Arquivo de outubro, 2010

Galeano por Faraco

segunda-feira, 25 outubro 2010

Luiz Antonio de Assis Brasil*

As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, é um clássico contemporâneo. Saído em 1970, atualizado em 1977, manteve-se inalterado desde então. Agora, em 2010, sai em nova tradução brasileira, desta vez do nosso Sergio Faraco, que enfrentou com brilho a tarefa que lhe foi cometida pela L&PM Editores. E, pelo visto, agradou o autor, que destina palavras elogiosas a Faraco. Com Galeano concordamos na íntegra. Trata-se de uma tradução “redonda”, com belos lances sintáticos e léxicos, e à qual não faltam originalíssimos momentos retóricos.

Garantida a fidelidade e a excelência textual, cabe-nos refletir sobre o conteúdo. Pode-se dizer que este livro é a mais completa summa que já tivemos acerca da América Latina, pois reúne, em pequenos capítulos, um mosaico diacrônico que começa nos “descobrimentos” e chega até o auge dos governos militares do continente. Ali estão todos os nossos fantasmas, nossas humilhações, todas as arrogâncias coloniais – e mesmo as pós-coloniais –, todas as injustiças dos sistemas saqueadores. Acompanhamos, como quem lê um romance de terror, as históricas vicissitudes de nossa existência coletiva, e nos perguntamos, afinal, como deixamos que tudo isso acontecesse? Onde a indignação, onde a solidariedade?

Como é óbvio, estão fora do livro as últimas décadas. Nestas, surgiram ousadas lideranças políticas, capazes de dialogarem com as potências dominantes no plano internacional, obtendo equânimes modalidades de relacionamento. Por outro lado, a sociedade civil organiza-se em instituições estáveis e operosas. São ainda exceções no continente, mas emblemáticas do quanto podemos como povos e nações livres.

Sob essa perspectiva, mais importante ainda se torna essa reedição e As Veias Abertas da América Latina. À parte seu valor literário, é um depoimento até agora insuperável acerca do quanto já sofremos e do quanto o perigo ainda nos ronda. Apesar dos esforços e conquistas, ainda não foram ultrapassadas todas as patologias ali apontadas.

As Veias Abertas da América Latina deve ser nosso livro de cabeceira. É um norte a indicar a rota de que não podemos derivar. É um aviso. Uma advertência.

Ou mais.

 * Essa crônica de Luiz Antonio de Assis Brasil  foi originalmente publicada em sua coluna de hoje (25 de outubro de 2010) no Segundo Caderno do Jornal Zero Hora.

Howl, filme sobre o poema de Allen Ginsberg, será exibido em São Paulo

sexta-feira, 22 outubro 2010

Começa hoje a 34ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo com uma programação imperdível. O evento vai de 22 de outubro a 4 de novembro e durante essas duas semanas serão exibidos cerca de 400 títulos, entre eles, Howl (Uivo), o filme sobre o mais famoso e polêmico poema de Allen Ginsberg  que terá a primeira sessão no dia 2 de novembro às 22:10 no Cine Livraria Cultura 1 (veja aqui trechos do filme legendado). Além dele, os fãs dos beats ainda poderão ver o documentário William S Burroughs: Um Retrato Íntimo. Os filmes serão exibidos em mais de 20 espaços, entre cinemas, museus e centros culturais espalhados pela capital paulista. Exposições de fotos de Wim Wenders e de storyboards originais de Akira Kurosawa também são destaques da programação. E a boa notícia é que você não precisa estar em São Paulo para assistir os filmes. Pelo segundo ano, a Mostra Internacional de Cinema promove com a MUBI, a maior plataforma de filmes na internet, a Mostra Online. Ou seja: além da exibição normal em salas, 68 filmes da seleção da 34ª Mostra terão também sessões (gratuitas) na internet. O acesso em “streaming” (sem download) estará disponível para os 500 primeiros acessos. Confira no site da Mostra a programação completa que inclui ainda Factótum, baseado no livro homônimo de Charles Bukowski.

William Burroughs com a cantora Patty Smith em cena do documentário sobre o escritor

Leilão estima vender um único livro de Dickens por 200 mil libras

sexta-feira, 22 outubro 2010

Ao chegar nos 75 anos, um bibliólatra inglês que se mantém anônimo, decidiu leiloar a sua rara coleção de 3.000 livros, garimpada ao longo de mais de quatro décadas. O primeiro leilão da série acontecerá em 28 de outubro na Sotheby´s de Londres. A venda inicial terá 149 lotes e oferece, por exemplo, uma edição de poemas de Shakespeare datada do ano 1640 que pode chegar a 100 mil libras. Há também um volume de Charles Dickens de 1843 que talvez saia por 200 mil libras e ainda o primeiro volume de Orgulho e preconceito, de Jane Austen. O especialista em livros Peter Selley declarou que “Os livros dessa coleção são notáveis por serem primeiras edições, estarem nas melhores condições possíveis e por trazerem inscrições interessantes.” Veja aqui o catálogo completo do leilão da Sotheby´s.

