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“Geração Beat” será encenada pela 1ª vez

Talvez poucos saibam disso, mas Jack Kerouac já se aventurou pelos caminhos do teatro e escreveu, em 1957, uma peça em três atos chamada Geração Beat (Coleção L&PM Pocket), a única de sua curta carreira de dramaturgo. Eis que 55 anos depois, a peça será encenada pela primeira vez na cidade natal de Kerouac, Lowell, no estado de Massachusetts, durante o festival “Jack Kerouac Literary”. Serão oito performances que estão sendo preparadas  pelo grupo Merrimack Repertory Theatre em parceria com a University of Massachusetts Lowell.

Se a peça não foi encenada antes, não foi por falta de empenho do próprio Kerouac. Na época, ele enviou cópias do texto para diversos produtores e atores (entre eles Marlon Brando), mas diante das sucessivas negativas, acabou desistindo e o texto ficou engavetado por muito tempo até ser redescoberto em 2005.

Geração Beat mostra um dia na vida do personagem Jack Duluoz, uma espécie de alter ego de Kerouac. Como é de praxe, as histórias são baseadas nas vivências do escritor e os outros personagens fazem referência a Allen Ginsberg, William Burroughs, Neal Cassady, Gregory Corso e outros malditos. A estreia está prevista para outubro.

Mensagem

Desde quando mudamos
transamos conversamos trabalhamos
choramos & mijamos juntos
eu acordo pela manhã
com um sonho nos meus olhos
mas você partiu para NY
lembrando-se de mim Bom
eu te amo eu te amo
& teus irmãos são loucos
eu aceito os casos de bebedeira
Há muito tempo tenho estado só
há muito tempo tenho estado na cama
sem ninguém a quem pegar no joelho, homem
ou mulher, tanto faz, eu
quero o amor nasci para isso quero você comigo agora
Transatlânticos fervem no oceano
Delicados esqueletos de arranha-céus não terminados
A cauda do dirigível roncando sobre Lakehurst
Seis mulheres nuas dançando juntas num palco vermelho
As folhas agora estão verdes em todas as árvores de Paris
Chegarei em casa daqui a dois meses e olharei nos teus
olhos

Allen Ginsberg, Uivo e outros poemas

Perspectiva: os destaques de 2012

Já fizemos aqui neste blog a Retrospectiva 2011, com alguns livros que chamaram a atenção durante o ano que está chegando ao fim. Mas agora chegou a hora de olhar para frente e fazer a Perspectiva 2012. Com alguns dos destaques que estão programados para o ano que vem. Dê uma olhada no prólogo dos lançamentos:

1961 – O golpe derrotado, de Flávio Tavares. Quando o Movimento da Legalidade eclodiu no sul do país, Flávio foi o enviado especial do Jornal Última Hora ao centro de operações do movimento e acabou atuando como um porta-voz informal de Brizola. O que ele viu e viveu agora chegará em um livro que, além de ser um documento histórico, é uma aventura eletrizante.

Peanuts Completo – O volume 5 de Peanuts Completo chegará no início do ano, trazendo as tiras de Charles Schulz que vão de 1959 a 1960. Novamente em uma edição de luxo com capa dura.

Andy Warhol – Primeiro, será lançado Andy Warhol na Série Biografias. Depois, chegará Os diários de Andy Warhol em dois volumes na Coleção L&PM POCKET. E para meados de 2012 está prevista a chegada de América, livro de fotos do papa do pop.

Simon´s Cat – O fofo e faminto gato de Simon (o desenhista Simon Tofield), famoso na França não apenas nos livros, mas também na TV, chegará ao Brasil com o selo L&PM. Livros apaixonantes que vão deixar os leitores sem palavras.

Liu Xiaobo – com título provisório “Monólogos de um sobrevivente do dia do juízo final: textos escolhidos”, vem aí o livro de Liu Xiaobo, Prêmio Nobel que encontra-se preso pela China comunista. O livro terá textos sobre a China e, também, poesias de autoria de Xiaobo.

