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Obrigada leitor: uma breve história da coleção L&PM Pocket, 15 anos depois

quinta-feira, 25 outubro 2012

A L&PM foi fundada em 1974. O Lima e eu tínhamos pouco mais de 20 anos. Uns guris, como se diz cá nos pampas. De lá até o final dos anos 1990, tínhamos enfrentado uma ditadura truculenta, cinco moedas diferentes (Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Real…) e uma inflação que chegou a 80% no mês de transição do governo Sarney para o governo Collor em 1990. Em 1995 veio o Plano Real. Se por um lado foi o fim da inflação alucinante, por outro lado, nos empurrou para uma forte recessão e juros altíssimos. Por estas e por outras, a L&PM sentiu o golpe e teve que encolher para se adaptar a uma situação econômica complicada, já que não tínhamos sócios multinacionais… Foi aí que fizemos o projeto “livro de bolso”. Na época, era voz corrente que “livro de bolso não funcionava no Brasil”. E de fato, todas as tentativas até então tinham fracassado. Não dava pra entender – em todos os lugares do mundo o “pocket” significava quase metade do faturamento das editoras… Foi aí que decidimos concentrar nossas energias para enfrentar este “dogma” do mercado e criar uma grande coleção de livros de bolso. Uma coleção que fosse a cara da L&PM que já tinha, na época, mais de 2 mil títulos publicados. Isso foi há 15 anos. Como diria o presidente “empichado” Fernando Collor, “tínhamos só um tiro para dar”. No caso dele era contra a inflação, e ele errou. No nosso, era dar certo e prosseguir a L&PM ou dar errado e mudar de ramo… Pois bem. Graças a uma equipe fantástica, a L&PM emergiu de grandes dificuldades para  implantar no Brasil uma nova cultura editorial, democratizar o acesso ao livro e criar a maior coleção de livros de bolso do Brasil, hoje com mais de 1.200 títulos. E quem ganhou foi o leitor, porque imediatamente outras editoras foram obrigadas a fazer livros mais econômicos. Inclusive editoras que se caracterizam por cobrar altos preços pelos seus livros, como a Cia. das Letras, foi obrigada a se curvar e, para não perder mercado, muitos anos depois, precisou imitar os passos da L&PM Pocket criando uma coleção de bolso…

Uma coleção viabilizada pelo leitor

Foi um longo caminho até aqui. Nós temos a consciência de que o único responsável pelo êxito do projeto é o Leitor. Com “L” maiúsculo mesmo. Ele entendeu – muito antes da grande imprensa que sempre gostou de cortejar as grandes editoras – que era possível comprar livros de grande qualidade por muito menos da metade do preço de um livro convencional. E livros feitos no mesmo papel, no mesmo acabamento. Grandes livros de autores nacionais e, no caso de livros de autores estrangeiros, traduzidos pelos melhores profissionais disponíveis no mercado. Nosso projeto editorial inclui uma escolha eclética que atinge todo o público; dos mangás japoneses aos clássicos, passando por literatura moderna brasileira e internacional, teatro, gastronomia, comportamento, biografias, reportagem, história, psicologia (a coleção começou a publicar a obra completa de Freud, pela primeira vez traduzida direto do alemão) quadrinhos em geral, comportamento, filosofia, humor etc. A grande inovação – que o leitor entendeu imediatamente, repito – foi que a coleção L&PM Pocket não tem aquele aspecto “caça-níquel”, em que o livro é jogado no formato bolso depois de ter “dado o que tinha que dar” em várias versões e formatos. Livros extremamente importantes são lançados diretamente na nossa coleção, como a obra de Freud, Jack Kerouac, Bukowski, Jane Austen, Agatha Christie, Simenon, ShakespeareKafka, Woody Allen e muitos outros grandes autores. Há uma qualificada equipe que atua na concepção editorial, logística e vendas, pensando 24 horas por dia exclusivamente na Coleção L&PM Pocket. Profissionais de alto nível que conseguem colocar os pockets da L&PM nos locais mais distantes deste imenso país. Das fronteiras dos pampas às praias do nordeste, da Avenida Paulista ao Mercado Ver-o-Peso em Belém do Pará; enfim, no mais profundo interior de Minas Gerais, em Rio Branco no Acre, Salvador, Aracaju, Canoa Quebrada no Ceará, Teresina, São Luiz, Manaus, Curitiba, Goiânia, do Oiapoque ao Chuí você sempre vai encontrar um display da coleção L&PM Pocket. E nós só temos um agradecimento a fazer: é a você , leitor, que dá sentido e viabiliza o nosso trabalho. (Ivan Pinheiro Machado)

