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Livro da L&PM participa de experiência com The Velvet Underground

quinta-feira, 29 novembro 2018

Nos anos 60, quando surgiu em Nova York, o experimental The Velvet Underground era realmente uma experiência musical. Formada por Lou Reed, John Cale, Doug Yule e Angus MacAlise, pode-se dizer que essa banda fez história. Pois é justamente para resgatar a trajetória do grupo, de seus integrantes e de suas imagens que, ao visitar NY, não se pode deixar de experimentar “The Velvet Underground Experience”.

Muito mais do que uma exposição, o The Velvet Underground Experience fornece uma experiência única e extraordinária para os entusiastas da cultura, através de eventos especiais, instalações pop-up, colaborações de moda, exposições de arte, exibições, performances e masterclasses. Além de fotografias, retratos, filmes, vídeos, concertos ao vivo e oficinas musicais. Tudo para que o visitante possa, não apenas conhecer, mas vivenciar a Nova York da década de 1960.

“The Velvet Underground Experience” em Nova York. (Foto original: vemprany.com)

“The Velvet Underground Experience” em Nova York. (Foto original: vemprany.com)

“The Velvet Underground Experience” em Nova York (Foto original: vemprany.com)

“The Velvet Underground Experience” em Nova York (Foto original: vemprany.com)

Com um propósito alternativo e desvinculada a interesses comerciais, a banda The Velvet Underground teve apenas uma fração do reconhecimento do público da época, comparado ao que teria anos depois. Parte desse reconhecimento deve-se ao contato que integrantes do grupo tinham com os artistas norte-americanos da época, como  Andy Warhol, o “mentor-intelectual” que participava de forma sutil nas criações da banda.

Foi Warhol que integrou a vocalista Nico à The Velvet Underground, sob protesto dos próprios membros, para a produção do álbum de estreia da banda: The Velvet Underground & Nico. O disco, notabilizado pela banana na capa (feita pelo artista) e pelas composições vanguardistas, no entanto, teve pouco retorno do público.

Nico cantou com o The Velvet Underground por influência (ou imposição) de Andy Warhol

Nico cantou com o The Velvet Underground por influência (ou imposição) de Andy Warhol

A famosa banana de Warhol que estampou a capa "The Velvet Underground & Nico"

A famosa banana de Warhol que estampou a capa “The Velvet Underground & Nico”

Além das diversas recordações que marcou a cidade norte-americana, estão reunidas diferentes obras sobre a banda, de várias partes do mundo. O livro “Mate-me por favor” (“Please Kill Me”), organizado por Legs McNeil e Gillian McCain, publicado no Brasil pela L&PM, é uma dessas obras. Sim, isso mesmo: nosso livro está na exposição.

O livro da L&PM que faz parte de "The Velvet Underground Experience"

O livro da L&PM que faz parte de “The Velvet Underground Experience”

Mate-me por favor” reúne depoimentos de integrantes as melhores bandas dos anos 60 e 70, que deram início ao movimento punk.

Se você vai viajar para a Big Apple neste final de ano, não deixe de conferir a exposição que acontece na 718 Broadway, em Manhattan, até o dia 30 de dezembro.

 

Edgar Allan Poe em música

segunda-feira, 19 janeiro 2015

O Arctic Monkeys cita Edgar Allan Poe em sua música You’re so Dark, no trecho onde diz: “You got your H.P. Lovecraft, your Edgar Allan Poe” (“Você tem o seu H.P. Lovecraft, o seu Edgar Allan Poe”):

- A canção The Poet and The Pendulum, do Nightwish, é inspirada no conto “O Poço e o Pêndulo de Poe“:

Em I am the Walrus, dos Beatles, Poe é mencionado no trecho: “Man, you should have seen them kicking Edgar Allan Poe” (algo como “Cara, você devia ter visto eles chutando Edgar Allan Poe”):

O Green Day também citou Poe em sua música St. Jimmy, do álbum American Idiot. Em um trecho da música, o vocalista, Billie Joe, canta: “I am the son of a bitch and Edgar Allan Poe” (“Eu sou um filho de uma puta com Edgar Allan Poe”):

A banda Nox Arcana lançou um álbum inteiro sobre Poe que se chama Shadow of the Raven. Todos os títulos das músicas são referências a títulos ou trechos da obra do escritor:

Outra banda que também fez um álbum inteiro inspirado em Poe foi a The Alan Parsons Project que lançou, em 1976, o álbum chamado Tales of Mystery and Imagination, título de uma coletânea de contos do autor.