Los hijos de los días – Este é o título original do novo livro de Eduardo Galeano que está sendo traduzido por Eric Nepomuceno. Em sua nova obra, Galeano traça uma pequena história para cada dia do ano, sempre centrada em um fato real que aconteceu naquela data.

Cartas: Kerouac/Ginsberg – Livro que traz a correspondência trocada entre os escritores beats durante mais de duas décadas. Os editores Bill Morgan e David Stanford foram os responsáveis por organizar essa correspondência, dois terços da qual nunca havia sido publicada antes.

História Secreta da Costaguana – De Juan Gabriel Vásquez, autor de Os informantes, já publicado pela L&PM, chegará História secreta de Costaguana, que rendeu ao escritor o prêmio Qwerty de melhor romance espanhol (Barcelona) e o prêmio Fundación Libros & Letras (Bogotá).

À sombra da Rota da Seda – Para viajar (e escrever) sobre a Rota da Seda, a maior rota terrestre do planeta, o escritor britânico Colin Thubron percorreu este caminho de ônibus, caminhão, carro, carroça e camelo, durante oito meses. Foi do coração da China às montanhas da Ásia Central, andou pelo norte do Afeganistão e percorreu as planícies do Irã, chegando à Turquia. O resultado, você poderá ler em 2012.

O canto da planície de Nancy Huston – Da mesma autora de Marcas de Nascença, Dolce Agonia e A espécie fabuladora, será lançado este que é um dos livros mais famosos livros da premiada escritora canadense radicada nos EUA, Nancy Huston.

A interpretação dos sonhos – Este livro que é considerado uma das mais famosas obras de Sigmund Freud agora fará parte da Coleção L&PM Pocket. Em seguida, será lançado, também do pai da psicanálise, Moisés e o monoteísmo. Ambos com tradução do alemão, feita por Renato Zwick.

Roberto Freire – O bestseller Roberto Freire, sucesso nos anos 80 e 90 com livros como Sem tesão não há solução, chega na Coleção L&PM Pocket com dois títulos: Cleo e Daniel (adaptada para cinema e TV) e Ame e dê vexame.

E ainda vem Virginia Woolf, Jane Austen, James Joyce, Lawrence Ferlinghetti, Luigi Pirandello e mais Agatha Christie e Simenon. E também novos títulos na Série Clássicos da Literatura em Quadrinhos, o volume 2 da HQ Aya, novidades na Série Encyclopaedia e nomes como Jesus, Buda, James Dean e Pasolini na Série Biografias. Ou seja:  motivos para aguardar um ótimo ano novo não faltam. Feliz 2012!

Os livros estão de luto

Quem conhece Paris provavelmente já visitou a livraria Shakespeare and Company. Aconchegante e abarrotada de (bons) livros, essa que hoje é ponto turístico dos apaixonados pela literatura,  já foi ponto de encontro de intelectuais como Arthur Miller, James Baldwin, Samuel Beckett, Anaïs Nin, Lawrence Durrel, William Burroughs, Gregory Corso e Allen Ginsberg. Escritores que lá iam para comprar seus livros e se encontrarem com George Whitman, o dono da livraria que morreu quarta-feira, 14 de dezembro, dois dias depois de completar 98 anos.

Segundo o jornal The New York Times, Whitman faleceu devido a complicações que surgiram após um derrame sofrido há dois meses. Em outubro, ele se recusou a ficar no hospital e exigiu ser levado para casa, que fica em cima da Shakespeare and Company. Ontem, quinta-feira, a livraria estava fechada e, em sua porta, velas, flores e romances foram colocados juntos ao comunicado que anunciava a morte de Whitman. Os admiradores também colaram bilhetes com agradecimentos e elogios a ele.

