Arquivo de novembro, 2012

Macbeth com Marcello Antony chega a Porto Alegre

sexta-feira, 23 novembro 2012

Enquanto Bob Wilson apresenta sua versão de Macbeth a São Paulo, em Porto Alegre, outra montagem dessa tragédia Shakespeareana chega ao palco do Theatro São Pedro. A versão, nesse caso, é de Gabriel Vilella e traz Marcello Antony no papel título. O detalhe é que, na peça brasileira, há apenas homens no elenco, exatamente como Macbeth era encenada originalmente no século XVII.

Marcello Antony e Claudio Fontana, o casal Macbeth

Para compor o figurino da peça, a produção adquiriu mais de 30 malas antigas de couro e papelão em brechós e antiquários que depois foram recortadas e transformadas em indumentárias de guerra pelo artesão potiguar Shicó do Mamulengo e pelo próprio Gabriel Vilella. O diretor também trouxe tapeçarias antigas de diversos lugares do mundo para complementar o figurino.

SERVIÇO:

O que: Macbeth em Porto Alegre
Onde: Theatro São Pedro
Quando: de 23 a 25 de novembro de 2012 (sexta e sábado às 21h e domingo às 18h)
Preço: De R$ 30,00 a R$ 70,00

A Coleção L&PM Pocket publica mais de 20 títulos de Shakespeare.

“Macbeth” de Bob Wilson tem estreia mundial em São Paulo

quinta-feira, 22 novembro 2012

Chegou a vez de Bob Wilson emprestar seu estilo inconfundível à montagem de Macbeth, de Willian Shakespeare. Dá pra dizer, na verdade, que é uma adaptação da adaptação, pois a montagem do diretor norte-americano é feita sobre o texto lírico de Giuseppe Verdi, que virou ópera em 1847. Os figurinos e cenários escuros, muitos silêncios, silhuetas e jogos de luz em cena dão o “tom Bob Wilson” para um dos textos mais encenados de todos os tempos.

“O diretor concebeu um espetáculo escuro. Os trajes de época dos cantores são negros. Também negros são os cenários laterais. No de fundo, única concessão, a cor clara funciona para colocar como silhuetas os personagens coletivos – cortesãs, feiticeiras ou militares. Só os personagens principais têm o rosto iluminado. Eles andam, mas não gesticulam. Se carregam as mãos ensanguentadas pela cumplicidade ou pelo cometimento de homicídios, elas ficam esticadas, e as luvas, clareadas por uma discreta luz negra”, escreveu o jornalista João Batista Natali no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo, nos deixando com ainda mais vontade de assistir à peça ;)

Montagem de Bob Wilson tem estreia mundial no Teatro Municipal de São Paulo nesta sexta, dia 23.

Macbeth, de Bob Wilson
Quando: sexta/23, terça/27 e quinta/29 às 20h e domingo/25 às 15h
Onde: Teatro Municipal de São Paulo
Quanto: de R$40 a R$100
Classificação: 10 anos

Câmara dos Deputados aprova projeto que cria o Vale-Cultura

quinta-feira, 22 novembro 2012

Folha de S. Paulo – 21/11/2012 – Por Erich Decat e Nadia Guerlenda de Brasília

A Câmara aprovou nesta quarta-feira (21) projeto que cria o Vale-Cultura, válido em todo o território nacional.

O vale servirá como espécie de “vale-alimentação”, no valor de R$ 50 por mês, para aqueles que recebem até cinco salários mínimos (R$ 3.110) gastarem com cinema, livros e shows, por exemplo. O prazo de validade para gastar o benefício deverá ser definido posteriormente em regulamento.

O benefício deverá ser, preferencialmente, disponível em cartão magnético aos empregados. O documento será confeccionado por empresas cadastradas no Ministério da Cultura.

O vale deverá ser disponibilizado pelas empresas, que terão a opção de integrarem o Programa de Cultura do Trabalhador previsto na proposta aprovada nesta quarta. Essas empresas poderão deduzir o valor despendido com o vale, no máximo 1%, do Imposto de Renda até 2017.

