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Foi dada a largada para a coleção de clássicos em HQ com apoio da UNESCO

terça-feira, 25 outubro 2011

O primeiro volume da coleção “Clássicos da Literatura em Quadrinhos” acaba de chegar. A adaptação de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, foi realizada pela dupla francesa Christophe Lemoine (que fez a adaptação e o roteiro) e Jean-Cristophe Vergne (responsável pelos desenhos e cores).

A tradução para a L&PM Editores foi feita por Alexandre Boide e o resultado é um lindo livro em capa dura, com 60 páginas todas coloridas e que traz ainda, no final, um completo dossiê contextualizando o clássico com informações detalhadas sobre o autor, sua época e sua obra. No caso de Robinson Crusoé, há dez páginas que contam, por exemplo, como Daniel Defoe começou sua carreira de romancista aos 59 anos em 1719. Há também um ótimo texto que complementa a história e faz com que o leitor entenda ainda mais a respeito do herói que fica 25 anos sozinho em uma ilha deserta: “O náufrago é uma espécie de novo Adão, que precisa aprender a dominar o ambiente na mais completa solidão. Ele se torna marceneiro, construtor, caçador, agricultor, ceramista, costureiro, cesteiro. (…) Através de Robinson, o arquétipo do intrépido marinheiro inglês, Defoe celebra a capacidade do homem branco de se impor, a coragem daquele que se aventura em uma terra desconhecida e o triunfo do individualismo motivado pelo lucro mas também interessado em apresentar os benefícios da civilização aos selvagens…”

A coleção é um grande sucesso na França e na Bélgica, formada por adaptações de alguns dos principais clássicos da literatura mundial. O objetivo é oferecer um livro que encante todos os leitores e que seja direcionado também para estudantes. Aliás, este caráter pedagógico fez com que a coleção ganhasse total apoio da UNESCO.

Além de Robinson Crusoé, L&PM Editores vai publicar, em breve, dentro da Coleção “Clássicos da Literatura em Quadrinhos”, A ilha do tesouro, de R. L. Stevenson; A volta ao mundo em 80 dias, de Julio Verne e Um Conto de Natal, de Charles Dieckens. E no primeiro semestre de 2012 deverão chegar também Odisseia, de Homero; Dom Quixote, de Cervantes, Viagem ao Centro da Terra, de  Júlio Verne; Guerra e Paz, de Leon Tolstói; Os miseráveis, de Victor Hugo e As mil e uma noites.

45. Um começo para os novos leitores

terça-feira, 13 setembro 2011

Por Ivan Pinheiro Machado*

No Brasil, os projetos e planos para alfabetização de adultos tem tido maior ou menor impulso, dependendo dos políticos que estão no poder. Temos uma excelente marca no que diz respeito à alfabetização infantil, chegando o índice a 96% entre 7 e 14 anos. Mas, lamentavelmente, ainda temos mais de 15 milhões de adultos analfabetos (acima de 15 anos). Darcy Ribeiro, o grande educador, era contra o investimento do Estado na alfabetização de adultos. Para ele o importante era investir tudo o que fosse possível nas crianças, “pois elas é que fariam o futuro do Brasil”. Uma tese respeitável. Darcy era maravilhoso e radical. Hoje, a ideia considerada mais democrática é a de que os adultos analfabetos têm o direito de aprender a ler.

O problema sempre foi que tipo de livro os recém alfabetizados poderiam ler para aperfeiçoar-se no domínio do idioma e da escrita. A regra básica era que uma pessoa de 50 anos que aprendiam a ler só tinham a sua disposição, para o seu nível de habilidade, livros infantis. Homens e mulheres recém alfabetizados, que possuem intensa história de vida, mas que no entanto só conseguiam ler livros para crianças. Até que alguém percebeu que poderia ser diferente.

Em 2003, depois de uma conversa com o Ministro da Educação recém empossado do governo Lula, Senador Cristovam Buarque, um homem apaixonado pela questão da educação no Brasil, nós desenvolvemos um grande projeto no sentido de adaptar livros clássicos brasileiros e internacionais para que pudessem ser lidos por adultos recém alfabetizados.

Este projeto foi elaborado e apresentado para a UNESCO que não só endossou-o, como financiou parte dele. A coleção foi batizada de “É só o Começo” e o projeto e produção envolveram mais de 30 pessoas, entre professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, escritores-adaptadores, ilustradores, designers e revisores. Esta equipe multidisciplinar foi responsável pela elaboração de 12 títulos dos quais 11 já estão nas livrarias. O pessoal especializado em alfabetização que comandou o processo de adaptação explica na abertura de cada livro os critérios utilizados: “Os livros são baseados nas edições integrais dos clássico. Na coleção “É só o começo” os originais são adaptados especificamente para um público de neoleitores, segundo critérios linguísticos (redução de repertório vocabular, supressão ou mudança de pronomes, desdobramento de orações, preenchimento de sujeitos etc.) e literários (desdobramentos de parágrafos, eventual reordenação de capítulos e/ou informações, ênfase na caracterização de personagens etc.) que visam oferecer uma narrativa fluente, acessível e de qualidade”.

Os consagrados desenhistas Edgar Vasques e Gilmar Fraga foram chamados para ilustrar os textos e o resultado foi um sucesso fulminante. Mas de 200 mil livros foram distriuídos para programas de neoleitores, seja pela iniciativa privada seja por instituições como SESI e secretarias de educação de vários estados brasileiros.

O médico e o monstro“, de Robert Louis Stevenson, chegou esta semana e o próximo volume da coleção (e último) será a daptação de “Frankenstein” de Mary Shelley. Veja aqui os outros títulos disponíveis. E, para entender melhor este projeto, assista a um vídeo que fizemos para a L&PM WebTV.

As capas dos títulos da Coleção "É só o começo" com destaque para o mais recente lançamento

* Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o quadragésimo quinto post da Série “Era uma vez… uma editora“.