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Freud, Dalí e as superstições

terça-feira, 29 dezembro 2015

Virada de ano parece despertar um lado supersticioso até no mais cético dos intelectuais. Sabe como é: não custa nada comer lentilha, apelar para doze uvas, usar roupa branca, pular algumas ondas… Vá que dê certo. Mas e Freud? Será que ele também era do tipo que acreditava em talismãs, previsões e mandingas? “Tenho uma tendência à superstição, cuja origem ainda me é desconhecida” escreveu ele em 1901. Em várias fases da vida, Freud procurou prever a data de sua morte, cercando-a de superstições e receios. Ligou-se à Teoria dos Números Mágicos (desenvolvida por seu amigo, o médico Wilhelm Fliess) e, em 1894, teria previsto que seu falecimento se daria entre os 40 e 50 anos de idade. Aos 51 anos, em correspondência ao colega Ferenczi, mudou de ideia e afirmou que morreria em fevereiro de 1910. Apesar de ter errado todas as previsões, continuou interessado na vida oculta que se escondia atrás de seu id e de seu ego. Em 1938, quando estava exilado em Londres, recebeu a visita de Salvador Dalí, levado até sua casa por Stephan Zweig. Nesse encontro, Dalí fez um retrato de Freud que, ao olhá-lo, teria dito que ele “preconizava inconscientemente sua morte próxima”. E isso não foi só o que Dalí ouviu do pai da psicanálise durante a visita. “Quando tive a honra de encontrar, pela primeira vez, em Londres, Sigmund Freud, ele explicou-me em poucas palavras que as superstições possuíam um fundamento erótico e eficaz junto às forças ocultas. Desde então, mergulho cada vez mais profundamente na superstição. Carrego comigo um pedaço de madeira que nunca me deixa (…)” declarou Salvador Dalí alguns anos depois. Se até Freud e Dalí acreditavam, por que a gente não pode? Vamos lá: prepare seus amuletos e patuás porque o Réveillon vem aí…

Freud por Dalí: o desenho feito quando o Papa do surrealismo visitou o pai da psicanálise

Interessado em saber mais sobre Freud? A L&PM publica Freud na Série Biografias, Sigmund Freud na Série Encyclopaedia, a Correspondência entre Freud e sua filha Anna e ainda O futuro de uma ilusão, O mal estar na cultura, Compêndio da Psicanálise, O homem Moisés e a religião monoteísta, Psicologia das massas e análise do eu, Totem e Tabu e A interpretação dos sonhos,  todos traduzidos direto do alemão. Se a vontade for saber mais mais sobre o pensamento de Salvador Dalí, leia Libelo contra a arte moderna da série L&PM POCKET PLUS.

Sorte e leveza para o Ano Novo

quinta-feira, 30 dezembro 2010

Já é hora de pensar no cardápio da ceia de Réveillon! A clássica recomendação é comer carne de porco ou cordeiro, para que o novo ano seja próspero. E mais importante: nunca servir carne de aves como frango ou peru, pois estes animais ciscam para trás. Dizem que isso dá azar e pode dificultar as coisas no novo ano. Cruz, credo, vá de retro…

Para acompanhar, que tal uma massa levinha para começar a nova fase sem peso na consciência? No livro 100 receitas de massas light há várias opções. A nossa sugestão é o Ravióli ao molho de cordeiro. Além de ser um bicho que “fuça para a frente”, simbolizando a prosperidade, na fé católica o cordeiro é considerado um animal puro, sendo permitido até no período da quaresma, em que os fiéis não podem comer carne vermelha. Além disso, a carne do cordeiro é rica em vitaminas do complexo B, ferro e fósforo. Aí vai a receita:

Ingredientes:

400g de massa ravióli recheada com espinafre
10ml de azeite de oliva extravirgem
1 molho de alecrim (50g)
2g sal light
Pimenta-do-reino a gosto
300g de pernil de cordeiro
10g de alho picadinho
20g de cebola picadinha
30g de cenoura picadinha
30g de aipo picadinho
100ml de vinho tinto seco
2 sachês de caldo de carne 0% gordura

Modo de preparo:

1. Corte o pernil de cordeiro em cubos. Tempere com sal light, pimenta e alecrim.
2. Em uma panela, refogue no azeite de oliva o alho, a cebola, a cenoura e o aipo.
3. Acrescente o cordeiro e refogue bem.
4. Dilua os sachês de caldo de carne 0% gordura em 1 litro de água morna.
5. Coloque o vinho tinto, deixe secar e aos poucos coloque o caldo de carne.
6. Cozinhe lentamente.
7. Cozinhe em água quente os raviólis.
8. Disponha os raviólis cozidos num refratário e regue com o cordeiro por cima.
9. Decore com ramo de alecrim.

Rendimento: 6 porções

Para completar e caprichar nos rituais da virada, faça uma mesa de frutas variadas com presença obrigatória de uva e romã. A uva traz boa sorte, não importa o método: pode comer 3 dando as costas para a lua, 12 dando pulinhos ou 11 guardando as sementes. Tanto faz, pois o que vale é acreditar que a sorte virá.

A romã é o símbolo da fartura e da fertilidade, devido a grande quantidade de sementes. Os judeus comem romã para multiplicar as bençãos e colocam as sementes embaixo do travesseiro para trazer dinheiro. No ano novo, a romã simboliza renovação e a esperança de que o ano que chega será melhor do que o ano que passou.

2011 vai ser o ano do coelho

quarta-feira, 29 dezembro 2010

Como já falamos no post anterior, superstição é o que não falta nessa época do ano. Em qualquer lugar da Terra, as pessoas recorrem à religião, à filosofia ou a alguma superstição para garantir uma boa virada. A quem interessar possa, 2011 vai ser o ano do coelho no calendário chinês. A interpretação diz que a próxima volta que daremos ao redor do astro-rei será marcada pela diplomacia e pela negociação, já que 2010 foi o ano do tigre – agitado e instável.

Vários países da Ásia utilizam o calendário chinês. São ciclos de 12 anos, cada um correspondendo a um animal cujas características determinam como será o respectivo período. O coelho é sereno e tranquilo e assim será também 2011.

No budismo, algumas lendas tentam explicar a relação entre os animais e o calendário. Numa delas, Buda teria chamado todos os animais para uma festa de fim de ano e apenas 12 compareceram: o rato, o boi, o tigre, o coelho, o dragão, a cobra, o cavalo, a cabra, o galo, o macaco, o cachorro e o porco. Diz a lenda que o rato foi o primeiro a chegar e por isso ganhou o privilégio de abrir o ciclo.

Uma curiosidade: note que o gato não apareceu na festa de Buda. Sabe por quê? De acordo com a mesma lenda, o gato e o rato se davam muito bem até então e teriam combinado de irem juntos à festa. No entanto, o rato quis chegar cedo e esqueceu do gato, que perdeu a festa e ficou de fora do calendário. Desde então, o gato tenta se vingar do rato pelo esquecimento. Por isso estes dois bichos estão sempre em conflito.

Na série Encyclopaedia L&PM, há um volume inteiro sobre Budismo. Fica a sugestão para quem quiser ler mais sobre o assunto.