Posts Tagged ‘Paul Gauguin’

Deu no New York Times

terça-feira, 4 julho 2017

Antes de depois” é um livro importante escrito pelo pintor Paul Gauguin no fim da sua vida. A L&PM Editores publicou-o pela primeira vez no Brasil em 1997, quando lançava o projeto revolucionário da coleção L&PM POCKET que hoje conta com mais de 1.200 títulos. O livro é um depoimento impressionante deste que foi um dos pilares fundadores da arte moderna.

Entre outras revelações e informações importantes para a compreensão do surgimento da arte moderna, em “Antes e depois” está narrado o célebre episódio do corte da orelha de Van Gogh em 15 de dezembro de 1888. Paul Gauguin vivia na mesma casa que Van Gogh em Arles no sul da França, a famosa “Casa Amarela” e foi testemunha da crise que culminou com a automutilação de Van Gogh. Ele narrou o incidente  no seu livro, sendo a fonte primária que revelou ao mundo os detalhes deste episódio que até hoje desperta controvérsias e alimenta versões.

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Gauguin morreu em 1903, na mais completa miséria, doente, dilacerado pela solidão e a incompreensão de seus contemporâneos. “Antes e depois” foi concluído meses antes da sua morte.

Pois até ontem, 3 de julho de 2017, o quadro de 1892, “Nafea Faa Ipoiop” (Você não vai casar?) de Paul Gauguin, num destes paradoxos monumentais, comuns na história da arte, era tido como a obra que atingira o valor mais alto de todos os tempos. Segundo as notícias da época, um sheik do Catar pagou em 2014 nada mais nada menos do que 300 milhões de dólares pelo quadro. Hoje o New York Times informa em sua edição digital que,  graças à uma disputa judicial em um tribunal de Londres, onde se discutia o valor da comissão devida ao marchand que intermediou o negócio soube-se que, na verdade, o quadro foi vendido por “apenas” 210 milhões de dólares… Portanto os dois quadros mais caros da história seguem sendo “Interchanged”, do pintor norte-americano Willem de Kooning  (300 milhões de dólares em 2016) e “Jogadores de carta” de Paul Cèzanne (250 milhões em 2011).

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Você não vai casar, de Paul Gauguin

O dia em que Van Gogh cortou sua orelha

sexta-feira, 23 dezembro 2016

Na noite de 23 de dezembro de 1888, o pintor Van Gogh realizou o ato que simbolizaria para sempre seu desequilíbrio: cortou parte de sua orelha esquerda. A L&PM tem livros que contam (ou mostram) o que aconteceu.

Van_goghDepois de trocar palavras com Gauguin na praça, ele voltou à Casa Amarela, pegou uma navalha e, numa hora difícil de determinar, cortou um pedaço da orelha esquerda, seguramente o lóbulo, talvez um pouco mais. Correram muitos boatos sobre esse ponto e Gauguin escreveu que ele havia cortado a orelha rente à cabeça. Mas o registro do hospital fala de “mutilação voluntária de uma orelha”, as conclusões do médico-chefe do hospital de Arles dizem “que ele cortou sua orelha”, o relatório do dr. Peyron em Saint-Rémy declara também que Vincent mutilou-se “cortando a orelha”, e os testemunhos de Johanna Bonger, de Paul Signac, do dr. Gachet e do seu filho, que o viram posteriormente, vão no sentido de um a mutilação da orelha pela supressão do lóbulo. Mas os boatos tendem a exagerar os fatos. Para muitos, Vincent cortou a orelha inteira, não deixando mais que um buraco rente à cabeça, o que o tornava irremediavelmente “outro”, não humano, como o homem que perdeu sua sombra no conto de Chamisso. (Van Gogh, biografia escrita por David Haziot, Série Biografias L&PM):

***

Cartas_a_Theo_e_outros_CONVTrecho do Incidente da automutilação de Van Gogh

por Paul Gauguin

(…)

Chegando a noite, acabara meu jantar e sentia a necessidade de ir sozinho respirar o ar perfumado dos loureiros em flor. Já atravessara quase inteiramente a praça Victor Hugo, quando ouvi atrás de mim um pequeno passo bem conhecido, rápido e irregular. Virei-me no exato momento em que Vincent se precipitava sobre mim com uma navalha aberta na mão. Meu olhar nesse momento deve ter sido muito poderoso, pois ele parou e, baixando a cabeça, retomou correndo o caminho de casa.