Whitman nasceu em Nova Jersey, nos Estados Unidos, mas passou parte da infância na China. Mudou-se para Paris em 1948, tendo uma bicicleta e um gato como as suas únicas posses. Em 1951, ele abriu a livraria Le Mistral que depois seria rebatizada de Shakespeare and Company, em homenagem a Sylvia Beach, proprietária da Shakespeare & Company original, responsável pela primeira edição de Ulisses, de James Joyce. Quando morreu, em 1962, Sylvia Beach deixou para Whitman os direitos da marca e os seus livros. Dois anos depois, a Le Mistral de Whitman tornou-se Shakespeare & Company dois anos depois.

Mais do que dono de livraria, George Whitman foi uma lenda. Seu lema de vida tinha sido tirado de um poema de W.B. Yeats: “Não seja inóspito a estranhos, pois eles podem ser anjos disfarçados”. Atualmente, quem cuida da Shakespeare and Company é a filha de George, Sylvia Beach Withman.

O editor Ivan Pinheiro Machado, que também é artista plástico, eternizou a Shakespeare and Company em uma das pinturas que estava em sua mais recente exposição

Socorro! Harry Potter virou poeta beat

Imagine se Allen Ginsberg fosse Harry Potter e Jack Kerouac tivesse a cara do Capitão América. Não seria, no mínimo, estranho? Pois é assim que promete ser Kill Your Darlings, filme que contará a história de como Ginsberg e Kerouac se aproximaram, através do amigo em comum e editor, Lucien Carr.

Por acaso ele tem cara de Allen Ginsberg?

A ideia do roteiro é boa, mas só de pensar que o autor de Uivo será interpretado por Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter (que ainda por cima é britânico!) e que Kerouac será vivido pelo “super-herói” Chris Evans, nos dá um certo desconforto. Radcliffe foi a segunda opção, depois que Jesse Eisenberg (que pelo menos é americano e judeu como Ginsberg!) saiu fora do projeto. Para quem não lembra, Eisenberg é o ator principal do oscarizado Facebook.

Pelo menos nessa foto, o Capitão América Chris Evans - que também trabalhou no Quarteto Fantástico - não está com roupa de super-herói

O filme, que tem roteiro e direção do estreante John Krokidas está em produção desde 2009. A história que Krokidas quer contar dará destaque para Carr que, em 1944, foi preso pelo assassinato de seu amante, David Kammerer. Aliás, o único do elenco que parece se salvar é Ben Whishaw, ator que viverá Carr.

Segundo  notícias publicadas na imprensa internacional, as filmagens com o novo Ginsberg começarão quando Harry Potter Radcliffe terminar sua participação na atual temporada de uma peça na Broadway.

Os verdadeiros Kerouac, Carr e Ginsberg cantando em um bar

Allen Ginsberg já foi interpretado por James Franco em Howl (Uivo), filme de 2010. Aliás, Franco está ótimo no papel. Pena que Howl, que conta a história do famoso poema beat, acabou não ganhando o merecido destaque no circuito cinematográfico. Mas talvez seja justamente este espaço comercial que o diretor de Kill Your Darlings esteja buscando com seu elenco. Aguardemos o resultado. (Paula Taitelbaum)

O fax que recebemos de Allen Ginsberg

No dia 27 de janeiro de 1984, um facsimile (o antes popular “fax”, uma espécie de e-mail do tempo das cavernas) adentrou a L&PM trazendo algumas páginas escritas em uma caligrafia apressada. Endereçado para o tradutor Claudio Willer, o fax trazia comentários e apontamentos sobre a tradução de “Howl” (Uivo). Adivinha quem assinava aquelas páginas? Ele mesmo: o próprio Allen Ginsberg.

Guardado em uma caixa de lembranças, o fax foi resgatado de uma gaveta, já meio apagado. Escaneado, trabalhado no photoshop para ganhar mais contraste, ele agora está aqui, para você ler. Basta clicar em cima para ampliar e… fazer força para tentar entender, já que a letra de Ginsberg não é exatamente uma letra de professora primária.