APOSENTADOS E ESTAGIÁRIOS

A pedido do governo foi elaborado nesta quarta-feira um novo projeto que excluiu os servidores públicos, aposentados e estagiários. Dessa forma se evitou o desgaste para a presidente Dilma Rousseff ter que vetar trecho da proposta que previa o benefício para esses três setores.

“Para representantes do governo não se trata de um benefício previdenciário ou que tenha impacto direto ao Orçamento da União, por isso foi retirada essa parte do projeto. O centro deve ser as empresas privadas”, disse a deputada Jandira Feghali (Pc do B-RJ).

Como o texto aprovado foi apresentado agora, ele deverá ir ao Senado para votação. Se não for modificado, será encaminhado para sanção presidencial.

O objetivo do governo é aprová-lo até o fim do ano. Há uma preocupação com as eleições presidenciais de 2014, quando Dilma deve concorrer à reeleição.

Projetos com renúncia fiscal só passam a valer no exercício seguinte. Ou seja, se for aprovado neste ano, só vigorará em 2013. Somam-se a isso os seis meses necessários para a implementação do vale, que estaria a pleno vapor no ano eleitoral.

Mansfield Park mais perto de nós

quarta-feira, 21 novembro 2012

O tradutor Rodrigo Breunig acaba de entregar a tradução do livro Mansfield Park, da Jane Austen. Ainda há várias etapas pela frente: revisão, diagramação, capa… Mas no primeiro semestre de 2013, Mansfield Park vai se juntar aos outros títulos de Austen que a Coleção L&PM Pocket já oferece: Orgulho e Preconceito, Persuasão, A Abadia de Northanger e Razão e Sentimento. Leia um pequeno trecho da tradução recém chegada:

À educação de suas filhas Lady Bertram não dava a menor atenção. Ela não tinha tempo para tais cuidados. Ela era uma mulher que passava seus dias sentada, lindamente vestida, num sofá, fazendo alguns longos trabalhos de bordado, de pouca utilidade e nenhuma beleza, pensando mais em seu Pug do que em suas meninas, mas muito indulgente com estas últimas quando não houvesse inconveniência para ela, guiada em tudo que fosse importante por Sir Thomas e, em questões menores, por sua irmã. Possuísse ela mais tempo livre em benefício de suas garotas, provavelmente teria julgado qualquer atitude desnecessária, pois elas estavam sob os cuidados de uma preceptora, com mestres apropriados, e não poderiam precisar de mais nada.

A ilustração que será usada na capa de "Mansfield Park", o próximo título de Jane Austen na Coleção L&PM Pocket. A ilustração é de Birgit Amadori

Breve história de Voltaire

quarta-feira, 21 novembro 2012

A escultura mais famosa da imagem de Voltaire, feita por Jean-Antoine Houdon, conseguiu capturar o sorriso cerrado e os pés de galinha desse homem espirituoso e corajoso. Defensor da liberdade de expressão e da tolerância religiosa, Voltaire foi uma figura controversa. Na Europa do século XVIII, porém, a Igreja Católica controlava com rigidez o que podia ser publicado. Muitos dos livros e peças de Voltaire foram censurados e queimados em público, e ele chegou a ser preso na Bastilha, em Paris, por ter insultado um poderoso aristocrata. Mas nada disso o impediu de desafiar os preconceitos e as pretensões daqueles que o cercavam. No entanto, hoje ele é mais conhecido como o autor de Cândido (1759) – Trecho de Uma breve história da filosofia.

O impressionante busto de Voltaire esculpido por Houdon

Voltaire nasceu em Paris no dia 21 de novembro de 1694 e foi batizado com o nome de François Marie Arouet. Segundo Nigel Warburton, autor de Uma breve história da filosofia, uma das coisas que o diferenciou de outros célebres filósofos foi que Voltaire era rico. Warburton conta em seu livro que, jovem, ele fez parte de um grupo que descobriu uma falha no sistema de loterias do governo e comprou vários milhares de bilhetes premiados. Investiu esse dinheiro e enriqueceu ainda mais. Isso deu a ele liberdade financeira para defender as causas em que acreditava. Acabar de vez com a injustiça era sua paixão.