O Iron Maiden tem uma música chamada Murders In The Rue Morgue (Assassinatos na Rua Morgue):

A música How The Story Ends, da banda Five Iron Frenzy, é altamente inspirada no poema The Raven (O Corvo). Na verdade, a letra usa frases inteiras do poema de Poe:

Lou Reed gravou uma leitura do poema The Raven ao som de música instrumental, que integra seu álbum de mesmo nome:

Lou Reed também gravou uma música chamada Edgar Allan Poe:

Lou Reed por Patti Smith

quarta-feira, 6 novembro 2013

No domingo de manhã, me levantei cedo. Tinha decidido na noite anterior ir para o mar, então coloquei um livro e uma garrafa de água dentro de um saco e peguei a estrada para Rockaway Beach. Parecia uma data significativa, mas não consegui conjurar nada específico. A praia estava vazia e, com a proximidade do aniversário do furacão Sandy, o mar calmo parecia encarnar a verdade contraditória da natureza. Fiquei lá por um tempo, acompanhando o caminho de um avião que voava baixo, quando então recebi uma mensagem de texto de minha filha, Jesse. Lou Reed estava morto. Vacilei e respirei fundo. Eu o tinha visto recentemente com sua esposa, Laurie, e senti que ele estava doente. Um cansaço sombreava seu brilho habitual. Quando Lou se despediu, seus olhos escuros pareciam conter uma tristeza infinita e benevolente.

Conheci Lou no Max’s Kansas City em 1970. O “The Velvet Underground” fazia duas apresentações por noite ali, ao longo de várias semanas naquele verão. O crítico e estudioso Donald Lyons estava impressionado com o fato de eu nunca tê-los visto, e ele me levou lá em cima para a segunda apresentação da primeira noite. Adoro dançar, e você podia dançar por horas com a música do “The Velvet Underground”. Uma onda dissonante de “doo-wop” que permite que você se mexa muito rápido ou muito lentamente. Foi a minha introdução tardia e reveladora a “Sister Ray”.

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Patti Smith e Lou Reed no início dos anos 70

Alguns anos depois, na mesma peça no andar de cima do Max’s, Lenny Kaye, Richard Sohl e eu apresentamos nossa própria “land of a thousand dances”. Lou costumava parar para ver o que estávamos fazendo. Um homem complicado, ele encorajava nossos esforços, mas depois mudava e me provocava como um garotinho maquiavélico. Eu tentava desviar dele, mas, felino, ele reaparecia de repente e me desarmava com alguma citação de Delmore Schwartz sobre amor ou coragem. Eu não entendia seu comportamento errático ou a intensidade dos seus humores, que variavam, assim como seus padrões de fala, de rápidos a lacônicos. Mas eu entendia sua devoção à poesia e a qualidade arrebatadora de suas performances.

Ele tinha olhos pretos, camiseta preta, pele branca. Ele era curioso, às vezes suspeito, um leitor voraz, e um explorador sonoro. Um obscuro pedal de guitarra era, para ele, um outro tipo de poema. Ele era a nossa ligação com o ar infame da Factory. Ele tinha feito Edie Sedgwick dançar. Andy Warhol sussurrou em seu ouvido. Lou trouxe a sensibilidade da arte e da literatura para sua música. Ele era o poeta novaiorquino da nossa geração, defendendo os desajustados como Whitman tinha defendido seus trabalhadores e Lorca seus perseguidos.

Como minha banda trabalhou suas canções, Lou nos concedeu suas bênçãos. Perto do final da década de setenta, eu estava me preparando para deixar Nova York rumo a Detroit, quando cruzei com ele no elevador no antigo Gramercy Park Hotel. Eu estava carregando um livro de poemas de Rupert Brooke. Ele pegou o livro da minha mão e nós olhamos juntos para a fotografia do poeta. Tão lindo, disse ele, tão triste. Foi um momento de completa paz.

Patti Smith e Lou Reed nos anos 2000

Patti Smith e Lou Reed nos anos 2000

Enquanto a notícia da morte de Lou se espalhava, uma sensação ondulante se instalava, então explodiu, enchendo a atmosfera com uma energia vibrante. Dezenas de mensagens chegaram até mim. Uma chamada de Sam Shepard, que dirigia um caminhão por Kentucky. Um fotógrafo japonês desconhecido me mandou uma mensagem direto de Tokyo: “Eu estou chorando”.

