pela escrita a duas circunstâncias de sua infância. Seus pais, José e Sara, eram grandes contadores de histórias e dramatizavam suas narrativas para os vizinhos da rua Fernandes Vieira com gestos vigorosos de mãos e braços. Scliar gostava da piada que pergunta por que judeus nunca se afogam. E respondia: “Mesmo quando não sabem nadar, eles começam a contar histórias. E todos se salvam.”

A segunda circunstância é muito comum na origem dos escritores: o contato cotidiano com os livros ainda na infância. Dona Sara, professora primária, fazia constantes visitas à Livraria do Globo e de lá, apesar do orçamento sempre apertado da família, trazia muitos livros para casa. Não foi fácil encontrar algumas dessas obras em edições dos anos 1940 e 1950 para colocá-las na exposição. Mas, em sua maioria, estarão lá: Cazuza, de Viriato Corrêa, As Aventuras de Tibicuera, de Érico Veríssimo, História de um Quebra-nozes, de Alexandre Dumas, As Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, e Rute e Alberto Resolveram ser Turistas, de Cecília Meireles (desta só consegui a capa; está esgotada e virou item de colecionador).

As referências mais importantes das primeiras leituras de Scliar, contudo, são de duas coleções que também foram importantes para mim. Scliar é de 1937, e eu sou de 1959, mas esses 22 anos não foram suficientes para diminuir o poder de encantamento do Tesouro da Juventude e da obra infanto-juvenil de Monteiro Lobato. O Tesouro tinha uma grande variedade de assuntos, com excelentes ilustrações. Lobato tinha uma imaginação prodigiosa, fazendo do Sítio do Picapau Amarelo o lugar dos sonhos de todos os seus leitores. Não sei como foi a primeira vez de Scliar, mas a minha foi com Os Doze Trabalhos de Hércules, numa tarde em que a chuva cancelou o joguinho de futebol no pátio e minha mãe, dona Léa, disse que talvez eu gostasse de ler umas histórias sobre um lugar chamado Grécia. Faço meus passeios imaginários pela Grécia até hoje.

Algumas pessoas talvez pensem que um escritor prolífico, quase caudaloso, como Moacyr Scliar, não tem muita autocrítica. No caso de Scliar, isso não é verdade. Em minhas andanças pelos sebos de Porto Alegre, motivadas pela exposição, perguntei para o Guilherme Dullius, do Beco dos Livros da Rua da Ladeira (localizado quase no mesmo lugar em que filmamos No Amor), se ele tinha algum exemplar de Histórias de um Médico em Formação, a primeira obra publicada por Scliar. Ele tinha, mas não estava à venda. E então me contou que, certo dia, Scliar entrou no sebo depois de ver sua estreia na literatura exibida na vitrine. Ele comprou o livro e, ali mesmo, o rasgou sem dó nem piedade. Desisti de exibir o livro na exposição. A autocrítica de um autor deve ser respeitada.

Todos os outros livros de Moacyr Scliar, porém, sobreviveram ao passar dos anos. São dezenas de romances, coletâneas de contos, ensaios, crônicas, literatura infanto-juvenil, obras médicas e, não duvido, muita coisa que ainda está inédita e falta publicar. O jovem leitor de Monteiro Lobato virou um escritor que escreveu sem parar até sua morte, em 2011. A exposição no Santander Cultural é uma pequena homenagem à vida de um grande contador de histórias.

MOACYR SCLIAR: O CENTAURO DO BOM FIM

A exposição tem entrada franca e estará aberta à visitação de 17 de setembro a 16 de novembro, no Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028), de terça a sábado, das 10h às 19h, e domingos e feriados, das 13h às 19h.

A L&PM está reeditando os principais títulos de Scliar em capa dura. "Max e os Felinos" e "A Guerra no Bom Fim" já chegaram. O próximo título é "O exército de um homem só".

A L&PM está reeditando os principais títulos de Scliar em capa dura. “Max e os Felinos” e “A Guerra no Bom Fim” já chegaram. O próximo título é “O exército de um homem só″.

Clique aqui para ver todos os títulos de Moacyr Scliar ela L&PM Editores.

O livro além do livro

segunda-feira, 1 agosto 2011

Começou neste sábado, 30 de julho, uma exposição em que o livro é matéria-prima para a criação de outras obras de arte. Além da Biblioteca é o nome desta mostra que ficará aberta ao público até 23 de outubro no Museu Lasar Segall em São Paulo.

Segundo a curadora, Ana Luiza Fonseca, esta exposição evidencia dois aspectos do livro: sua forma e seu conteúdo funcional. “As obras aqui expostas exploram a espacialidade do livro com a naturalidade de quem pertence ao universo criado por esse objeto, que é ao mesmo tempo mundano e enigmático. (…) O livro está presente nessas obras também com suas diferentes funções dentro do nosso cotidiano, afinal, este é o objeto usado pelas ideias como meio e veículo. Além da Biblioteca apresenta o atlas geográfico, o álbum de figurinhas, o dicionário, a enciclopédia, o romance, o caderno de desenho, o caderno de partitura, o livro de poesia, o flip-chart, e por aí vai…”  escreve a curadora no texto de apresentação que pode ser lido no site do museu.

Na lista dos onze artistas participantes estão Ana Luiza Dias Batista, Coletivo Zine Parasita, Daniel Escobar, Edith Derdyk, Fabio Morais, Jorge Macchi, Lucia Mindlin Loeb, Marcius Galan, Marilá Dardot, Nicolás Páris e Odires Mlászho.

