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O dia em que Van Gogh cortou sua orelha

terça-feira, 23 dezembro 2014

Na noite de 23 de dezembro de 1888, o pintor Van Gogh realizou o ato que simbolizaria para sempre seu desequilíbrio: cortou parte de sua orelha esquerda. Abaixo, um trecho da biografia escrita por David Haziot e publicada pela Coleção L&PM Pocket:

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A biografia de Van Gogh

Depois de trocar palavras com Gauguin na praça, ele voltou à Casa Amarela, pegou uma navalha e, numa hora difícil de determinar, cortou um pedaço da orelha esquerda, seguramente o lóbulo, talvez um pouco mais. Correram muitos boatos sobre esse ponto e Gauguin escreveu que ele havia cortado a orelha rente à cabeça. Mas o registro do hospital fala de “mutilação voluntária de uma orelha”, as conclusões do médico-chefe do hospital de Arles dizem “que ele cortou sua orelha”, o relatório do dr. Peyron em Saint-Rémy declara também que Vincent mutilou-se “cortando a orelha”, e os testemunhos de Johanna Bonger, de Paul Signac, do dr. Gachet e do seu filho, que o viram posteriormente, vão no sentido de um a mutilação da orelha pela supressão do lóbulo. Mas os boatos tendem a exagerar os fatos. Para muitos, Vincent cortou a orelha inteira, não deixando mais que um buraco rente à cabeça, o que o tornava irremediavelmente “outro”, não humano, como o homem que perdeu sua sombra no conto de Chamisso.

Vincent sangrou muito e procurou estancar a hemorragia com toalhas e lençóis. Pôs o pedaço da orelha numa folha de jornal, dobrou-a com cuidado, enfiou um gorro na cabeça e foi levá-la como um presente, às 23h30, a uma prostituta chamada Rachel, num prostíbulo. Ele teria dito a ela: “Guarde esse objeto com cuidado”. A mulher abriu o embrulho e desmaiou. A polícia foi alertada, mas Vincent já havia voltado para casa e dormia. Não conservou nenhuma lembrança de sua conduta e, exceto uma visita posterior a Rachel, nunca falou dessa história em cartas.

Vincent, a história de Vincent Van Gogh em quadrinhos, também mostra essa passagem:

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A orelha de Van Gogh voltou à vida

quarta-feira, 4 junho 2014

Em dezembro de 1888, num surto de loucura, Vincent Van Gogh cortou uma de suas orelhas. Seu amigo e também pintor Paul Gauguin estava presente neste momento. Mas isso a maioria de nós já sabe. A novidade é que agora, mais de um século depois, a dita orelha ressuscitou. Na verdade, virou ela mesma uma obra de arte.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4 de junho), pelo “The Centre for Art and Media” de Karlsruhe (oeste da Alemanha), que está expondo a réplica da orelha cortada de Van Gogh feita, entre outras coisas, com células da cartilagem de um tetraneto de Théo, irmão do célebre pintor.

A obra leva a assinatura de Diemut Strebe, artista que trabalha principalmente com matérias vivas. “A orelha foi criada com tecidos de cartilagem e tem a mesma forma que a de Van Gogh” declarou Dominika Szope, porta voz do Centro alemão.

A orelha renascida de Van Gogh ficará exposta em Karlsruhe até 6 de Julho e, em 2015, irá para Nova Iorque.

A orelha de Van Gogh feita a partir da cartilagem de um tetraneto de The Van Gogh.

A orelha de Van Gogh feita a partir da cartilagem de um tetraneto de The Van Gogh.

A orelha de Van Gogh é um dos grandes ícones da cultura moderna e até Allen Gisnberg lhe dedicou um poema chamado “Morte à orelha de Van Gogh!”. No filme “Lust for Life” (Sede de Viver), de 1956, Kirk Douglas encena a angustiante remoção da orelha. Este gesto artístico de auto-mutilação, aliás, tornou-se um clichê do comportamento criativo extremo.

Em seu Auto-Retrato com a orelha enfaixada, pintado em janeiro de 1889, Van Gogh contempla a si mesmo e vira o rosto em direção a nós para mostrar o curativo. Seus olhos são cristalinos e sua carne tem a aparência de uma escultura talhada em madeira medieval.

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No segundo semestre de 2014, a L&PM Editores vai lançar um grande livro que reunirá Cartas a Théo (edição ampliada e anotada);  Biografia de Vincent Van Gogh por sua cunhada (de Jo van Gogh-Bonger, esposa de Théo) e As cartas enviadas a Émile Bernard (prefaciadas pelo sobrinhoVincent Willen van Gogh). Aguardem!