Como meu luto estava no mar, duas imagens me vieram à mente, marcas d’água num papel – céu colorido. O primeiro era o rosto de sua esposa, Laurie. Ela era o seu espelho; em seus olhos, você pode ver a sua bondade, a sinceridade e a empatia. O segundo foi o “great big clipper ship”, que ele desejava embarcar, da letra de sua obra-prima, “Heroin”. Eu imaginava que isso estava à sua espera sob a constelação formada pelas almas dos poetas, da qual ele tanto desejava participar. Antes de dormir, eu procurei o significado da data – 27 de outubro - e descobri que era o aniversário de Dylan Thomas e Sylvia Plath. Lou tinha escolhido “the perfect day” para zarpar – o dia dos poetas, “Sunday morning, the world behind him”.

O texto acima, escrito por Patti Smith, foi originalmente publicado na New Yorker.

Patti Smith e Lou Reed são personagens do livro Mate-me por favor – a história sem censura do punk.

Lou Reed (1942-2013)

segunda-feira, 28 outubro 2013

lou_reed_perfil

Lou Reed: Estou completamente sozinho. Ninguém pra conversar. Dá uma chegada aqui, daí posso falar com você… Há um tempão a gente tocava junto num apartamento de trinta dólares por mês e não tinha grana pra nada; comia mingau de aveia todo o dia e vendia sangue, entre outras coisas, ou posava praqueles tabloides semanais baratos. Quando posei pra eles, minha foto saiu dizendo que eu era um maníaco sexual assassino que tinha matado quatorze crianças e gravado tudo, e que rodava aquelas fitas num celeiro no Kansas à meia-noite. E quando a foto de John Cale saiu no tabloide, dizia que ele tinha matado o amante porque o cara ia casar com a irmã dele, e ele não queria ver a irmã casada com um veado. (Trecho inicial do livro Mate-me por favor (Please kill me) – A história sem censura do punk, por Legs McNeal e Gillan McCain.

O domingo, 27 de outubro de 2013, foi marcado pela morte de Lou Reed. Aos 71 anos, o guitarrista e compositor norte-americano, ex líder da banda The Velvet Underground, faleceu em decorrência de complicação de um transplante de fígado que havia realizado em maio deste ano.

Lewis Allan Reed nasceu no dia 2 de Março de 1942 no bairro do Brooklyn em Nova York. De família  judaica, aprendeu a tocar guitarra ouvindo rádio ainda na década de 1950 quando estava no colegial. Foi nessa época que ele sofreu uma de suas experiência mais traumáticas e que seria tema de canções ao longo de sua carreira: bissexual assumido, seus pais o submeteram a um tratamento de choque para tentar supostamente curá-lo.

Da amizade de Lou Reed com o músico galês John Cale nasceria uma das bandas mais importantes para a origem do punk rock nos Estados Unidos: o The Velvet Underground que contava ainda com o guitarrista Sterling Morrison e a baterista Maureen Tucker. O grupo chamou a atenção do artista plástico Andy Warhol que quase imediatamente colocou o The Velvet Underground como uma das atrações do  Exploding Plastic Inevitable, uma série de eventos multimídia organizados por ele. O contato com Warhol deu novas dimensões à criatividade de Reed que começou cada vez mais mostrar um perfil artístico multifacetado. A relação, entretanto, nem sempre foi harmônica: para o disco de estreia, Warhol insistiu que a banda gravasse com a ex-modelo alemã e cantora Nico. Para expressar sua objeção a banda batizou o disco de The Velvet Underground & Nico, mostrando que a vocalista era apenas uma convidada.

Apesar da resistência, Reed escreveu a maioria das canções do álbum pensando na voz de Nico e os dois chegaram a ter um breve relacionamento amoroso (mais tarde ela teria um outro pequeno affair com Cale). O famoso disco apresentou uma obra de Warhol na capa, a célebre banana.  

Depois de deixar o The Velvet, Reed se dedicou à carreira solo. Desde 2008 estava casado com Laurie Anderson.