Clique sobre a imagem e assista a um vídeo que conta a história da Coleção L&PM Pocket

Catálogo L&PM e-books chega a 400 títulos

quarta-feira, 21 dezembro 2011

A boa notícia de final de ano é essa: estamos chegando aos 400 títulos em e-book e, no início de janeiro, o catálogo de livros digitais da L&PM já terá ultrapassado esta marca. São opções dos mais variados gêneros e autores para todos os gostos que incluem Jack KerouacBukowski, Balzac, Nietzsche, Moacyr Scliar, Millôr Fernandes, Jane Austen, Agatha Christie, Georges Simenon, Patricia Highsmith, Caio Fernando Abreu, Eduardo GaleanoMartha Medeiros, entre muitos outros. Há romances, contos, poesia, ensaios, quadrinhos. 

A distribuição dos e-books L&PM é feita pela DLD (Distribuidora de Livros Digitais), que é administrada por um grupo que reúne as editoras Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta e, claro, L&PM. A DLD possui acordo operacional como as livrarias Saraiva, Cultura, Curitiba e com os portais Positivo, Abril e Copia. Ou seja: basta clicar aqui, escolher entre estas centenas de opções, entrar no site das livrarias e… feliz download 2012!

O ritual literário de Georges Simenon

terça-feira, 22 novembro 2011

Para Georges Simenon, o criador do comissário Maigret, o maior crime que se podia cometer era incomodá-lo enquanto estava trabalhando. “Não perturbe”, dizia uma plaquinha na porta de seu escritório. Outra condição sine qua non para começar a escrever um romance incluía pelo menos quatro dúzias de lápis recém apontados, um bloco novo de folhas amareladas, um envelope com nomes, idades e endereços de seus personagens e uma lista com possíveis itinerários de trem, além da máquina de escrever a postos e devidamente higienizada, as cortinas fechadas e café em boa quantidade. Cada novela levava de 8 a 11 dias para ser escrita, no ritmo de um capítulo por manhã – Simenon dava “expediente” em seu escritório das 6h30 às 9h.

Simenon em seu apartamento, em Paris

Ao todo, ele escreveu cerca de 250 mil páginas, que ligadas ponta com ponta chegariam aos 6km de extensão. Duvida? Então faça a conta, por cima: 75 histórias com o comissário Maigret, 115 novelas, 117 “roman durs” (ou “hard novels”), sem esquecer dos 249 roteiros. Tamanho currículo lhe rendeu o posto de 4º autor de língua francesa mais traduzido no mundo!

Onde nós queremos chegar com tantos números? Era só pra dizer que todos estes objetos que fizeram parte do ritual literário do grande Georges Simenon estão em exposição no Historial de la Vendée, na França, até o dia 26 de fevereiro de 2012. São 200 objetos pessoais do escritor: além dos 6km de originais manuscritos e/ou datilografados e de todo o “arsenal” envolvido em sua produção literária, é possível ver de pertinho também o inseparável chapéu de feltro e o moedor de tabaco. Já pensou que emoção?

Se você estiver pela França, não perca esta! Visite a exposição, faça umas fotos e compartilhe aqui para nos deixar morrendo de inveja ;)

O dia de Poirot, Maigret, Padre Brown e Sherlock Holmes

segunda-feira, 16 maio 2011

O que seria de um boa história de mistério sem eles? Aquela pista que ninguém viu, aquele personagem que ninguém desconfiou, aquele motivo que ninguém suspeitou… Só eles são capazes de chegar ao verdadeiro veredicto, à resposta elementar, ao assassino frio e calculista. Seguindo não apenas as pistas, mas principalmente suas deduções precisas, os detetives são o grande trunfo dos livros da sessão policial. Tanto é assim que os mais famosos nunca aparecem em uma única história.   

Por que esse papo todo hoje? Porque ontem, 15 de maio, foi o Dia do Detetive. E nada mais justo do que  prestarmos uma homenagem aos nossos velhos conhecidos detetives da literatura: Poirot, Maigret, Padre Brown e Sherlock Holmes. Cada um deles tem a sua própria personalidade, construida com muito esmero por seus “pais”. Ou melhor, pelos escritores que os criaram. 

