Arquivo de abril, 2015

A magia de Eduardo Galeano

segunda-feira, 13 abril 2015

Eduardo Galeano expressou, como nenhum outro escritor latinoamericano, o drama, o lirismo, a magia e o fascínio da América Latina. Dos miseráveis descendentes dos Astecas no México, dos Incas no Peru, aos mineiros do Chile, passando pelos índios bolivianos, os pastores da Terra do Fogo, guerrilheiros da América Central, poetas nicaraguenses, cidadãos portenhos, homens do povo no porto de Montevidéu, nas ruas de Caracas, enfim, onde quer que existam oprimidos, lutadores, inconformados, haverá um silêncio profundo quando a notícia de sua morte varrer os quatro cantos do continente. Engajado, sem ser sectário, escritor que levava às últimas consequências o ofício de escrever, Eduardo Galeano deixou para os seus leitores um patrimônio magnífico. São duas dezenas de livros que encantam e fazem pensar pela generosidade de suas ideias, pelo lirismo de sua prosa e pelo espetacular talento com que concentrou em seus textos curtos os momentos imensos da história da humanidade. Para os que com ele conviveram fica a lembrança do homem amável, cordial, de fala sedutora e pausada, que praticou até a morte o rito da amizade, do amor e da lealdade.

Ivan Pinheiro Machado, editor

 

O último encontro com Eduardo Galeano

segunda-feira, 13 abril 2015

galeano1Daqui a dois dias, fará exatamente um ano que Eduardo Galeano falou em público pela última vez no Brasil. Em 15 de abril de 2014, depois de passar pela Bienal de Brasília – onde foi o grande homenageado – o escritor uruguaio palestrou na PUC do Rio de Janeiro. Foi um encontro emocionado em que ele comentou sentir-se sufocado de tanto carinho. Naquela terça-feira, o espaço reservado para o escritor uruguaio mostrou-se pequeno para a multidão que queria vê-lo, ouvi-lo e quem sabe até tocá-lo. O evento aconteceria em um auditório de 150 lugares, mas acabou sendo transferido para o ginásio com capacidade para 3.000 pessoas que ocuparam cadeiras e sentaram-se no chão, enquanto Galeano se acomodou sobre o palco. No encontro, ele leu trechos de seu último livro, Os filhos dos dias, e agradeceu a acolhida. Para os privilegiados que puderam estar lá, fica a lembrança não apenas de um escritor maiúsculo, como também de um homem inteligente, verdadeiro, simples, bem-humorado e simpático. Galeano partiu na manhã de 13 de abril de 2015. Deixa saudades e uma obra eterna.

A última palestra de Eduardo Galeano no Brasil aconteceu em 15 de abril de 2014 na PUC RJ. Foto Ivan Pinheiro Machado

A última palestra de Eduardo Galeano no Brasil aconteceu em 15 de abril de 2014 na PUC RJ. Foto Ivan Pinheiro Machado

Elogiada montagem de ‘Ricardo III’, de Shakespeare, ganha nova temporada em SP

sexta-feira, 10 abril 2015

O premiado ator Gustavo Gasparani está de volta com o clássico de Shakespeare “Ricardo III”, em temporada que começou na quinta-feira (9 de abril) e segue até o dia 23 de maio no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Montado pelo próprio Gasparani em parceria com o diretor Sérgio Módena, o texto é um dos primeiros dramas históricos escritos pelo autor inglês e retrata a guerra de poder na disputa pelo trono da Inglaterra. Gasparani interpreta todos os 24 personagens do espetáculo.

Gustavo Gasparani vive todos os personagens de "Ricardo III" (Foto: Divulgação)

Gustavo Gasparani vive todos os personagens de “Ricardo III” (Foto: Divulgação)

Na peça, Ricardo III, entediado com a vida pós-guerra, traça e executa um plano para chegar ao trono da Inglaterra. Para isso, mata seus irmãos, sobrinhos e se casa com Anna de York, destruindo assim tudo o que se encontrava em seu caminho para a coroa. O nobre não sente remorso algum ao eliminar seus adversários, tramando complôs, traindo familiares e casando-se por interesse com o único fim de chegar ao trono.

Encenada pela primeira vez em 1592, a obra levanta questões que afetam e se relacionam com alguns dos temas mais discutidos na contemporaneidade, como a imoralidade nas relações de poder, ambição a qualquer custo, bem como a hipocrisia e a corrupção na política.

– Shakespeare nos oferece um universo riquíssimo e imagens poéticas que revelam a alma humana como nenhum outro autor. É conviver com a beleza diariamente num exercício de humildade, compreensão e afeto – diz Gustavo Gasparani sobre a experiência.

A L&PM publica “Ricardo III” na Coleção L&PM Pocket com tradução de Beatriz Viégas-Faria.

 Duração: 90 minutos

Local: Auditório (3º andar)

Temporada: 9/4 a 23/5. Quintas a sábados, às 20h30

Ingressos de R$ 7,50 a R$ 25

 

90 anos da primeira publicação de “O grande Gatsby”

sexta-feira, 10 abril 2015

O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, é considerado “o grande romance americano”. Mas nem sempre foi assim. Ao ser lançado pela primeira vez, em 10 de abril de 1925, a história do rico Gatsby não teve grande popularidade. E mesmo tendo sido adaptado para uma peça da Broadway e um filme de Hollywood no ano seguinte de sua publicação, ele acabou esquecido durante a Crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.