O livro de poemas de Shakespeare que vai a leilão no dia 28 de outubro

Anotações sobre um livro emocionante

quinta-feira, 21 outubro 2010

O coração das trevas de Joseph Conrad (1857-1924) é um dos grandes livros da literatura universal. E, coisa rara, foi adaptado com maestria para o cinema por Francis Ford Coppola em seu magnífico “Apocalypse Now”.  A coleção POCKET lançou, em meados de 2010, A linha de sombra de Conrad (publicado em 1917, 15 anos depois de sua obra prima “O coração…” e aqui com tradução de Guilherme da Silva Braga).Estou escrevendo este post para enfatizar ao leitor deste blog que A linha de sombra é um livro es-pe-ta-cu-lar. Leia, por favor! E fique impregnado da grande literatura. Leia e tenha a rara e maravilhosa sensação de que leu um grande livro. Não vou contar a história. Só vou dizer que é um livro emocionante. Trata da “linha de sombra”, que é a passagem penosa da juventude para a idade adulta. Fala dos mares do oriente, de calmarias, de navios, pestes e trovões. De homens duros, de loucos. Mas trata basicamente de um tema muito caro a Conrad; a lealdade. A ponto de dedicar seu livro  a homens “dignos de meu imorredouro respeito”. (IPM)

A capa da primeira edição de "A linha de sombra" ao lado da capa da Coleção L&PM Pocket

Angelina Jolie viverá Cleópatra em novo filme de Cameron

quinta-feira, 21 outubro 2010

Angelina, que já viveu a rainha Olympia em "Alexandre O Grande", será Cleópatra no novo filme de James Cameron

Depois de quebrar todos os recordes de bilheteria e iniciar uma nova era no cinema, James Cameron promete surpreender novamente.  Além de estar preparando uma versão 3D do blockbuster  Titanic, a lista de tarefas de Cameron incluiria uma sequência de Avatar e um filme 3D sobre a vida de Cleópatra. Quem personificaria a grande monarca egípcia seria a atriz Angelina Jolie.

Cleópatra subiu ao trono com dezoito anos e se transformou numa das figuras mais célebres da Antigüidade, juntamente com Alexandre Magno e Júlio César. Sétima rainha com esse nome, teve que desposar seu irmão, Ptolomeu, então com dez anos de idade, para honrar a vontade do defunto rei, seu pai.

Enquanto o filme não chega, você pode ler “Cleópatra“ livro da Série Encyclopaedia publicada pela L&PM e conhecer mais sobre a história desta grande mulher.

Biblioteca de todos e para todos

quarta-feira, 20 outubro 2010

E se o mundo se transformasse em uma grande biblioteca? Este foi o objetivo inicial do projeto BookCrossing, que consiste em deixar um livro em um local público para que outra pessoa o encontre, leia e passe adiante. Os livros podem ser encontrados em pontos fixos de BookCrossing ou em lugares como bares, estações de metrô e praças. Em todos os livros há uma mensagem que explica o que deve ser feito. O site foi criado por um programador norte-americano, em 2001, e tem seguidores de várias partes do mundo. A iniciativa ganhou força e está presente em 130 países, tem mais de 6 milhões de livros registrados e cerca de 845 mil membros. Em São Paulo, o projeto já soma mais de 2 mil seguidores.

Agatha Christie saturada de Hercule Poirot?

quarta-feira, 20 outubro 2010

Agatha Christie em 1971 Foto: Divulgação

Agatha Christie estava cansada de seu mais famoso personagem, Hercule Poirot. Foi o que declarou o neto da Rainha do Crime, Mathew Pritchard durante uma entrevista à radio da revista Times.

“Nunca faltou a ela ideias para seus livros, mas algumas dessas ideias não eram apropriadas para Poirot, dessa maneira ela se exorcizava dele escrevendo histórias diferentes com novos personagens”, contou.

Agatha Christie repassou os direitos de seu trabalho para sua filha e seu neto antes de morrer aos 85 anos, em 1976.

Pritchard revelou ainda outras curiosidades sobre sua relação com a avó: “Ela era uma pessoa muito generosa. Quando eu tinha nove anos ela assinou ‘A Ratoeira’ para mim. Eu era jovem demais para apreciá-lo na época”.

O livro Guinness de Recordes Mundiais afirma que a escritora britânica é a maior vendedora de livros de todos os tempos, chegando ao número de dois bilhões em vendas. Também é a autora mais publicada em qualquer idioma, somente ultrapassada pela Bíblia e por Shakespeare.

Entre os quase trinta títulos que a L&PM publica, estão “Assassinato no Expresso Oriente” adaptado para os quadrinhos. Em breve, chegará também “O caso dos dez negrinhos e Morte na Mesopotâmia” também em HQ.