"Da série Oceanos (Índico)", de Fábio Morais

"Cúmulus", de Marilá Dardot

"Livro cego", de Odires Mlászho

Serviço
Exposição: de 30 de julho a 23 de outubro de 2011
Horário: de terça a sábado e feriados das 14h às 19h
domingos das 14h às 18h até 23/10
Onde: Museu Lasar Segall (Rua Berta, 111 – fone 11 55747322
Quanto: grátis

Paris tem mania de Rimbaud

quarta-feira, 16 junho 2010

Por Paula Taitelbaum

Rimbaud é pop. E em Paris está mais na moda do que nunca. O belo rosto do poeta que cantou o inferno estampa lambretas, camisetas, vitrines de livrarias e, até o dia 1º de outubro, é exibido na exposição RIMBAUDMANIA. Em cartaz na “Galeria des Bibliothéques, Ville de Paris”, a mostra pode ser vista a partir de uma singela entrada de quatro euros que permite um passeio pelos manuscritos originais do autor, fotos, desenhos, capas de livros e muita memorabília. “O que é este mistério e como ele se tornou tão grande? Por que sua imagem consegue se renovar a cada geração? Rimbaud viveu todas as nossas tristezas, nossos fracassos, nossos sonhos? O que é esse sol que nele brilha e que tanto nos atrai? Será que o que mais nos intriga é o fato de ter escrito tão bem ou ter parado de escrever tão cedo? Ou será que é sua imagem que faz com que o acolhamos como uma espécie de irmão? Não há nenhuma resposta objetiva. Arthur Rimbaud manterá para sempre o seu enigma. RIMBAUDMANIA narra o advento dos heróis da mitologia moderna, e torna tangível a extensão desse mito. Rimbaud sobrevive graças à esperança e à fé na capacidade do homem para ‘mudar a vida’”, diz o texto de apresentação do curador Claude Jeancolas que está no site oficial da mostra. É lá também que você poderá saber mais detalhes e assistir um vídeo sobre a exposição. As fotos abaixo foram tiradas recentemente nas ruas de Paris.

 De Rimbaud, a Coleção L&PM Pocket publicou Uma temporada no inferno. Leia mais sobre o poeta no post Arthur Rimbaud: a tragédia, o charme e o mito.

Andy Warhol, Mr. Contradição

segunda-feira, 12 abril 2010

Por Cristine Kist*  

Se algumas paredes têm ouvidos, como garantiam nossos avôs, outras bem parecem ter boca. As da Estação Pinacoteca, por exemplo. As paredes da Estação gritam contradições desde o dia 20 de março, quando foi aberta a exposição “Andy Warhol, Mr. America”. Estão elas todas cobertas de citações, palavras conhecidas e desconhecidas, os 15 minutos de fama e à renegação das espinhas.    

Os famosos retratos coloridos de Marilyn Monroe / Reprodução

Logo na entrada são desfeitas as ilusões dos que esperavam confirmar a suspeita de que Warhol era um artista, uma pessoa ou um artista e uma pessoa apenas superficial. Os visitantes já são recebidos com uma citação digna de grande pensador:
“Everybody has their own America, and then they have pieces of a fantasy America that they think is out there but they can’t see. When I was little, I never left Pennsylvania, and I used to have fantasies about things that I thought were happening in the Midwest, or down South, or in Texas, that I felt I was missing out on. But you can only live life in one place at a time. And your own life while it’s happening to you never has any atmosphere, until it’s a memory.”  

Pois é. E depois de ler isso o sujeito mais desprevenido já fica inclinado a cometer duas injustiças. A primeira é pensar que são imprensa e crítica as responsáveis pelo rótulo que Warhol carrega. Não. Ele mesmo fazia questão de se vender assim. A segunda é concluir que de superficial ele não tinha nada. Tinha muito.    

Quando perguntavam se as 32 latas de sopa Campbells, os retratos de presidiários e os autorretratos como drag queen eram uma crítica ao american way of life, ele negava e jurava de pés juntos que amava os Estados Unidos e não tinha qualquer intenção de mostrar o “lado feio” do país.  

Muito provavelmente estava sendo sincero.  

A impressão é de que Warhol era contraditório até para ele mesmo. Batia e acariciava. É preciso mesmo muita força de vontade para acreditar que obras como “Confronto racial” ou os vários retratos coloridos de uma mesma cadeira elétrica estejam ali apenas por motivos estéticos. As latas de sopa também não são exatamente bonitas. E os bandidos mais procurados até são bonitos, mas bom, não deve ser só por isso que estão ali.  

Nunca gostei de meio termo. Sempre achei que meio termo fosse para os fracos. Me rendi. Sou fraca. Andy Warhol, aquela figura excêntrica e cheia de extremos, está mesmo no meio termo entre algo que lembra o intelectual e algo que lembra o superficial. É essa a sua última contradição.  

A exposição fica na Estação Pinacoteca até 23 de maio, de terça a domingo, sempre das 10 às 18h.  E aos interessados em conhecer um pouco mais da personalidade de Warhol, uma bela dica é o livro de quase mil páginas “Diários de Andy Warhol”, publicado pela L&PM em 1989, e agora disponível nos melhores sebos do Brasil.  

  

  

 * Cristine é assessora de imprensa da L&PM