Fitzgerald viveu mais 15 anos depois de lançar seu livro, mas não chegou a ver o seu sucesso que só aconteceria a partir de reedições que vieram em 1945 e 1953.

Em 2013, a quarta adaptação de O Grande Gatsby estreou nos cinemas com Leonardo di Caprio no papel principal. O primeiro é um filme mudo de 1926, o segundo foi lançado em 1949 e o terceiro é a célebre película estrelada por Robert Redford e Mia Farrow.

A L&PM publica O Grande Gatsby em pocket e com tradução de William Lagos.

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Parabéns a John Fante, o mestre de Bukowski

quarta-feira, 8 abril 2015

E hoje tem mais aniversário para comemorar. O escritor John Fante nasceu em 8 de abril de 1909 e foi, segundo Charles Bukowski, o seu “salvador”. Isso porque, quando o velho Buk ainda era o jovem Buk, ele encontrou uma velha edição de Pergunte ao pó, de Fante, na Biblioteca Pública de Los Angeles. Segundo suas próprias palavras, foi “ouro no lixo”. Bukowski apaixonou-se pelo personagem de Fante, Arturo Bandini, um aspirante a escritor sem recursos que mora em motéis baratos, passa fome e se embebeda sempre que pode. Foi a inspiração que faltava para Bukowski seguir o caminho de uma literatura visceral, de humor ácido e carregada de passagens autobiográficas. No livro Cartas na rua (que tem previsão de lançamento para julho pela L&PM), Bukowski diz que Fante é seu autor preferido. E no artigo “Eu conheço o mestre”, que está em Pedaços de um caderno manchado de vinho, ele conta como descobriu “John Bante” (assim mesmo, com “B”, numa escrachada brincadeira): “Eu tinha um cartão da biblioteca e tirei John Bante de lá. Levei-o comigo de volta para meu quarto e comecei a ler do início. Ele chegava a ser engraçado às vezes, mas era um tipo estranho e calmo de humor, como um homem queimado até a morte que ainda assim acena com um piscar de olhos para o primeiro homem que ateou as chamas…”.

John Fante era filho de imigrantes italianos pobres e toda a sua literatura estava ligada às suas origens. Mas assim como Bandini, Fante não teve o devido reconhecimento em vida e trabalhou durante 40 anos como roteirista em Hollywood. Sua trajetória só começaria a mudar a partir dos anos 1980, quando a Black Sparrow Press, editora dos livros de Bukowski, tirou Pergunte ao pó do limbo. Foi a vez do discípulo salvar o mestre. Fante morreria em 1983, já cego devido ao diabetes.

1933 foi um ano ruim e Sonhos de Bunker Hill são os livros de John Fante na Coleção L&PM POCKET.

No aniversário de Billie Holiday, presentes que são a sua cara

terça-feira, 7 abril 2015

Em 7 de abril de 1915, nascia Billie Holiday, considerada por muitos a maior de todas as cantoras de jazz que o mundo já ouviu. Negra, pobre, vulnerável e com uma voz lânguida e vigorosa, Lady Day teve uma vida atribulada. Os problemas com álcool e drogas que a acompanharam até o fim dos seus dias, culminando na morte por overdose em 1959. A carreira de cantora começou por acaso, em 1930, quando resolveu percorrer os bares do Harlem, em Nova York, à procura de emprego. Conseguiu, inicialmente, um bico como dançarina, mas a primeira apresentação foi um desastre. Sensibilizado, o dono do bar pediu, então, que ela tentasse cantar e, sem querer, fez nascer ali uma estrela. Billie nunca teve educação musical formal e aprendeu a cantar ouvindo Bessie Smith e Louis Armstrong. Após três anos se apresentando em bares, foi descoberta pelo crítico John Hammond, o responsável pela gravação de seu primeiro disco.

Hoje, 100 anos depois do seu nascimento, são muitos os que continuam cultuando não apenas a sua voz, como também a sua imagem. Basta entrar no site de vendas e-bay, por exemplo, para encontrar presentes de aniversário que são a cara da diva.  Aqui vão os nossos preferidos.

Rara carta de baralho por U$ 8,95

Billie Holiday e Louis Armstrong em uma pintura original de Bobby Hill por U$ 1.200,00

Manta super fashion por U$ 119,00

Boneca de Lady Day por U$ 59,84

A história completa da musa do jazz está registrada no livro Billie Holiday, de Sylvia Fol, publicado pela L&PM na série Biografias.

150 anos de Maravilhas na Feira de Bologna

quinta-feira, 2 abril 2015

Em 2015, o clássico “Alice no país das Maravilhas”, de Lewis Carroll, completa 150 anos de publicação e as comemorações já começaram pelo mundo todo. A Feira do Livro Infantil de Bologna, na Itália, organizou uma série de eventos comemorativos que foram realizados durante a feira, que termina hoje. Desde a conferência internacional “150 years of Wonders” que discutiu a obra, até um encontro de tradutores, mostra cinematográfica e uma exposição com edições históricas do livro.

A escritora e ilustradora Paula Taitelbaum, autora de Palavra vai, palavra vem, esteve na feira e nos mandou algumas imagens da exposição:

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