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A reação de Kerouac ao ler Kaddish de Ginsberg

“Tem o impacto de um romance de Dostoiévski”, escreveu Jack Kerouac a Allen Ginsberg logo após ler “Kaddish”, um dos poemas publicados na edição de Uivo da Coleção L&PM Pocket. Leia a carta completa:

Esta e outras preciosidades estão no livro As cartas que acaba de chegar ao Brasil pela L&PM.

A primeira opinião de Allen Ginsberg sobre “On the road”

Eis um trecho da carta que Allen Ginsberg escreveu a Jack Kerouac logo depois de ler os originais de On the road em 1952:

(clique na imagem para ampliar)

Ainda bem que ele estava errado! Esta e outras preciosidades estão no livro As cartas que acaba de chegar ao Brasil pela L&PM.

Patti Smith na Premiere de “On the Road”

A Premiere novaiorquina do filme On the Road, baseado no livro homônimo de Jack Kerouac, que aconteceu na semana passada, teve várias presenças marcantes. Entre elas, Patti Smith, cantora, poeta e artista visual que muito conviveu com os beats Allen Ginsberg e William Burroughs, escritores que aparecem em On the road como Carlo Marx e Old Bull Lee. Patti chegou na companhia de Michael Stipe, ex-vocalista da banda R.E.M e, fãs da obra de Kerouac, dizem que ambos sairam da sala de cinema bastante animados com o que viram.

Patti Smith e Michael Stipe na premiere de On the Road em NY

Carl Solomon, Patti Smith, Allen Ginsberg e William Burroughs

A L&PM acaba de lançar Allen Ginsberg e Jack Kerouac: as cartas, livro que traz a correspondência trocada por anos entre os dois amigos.

“On the road” chegou em Nova York

O filme “On the road” de Walter Salles, baseado no romance mais famoso de Jack Kerouac, finalmente chegou em sua terra natal, Nova York, e arrancou aplausos da plateia lotada no SVA Theatre. A imprensa, que já tinha feito uma grande cobertura na estreia europeia do filme no primeiro semestre, voltou seus holofotes para Kristen Stewart. A atriz que faz o papel de Marylou no filme de Walter Salles usava um look descrito pelos periódicos mais gentis como “duvidoso”.

O fato é que o figurino de Kristen destoa do estilo clássico adotado por seus colegas de elenco e isso, talvez, tenha acentuado um pouco o estranhamento dos repórteres que cobriram a premiére em NY.

Mas o que importa é que o filme é um sucesso de público e crítica por onde passa. E está emocionando a plateia. Incluindo aqueles que conviveram com Allen Ginsberg e os beats.

Essas cartas vão fazer você chorar

É como entrar numa máquina do tempo, como remexer em gavetas alheias, como ser um voyeur olhando por cima do ombro de quem escreve em silêncio. Ler “As cartas” que Jack Kerouac e Allen Ginsberg trocaram ao longo de 25 anos é descobrir os detalhes, invadir as emoções, compartilhar os medos, inseguranças, as euforias. É, ainda, acompanhar o desbrochar de escritores, a ascenção de um movimento literário, o nascimento de seus livros, a intimidade de dois amigos com muito em comum. Allen assina sempre Allen. Já Jack, além de Jack, é Jean, Jean-Louis, Ti-Jean ou simplesmente J. São 500 páginas de pura descoberta. É como escreveu Lawrence Ferlinghetti em uma carta datada de 25 de maio de 1961: “Um dia, as cartas de Allen Ginsberg para Jack Kerouac vão fazer a América chorar. As minhas lágrimas já começaram a rolar. (Paula Taitelbaum)

Caro Allen: (22 de setembro de 60)

Sim, acabo de retornar, grande voo no Ambassador da TWA, dedutível do imposto de renda, com vinho, champanhe, filé mignon e a esposa do embaixador chinês em Taipei na minha frente etc. Nova York parece pequena e grosseira depois da anárquica, louca e espontânea Frisco. Encontrei-me com todo mundo. Neal está mais fantástico do que nunca, muito mais doce, está bonitão, saudável. Caminha até o trabalho em Los Gatos na recauchutadora de pneus – gostaria de fazer o papel de Dean no filme On the Road, qualquer coisa é melhor do que recauchutar. (…) Enquanto isso, em Big Sur, sentei perto do mar todos os dias, algumas vezes numa assustadora e trovejante nebulosa escuridão de escarpas e ondas enormes, e escrevi Mar, primeira parte, MAR: o Oceano Pacífico em Big Sur na Califórnia. Tudo som de ondas, como James Joyce faria. Escrevi quase tudo de olhos fechados, como um Homero cego. Li para a turma à luz de uma lamparina a óleo. McClure etc. Neal etc. todos ouviram mas é como Old Angel, só mais ondas que batem e rebatem plop kerplosh, o mar não fala em sentenças, mas vem em pedacinhos assim:

Não há palavra humana
para tristezas mais antigas
que velha essa onda
quebrando aflige a
areia com o ploch
da ideia renosa
torcida – Ah mudar
o mundo? Ah cobrar
o preço? São corda os
anjos pelo mar?
Ah lontra cordosa
coberta de cracas –

(…)

Jean

Uma das cartas que estão no livro que tem edição de Bill Morgan e David Stanford

Cenas de Nova York

Percorri as ruas, as pontes, Times Squares, cafés, o cais, visitei todos os meus amigos poetas beatniks e perambulei com eles, tive casos com garotas do Village e fiz tudo isso com aquela imensa e louca alegria que se sente quando se retorna a Nova York.

