Arquivos da categoria: Sem categoria

Esporte & arte, cada um no seu lugar

David Coimbra – que honra esta casa como autor – fez uma brilhante reflexão sobre esporte & arte. A chamada “mídia ligeira” às vezes confunde  um e outro. David coloca as coisas nos seus devidos lugares. Veja abaixo sua coluna de hoje no Jornal Zero Hora de Porto Alegre, que tem o título de “Como seria bom ser americano”:

A verdade é que todos queríamos ser americanos. Calças jeans, tênis, camiseta, chicletes, rock and roll, cachorro-quente, carros velozes, shoppings centers, consumo, consumo, todos gostaríamos de ter nascido no Grande Irmão do Norte. Mesmo você, que jura abominar os ianques, você gosta de jazz, você vai a Nova York, mas apregoa que Nova York não são os Estados Unidos. Ao contrário, beibe: Nova York é o resumo dos Estados Unidos. Os americanos se tornaram a Nova Roma, sim, mas não pela força dos seus mariners ou do poder verdejante do seu dólar. Os americanos conquistaram a alma do mundo com o cinema. Jamais uma forma de arte angariou tamanho poder como o cinema produzido nos Estados Unidos. A literatura, que teve o seu auge no século 19, a literatura mudou o mundo. Mas nunca com a velocidade e a amplidão do cinema. O cinema americano mudou o comportamento até de quem não vai ao cinema. Até do esnobe francófilo ou germanófilo. Até do lúmpen. E agora, pela primeira vez, surge um filme brasileiro que emociona o país, se infiltra no consciente coletivo e provoca uma mudança palpável de comportamento. Tropa de Elite, em suas duas partes, mudou uma parte do Brasil. Antes de Tropa de Elite, a polícia era desprezada pelos brasileiros. Agora, a polícia integra as forças do “bem” que lutam contra o “mal”. A polícia passou a defender o cidadão; antes o amedrontava. Os policiais tornaram-se heróis; antes eram pobres-diabos. Tropa de Elite cumpriu o seu papel como obra de arte: fez com que os homens se emocionassem, com que refletissem e com que, enfim, mudassem. Uma obra de arte, por meios estéticos, é capaz disso. Nenhum esporte é capaz disso. Nenhum jogo é capaz disso, e aí me refiro ao futebol, que não é esporte, é jogo, como o turfe, como o basquete, como a canastra, como o par ou ímpar. Futebol, pois, não é arte: é jogo, quase, quase é esporte. Jogador não é artista: é jogador; às vezes, atleta. Logo, ao jogador não cabem certas prerrogativas de artista. Há um limite para a excentricidade do jogador – o limite do profissionalismo. Alguns jogadores não conhecem essa fronteira. Acham-se artistas. Não são. Nada mais distante da arte do que um relapso jogador de futebol. (David Coimbra)

De David Coimbra, a L&PM publica o recém lançado Jô na estrada e outros livros que você vê aqui.

A primeira vez de Otelo

“Pudesse a terra ser fecundada por lágrimas femininas, de cada gota por ela derramada nasceria um crocodilo.” Assim disse Otelo, o mouro personagem de Shakespeare que deixou-se consumir pelo ciúmes que sentia da amada Desdêmoda. A peça teria sido apresentada pela primeira vez no dia 1º de novembro de 1604 no Whitehall Palace em Londres. De lá para cá, foi publicado em livro (a primeira edição em 1622, depois da morte de seu criador) e continuou sendo encenada e aplaudida pelos palcos do mundo. Em 1995, o ator afro-americano Laurence Fishburne foi escolhido para viver Otelo no filme de Oliver Parker. Por incrível que pareça, antes disso, nenhum negro havia recebido o papel no cinema. Veja o trailer do filme na L&PM Web TV.

O russo Constantino Stanislavski encarnou Otelo em 1896. Seu rosto recebeu uma pintura mais escura para viver o mouro de William Shakespeare

Paul Robeson como Otelo e Peggy Ashcroft como Desdemoda, encenando a peça em Londres, 1930. Ele foi o primeiro ator negro a ganhar o papel no teatro.

Em 1965, Laurence Olivier viveu Otelo nas telas de cinema, ao lado de Maggie Smith

Cartaz de Otelo, filme com Laurence Fishburne, o primeiro negro a viver o personagem no Cinema

A L&PM publica Otelo na coleção L&PM POCKET, com tradução de Beatriz Viégas-Faria.

