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As namoradas de Jack Kerouac

Aproveitando que o Dia dos Namorados está chegando, separamos aqui algumas namoradas de Jack Kerouac. Mulheres que o acolheram e o inspiraram a criar algumas de suas personagens.

bea_francoBea Franco – Foi a “Mexican Girl” de Jack Kerouac. A personagem Terry, de On the Road, foi inspirada nela. Os dois se conheceram no outono de 1947 na Califórnia e tiveram um affair. Mas o suficiente para ela ir parar no livro e apaixonar-se por Kerouac. Em uma das cartas que enviou a ele, diz que, se não fosse seu filho, “teria ido com ele mesmo que fosse de carona”. No filme On the Road, de Walter Salles, a Mexican Girl foi interpretada por Alice Braga.

Alene Lee – Afro-americana com ares de cantora de jazz, Alene fazia parte do círculo beat e foi namorada de Kerouac em 1953. Mardou Fox, personagem de Os Subterrâneos, na verdade é ela, assim como Leo Percepeid é o alterego de Kerouac. Outra personagem dele, Irene May, do Livro dos Sonhos, também teria sido inspirada em Alene. Essa ex-namorada de Jack preferiu ser discreta e não contou muito sobre a relação entre os dois.

 

Helen Weaver – Trabalhava em uma editora e conheceu Jack Kerouac em 1956, quando ele e Allen Ginsberg bateram na porta de sua casa. Apaixonou-se por Kerouac à primeira vista. Em 2009, publicou um livro contando suas memórias com Kerouac, que tem o título de “The Awakener (O despertador). “Eu soube que ia escrever este livro desde aquele dia, em novembro de 1956, quando ele entrou na minha sala, meu quarto, e minha vida” escreveu ela no prólogo.

Joyce Glassman (Joyce Johnson) – Começou a namorar Jack Kerouac quando tinha 21 anos e pouco antes do lançamento de On the road. Foi ela que acompanhou o escritor até a banca de jornal, na madrugada de 5 de setembro de 1957, para que comprassem a edição do New York Times e lessem a crítica do livro. Publicou, em 2000, Door Wide Open: A Beat Love Affair In Letters, 1957-1958, com as cartas trocadas entre ela e Kerouac ao longo de um ano.

E estas não foram as únicas mulheres na vida de Jack Kerouac. Edie Parker, a namorada que virou a primeira esposa (apesar de terem ficado casados por apenas dois meses), também escreveu um livro contando sua vida ao lado de Jack. Esperanza Villanueva o encantou e o inspirou a escrever Tristessa. Carolyn Cassady, esposa de Neal Cassady, foi sua amante. E Stella Sampas, uma namorada da adolescência, acabou se casando com ele nos anos 1960.

Uma noite dedicada aos beats em Paris

A banda franco-americana Moriarty, inspirada no principal personagem do livro On the road, de Jack Kerouac, é uma das principais atrações da “soirée beatnik” no Centquatre, em Paris, neste sábado, 28 de maio. Performances, instalações e projeções de filmes sobre o universo beat completam a programação da festa que começa às 21h e vai até as 3h do dia seguinte. Uma verdadeira overdose de cultura beat!

Imagem de divulgação do "soirée beatnik" no Centquatre, em Paris

Mas se você não tem planos de ir a Paris neste fim de semana, aproveite o som da banda Moriarty no MySpace ou no clipe abaixo:

“On the road” na pele

Está provado: On the road – Pé na estrada, de Jack Kerouac, é muito mais do que um livro. É uma paixão para muitos. Tanto é assim que, dando uma voltinha pelo vasto mundo da web, é possível encontrar gente que tatuou trechos do livro em diferentes lugares do corpo. Há os que preferiram apenas algumas poucas palavras e aqueles que, além de trechos mais longos, imprimiram o próprio escritor na pele. E, você, seria capaz de tamanha demonstração de amor a Jack?

Quer escolher um trecho de On the road para tatuar e não está com um livro à mão? Leia aqui a Parte Um.

O misterioso “teaser poster” de On the road

Por Paula Taitelbaum

No início desta semana, blogs do mundo inteiro começaram a divulgar o cartaz abaixo como sendo o “teaser poster” de On the road, o esperado filme dirigido por Walter Salles. Diziam que ele teria sido fotografado durante o Festival de Cannes 2011. A partir daí, alguns jornais também deram a notícia, chamando para “O primeiro cartaz do filme On the road“.

Eu só vi a foto desse poster hoje. E tudo nele me pareceu muito estranho. 