Quem quiser saber tudo (ou quase tudo) sobre esta grande escritora pode visitar o Hotsite especial Agatha Christie http://www.lpm-agathachristie.com.br

Johnny Depp será Rango (não, infelizmente não é o nosso Rango…)

terça-feira, 19 outubro 2010

Em agosto de 1974, a L&PM publicou seu primeiro título: Rango. O livro trazia uma série de tiras tragicômicas com as mazelas do anti-herói criado pelo cartunista Edgar Vasques. O Rango brasileiro fez tanto sucesso que até hoje continua sendo editado.

A capa do primeiro livro publicado pela L&PM

Mas eis que descobrimos que ele não é o único Rango do mundo. Existe também um Rango com pele verde e voz de Johnny Depp. Um Rango que não é um miserável esfomeado que vive dentro de uma lata de lixo, mas um camaleão em plena crise de identidade que vaga pelo México com camisa de turista. E que, obviamente, acaba se metendo em uma grande confusão. Vale a pena assistir ao trailer e aguardar a chegada do filme “Rango” que, no Brasil, tem estreia prevista para 15 de abril de 2011.

 

Paris III – 4 horas para ver Monet

terça-feira, 19 outubro 2010

Nada é mais “in” no circo cultural parisiense do que a exposição “Monet” que vai até 28 de janeiro de 2011 no Grand Palais. O imenso palácio de 77 mil metros quadrados, localizados entre a Avenida Champs-Élysées e o Sena, tem abrigado os grandes acontecimentos artísticos de Paris. Em 2008, a exposição “Picasse et ses maîtres” teve um milhão de espectadores em quatro meses. Muitíssimo divulgada, com enorme repercussão na imprensa, tornou-se um verdadeiro “tour de force” ver “Monet”. Para quem não quiser esperar 4 horas na fila, só há duas opções: comprar o ingresso de 9 euros pela internet (www.grandpalais.com.fr), e esperar só uma hora e meia, ou apresentar credenciais de imprensa. Para quem, na pior das hipóteses, tiver que esperar 4 horas, há um consolo: vale a pena. Espere as 4 horas! Leia um livro, revistas, converse, se distraia com os joguinhos no celular, mas espere. Nunca houve 200 quadros de Monet, o maior de todos os impressionistas, expostos tão sabiamente num espaço tão nobre. Só há um pequeno problema: o quadro “Impressão, sol nascente” de 1873, que pertence ao museu Marmottan Monet (2, rue Louis Boully – www.marmottan.com), fruto da doação de Michel Monet, neto do pintor, não está na mostra. O motivo é prosaico: o diretor do Marmottan brigou com o curador da exposição e não teve jeito dos moços fazerem as pazes. Resultado: o público não pode ver o mais célebre de todos, embora estejam expostos alguns quadros da mesma série, quase réplicas da cena da discórdia. Mas afora este pequeníssimo detalhe, a exposição é deslumbrante; as paisagens de Fontainebleu, as marinhas na Normandia, as paisagens de Havre, de Argenteuil, as poderosas vistas parisienses, o famoso quadro da Gare Saint Lazare, os retratos, as vistas de Londres, os estudos e o próprio “Almoço sobre a grama”, imenso e impressionante, as imagens da Catedral de Rouen (expostas lado a lado da réplica pop de Roy Lichteinstein) pintadas em várias horas do dia e a célebre série das “Ninféias”. O que está no Gran Palais é um panorama preciso da obra do artista que tirou a pintura do atelier. Ao levá-la para a rua, Claude Monet (1849-1926), sacudiu a poeira dos clássicos, dando um novo frescor e alento à pintura. Depois dele, a arte nunca mais foi a mesma. (IPM)

A fila para ver Monet dá voltas em torno do Grand Palais - Foto: Ivan Pinheiro Machado

O cartaz avisa sobre a demora - Foto: Ivan Pinheiro Machado

 

Mil livros e um poema desconhecido de Borges

segunda-feira, 18 outubro 2010

Imagine que você trabalha na Biblioteca Nacional da Argentina quando, de repente, encontra mil livros que pertenceram ao poeta e escritor argentino Jorge Luis Borges e que nunca haviam sido catalogados. E mais do que isso: descobre que ali estão esboços de futuras obras, comentários sobre os livros e até um poema desconhecido. Pois foi exatamente o que aconteceu com dois pesquisadores que trabalham na instituição em Buenos Aires. Borges, que dirigiu a biblioteca entre 1955 e 1973, durante o exílio de Juan Perón, doou os mil livros de seu acervo quando se afastou da direção. No exemplar em alemão do teólogo Christian Walch, está escrito o poema nunca antes revelado, datado de 11 de dezembro de 1923. “Avisamos os pesquisadores de todo mundo, das universidades de Virginia e Pittsburgh nos Estados Unidos até Leipzig e Hamburgo na Alemanha”, informou Laura Rosato, uma das descobridoras. “Vários deles já nos anunciaram que virão antes do fim do ano”, acrescentou Germán Álvarez, que também trabalha na Biblioteca Nacional da Argentina. Para dividir com o mundo suas descobertas, a dupla de pesquisadores editou uma obra de 400 páginas: Borges, livros e leituras.

De Jorge Luis Borges, a L&PM publica O “Martín Fierro”.