110 anos sem Oscar Wilde

Obituário original publicado no The New York Times em 01 de dezembro de 1900

No dia 01 de dezembro de 1900, o The New York Times publicou o seguinte obituário: MORTE DE OSCAR WILDE; Ele terminou em um obscuro hotel no Quartier Latin em Paris. Disseram que teria morrido de meningite, mas há um boato de que cometeu suicídio.” O anúncio de falecimento comunica que o escritor morreu às três da tarde do dia 30 de novembro e que teria vivido os últimos meses sob o nome de Manmoth. Terminava assim a vida de Oscar Fingal O´Flahertie Wills Wilde, nascido na cidade inglesa de Dublin em 1854. Depois de ser celebrado pela autoria de O retrato de Dorian Gray, de 1891, e de mais uma série de peças de sucesso, sua vida mudou ao ser  acusado e processado pela família de Lord Alfred Douglas, um jovem aristocrata por quem Wilde se apaixonou e com quem compartilhou um excêntrico estilo de vida. Condenado a trabalhos forçados que consumiram sua saúde e sua reputação, Oscar Wilde exilou-se em Paris. É lá que, hoje, ainda é possível visitar a casa onde o escritor inglês viveu seus últimos anos e também o seu mausoléu, no cemitério Père Lachaise, famoso pelas marcas de batons ali deixadas.

No início de 2011, a L&PM publicará a vida de Oscar Wilde na Série Biografias.

Túmulo de Oscar Wilde em Paris é repleto de marcas de batons de fãs

De Oscar Wilde, além de O retrato de Dorian Gray, a Coleção L&PM POCKET publica O Fantasma de Canterville, De Profundis e A alma do homem sob o socialismo .

O assunto é… as prisões do Rio de Janeiro

Neste final de semana, o mundo inteiro voltou seus olhos para o Rio de Janeiro. Tanto que a capital fluminense chegou ao primeiro lugar nos “trending topics” (assunto mais comentado) no Twitter. Aproveitando o momento, separamos aqui um pequeno trecho de Millôr definitivo, a Bíblia do caos, escrito pelo carioca Millôr Fernandes há alguns anos:

“As autoridades encarregadas da segurança do Rio repetem enfadonhamente sua impossibilidade de enfrentar aquilo que outrora se chamava crime. Por falta de homens, de material, de prisões. Quanto à falta de homens, não sei; nem quanto à falta de material. Mas nossas prisões, as que conheço, são as melhores do mundo. Nosso sistema carcerário pode mesmo ser considerado sem par. Estive em várias de nossas prisões ultimamente: são locais bem protegidos, de guardas e vigilantes bem arrumados e bem pagos; boas instalações, portas pesadas e com os mais modernos sistemas de controle e segurança. As pessoas aí confinadas vivem bem, e se alimentam magnificamente. Reclamam apenas das saídas, cada vez mais difíceis; só lhes é permitido tomar sol e fazer uns exercícios em quadras polivalentes. Quando tentam, porém, querem escapar ao confinamento, chegam à rua, são agredidas, violentadas ou mesmo mortas, sem qualquer explicação ou julgamento. De qualquer forma, repito, nossas prisões são tão boas que, na Barra da Tijuca, o custo de uma delas, tipo condomínio, atualmente é 500.000 dólares”.

A Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, antes das "prisões" invadirem o local

Nos últimos dias, ao contrário de quando o texto foi escrito, vimos o Rio de Janeiro tem homens e materiais. Agora só resta saber se as prisões mudaram…

Há 88 anos nascia Charles M. Schulz, criador do Snoopy!

Se estivesse vivo, Charles M. Schulz completaria hoje 88 anos de vida. Desde o nascimento, os quadrinhos tiveram um papel importante em sua trajetória. Charles sempre soube que queria ser cartunista e ficou muito feliz quando Robert Ripley publicou no Ripley’s Believe it or Not seus primeiros desenhos, em 1937. Depois de muitos “nãos”, Schulz finalmente realizou seu sonho de ter uma tira nacional diária quandoPeanuts debutou em sete jornais em 2 de outubro de 1950 e posteriormente se tornou um grande sucesso internacional. Em 1965, Schulz foi homenageado com o Reuben Award concedido pela National Cartoonist Society.

