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Por que “Frankenstein” não envelhece?

terça-feira, 1 fevereiro 2011

Há exatos 160 anos, morria Mary Shelley, a mulher que criou “Frankenstein”. Filha de pais escritores (William Godwin e Mary Wollstonecraft) e esposa do poeta Percy Shelley, tudo na vida de Mary orbitava em torno da literatura. O legado intelectual deixado pela família está sendo mantido pelo projeto Shelley’s Ghost: Reshaping the Image of a Literary Family, uma parceria da Bodleian Libraries com a Universidade de Oxford, e conta com a participação de fãs e admiradores por meio de um concurso de vídeos. A chamada é provocativa:

Por que o trabalho de Percy Bysshe Shelley, Mary Shelley, William Godwin e Mary Wollstonecraft ainda nos impressiona hoje? Estamos fazendo este concurso de vídeos para descobrir.

Para participar, basta escolher um dos autores e gravar um depoimento em vídeo de, no máximo, três minutos sobre a importância de sua obra. Mas é bom gostar muito do autor escolhido! Pois o entusiasmo do participante no vídeo é um dos critérios do juri para escolher o melhor. Além disso, é importante mostrar que você captou bem o espírito do texto e não há limite para a criatividade, veja:

O vencedor ganha um exemplar exclusivo do livro Shelley’s Ghost: Reshaping the Image of a Literary Family, que traz um trecho do manuscrito de Frankenstein, fotos de família e outras raridades. Ainda dá tempo de participar! É possível inscrever vídeos até o dia 2 de março. Se quiser se inspirar, leia o célebre Frankenstein da Coleção L&PM Pocket e boa sorte!

O professor e o louco: um grande livro

terça-feira, 13 abril 2010

*Por Ivan Pinheiro Machado

Tomara que eu me engane, mas não me lembro de ter visto na imprensa brasileira uma matéria ou uma nota sobre O Professor e o Louco (Cia. das Letras, 2008). Não quero fazer uma injustiça. Pode até ter saído alguma coisa. Mas o certo é que em nenhum lugar saiu um texto à altura deste livro extraordinário.
Simon Winchester, o autor, dá uma verdadeira aula de como fazer um livro de não-ficção muito mais empolgante, com muito mais suspense e “fantasia” do que a maioria das chatices de ficção que tomam conta das livrarias e aborrecem os leitores.
A saga do Dr. James Murray – o professor – e do Dr. W. C. Minor – o louco –, tendo como mote a construção do “Oxford English Dictionary” é uma daquelas inesquecíveis experiências de leitura. Se todos escrevessem como Winchester e traduzissem como Flávia Villas-Boas, certamente o mundo teria muito mais leitores. Eu falei construção, pois colocar de pé um dicionário como o OED, com a missão de fixar a língua inglesa, é uma empreitada tão gigantesca quanto construir uma hidrelétrica no rio Amazonas, algo que não encontra similar na história da cultura ocidental. Foram 70 anos de trabalho (de 1858 até 1928) que resultaram em meio milhão de verbetes, quase dois milhões de citações de obras clássicas, numa média de quatro citações literárias utilizando a palavra de forma diferente, por verbete, tudo isso em 12 imensos volumes. Durante 40 anos o Dr. Murray comandou este projeto que contou com a participação do corpo editorial da Oxfdord University Press e milhares de voluntários convocados através de jornais. E o mais assíduo, brilhante e preciso de todos esses voluntários foi exatamente o Dr. W. C. Minor.
O livro começa quando,curioso e grato, Murray decide, 20 anos depois de intenso contato epistolar, conhecer pessoalmente o velho colaborador que morava nos arredores de Londres. O fiacre cruza a cidade rumo ao endereço que  ainda guardava na memória, tantas vezes chegara à sua mesa a correspondência endereçada na letra precisa e bem feita do médico americano William Chester Minor. Ao fim de uma hora cruzando a neblina fria da noite londrina, Dr. Murray chega ao seu destino. Para seu espanto, a casa de Minor era o asilo de loucos de Broadmoor, onde há duas décadas estava internado seu mais fiel colaborador. Como e por quê Minor, veterano médico de campanha na Guerra da Secessão americana, chegou a um asilo nos arredores de Londres?
Não vou dizer.
Leia e deleite-se com este livro magistral. Uma história que mistura crime, erudição, maldade, generosidade e a ambição de conceber uma obra monumental que se eternizaria como o mais importante documento da língua inglesa.