O "teaser poster" que teria sido fotografado numa parede do Festival de Cannes. Clique para aumentar

Achei muito esquisito o cartaz não ter o nome da produtora do filme. Fiquei pensando que Walter Salles não é do tipo que queira se promover sozinho. Defendi aqui na editora que um “teaser poster” é algo comercial (ainda mais se estiver em Cannes) e que por isso seria sem sentido não mostrar os atores. Pra completar, fiquei com a impressão de que, além da estética não ter nada a ver com as fotos já divulgadas do filme, esse cartaz estava parecendo um trabalho de alunos de alguma faculdade de design.

Como a L&PM publica On the road, seria bom se também déssemos a notícia do “primeiro cartaz do filme” aqui no blog. Mas antes de fazer isso, resolvi verificar se ele era mesmo verdadeiro. Pra ter certeza de que se tratava (ou não) de um poster original, enviei um email para o produtor do filme, Charles Gillibert, da Produtora MK2 de Paris. O título da minha mensagem era: “teaser poster on the road? is it true?”. Coloquei a foto em anexo. A resposta de Charles veio alguns minutos depois: “Dear Paula, It is absolutely not the OTR poster even not a teaser…” (Cara Paula, não é absolutamente o cartaz de OTR nem mesmo um teaser).

Agradeci a atenção dele e fiquei pensando que alguém deve estar muito feliz a essa hora. Contente por ter criado um  cartaz que ficou famoso. Um poster que nada mais é do que… fake. Tentei achar onde a notícia começou e os primeiros blogs que divulgaram a imagem no Brasil dizem que a informação veio do site “The Play List“. Mas basta entrar lá para ver que o último post é de Outubro de 2010. 

Resumo da ópera: o cartaz acima é uma fabulação, uma brincadeira, uma invenção. Um viral que foi, rapidamente, passando de blog em blog até chegar nos jornais. Não há dúvida de que a internet facilitou a vida dos jornalistas. Mas, às vezes, tenho a impressão de que essa facilidade faz com que eles esqueçam que nem tudo o que cai na rede é… peixe. Ou verdade.

O que Richard Prince tem que você não tem

Richard Prince

Discreto e taciturno, quem vê o artista Richard Prince nas ruas da pequena cidade de Rensselaerville, Nova York, onde mora há 15 anos com a esposa e a filha, não imagina que ele é dono de uma das mais incríveis coleções de relíquias relacionadas à literatura moderna dos Estados Unidos. Entre os milhares de objetos, livros e fotos que ele guarda em casa estão o exemplar de On the road com dedicatória de Jack Kerouac a Neal Cassady e os manuscritos de O poderoso chefão, de Mario Puzo. Sentiu o nível da coleção?

Graças aos milhões que ganha com a venda de seus quadros – em geral, grandes pinturas que já foram arrematados por até 8 milhões de dólares em leilões pelo mundo – Richard Prince possui o que muitos idolatram. Cheques devolvidos de Jack Kerouac, as famosas cartas de Truman Capote a Perry Smith, cuja correspondência deu origem ao célebre A sangue frio, os originais de Naked Lunch com anotações de William Burroughs, esboços das músicas de Jimmy Hendrix e uma excitante coleção de cartoons eróticos também fazem parte do acervo particular de Prince, que foi obrigado a adquirir novos espaços só para acomodar as peças que não param de chegar.

Em meio a tudo isso, uma ótima notícia: já é possível ver todas estas relíquias de perto! Parte do acervo de Richard Prince compõe a exposição American Prayer, em cartaz na Bibliotèque Nationale de France até o dia 26 de junho.

Mas se você não tem planos de ir à França nas próximas semanas, estas fotos dão um gostinho de como está a exposição.

Kerouac em dobro no cinema em 2012

Se você é fã da literatura beat, deve estar contando os dias para assistir ao On the road, de Walter Salles, que tem estreia prevista para o início do ano que vem. Pois vá preparando o coração para emoções em dobro em 2012: o diretor Michael Polish já começou a filmar Big Sur, baseado no livro que é considerado o mais honesto e pessoal de Jack Kerouac. Lançado em 1962, Big Sur mostra a deterioração física, mental e de ideais vivida pelo personagem Jack Duluoz (alter ego de Kerouac). Outros nomes da geração beat são retratados nesta obra autobiográfica como Neal Cassady, Carolyn Cassady e Lawrence Ferlinghetti. No filme, Jack Kerouac será interpretado pelo ator Jean Marc-Barr