Será que fui covarde nesse momento e não deveria tê-lo desarmado e procurado acalmá-o? Várias vezes interroguei minha consciência e não me censurei em nada.

 (…)

Van Gogh voltou para casa e imediatamente cortou sua orelha, exatamente na base da cabeça. Deve ter levado um certo tempo para estancar a força da hemorragia, pois no dia seguinte numerosas toalhas molhadas estavam estendidas nas lajes dos dois cômodos de baixo. O sangue sujara os dois cômodos e a escadinha que subia para nosso quarto de dormir.

(…)

Na cama Vincent jazia, completamente envolto pelos lençóis, todo encolhido com os joelhos junto ao corpo: parecia inanimado. Suavemente, bem suavemente, apalpei seu corpo cujo calor era com certeza sinal de vida. Senti como se toda a minha inteligência e a minha energia estivessem voltando. (Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh)

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Página de “Vincent”, a história de Vincent Van Gogh em quadrinhos

As últimas palavras de Van Gogh

terça-feira, 29 julho 2014

Era madrugada do dia 29 de julho de 1890 e Théo estava deitado ao lado do irmão no leito do hospital. Vincent fumava seu cachimbo tranquilamente e parecia bem, apesar de fraco. Dois dias antes, tinha disparado um tiro contra o próprio peito, que desviou e se alojou na virilha. O Dr. Gachet foi chamado às pressas, mas não conseguiu retirar a bala.

Assim que soube do “incidente”, Théo veio ao encontro do irmão, mas ele estava decidido a morrer. Por volta da 1h30 do dia 29 de julho, Vincent Van Gogh murmura suas últimas palavras: “Quero ir embora”, e morre.

Van Gogh guardava consigo uma carta, a última das Cartas a Théo:

Meu caro irmão,

Obrigado por sua gentil carta e pela nota de cinquenta francos que ela continha. Já que as coisas vão bem, o que é o principal, por que insistiria eu em coisas de menor importância? Por Deus! Provavelmente se passará muito tempo antes que se possa conversar de negócios com a cabeça mais descansada.

Os outros pintores, independente do que pensem, instintivamente mantêm-se à distância das discussões sobre o comércio atual.

Pois é, realmente só podemos falar através de nossos quadros. Contudo, meu caro irmão, existe isto que eu sempre lhe disse e novamente voltarei a dizer com toda a gravidade resultante dos esforços de pensamento assiduamente orientado a tentar fazer o bem tanto quanto possível – volto a dizer-lhe novamente que sempre o considerarei como alguém que é mais que um simples mercador de Corots, que por meu intermédio participa da própria produção de certas telas, que mesmo na derrocada conserva sua calma.

Pois assim é, e isto é tudo, ou pelo menos o principal que eu tenho a lhe dizer num momento de crise relativa. Num momento em que as coisas estão muito tensas entre marchands de quadros de artistas mortos e de artistas vivos.

Pois bem, em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão arruinou-se em parte – bom -, mas pelo quanto eu saiba você não está entre os mercadores de homens, e você pode tomar partido, eu acho, agindo realmente com humanidade, mas, o que é que você quer?

No segundo semestre de 2014, a L&PM Editores vai lançar um grande livro que reunirá Cartas a Théo (edição ampliada e anotada);  Biografia de Vincent Van Gogh por sua cunhada (de Jo van Gogh-Bonger, esposa de Théo) e As cartas enviadas a Émile Bernard (prefaciadas pelo sobrinho Vincent Willen van Gogh).