Uma das criações de Schulz fez sucesso na tradicional Parada Macy´s de Ação de Graças em Nova York, que aconteceu ontem. Entre os 8 mil participantes do desfile estava um boneco gigante do Snoopy.Veja algumas fotos da abertura do desfile, que passou pela Columbus Circle, pelo Central Park e pela Times Square. A L&PM publica dez livros com histórias de Snoopy e sua turma e também Peanuts Completo, criações de Charles M. Schulz.

O pai da fábula escrita

Quem não conhece fábulas como A tartaruga e a lebreO Lobo e o CordeiroA Cigarra e a Formiga? Mas ao contrário do que todos pensam, não foi Esopo quem escreveu essas histórias como as conhecemos hoje. Suas fabulações faziam parte da tradição oral grega. As únicas informações sobre a sua vida que chegaram até aos dias de hoje são transmitidas por Heródoto, Plutarco e Heracles Pôntico, mas são contraditórias. Muitos chegam a duvidar da existência de Esopo. Suas fábulas foram reunidas e escritas, tendo inclusive inspirado outros grandes fabulistas, como La Fontaine e Fedro. Consta que Esopo era corcunda, mas a aparência estranha era suprimida pelo seu dom da palavra, ao contar suas histórias carregadas de ensinamentos. Seus personagens  são geralmente animais, personificados, que falam, erram e demonstram bem as muitas saliências do caráter humano. Diz a lenda que Esopo foi escravo e teria sido libertado por encantar seu último senhor com suas histórias de caráter moral e fantasioso. As histórias contadas por Esopo estão reunidas no livro Fábulas, publicado pela L&PM. Lá você encontra histórias como Guerra e Violência e Hermes e o Escultor. Vale a pena ler e refletir.

GUERRA E VIOLÊNCIA
Cada um dos deuses se casou com a mulher que
o destino lhes havia reservado. Quando foi a vez do
deus Guerra, só havia sobrado a Violência: ele se apaixonou
loucamente por ela e a desposou. Desde então,
ele a acompanha por toda parte.
A violência impera numa cidade ou entre as nações,
trazendo guerra e discórdia.

HERMES E O ESCULTOR
Hermes quis saber qual o grau de estima que os homens lhe devotavam. Tomou a aparência de um mortal e foi ao ateliê de um escultor. Ao ver uma estátua de Zeus, perguntou:
– Quanto custa?
– Um dracma – respondeu-lhe o homem.
Hermes sorriu:
– E aquela, de Hera?
– É mais cara.
Hermes viu então sua própria estátua. Achava que, sendo ao mesmo tempo mensageiro e deus do comércio, seu preço seria bem mais alto.
– E Hermes, quanto custa? – quis saber.
– Oh, se comprares as outras duas, a levas de
brinde.
Quem se acha o tal termina valendo menos que
o esperado.

Lady Day e a canção do século

Billie Holiday andou pelas ruas do Harlem até as mais prestigiosas salas de espetáculo de Nova Iorque. Sexo, álcool, drogas, Lady Day queria experimentar tudo. E experimentou. Sua vida como cantora começou por necessidade. Ameaçada de despejo, por falta de pagamento, aos 15 anos buscava desesperadamente algum dinheiro para ajudar a mãe. Entrou em um bar,  ofereceu-se como dançarina e foi um total desastre. O destino lhe reservou sorte: o pianista que testava as dançarinas perguntou se Billie sabia cantar. Billie cantou.

É impossível falar sobre Lady Day sem falar em Strange Fruit, música do vídeo abaixo.  Strange Fruit foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol, um professor judeu de um colégio do Bronx, sobre o linchamento de dois homens negros. Depois de linchados, eles foram enforcados em árvores. Por isso eram os “frutos estranhos”. Holiday cantou a música pela primeira vez no Cafe Society em 1939. A canção passou a fazer parte regular de suas apresentações ao vivo. Em dezembro de 1999, a revista Time deu a Strange Fruit o título de canção do Século.

Billie Holiday é um dos grandes nomes da série Biografias, publicada pela L&PM.

