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Van Gogh e o tiro no peito

quinta-feira, 27 julho 2017

Vincent havia saído para pintar na tarde de 27 de julho, quando nessa hora costumava trabalhar na sala dos fundos do albergue. Deu um tiro de revólver contra o peito, caiu e depois se ergueu para retornar. Caiu três vezes no caminho de volta e notaram sua ausência, pois estava atrasado para o jantar. Sua atitude ao chegar pareceu estranha aos Ravoux: Vincent subiu diretamente ao seu quarto. Depois, como não descia para jantar, o sr. Ravoux subiu para vê-lo, encontro-o estendido no leito e perguntou o que tinha. Vincent virou-se bruscamente, abriu o casaco e mostrou a camisa ensanguentada. “É isso, quis me matar e falhei”, ele diz. (Van Gogh, David Haziot, Série Biografias L&PM Pocket).

Vincent Van Gogh não sairia mais da cama. Dois dias depois, morreria nos braços do irmão Theo, aos 37 anos e poucos meses.

VAN GOGH FOTO ALTA

A orelha de Van Gogh voltou à vida

quarta-feira, 4 junho 2014

Em dezembro de 1888, num surto de loucura, Vincent Van Gogh cortou uma de suas orelhas. Seu amigo e também pintor Paul Gauguin estava presente neste momento. Mas isso a maioria de nós já sabe. A novidade é que agora, mais de um século depois, a dita orelha ressuscitou. Na verdade, virou ela mesma uma obra de arte.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4 de junho), pelo “The Centre for Art and Media” de Karlsruhe (oeste da Alemanha), que está expondo a réplica da orelha cortada de Van Gogh feita, entre outras coisas, com células da cartilagem de um tetraneto de Théo, irmão do célebre pintor.

A obra leva a assinatura de Diemut Strebe, artista que trabalha principalmente com matérias vivas. “A orelha foi criada com tecidos de cartilagem e tem a mesma forma que a de Van Gogh” declarou Dominika Szope, porta voz do Centro alemão.

A orelha renascida de Van Gogh ficará exposta em Karlsruhe até 6 de Julho e, em 2015, irá para Nova Iorque.

A orelha de Van Gogh feita a partir da cartilagem de um tetraneto de The Van Gogh.

A orelha de Van Gogh feita a partir da cartilagem de um tetraneto de The Van Gogh.

A orelha de Van Gogh é um dos grandes ícones da cultura moderna e até Allen Gisnberg lhe dedicou um poema chamado “Morte à orelha de Van Gogh!”. No filme “Lust for Life” (Sede de Viver), de 1956, Kirk Douglas encena a angustiante remoção da orelha. Este gesto artístico de auto-mutilação, aliás, tornou-se um clichê do comportamento criativo extremo.

Em seu Auto-Retrato com a orelha enfaixada, pintado em janeiro de 1889, Van Gogh contempla a si mesmo e vira o rosto em direção a nós para mostrar o curativo. Seus olhos são cristalinos e sua carne tem a aparência de uma escultura talhada em madeira medieval.

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No segundo semestre de 2014, a L&PM Editores vai lançar um grande livro que reunirá Cartas a Théo (edição ampliada e anotada);  Biografia de Vincent Van Gogh por sua cunhada (de Jo van Gogh-Bonger, esposa de Théo) e As cartas enviadas a Émile Bernard (prefaciadas pelo sobrinhoVincent Willen van Gogh). Aguardem!

As últimas palavras de Van Gogh

sexta-feira, 29 julho 2011

Van Gogh pintou o "Retrato do Dr. Gachet" um mês antes de morrer

Era madrugada do dia 29 de julho de 1890 e Théo estava deitado ao lado do irmão no leito do hospital. Vincent fumava seu cachimbo tranquilamente e parecia bem, apesar de fraco. Dois dias antes, tinha disparado um tiro contra o próprio peito, que desviou e se alojou na virilha. O Dr. Gachet foi chamado às pressas, mas não conseguiu retirar a bala.

Assim que soube do “incidente”, Théo veio ao encontro do irmão, mas ele estava decidido a morrer. Por volta da 1h30 do dia 29 de julho, Vincent Van Gogh murmura suas últimas palavras: “Quero ir embora”, e morre.

Van Gogh guardava consigo uma carta, a última das Cartas a Théo:

Meu caro irmão,

Obrigado por sua gentil carta e pela nota de cinquenta francos que ela continha. Já que as coisas vão bem, o que é o principal, por que insistiria eu em coisas de menor importância? Por Deus! Provavelmente se passará muito tempo antes que se possa conversar de negócios com a cabeça mais descansada.

Os outros pintores, independente do que pensem, instintivamente mantêm-se à distância das discussões sobre o comércio atual.

Pois é, realmente só podemos falar através de nossos quadros. Contudo, meu caro irmão, existe isto que eu sempre lhe disse e novamente voltarei a dizer com toda a gravidade resultante dos esforços de pensamento assiduamente orientado a tentar fazer o bem tanto quanto possível – volto a dizer-lhe novamente que sempre o considerarei como alguém que é mais que um simples mercador de Corots, que por meu intermédio participa da própria produção de certas telas, que mesmo na derrocada conserva sua calma.

Pois assim é, e isto é tudo, ou pelo menos o principal que eu tenho a lhe dizer num momento de crise relativa. Num momento em que as coisas estão muito tensas entre marchands de quadros de artistas mortos e de artistas vivos.

Pois bem, em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão arruinou-se em parte – bom -, mas pelo quanto eu saiba você não está entre os mercadores de homens, e você pode tomar partido, eu acho, agindo realmente com humanidade, mas, o que é que você quer?

A história de Van Gogh está contada nas centenas de Cartas a Théo e também no célebre Antes & Depois, memórias de Paul Gauguin onde o pintor narra em detalhes o célebre episódio em que Van Gogh corta sua própria orelha. Ambos os livros publicados na Coleção L&PM POCKET.