Cate Blanchett e Mia Wasikowska na adaptação de “Carol” para os cinemas

quarta-feira, 21 novembro 2012

Em fevereiro de 2013, começa a ser rodada a adaptação de Carol para os cinemas, livro de Patricia Highsmith publicado pela primeira vez no início dos anos 50. O filme terá roteiro adaptado de Phyllis Nagy, direção de John Crowley e terá nos papéis principais Cate Blanchett e Mia Wasikowska.

Cate Blanchett será Carol e Mia Wasikowska fará o papel de Therese

Escrevendo inicialmente sob o pseudônimo de Claire Morgan, Patricia Highsmith criou um romance que aborda uma relação amorosa entre mulheres que, pela primeira vez na literatura, teve um final feliz. Recusado pelo editor norte-americano da escritora, o livro acabou sendo publicado por outra editora com o título de The Price of Salt (só depois ele passaria a ser Carol) e logo se tornou um grande sucesso.

O livro conta a história de Therese Belivet, aspirante a cenógrafa que trabalha como vendedora na seção de bonecas de uma loja de departamentos, e de Carol, uma bela e elegante mulher recém separada e mãe de uma filha que, na época do Natal, em meio à loja lotada, chama atenção de Therese. A vendedora fica hipnotizada por ela: “Alta e clara, com um longo corpo elegante dentro de um casaco de pele folgado (…), seus olhos eram cinzentos, claros e, no entanto, dominadores, como luz ou fogo”.  

Assim começa o romance entre a jovem Therese e Carol. Mas não pense que esta é uma simples história de amor. Patricia Highsmith criou uma trama cheia de aventura, suspense e contornos noir.

Patricia Highsmith teve a ideia de escrever Carol baseada em uma experiência própria: ela se tornou obcecada por uma mulher que viu em uma loja. Anos mais tarde, a escritora contou no prefácio de uma nova edição do livro que costumava receber de dez a quinze cartas por semana endereçadas a Claire Morgan, agradecendo à escritora ou mesmo pedindo conselhos. Para ela, Carol ajudou muitos homossexuais a se libertarem.

 

Esse Simon’s Cat é uma figura…

quarta-feira, 21 novembro 2012

A Consciência Negra na literatura

terça-feira, 20 novembro 2012

20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra, data escolhida porque foi nesse dia, em 1695, que morreu Zumbi dos Palmares. Celebrado desde a década de 1960, o Dia da Consciência Negra tornou-se tão importante no Brasil que, em muitas cidades, incluindo Rio de Janeiro e em São Paulo, é feriado. Entre as obras literárias que devem ser lembradas no dia de hoje está Os escravos, de Castro Alves. Poeta símbolo do romantismo brasileiro, seus poemas acabaram se tornando uma bandeira dos abolicionistas na luta contra a escravidão.

Trecho do poema "Saudação a Palmares", do livro "Escravos" de Castro Alves

Glória a vocês, balzaquianas!

terça-feira, 20 novembro 2012

Por Ivan Pinheiro Machado* 

“Balzac prestou às mulheres um serviço imenso, pois duplicou para elas a idade do amor. Curou o amor do preconceito da mocidade…”. Georges Viacaire, crítico francês, referia-se a enorme repercussão que “A mulher de trinta anos” teve quando foi lançado. Duzentos anos depois, em dezenas de línguas, “balzaquiana” é o adjetivo que designa, como diz o respeitável Dicionário Houaiss da língua portuguesa, “aquela que tem mais de 30 anos”. A maioria esmagadora daquelas milhões e milhões de pessoas que empregam a expressão nem sonham que ela vem de um livro escrito por um certo Honoré de Balzac há 180 anos atrás. Existe maior glória para um escritor?

A mulher de trinta anos” não está entre os melhores livros de Balzac. É irregular, foi escrito num período muito longo, entre dezenas de outros romances e concluído às pressas, numa verdadeira colagem de trechos esparsos. Mas mesmo assim possui grandes momentos que, por si só, justificam a fama de mais famoso de todos os 100 livros escritos por Balzac.