O ator David Suchet como Hercule Poirot

Hercule Poirot - Agatha Christie descreve seu mais célebre personagem: “Altura, um metro e sessenta e dois; a cabeça, do formato de um ovo, ligeiramente inclinada para um lado; olhos de um verde brilhante quando excitado; espesso bigode hirsuto como costumam usar os oficiais do Exército; e uma pose de grande dignidade.” 

Para Poirot, é possível resolver um crime estando “apenas sentado na sua poltrona”, pois, ao contrário dos outros detetives que buscam pistas no local do crime, Poirot utiliza como principal método a psique humana. Não é um detetive de ação, mas de dedução. 

Rupert Davies como Jules Maigret

Jules Maigret - O comissário Jules Maigret, criado por Georges Simenon, é, sem dúvida, um dos grandes personagens da literatura moderna. Mas antes de ser um detetive, é um verdadeiro estudioso da natureza humana. Um homem sensível às fraquezas de seus semelhantes. Sua argúcia está ligada, menos à genialidade dedutiva, do que a uma profunda capacidade de compreender a alma de suspeitos e vítimas. 

Maigret nos comove exatamente por isso. Pelo paradoxo que se estabelece quando temos um policial generoso, capaz de sofrer pela sorte de culpados e inocentes. 

Alec Guinness como Padre Brown

Padre Brown - Criado pelo escritor britânico G. K. Chesterton, Padre Brown está entre os gandes detetives da literatura. Suas reflexões filosóficas pontuam a ficção de Chesterton e a escolha do método humanístico da intuição em detrimento da dedução garantiram a ele um lugar junto aos grandes. 

“A literatura é uma das formas de felicidade; talvez nenhum outro escritor tenha me proporcionado tantas horas felizes como Chesterton”, disse Jorge Luis Borges. 

Robert Downey Jr. como Sherlock Holmes

Sherlock Holmes – Ele é sem dúvida o maior de todos. Ao lado de seu fiel amigo, o Dr. Watson, Sherlock Holmes não aceita estar errado. Normalmente, porque ele sempre está… certo. Ao contrário do comissário Maigret, Holmes não demonstra muitos traços de sentimentalismo, preferindo o lado racional de ser. Sir Arthur Conan Doyle, seu criador, até tentou matar a criatura em um dos seus livros. Mas foi obrigado a ressucitá-lo devido aos protestos de leitores do mundo inteiro.

Sherlock Holmes domina incrivelmente uma vasta quantidade de assuntos do conhecimento humano, como história, química, geologia, línguas, anatomia e literatura.

Um corpo aos pedaços… mas sem cabeça. E o gênio de Simenon

segunda-feira, 26 abril 2010

Por Ivan Pinheiro Machado

Robert e seu irmão estavam intrigados. O motor fazia um barulho diferente e a barcaça curiosamente não saía do lugar. Parecia que a hélice girava no vazio. O diagnóstico era fácil: a embarcação levava um carregamento de pedras e, com o peso, o casco estava próximo ao lodo no fundo do canal. Naquele ponto, no Sena, as pessoas jogavam de tudo no rio e algo havia se enroscado na hélice. Desligaram o motor e cada um dos irmãos pegou um arpão. Depois de várias tentativas, um deles conseguiu firmar o objeto intruso e finalmente Robert o arrancou das engrenagens. Para espanto dos irmãos, na ponta do arpão havia um braço humano. Este é o mote. Mais um problema para o comissário Maigret. Ou melhor, dois problemas. Chamada a polícia, foram retirados do fundo do rio mais uma perna, um tronco, outro braço… e nada da cabeça. Portanto, era preciso descobrir, primeiro, quem viria a ser o morto e, depois, quem o matou.

Inédito no Brasil Maigret e o corpo sem cabeça é, entre todos o “Maigrets”, um dos mais verdadeiros e emblemáticos do célebre comissário.

O gênio de Georges Simenon resplandece nesta história que ultrapassa o gênero policial. É um livro tão profundo que pode até decepcionar os mais ortodoxos amantes do gênero. Pois ele se eleva a um patamar maior, que é a grande literatura e mergulha nas profundezas da condição humana. Desesperança, desamor, solidão, tristeza, fraquezas e incertezas são mazelas próprias do homem e que estão, frequentemente, na origem do mal e do crime.

Nesta história genial o leitor verá, até o ponto final na página 171, que foi guiado pela mão de um mestre que questiona, diverte e, sobretudo, emociona milhões de leitores em todo o mundo.