Vincent Van Gogh em autorretrato feito em 1889

Vincent Van Gogh em autorretrato feito em 1889

Você também pode ler mais sobre Van Gogh no livro Antes & Depois, memórias de Paul Gauguin onde o pintor narra em detalhes o célebre episódio em que Van Gogh corta sua própria orelha. E também em Van Gogh, de David Haziot, Série Biografias L&PM.

O Outro Van Gogh no teatro

sexta-feira, 13 julho 2012

Estreou na semana passada, no Rio, a peça “O Outro Van Gogh”. Nela, o ator Fernando Eiras, no primeiro monólogo de sua carreira, apresenta um espetáculo baseado nas centenas de cartas trocadas entre Vincent Van Gogh e seu irmão Théo entre os anos de 1872 e 1890. Com texto de Mauricio Arruda Mendonça e direção de Paulo de Moraes, a peça é centrada na figura de Théo e no período em que ele esteve internado em um sanatório com transtornos psicológicos causados pela sífilis. No espetáculo, Eiras interpreta Théo em meio a seu colapso psicológico, no qual conversa com o irmão morto, relembrando a forte ligação dos dois, desde a infância até o trágico fim do pintor. Abaixo, um vídeo com trechos do monólogo.

Serviço:

O que: O Outro Van Gogh
Quando: 28 de junho a 26 de agosto
Classificação etária: 14 anos
Ingressos: Quinta e sexta, R$ 40,00/ Sábado e Domingo, R$ 60,00
Onde: Teatro Poeira, Rua São João Batista, 104 - Botafogo, Rio de Janeiro / Fone: (21) 2537.8053

A Coleção L&PM Pocket publica Cartas a Théo em uma edição ampliada, anotada e ilustrada. O livro traz ainda um glossário, identificando os quase 200 nomes citados por Vincent em sua correspondência, várias ilustrações com fac-símiles das cartas e o célebre texto do pintor Paul Gauguin, onde é descrito o episódio em que Van Gogh, num acesso de loucura, corta a orelha.

Afinal, por que e como Van Gogh cortou sua orelha?

sexta-feira, 4 maio 2012

A automutilação de Vincent Van Gogh, cortando a própria orelha, é um dos acontecimentos mais célebres da história da arte e, como tal, sujeito às mais variadas versões. Na verdade, existem duas vertentes historicamente aceitas e que muito se assemelham. A da chefatura de polícia da cidade de Arles, no sul da França, e o depoimento de Paul Gauguin, ambos tidos como “fontes primárias” confiáveis e que descrevem o drama da amputação da orelha. No caso de Paul Gauguin, veremos que, muito mais de que uma testemunha, ele foi praticamente um protagonista.

Autorretrato de Van Gogh com a orelha mutilada

Naquele final de ano de 1888, Gauguin compartilhava com Van Gogh a famosa Casa Amarela em Arles, uma espécie de estúdio moradia que Théo Van Gogh alugara para os dois pintores. 

Van Gogh pintou a Casa Amarela em Arles

No dia 25 de dezembro, Vincent tem um ataque de loucura e faz com que exploda a crise que se armava entre ele e seu amigo Gauguin. Van Gogh corta com uma navalha a própria orelha e entrega à um policial (segundo Gauguin).  

"Vincent Van Gogh Painting Sun Flowers", a pintura de Gauguin em que Van Gogh se viu como um louco e que teria despertado uma de suas mais terríveis crises (leia o texto em anexo do livro "Antes e Depois)

A relação entre ambos estava extremamente tumultuada e terminou exatamente quando Van Gogh cortou sua orelha. O testemunho de Paul Gauguin está imortalizado no seu livro “Antes e Depois” (Coleção L&PM Pocket). É um longo e riquíssimo depoimento, onde Gauguin faz considerações sobre o estado mental àquela altura já bastante deteriorado de Van Gogh. Abaixo, selecionamos exatamente o trecho em que ele o descreve jornalisticamente e reconstitui a noite em que se deu o célebre drama (clique sobre a imagem para folhear as páginas).

