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Agatha Christie saturada de Hercule Poirot?

quarta-feira, 20 outubro 2010

Agatha Christie em 1971 Foto: Divulgação

Agatha Christie estava cansada de seu mais famoso personagem, Hercule Poirot. Foi o que declarou o neto da Rainha do Crime, Mathew Pritchard durante uma entrevista à radio da revista Times.

“Nunca faltou a ela ideias para seus livros, mas algumas dessas ideias não eram apropriadas para Poirot, dessa maneira ela se exorcizava dele escrevendo histórias diferentes com novos personagens”, contou.

Agatha Christie repassou os direitos de seu trabalho para sua filha e seu neto antes de morrer aos 85 anos, em 1976.

Pritchard revelou ainda outras curiosidades sobre sua relação com a avó: “Ela era uma pessoa muito generosa. Quando eu tinha nove anos ela assinou ‘A Ratoeira’ para mim. Eu era jovem demais para apreciá-lo na época”.

O livro Guinness de Recordes Mundiais afirma que a escritora britânica é a maior vendedora de livros de todos os tempos, chegando ao número de dois bilhões em vendas. Também é a autora mais publicada em qualquer idioma, somente ultrapassada pela Bíblia e por Shakespeare.

Entre os quase trinta títulos que a L&PM publica, estão “Assassinato no Expresso Oriente” adaptado para os quadrinhos. Em breve, chegará também “O caso dos dez negrinhos e Morte na Mesopotâmia” também em HQ.

Quem quiser saber tudo (ou quase tudo) sobre esta grande escritora pode visitar o Hotsite especial Agatha Christie http://www.lpm-agathachristie.com.br

Agatha Christie na crista da onda

segunda-feira, 13 setembro 2010

Você aí, que acha que Agatha Christie já nasceu com aquele seu  jeito de vovó, prepare-se para mudar seus conceitos em relação à Rainha do Crime. Em fevereiro de 1922, ela e o marido, Archie (Archibald Christie), partiram para uma volta ao mundo que duraria dez meses. Entre outras aventuras, o casal surfou na África e em Honolulu. Ou melhor, em Honolulu eles tentaram, como a própria escritora contou em sua Autobiografia (publicada em 1979 no Brasil pela Nova Fronteira).

“Nossa viagem foi lenta, parando em Fidji e em outras ilhas antes de chegarmos. Achamos Honolulu muito mais sofisticado do que pensáramos, com muitos hotéis, estradas e automóveis. Chegamos cedo, pela manhã, fomos para nosso quarto do hotel e, imediatamente, vendo pela janela gente a fazer surf, correndo para a praia, alugamos pranchas e mergulhamos no mar. Éramos, claro, totalmente ingênuos. Estava um dia ruim para fazer surf – um desses dias em que só os peritos vão para o mar; mas nós, que havíamos feito surf na África do Sul, acreditávamos que surf para nós, já não era mistério algum. Acontece que em Honolulu era diferente. A prancha, por exemplo, era um grande pedaço de madeira, quase que pesado demais para que o pudéssemos erguer. Deitamo-nos em cima dela e nadamos vagarosamente até os recifes, a uma milha de distância – pelo menos foi o que me pareceu. Aí, colocamos-nos na devida posição e esperamos por uma dessas ondas que nos atiram pelo mar a fora até a praia. Não é tão fácil quanto parece. Primeiro, temos que reconhecer a espécie de onda própria para isso e depois, ainda mais importante, temos que reconhecer a onda que não serve, porque se somos apanhados por uma daquelas que nos arrasta para o fundo só Deus nos poderá ajudar! Eu não era uma nadadora tão experiente quanto Archie, de modo que demorei mais tempo a atingir os recifes. Por essa altura já perdera Archie de vista; presumi que estivesse flutuando em direção à praia, negligentemente, como os outros estavam fazendo. De modo que me coloquei apropriadamente em cima da minha prancha e esperei pela onda. Ela veio. Era da espécie imprópria. Num abrir e fechar de olhos eu e minha prancha fomos atiradas para milhas uma da outra. Primeiro, a onda, depois de me arrastar violentamente para o fundo do mar, sacolejou-me muito. Quando atingi a superfície, sem respiração e tendo engolido enormes quantidades de água salgada, avistei minha prancha, flutuando a meia milha de mim, em direção à praia. Nadei laboriosamente atrás dela. Foi recuperada para mim por um jovem norte-americano que me cumprimentou com as seguintes palavras: `Escute, irmã, se eu fosse você, hoje não faria surf. Você está arriscando demais. Tome a prancha e nade direitinho para a praia.´ Segui imediatamente seu conselho.”

Agatha e sua prancha em Honolulu