Peter, uma das paixões de Agatha Christie

Agatha Christie era apaixonada por Peter. Branco, peludo, alegre e carinhoso, ela fala várias vezes nele em sua Autobiografia. E também dedica seu livro Poirot perde uma cliente ao mascote: “Ao querido Peter, o mais leal dos amigos e a mais querida das companhias, um cão em mil”. Para você entender bem a relação de Agatha e de sua filha, Rosalind, com Peter, separamos aqui alguns trechos da Autobiografia da autora em que ele é citado.

“As coisas ruins sempre aconteciam quando eu não estava presente. Rosalind recebeu-nos com sua habitual exuberância e bom humor e imediatamente anunciou o desastre: ‘Peter mordeu Freddie Potter no rosto’. A última coisa que desejaríamos saber, ao chegarmos em casa, é que nossa preciosa cozinheira-governanta-residente tivera seu precioso filhinho mordido no rosto pelo nosso precioso cachorrinho” Rosalind explicou que não fora, realmente, culpa de Peter. Ela dissera a Freddie Potter que não colocasse o rosto cada vez mais perto de Peter, roncando, de modo que, é claro, Peter mordeu-o.”

Em outra passagem do livro, Agatha Christie pergunta à filha o que ela pensa de sua mãe casar-se com Max (Max Mallowan) ao que a filha responde que ele era a melhor escolha.

“[Rosalind] prosseguiu enumerando, com a maior franqueza, do seu utilitário ponto de vista, as vantagens do meu casamento: ‘E Peter gosta dele’ acrescentou como aprovação definitiva e final.

Peter no colo do segundo marido de Agatha Christie, o arqueólogo Max Mallowan

 

Relacione trechos e livros no “Jogo da literatura”

Você é um bom leitor? Bom mesmo? Então prove isso no “Jogo da Literatura”, um game que a Revista Nova Escola apresenta em seu site e onde você pode avaliar seu conhecimento sobre 25 clássicos da literatura nacional e internacional, entre eles Os Lusíadas, Hamlet e Édipo Rei,  todos da Coleção L&PM POCKET. O desafio é relacionar dez trechos a seus respectivos livros. Vá lá, clique aqui e faça o teste.  

Um século sem Leon Tolstói

Há poucos dias, fez 100 anos que Leon Tolstói morreu. Foi em 20 de novembro de 1910 que o mundo inteiro chorou a perda do grande escritor russo, considerado (por muitos) o maior de todas as épocas. Tão impactante foi sua morte que, alguns anos depois, o escritor Thomas Mann disse que “se o moralista Leon Tolstói ainda estivesse vivo, teria sido possível evitar a Primeira Guerra Mundial”. Um século depois do seu falecimento, seu texto continua fascinando leitores de todos os cantos do planeta. E seu nome permanece na lista dos mais admirados. No Tolstoy Estate-Museum, localizado em Moscou, na casa em que o escritor viveu por quase duas décadas com a esposa Sophia e dez filhos, foi organizada uma exposição e eventos literários. Com um enorme jardim, o local preserva muitos dos objetos pessoais de Tolstói e os visitantes ficam com a impressão de que o escritor pode voltar para sua casa a qualquer momento. A preservação do mobiliário, fotos e porcelana sobre a mesa de jantar foi conservada mesmo depois da Revolução para que os russos pudessem ter a chance de ver como o aristocrata vivia. No amplo salão, entre 1882 e 1901, circularam celebridades como os compositores Skriabin, Rachmaninov e Rimsky-Korsakov, e os também escritores Anton Tchékhov e Máximo Gorki. Durante os 19 que a casa foi ocupada por Tolstói e sua família, ele escreveu quatro livros, entre eles, “A morte de Ivan Ilitch”. Mas esse não é o único museu em homenagem ao autor de “Guerra e paz”. O Museu Yasnaya Polyana, 210 quilômetros ao sul de Moscou, é uma propriedade de 1.600 hectares que o escritor herdou quando tinha 19 anos e que durante décadas foi usada pela família Tolstói.  Neste museu, tudo também foi preservado e há uma exposição permanente que mostra como ele vivia, dormia e comia. Sem contar que em seu parque são apontados os caminhos que o escritor mais gostava de percorrer. Para completar, é em Yasnaya Polyana que está o túmulo de Tolstói, sepultado ali de acordo com seu próprio desejo.

Leon Tolstói e sua esposa Sophia na propriedade de Yasnaya Polyana

O museu Yasnaya Polyana, que conserva grande parte da memória de Tolstói, é também o local onde ele foi sepultado