No prefácio de Uivo em formato convencional, Claudio Willer diz que “foi decisiva a correspondência que mantive, na época, com o próprio Ginsberg, mais a nota autobiográfica (Autobiographic Precis) enviada por ele.  A seleção dos poemas e o plano editorial lhe foram apresentados. Ele os aprovou, comentou, deu sugestões e esclareceu dúvidas de interpretação do texto. Depois de publicado Uivo, Kaddish e outros poemas, passou a enviar-me as novas edições de sua obra, com bilhetes para o dear translator friend. Deu notícias até pouco antes do final, da sua morte na madrugada de 5 de abril de 1997.”

A primeira página, endereçada a Claudio Willer

Ginsberg fez comentários sobre a tradução

O poeta beat não tinha propriamente uma letra “fácil”

Repare no P.S. no canto da página

O aniversário da primeira leitura de “Uivo”

No início de outubro de 1955, um convite simples, datilografado à máquina, chamava para um encontro que aconteceria no dia 13 daquele mês, na Six Gallery, galeria de arte que antes havia abrigado uma oficina mecânica. O convite trazia uma promessa bastante tentadora: “Seis poemas na Six Gallery. Notável coleção de anjos, todos reunidos ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Vinho, música, garotas dançando, poesia séria, satori grátis. Pequena coleta para vinho e folhetos. Evento charmoso. Kenneth Rexroth, M.C. (mestre de cerimônias).

Quando o dia chegou, lá estavam a nata da cultura alternativa novayorquina reunida para uma noite memorável. Kerouac não quis declamar, alegando timidez. Ferlinghetti, que já havia decidido publicar Uivo por sua editora, a City Lights, estava na plateia. A sessão começou com Philip Lamantia apresentando poemas de John Hoffman, prosseguiu com Michael McClure e seu poema de protesto contra o morticínio de baleias e, animada pelo vinho distribuído por Kerouac e por seus gritos, atingiu o clímax com a leitura, por um jovem e embriagado Allen Ginsberg, da primeira parte de Uivo.

A partir da leitura do pulsante poema de Ginsberg, em 13 de outubro de 1955, o movimento beat ganharia voz, força e fãs. Não havia dúvida de que os presentes se encontravam diante de uma manifestação notável: “…quando Allen leu Howl (Uivo), foi como se o céu caísse sobre nossas cabeças. Um efeito inimaginável. Pois, seguramente, ele dizia tudo o que aquele público desejaria ouvir, e dizia isso na linguagem deles, rompendo radicalmente com o estilo estabelecido.” disse o mestre de cerimônias Kenneth Rexroth. 

O impacto provocado pela leitura transformou Allen Ginsberg em celebridade local. Para sentir o clima, veja o vídeo legendado em que James Franco interpreta Ginsberg no filme Howl. Os trechos do poema são da tradução que Claudio Willer fez para a edição de Uivo da L&PM:

48. Com os beats na alma


Alma Beat foi o trabalho mais completo editado sobre a Geração Beat no Brasil. Um painel apaixonado e preciso sobre o que eram e o que fizeram os beats. Em suas páginas, eram oferecidos textos escritos por poetas, jornalistas e escritores brasileiros que, de uma forma ou de outra, tiveram suas vidas e suas obras influenciadas pelo movimento. Além de textos inéditos dos próprios beats – como um poema de Kerouac sobre Rimbaud, um texto de Gary Snyder sobre o Brasil e um poema de Ginsberg para Che Guevara! –, Alma Beat trazia artigos de Eduardo Bueno, Antonio Bivar, Roberto Muggiati, Cláudio Willer, Leonardo Fróes, Pepe Escobar e Reinaldo Moraes sobre a ligação dos beats com o jazz, com as drogas, com o zen, com a estrada, com os autores malditos e com a tradição romântica. O livro era ainda complementado pelas autobiografias de Allen Ginsberg, Jack Kerouac, William Burroughs, Gregory Corso, Neal Cassady, Gary Snyder, Peter Orlovsky e Lawrence Ferlinghetti. E tinha também trechos de cartas e entrevistas, além de fotos que naquela época nunca haviam sido vistas no Brasil (lembre-se que em 1984 não dava para pesquisar imagens no Google).