Gertrude Stein, a amiga de Picasso

sexta-feira, 3 fevereiro 2012

Gertrude Stein, por Pablo Picasso

Em 3 de fevereiro de 1874, nascia Gertrude Stein, uma das figuras mais importantes da história da arte moderna no mundo. Nascida em Pittsburgh, nos Estados Unidos, ela foi morar em Paris com seus irmãos Léo e Michael. A casa da família Stein na Rua de Fleurus nº27 vivia cheia de artistas e escritores, entre eles Pablo Picasso, Ernest Hemingway, o casal Zelda e F. Scott Fitzgerald, Henri Matisse, Paul Gauguin e outros grandes nomes que devem muito ao apoio financeiro e intelectual dos irmãos Stein.

As paredes da mansão eram “decoradas” com cerca de 600 quadros de alguns dos artistas que frequentavam a casa, entre eles um retrato de Gertrude Stein (reproduzido acima) feito por Picasso. Para retribuir a homenagem do amigo, ela fez o poema “If I told him”, que você pode ouvir na voz da própria autora no vídeo abaixo.

Para saber mais sobre a vida de Gertrude Stein e dos visitantes que frequentavam sua casa em Paris, vale ler A autobiografia de Alice B. Toklas da Coleção L&PM Pocket.

As últimas palavras de Van Gogh

sexta-feira, 29 julho 2011

Van Gogh pintou o "Retrato do Dr. Gachet" um mês antes de morrer

Era madrugada do dia 29 de julho de 1890 e Théo estava deitado ao lado do irmão no leito do hospital. Vincent fumava seu cachimbo tranquilamente e parecia bem, apesar de fraco. Dois dias antes, tinha disparado um tiro contra o próprio peito, que desviou e se alojou na virilha. O Dr. Gachet foi chamado às pressas, mas não conseguiu retirar a bala.

Assim que soube do “incidente”, Théo veio ao encontro do irmão, mas ele estava decidido a morrer. Por volta da 1h30 do dia 29 de julho, Vincent Van Gogh murmura suas últimas palavras: “Quero ir embora”, e morre.

Van Gogh guardava consigo uma carta, a última das Cartas a Théo:

Meu caro irmão,

Obrigado por sua gentil carta e pela nota de cinquenta francos que ela continha. Já que as coisas vão bem, o que é o principal, por que insistiria eu em coisas de menor importância? Por Deus! Provavelmente se passará muito tempo antes que se possa conversar de negócios com a cabeça mais descansada.

Os outros pintores, independente do que pensem, instintivamente mantêm-se à distância das discussões sobre o comércio atual.

Pois é, realmente só podemos falar através de nossos quadros. Contudo, meu caro irmão, existe isto que eu sempre lhe disse e novamente voltarei a dizer com toda a gravidade resultante dos esforços de pensamento assiduamente orientado a tentar fazer o bem tanto quanto possível – volto a dizer-lhe novamente que sempre o considerarei como alguém que é mais que um simples mercador de Corots, que por meu intermédio participa da própria produção de certas telas, que mesmo na derrocada conserva sua calma.

Pois assim é, e isto é tudo, ou pelo menos o principal que eu tenho a lhe dizer num momento de crise relativa. Num momento em que as coisas estão muito tensas entre marchands de quadros de artistas mortos e de artistas vivos.

Pois bem, em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão arruinou-se em parte – bom -, mas pelo quanto eu saiba você não está entre os mercadores de homens, e você pode tomar partido, eu acho, agindo realmente com humanidade, mas, o que é que você quer?

A história de Van Gogh está contada nas centenas de Cartas a Théo e também no célebre Antes & Depois, memórias de Paul Gauguin onde o pintor narra em detalhes o célebre episódio em que Van Gogh corta sua própria orelha. Ambos os livros publicados na Coleção L&PM POCKET.