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A mulher que criou Andy Warhol

segunda-feira, 6 agosto 2012

Transcorrera apenas um ano desde a sua chegada na América quando Julia deu à luz, em 1922, um filho, Paul. Depois, em 1925, ela pôs outro filho no mundo, John. E, em 1928, o casal Warhola teve seu último: Andrew. Mais um filho. A certidão de nascimento precisa o dia: 6 de agosto. Mas essa certidão de nascimento foi feita muito mais tarde, em 1945, quando o caçula da família precisou desse documento para se matricular na universidade. Andrew, o caçulinha, não teve, portanto, nenhum estado civil oficial antes dessa data. Sua mãe o guardava primeiro para si, na esfera privada e familiar.

(Trecho de Andy Warhol, de Mériam Korichi, Série Biografia L&PM)

Andrew Warhola se tornaria Andy Warhol. E mais do que isso: ele seria dos mais célebres artistas do século XX, considerado o papa do pop. Ligado à mãe, Julia, nasceu em 6 de agosto de 1928 (ou teria nascido, conforme sua certidão de nascimento) na inóspita cidade de Pittsburgh. Aos 21 anos, mudou-se para Nova York levando consigo uma obsessão: tornar-se célebre. Conseguiu.

Andy Warhol bebê no colo de sua mãe, Julia

Já em Nova York, Andy come sob o olhar atento da mãe

Aqui, Julia Warhola eternizada pelo filho famoso

E a boa notícia do dia é que, para comemorar o aniversário de Andy Warhol, chegou América, livro que traz fotos que Warhol fez das celebridades que passaram por Nova York nas décadas de 70 e 80. Sempre com a câmera a tiracolo, como se fosse uma extensão de seu próprio corpo, ele capturou cenas íntimas, dos bastidores e até dos momentos banais e aparentemente sem importância de artistas, atletas e políticos famosos e, com isso, fez – literalmente – o retrato de uma época e de uma cultura. O jovem (e negro) Michael Jackson, a estonteante Liza Minnelli, Truman Capote e sua nova cicatriz e até uma Madonna morena aparecem na coletânea. Depois de folhear América do início ao fim, é possível atestar que, quem disse certa vez que a América sem Andy Warhol é quase tão inconcebível como Andy Warhol sem a América, estava certo. Sua mãe com certeza sentiria orgulho em saber disso.

A capa do recém lançado "América"

Andy Candy

quarta-feira, 11 janeiro 2012

A biografia do papa do pop

Andy herdou esse gosto pelos doces, os candies. Ao menos, foi o que apregoou em diversas ocasiões. Gosto atávico e pavloviano? “Ela [sua mãe, Julia] me dava uma barra de chocolate Hershey toda vez que eu completava uma página de meu álbum de colorir.” Os produtos açucarados faziam presença nos retratos cinematográficos que Andy Warhol produzia de todos os visitantes da Factory, seu espaço de trabalho em Nova York a partir de 1964. Há toda uma série de filmes que mostra Nico e Lou Reed segurando uma barra de chocolate Hershey ou uma garrafa de Coca Cola. A temática do candy assombra a linguagem de Warhol e oferece uma imagem particular de seus hábitos alimentares. “O que eu sonhava [quando criança] era ter bombons [candies]”. Depois de crescer, Andy mudou, e esse fantasma acompanhou sua evolução. Andy Warhol acreditou que podia formular com clareza a máxima dessa evolução: “Ganhar dinheiro para ter bombons”. Quando sua carreira deslanchou, ele começou a ter cada vez mais candies, a ponto de ter um cômodo reservado para os candies. (…) A primeira marchand de Andy, Eleanor Ward, o chamava de “Andy Candy”. E quando, anos mais tarde, surgiu a drag-queen favorita de Andy, esta se apelidou, como que de propósito, Candy Darling.  (Trecho do primeiro capítulo de Andy Warhol, livro de Mériam Korichi que acaba de chegar à Série Biografias L&PM).

O cantor e compositor Lou Reed fotografado por Andy Warhol com uma barra de chocolate

A drag-queen favorita de Andy, não por acaso, adotou o nome de Candy Darling

E por falar no assunto, para fevereiro está prevista a chegada de “Diários de Andy Warhol” em dois volumes na Coleção L&PM Pocket e, para março, o livro de fotos “América”.