Após o frenesi causado pelo lançamento do livro On the road, em 1957, Kerouac passou um período retirado na cabana de Ferlinghetti, seu amigo, poeta e dono da City Lights Books, editora que publicava (e ainda publica) os beat. Na região de Big Sur, na Califórnia, ele dedicou seus dias à escrita de um novo romance. É o próprio Ferlinghetti que conta esta história no vídeo a seguir: 

Clique para ver o vídeo no Youtube

Millôr, Kerouac e Thoreau no Fórum da Liberdade

Por Paula Taitelbaum

Foi o encontro de dois personagens: Peninha e Lobão. Também conhecidos como Eduardo Bueno e… Lobão (alguém por acaso lembra de cabeça como é o nome da “fera”?). Pois bem, a dupla esteve reunida ontem, 11 de abril, para participar do debate de abertura do 24º Fórum da Liberdade que lotou o Salão de Eventos da PUC em Porto Alegre. Transmitido ao vivo pela internet, e com participação ativa dos tuiteiros de plantão, o bate-papo tinha como tema “Liberdade individual: a arte de construir a própria história”. Depois da explanação inicial de Lobão, Eduardo Bueno começou seu colóquio lendo um texto: “Eduardo Bueno nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais remota infância. Só aos 13 anos de idade, partindo de onde estava. E também mais tarde, já homem formado. No jornalismo, especialmente. Sempre, porém, recusou-se, ou como se diz por aí…”. O texto continuava fluindo nessa linha até terminar com uma a plateia fazendo cara de ponto de interrogação. Nessa hora, Eduardo explicou  que o texto tinha sido inspirado em outro, exatamente igual, que Millôr Fernandes escreveu sobre ele mesmo e que está no recém lançado livro A entrevista. “Isso também explica o meu método de trabalho, pediram para Millôr Fernandes uma biografia sucinta e ele apresentou isso. Falando assim praticamente não se entende nada, mas tá tudo ali. E na internet é assim…” falou ele. E continuou: “Não há dúvida que nesse universo extraordinário que a internet nos abriu, o conhecimento está ali, embora exista, na rede, mais lixo eletrônico do que lixo no espaço sideral. Cabe a você fazer a escolha e ver o que dali se aproveita…”

Mais tarde, quando o assunto já era outro, foi a hora de Eduardo citar Jack Kerouac: “Embora, de certa forma, eu tenha fama de moderninho, na verdade, eu sempre tive um descompasso com o próprio tempo. As pessoas falam assim: ‘pô, ele traduziu On the Road… E é verdade, eu traduzi On the Road em 1984, o livro tinha saído em 1959…” e seguiu falando que conheceu a obra de Kerouac em Buenos Aires, país que publicou On the Road também em 1959, numa tradução argentina e não espanhola. “No Brasil, saiu em 1984 e nunca tinha sido publicado. Havia uma tradução lusitana chamada ‘Pela estrada fora’… Mas ao abrir o livro, a primeira frase que li foi ‘Fui-me de boleia ao Orégão em um carro descapotável” disse Eduardo arrancando risos do pessoal (mesmo que a maioria que estava lá provavelmente nunca tenha lido On the Road).

Eduardo – que literalmente estava vestido de literatura –, continuou sua explanação pela estrada das referências até chegar em mais um de seus escritores preferidos: “Eu vim com uma camiseta temática, Walden, de Thoreau, que diz em uma das primeiras frases do livro que ‘O melhor governo é o que menos governa…'” Antes que pudesse continuar, foi interrompido por novos e esfuziantes aplausos. Mas conseguiu finalizar dizendo “E o melhor de todos é o que não governa nunca. Mas precisamos estar preparados para ele” . Fã confesso de Thoreau, Eduardo é o autor da introdução de Walden da Coleção L&PM POCKET.

No final, Eduardo terminou falando um pouco sobre a história do Islã e de como o ocidente é responsável pela série de conflitos da atualidade. Foi nessa hora que pude ouvir várias pessoas dizendo: “Que aula! Qual será o livro dele que eu posso ler pra saber mais sobre isso?”. Infelizmente, Eduardo não tem nenhum livro falando sobre o islamismo. Mas finalizo dizendo que, para os que realmente querem saber mais sobre o assunto, podemos oferecer Islã, da Série Encyclopaedia L&PM.

Lobão e Peninha (Eduardo Bueno) com "Walden"

E o Lobão? No quesito literatura falou apenas sobre sua recém lançada autobiografia. Como não ainda não li, não tenho autoridade para falar sobre o assunto.