A belíssima marquesa Julia d’Aiglemont é a famosa mulher de 30 anos. Infeliz no casamento, renasce numa paixão extraconjugal pelo jovem Carlos Vandenesse que… bem… leia o livro. Como degustação, para ilustrar este post, leia abaixo um fragmento da obra que glorificou e eternizou as balzaquianas.

“(…) A jovem conta apenas com sua coqueteria, e acredita ter dito tudo quando tirou o vestido(…) A mulher de trinta anos pode fazer-se jovem, representar todos os papéis, até tornar-se mais bela com uma infelicidade. A jovem sabe apenas gemer. Entre as duas há a incomensurável diferença entre o previsto e o imprevisto, a força e a fraqueza. Armada de um saber obtido quase sempre ao preço de infelicidades, a mulher de trinta anos ao entregar-se, parece dar mais do que ela mesma; ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode comparar nem apreciar (…).” E por aí vai… (tradução da citação de Balzac, por Paulo Neves)

* Toda semana, a Série “Relembrando um grande livro” traz um texto assinado em que grandes livros são (re)lembrados. Livros imperdíveis e inesquecíveis.

Poemas chineses

terça-feira, 20 novembro 2012

Por Luiz Antonio de Assis Brasil*

Quem lê jornal e se detém numa coluna de crônica, é porque tem experiência de leitura e possui muito conhecimento acumulado. Seu imaginário acerca da China, por exemplo, não se deixa seduzir por ideias feitas, como Mao-Tsé-Tung ou o catálogo de produtos industrializados que inundam nossas lojas e supermercados. Esse leitor já sabe que a China possui uma antiquíssima e invejável cultura, representada nas artes plásticas, na música, na arquitetura, no teatro e na poesia.

Tomando esses dados como autênticos, não cabe repetir que a poesia chinesa tradicional possui temas que em que está, por excelência e relevância, a natureza. É de Li Bai (701-762, na datação ocidental) o Diálogo sobre a montanha: Há quem pergunte / por que vivo / nestas verdes colinas. / Sem responder, sorrio, / de coração sereno, / enquanto as flores de pessegueiro / flutuam na água. / Tudo vai embora, tudo se apaga. / Aqui é outra, a terra, / e outro, o céu. / Nada parecido / com o mundo dos humanos / lá embaixo. Este poema, e outros do mesmo autor e, ainda, de Du Fu (712-770) e Wang Wei (701-761) foram reunidos no livro Poemas Clássicos Chineses, L&PM Pocket, com tradução e organização de Sérgio Capparelli (sim, o nosso estimado e premiado escritor de obras infantis, mas não só) e Sun Yuqi. Na abertura há um curto, mas cabal ensaio de Leonardo Fróes, recomendável a quem não está familiarizado com a poesia da China.

Não será possível, por óbvio, estabelecer qualquer juízo sobre a acuidade do trabalho da tradução, mas confiamos plenamente nos nomes da capa. Algo que chama atenção, em particular, é a extrema síntese linguística dos caracteres chineses, visível quando comparamos o original nas páginas pares com a respectiva tradução nas páginas ímpares. Os poetas chineses precisavam de apenas quatro linhas, quando precisamos do dobro, pelo menos. Nada de novo.

Mas voltando ao tema da natureza. Observe-se o refinamento deste poema do aristocrata Wang Wei, também músico e pintor: Pássaros / alçando voo. / Montanhas / que se repetem, / sempre, / na cor do outono… / Ando de um lado para o outro / no monte florido: / até quando / essa melancolia?

Quer-se dizer: enquanto, no mesmo período, os aristocratas ocidentais, sem nenhuma melancolia, matavam-se em batalhas cruentas, Wang Wei escrevia um poema sobre montes floridos. Algo a pensar. Mas, antes, é bom ler o livro por inteiro.

*Luiz Antonio de Assis Brasil acaba de lançar Figura na sombra. Esta crônica foi publicada originalmente no Segundo Caderno do Jornal Zero Hora em 19 de novembro de 2012.