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Andy Warhol e Lou Reed

Quinta-feira, 20 de julho, 1978 – (…) De táxi até o Bottom Line ($6). Steve Paul estava lá, acho que ele é empresário de David Johansen. Lou Reed estava numa mesa próxima e Catherine estava loucamente apaixonada por ele. (…) Quando estávamos entrando uns garotos ficaram cochichando, “Aquele é o Lou Reed.” Ele disse para eles, “Vão se matar”. Não é ótimo? Os dois dachshund que ele comprou depois de ver os meus são adoráveis – Duke e Baron. Ele está meio separado de Rachel, o travesti, mas não completamente, eles têm apartamentos separados. Na realidade, o lugar onde Lou mora é mais como uma casa. É um lugar de aluguel controlado que uma namorada conseguiu para ele, seis quartos, e ele só paga $485 por mês. A melhor peça é um banheiro comprido e estreito, 70cm x 4m, e ele disse que está pensando em reformar e eu disse que não deveria, que é ótimo como está. E ah, a vida de Lou é tudo que eu gostaria que a minha vida fosse. (Trecho de Diários de Andy Warhol – Volume 1)

Lou Reed setentão

sexta-feira, 2 março 2012

Lou Reed, que foi um dos fundadores do Velvet Underground, que influenciou Iggy Pop e David Bowie, que já foi casado com um transexual, que inspirou a cena pós-punk inglesa… quem diria, completa hoje 70 anos. Nascido no Brooklyn novaiorquino em 2 de março de 1942, ele cresceu lendo Edgar Allan Poe, Raymond Chandler e James Joyce e acabou tornando-se uma espécie de personagem do submundo do rock. Atualmente, anda bem mais comportado. Mas quem quer lembrar um pouco dos “áureos tempos” de Lou Reed pode procurá-lo nos livros Mate-me por favor (vol. 1 e 2) ou no recém relançado Diários de Andy Warhol (também em dois volumes). Nos anos 60 e 70, Andy e Lou constumavam ser vistos juntos. E muitas são as fotos que comprovam isso.

Lou e Andy fotografados por Stephen Shore em 1965

Andy e Lou em momento "soninho" - Foto de Nat Finkelstein

Andy Warhol e o "Velvet Underground"

Saiu o pocket número 1.000: “Diários de Andy Warhol” já está nas livrarias

terça-feira, 7 fevereiro 2012

Escritos no auge de sua fama e sucesso, os Diários de Andy Warhol registraram dias, noites, grandes eventos e deliciosas trivialidades de uma das figuras mais enigmáticas e geniais da cultura do século XX. Polêmico e revelador, o livro foi publicado originalmente no Brasil em 1989, pela L&PM, com quase 800 páginas. Agora, mais de 20 anos depois, o livro volta às bancas e livrarias em 2 volumes e formato de bolso para comemorar os 1.000 títulos da Coleção L&PM Pocket. E já que o clima é de festa, a L&PM caprichou no presente e fez a Caixa Especial Diários de Andy Warhol com os 2 volumes (mas você pode comprá-los separadamente, se preferir).

25 anos depois da morte de Andy Warhol, os diários se tornaram história. O tempo aumentou radicalmente a importância do artista e de muitos personagens que habitam suas páginas. O relato do criador do Pop torna-se fonte de referência para entender as décadas do fim do século XX, a cultura da celebridade, a contra-cultura novaiorquina da época, a estética do Pop, o cinema underground e conhecer os registros praticamente diários desta grande aventura da última jornada verdadeiramente de vanguarda da arte moderna. Até as frivolidades que permeiam em abundância este livro adquirem agora um significado histórico. É Nova York pré-11 de setembro. A grande Meca da modernidade, cujos sonhos transgressores e vanguardistas derreteram junto com as torres gêmeas.

Sincero e impiedoso

Andy e o roqueiro Mick Jagger, inseparáveis

Jim Morrison, Calvin Klein, Patti Smith, Martin Scorsese, Tom Wolfe, Roy Lichtenstein, Mick Jagger, Lou Reed, Yoko Ono são alguns dos “alvos” de seus comentários sinceros e impiedosos. O grande cult da chamada “arte de rua”, Jean Michel Basquiat, morto em 1988, aos 28 anos, é mencionado inúmeras vezes, pois foi uma descoberta do criador do Pop. Ele diz em 4 de outubro de 1982:

O Basquiat é o garoto que usava o nome de ‘Samo’ quando sentava na calçada do Greenwich Village e pintava camisetas, e de vez em quando eu dava 10 dólares para ele e mandava ao Serendipity para tentar vendê-las. Era apenas um daqueles garotos que me enlouqueciam. É negro, mas algumas pessoas dizem que é porto-riquenho, aí sei lá (…).