As capas de “On the road” pelo mundo

Publicada pela primeira vez em 1957, nos Estados Unidos, a mais famosa novela de Jack Kerouac, On the road, percorreu o mundo e ganhou, em cada país, uma capa diferente. A primeira de todas foi desenhada pelo próprio Kerouac (que ainda assinava “John Kerouac”), em 1952, e enviada para publicação junto com os originais, mas nunca foi utilizada: 

 

Cinco anos depois, quando foi publicado nos Estados Unidos, o livro ganhou uma capa bem diferente da que foi proposta por Kerouac: 

Capa da primeira edição publicada nos EUA.

A história da viagem de Sal Paradise e Dean Moriarty atravessou o Atlântico e ganhou uma capa diferente em cada país: 

Edição publicada na Itália em 2001

Edição francesa de 1987.

Em Portugal, "On the road" virou "Pela estrada fora".

Na Rússia, a capa lembra o rótulo do uísque Jack Daniels

China

A edição chinesa conservou o título original

 Além da edição de bolso de On the road, a L&PM publica On the road – o manuscrito original.

Eu e Jack Kerouac em Buenos Aires

Por Paula Taitelbaum

Buenos Aires é o reino encantado das livrarias e dos cafés. Uma e outro convivem como que em um casamento, misturando seus aromas e texturas: em toda livraria há sempre um café. E em todo café há sempre alguém lendo um livro. Já estive incontáveis vezes na capital portenha e, mesmo assim, ela sempre é capaz de me oferecer uma livraria desconhecida. Foi o que aconteceu neste último final de semana. Caminhando pela Calle Honduras, em Pallermo Hollywood, fui atraída primeiro pelo letreiro e depois pela vitrine de “Libros Eterna Cadência”.  Chegando perto,  meus olhos encontraram-se com um velho amigo: Jack Kerouac.

Ali estava ele, amarelo esverdeado (ou seria verde amarelado?), deitado do outro lado do vidro. Mas o que mais chamava a atenção era uma palavra impressa na capa: “Poesía”. Entrei e fui direto pedir para ver o livro. O dono precisou pegar o exemplar da vitrine, já que era o único que o estabelecimento oferecia. Informou-me também que era raro encontrá-lo e que aquele tinha vindo da Espanha, uma edição bilíngüe da Bartleby Editores. E ali fiquei eu, emocionada, com os Haikais de Kerouac nas mãos. Nunca tinha lido nenhum – e não consegui mais parar de ler. Os pequenos poemas em três versos trazem imagens que, obviamente, em algum momento, estiveram no campo de visão de Kerouac. Folhas caídas no parque, um barco ao longe, a bruma dos bosques, uma sopa sobre a mesa, um campo de beisebol. Tudo foi capaz de virar um pequeno poema sob a pena do autor de On the Road. O “Libro de jaikus”, tradução espanhola para o original “Book of Haikus”, traz mais de 500 Haikais. Comprei o livro, trouxe para a editora. Quem sabe um dia ele não saia por aqui e se junte aos tantos Kerouacs que temos?

Literatura e café: na cafeteria da Eterna Cadência, os livros fazem parte da decoração

E pra dar um gostinho do conteúdo que tenho nas mãos, seguem dois Haikais de Jack (tomei a liberdade de traduzir):

First December cold                                                         

wave  – not even                                                       

One cricket  

Dezembro, primeiro frio 

em ondas  –  não anda              

Nenhum grilo

 

No telegram today 

Only more                                                                                         

Leaves fell      

Hoje nenhum telegrama

– Só mais   

Folhas caídas na grama

Música com inspiração literária

Quem é fã, acaba se tornando especialista sobre o ídolo. Vive à caça de referências, obras raras e informações e, sempre que possível, não poupa homenagens: dá o nome do ídolo a animais de estimação, objetos, filhos e – por que não? – projetos profissionais. É o caso dos integrantes da banda russa Agatha Christie:

No site oficial da banda, todas as músicas estão disponíveis para streaming em vídeo.

Além da Rainha do Crime, o autor de On the road também ganhou versão musical: a banda inglesa Kerouac lançou no ano passado o EP Cold and Distant, Not Loving.

Para completar o setlist literário, aí vai uma sugestão para quem gosta de rock inglês dos anos 80: Virgínia Wolf (assim mesmo, com apenas um “o”). Veja o clipe oficial da música Waiting for your love, do álbum Push (1987):