Tenho escutado grandes cantores negros a chamarem de “A Maçã”! “Ali está agora a vossa cidade insular dos manhattoes, envolta pelo cais”, cantou Herman Melville. “Envolta por marés flamejantes”, recitou Thomas Wolfe.Vistas completas de Nova York por toda parte, de New Jersey, dos arranha-céus.

O Bickford’s é o maior palco da Times Square – muita gente tem perambulado por ali há anos, homens e meninos em busca sabe Deus do que, talvez de algum anjo da Times Square que transforme aquela grande sala em um lar, o velho lar doce lar – a civilização precisa disso. – Aliás, o que a Times Square está fazendo ali? O melhor mesmo é aproveitá-la. – A maior cidade que o mundo jamais viu. – Será que há uma Times Square em Marte?

Vamos nos embebedar na Bowery ou comer aquele macarrão comprido com copos de chá no Hong Pat’s em Chinatown. – Por que estamos sempre comendo? Vamos dar uma caminhada pela ponte do Brooklyn e abrir o apetite outra vez. – Que tal um pouco de quiabo na Sands Street? Oh, fantasmas de Hart Crane!

Ah, vamos voltar para o Village e parar na esquina da Eighth Street com a Sixth Avenue para ver os intelectuais passarem. – Repórteres da AP correndo para seus apartamentos de subsolo na Washington Square, colunistas femininas com grandes cães policiais quase rebentando a corrente, detetives solitários passando como sombras, desconhecidos peritos em Sherlock Holmes (…)

Texto: trechos de Cenas de Nova York, de Jack Kerouac, tradução de Eduardo Bueno.

Fotos: Ivan Pinheiro Machado.

Haicais de Jack Kerouac por Claudio Willer

Um presente da L&PM para os fãs de literatura beat: quatro Haicais inéditos de Jack Kerouac em tradução de Claudio Willer (autor de Geração Beat). O livro com estes pequenos poemas, escritos pelo autor de On the Road, chega no início de 2013.

A árvore parece
um cão
Latindo ao Céu

Nenhum telegrama hoje
– Nada a não ser
Mais folhas caídas

Os moinhos de vento de
Oklahoma olham
em todas as direções

Agachada na
nevasca, a antiga
Miséria do gato

“On the Road” segue na estrada

Depois de passar pro Cannes, países europeus e chegar ao Brasil, On the Road (Na estrada), o filme de Walter Salles baseado no livro homônimo de Jack Kerouac, acaba de estacionar no American Film Institute Film Festival. Ao ser apresentado em uma sala lotada no início desta semana, o filme de Salles arrancou aplausos calorosos da plateia.

On the Road estreia nos cinemas norteamericanos em dezembro e aqui você poderá ver o novo trailer que já está sendo divulgado na terra natal dos beats. Na nossa opinião, ele é ainda mais dinâmico e envolvente do que aquele apresentado por aqui. E tem ainda mais cenas: 

Para completar, o Huffington Post publicou uma resenha super positiva sobre o filme. Leia aqui.