Andy e Basquiat

Enfim, são centenas de pessoas (todas devidamente listadas num índice remissivo ao final do livro) do show business, das artes, da realeza europeia, do rock and roll, do punk rock, da literatura, moda, imprensa, teatro, cultura underground, jet set em geral, milionários, drogados famosos, políticos, enfim, gente que superou a sua previsão de que “um dia todos vão ter pelo menos 15 minutos de fama”.

Velvet Underground X Fundação Andy Warhol

quinta-feira, 12 janeiro 2012

Em 1967, Andy Warhol desenhou uma banana que foi usada no primeiro álbum da lendária banda Velvet Underground: “The Velvet Underground & Nico”. Agora, o Velvet – na verdade os fundadores da banda, Lou Reed e John Cale – está processando a Fundação Andy Warhol por uso indevido desta ilustração. Segundo eles, a instituição violou a marca registrada da famosa capa do “disco da banana”.

Reed e Cale dizem que a fundação infringiu o design ao licenciá-lo para terceiros, no caso para capas de iPhone e iPad. De acordo com a queixa registrada ontem, 11 de janeiro, em uma corte federal em Manhattan, o desenho da banana se converteu em um símbolo, um verdadeiro ícone do Velvet Underground e a ação cita que Warhol recebeu US$ 3 mil pelo seu desenho.

Na época do lançamento do disco, a banda e o artista pop mantinham uma colaboração criativa, como bem mostra a recém lançada biografia Andy Warhol da Coleção L&PM Pocket, livro, aliás, que cita várias vezes a relação de Warhol com o Velvet Underground:

“O Velvet tornou-se parte integrante da Factory, dando-lhe uma nova identidade, mais rock´n´roll e underground, ou mais exatamente: mais punk, avant la lettre. A música do Velvet não é parecida com a dos Rolling Stones, mais unificadora, mais popular, menos inquietante. A imprensa, contudo, considerava-a bárbara, uma aberração contrária à natureza. O próprio Warhol admitia que a banda causava um efeito doloroso, assustador e, no entanto, belo. Mas Warhol considerava essas experiências sublimes”

Andy Candy

quarta-feira, 11 janeiro 2012

A biografia do papa do pop

Andy herdou esse gosto pelos doces, os candies. Ao menos, foi o que apregoou em diversas ocasiões. Gosto atávico e pavloviano? “Ela [sua mãe, Julia] me dava uma barra de chocolate Hershey toda vez que eu completava uma página de meu álbum de colorir.” Os produtos açucarados faziam presença nos retratos cinematográficos que Andy Warhol produzia de todos os visitantes da Factory, seu espaço de trabalho em Nova York a partir de 1964. Há toda uma série de filmes que mostra Nico e Lou Reed segurando uma barra de chocolate Hershey ou uma garrafa de Coca Cola. A temática do candy assombra a linguagem de Warhol e oferece uma imagem particular de seus hábitos alimentares. “O que eu sonhava [quando criança] era ter bombons [candies]”. Depois de crescer, Andy mudou, e esse fantasma acompanhou sua evolução. Andy Warhol acreditou que podia formular com clareza a máxima dessa evolução: “Ganhar dinheiro para ter bombons”. Quando sua carreira deslanchou, ele começou a ter cada vez mais candies, a ponto de ter um cômodo reservado para os candies. (…) A primeira marchand de Andy, Eleanor Ward, o chamava de “Andy Candy”. E quando, anos mais tarde, surgiu a drag-queen favorita de Andy, esta se apelidou, como que de propósito, Candy Darling.  (Trecho do primeiro capítulo de Andy Warhol, livro de Mériam Korichi que acaba de chegar à Série Biografias L&PM).

O cantor e compositor Lou Reed fotografado por Andy Warhol com uma barra de chocolate

A drag-queen favorita de Andy, não por acaso, adotou o nome de Candy Darling

E por falar no assunto, para fevereiro está prevista a chegada de “Diários de Andy Warhol” em dois volumes na Coleção L&PM Pocket e, para março, o livro de fotos “América”.