Obrigada leitor: uma breve história da coleção L&PM Pocket, 15 anos depois

A L&PM foi fundada em 1974. O Lima e eu tínhamos pouco mais de 20 anos. Uns guris, como se diz cá nos pampas. De lá até o final dos anos 1990, tínhamos enfrentado uma ditadura truculenta, cinco moedas diferentes (Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Real…) e uma inflação que chegou a 80% no mês de transição do governo Sarney para o governo Collor em 1990. Em 1995 veio o Plano Real. Se por um lado foi o fim da inflação alucinante, por outro lado, nos empurrou para uma forte recessão e juros altíssimos. Por estas e por outras, a L&PM sentiu o golpe e teve que encolher para se adaptar a uma situação econômica complicada, já que não tínhamos sócios multinacionais… Foi aí que fizemos o projeto “livro de bolso”. Na época, era voz corrente que “livro de bolso não funcionava no Brasil”. E de fato, todas as tentativas até então tinham fracassado. Não dava pra entender – em todos os lugares do mundo o “pocket” significava quase metade do faturamento das editoras… Foi aí que decidimos concentrar nossas energias para enfrentar este “dogma” do mercado e criar uma grande coleção de livros de bolso. Uma coleção que fosse a cara da L&PM que já tinha, na época, mais de 2 mil títulos publicados. Isso foi há 15 anos. Como diria o presidente “empichado” Fernando Collor, “tínhamos só um tiro para dar”. No caso dele era contra a inflação, e ele errou. No nosso, era dar certo e prosseguir a L&PM ou dar errado e mudar de ramo… Pois bem. Graças a uma equipe fantástica, a L&PM emergiu de grandes dificuldades para  implantar no Brasil uma nova cultura editorial, democratizar o acesso ao livro e criar a maior coleção de livros de bolso do Brasil, hoje com mais de 1.200 títulos. E quem ganhou foi o leitor, porque imediatamente outras editoras foram obrigadas a fazer livros mais econômicos. Inclusive editoras que se caracterizam por cobrar altos preços pelos seus livros, como a Cia. das Letras, foi obrigada a se curvar e, para não perder mercado, muitos anos depois, precisou imitar os passos da L&PM Pocket criando uma coleção de bolso…

Uma coleção viabilizada pelo leitor

Foi um longo caminho até aqui. Nós temos a consciência de que o único responsável pelo êxito do projeto é o Leitor. Com “L” maiúsculo mesmo. Ele entendeu – muito antes da grande imprensa que sempre gostou de cortejar as grandes editoras – que era possível comprar livros de grande qualidade por muito menos da metade do preço de um livro convencional. E livros feitos no mesmo papel, no mesmo acabamento. Grandes livros de autores nacionais e, no caso de livros de autores estrangeiros, traduzidos pelos melhores profissionais disponíveis no mercado. Nosso projeto editorial inclui uma escolha eclética que atinge todo o público; dos mangás japoneses aos clássicos, passando por literatura moderna brasileira e internacional, teatro, gastronomia, comportamento, biografias, reportagem, história, psicologia (a coleção começou a publicar a obra completa de Freud, pela primeira vez traduzida direto do alemão) quadrinhos em geral, comportamento, filosofia, humor etc. A grande inovação – que o leitor entendeu imediatamente, repito – foi que a coleção L&PM Pocket não tem aquele aspecto “caça-níquel”, em que o livro é jogado no formato bolso depois de ter “dado o que tinha que dar” em várias versões e formatos. Livros extremamente importantes são lançados diretamente na nossa coleção, como a obra de Freud, Jack Kerouac, Bukowski, Jane Austen, Agatha Christie, Simenon, ShakespeareKafka, Woody Allen e muitos outros grandes autores. Há uma qualificada equipe que atua na concepção editorial, logística e vendas, pensando 24 horas por dia exclusivamente na Coleção L&PM Pocket. Profissionais de alto nível que conseguem colocar os pockets da L&PM nos locais mais distantes deste imenso país. Das fronteiras dos pampas às praias do nordeste, da Avenida Paulista ao Mercado Ver-o-Peso em Belém do Pará; enfim, no mais profundo interior de Minas Gerais, em Rio Branco no Acre, Salvador, Aracaju, Canoa Quebrada no Ceará, Teresina, São Luiz, Manaus, Curitiba, Goiânia, do Oiapoque ao Chuí você sempre vai encontrar um display da coleção L&PM Pocket. E nós só temos um agradecimento a fazer: é a você , leitor, que dá sentido e viabiliza o nosso trabalho. (Ivan Pinheiro Machado)

Clique sobre a imagem e assista a um vídeo que conta a história da Coleção L&PM Pocket

Imprensa britânica aplaude “On the road”

O filme “Na estrada” de Walter Salles estreou no início do mês em Londres e já conquistou aplausos da imprensa britânica, como nas críticas que saíram nos The Guardian e The Telegraph.

Trabalhando com um maravilhoso diretor de fotografia, o francês Eric Gautier, Salles invoca uma “twilit America” onde o ímpeto de viajar é uma dor, um vício, uma espécie de loucura. Sumir do mapa é uma tentação para estes jovens sem raízes, entediados com as opções convencionais de vida. É claro que a mitologia em torno de Kerouac pode ser um fardo para quem não entra nessa onda e eu sempre me achei, de certa forma, imune a tudo isso. Mas este tratamento sedutor e honesto do filme me provou que eu estava errado. (Tim Robey do jornal The Telegraph – leia na íntegra aqui)

Philip French, do jornal The Guardian, abre seu texto sem deixar dúvidas sobre o que achou do filme: “Depois de anos de produção, a adaptação de Walter Salles do clássico beat de Jack Kerouac é ousado, afetado e essencialmente triste.” (leia na íntegra aqui)

Pra quem ainda não leu On the road, a L&PM preparou uma edição especial do livro com o cartaz do filme “Na estrada” na capa.

Para quem perdeu o filme nos cinemas brasileiros, breve ele deve chegar em DVD.