Para completar, Alma Beat mexia com temas considerados explosivos como punk, revolução, sexo, dinheiro e drogas, além de oferecer uma ampla bibliografia. Ou seja, era uma fonte primordial para entender a história e a obra deste grupo de escritores que, mais do que qualquer outro, provocou as maiores e mais significativas mudanças no comportamento dos jovens do mundo inteiro.

Vale dizer que Alma Beat não foi apenas o nome de um livro, mas de uma Coleção criada por Eduardo Bueno que, em 1984, já oferecia Uivo, de Allen Ginsberg, Cartas do Yage, de William Burroughs e Ginsberg, Uma Coney Island da Mente, de Lawrence Ferlinghetti, O livro dos sonhos, de Jack Kerouac, Gasolina e a Lady Virgem, de Gregory Corso, Como nos velhos tempos, De Gary Snyder, O primeiro terço, de Neal Cassady e Crônicas de Motel, de Sam Shepard. Depois, claro, vieram muitos outros. Alguns dos títulos da saudosa “Coleção Alma Beat” estão na Série Beat da Coleção L&PM POCKET. É realmente um mergulho no espírito de Kerouac e sua turma. Vale a pena!

* Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o quadragésimo oitavo post da Série “Era uma vez… uma editora“.

Eu gosto de gatos porque…

Se me pedissem para completar a frase “Eu gosto de gatos porque…”, duvido que ganhasse algum prêmio, mas sei o que gosto neles e por quê. Gosto de gatos porque eles são elegantes e silenciosos, e têm efeito decorativo; uns leõezinhos razoavelmente dóceis, andando pela casa. Poderia dizer que eles são silenciosos na maior pare do tempo, porque um siamês no cio não é silencioso. Acredito que os gatos dão menos trabalho do que os cachorros, embora admita que cachorros, em geral, viajam melhor.

Assim começa o ensaio “Sobre gatos e estilo de vida” de Patricia Highsmith, que era assumidamente apaixonada pelos pequenos felinos. Eles não só a inspiram como ganharam dela uma linda homenagem: três histórias, três poemas, um ensaio e sete desenhos que compõem o livro Os gatos (Coleção L&PM Pocket).

Temos que reconhecer que os bichanos têm algo que combina muito com literatura, pois não há outra explicação para o fascínio que alguns escritores têm por eles como bem mostra outro trecho do ensaio de Patricia:

Raymond Chandler gostava de ter um gato roliço junto dele, ou sobre a escrivaninha. Simenon é frequentemente fotografado com algum de seus gatos, em geral um gato preto. Os gatos oferecem para o escritor algo que outros humanos não conseguem: companhia que não é exigente nem intrometida, que é tão tranquila e em contante transformação quanto um mar plácido que mal se move. (…) Gosto de fazer aniversário no mesmo dia de Edgar Allan Poe: 19 de janeiro. Ele é outro não solteirão que aparentemente gostava de gatos.

Bukowski, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs e outros escritores também adoravam os bichanos, como registramos em outro post aqui no blog.

E você, gosta de gatos? Conta pra gente o porquê aí em baixo nos comentários 😉

O resgate de uma trip beat

Uma viagem lisérgica, libertária, lendária, hippie, beat… “Magic Trip” é isso. Na verdade, mais do que isso. O filme de Alex Gibney e Alison Ellwood é o resgate de uma viagem real, liderada por Ken Kensey, autor de “One Flew Over the Cuckoo’s Nest (Voando Sobre Um Ninho de Cucos)”. Em 1964, Kensey botou o pé na estrada, num ônibus embalado por LSD, e na companhia de “The Merry Band of Pranksters”, um grupo de renegados da contracultura que estava em busca da “verdade”. O grupo incluía Neal Cassady, o companheiro de Jack Kerouac em On the road. Cassady não apenas ajudou a pintar o ônibus psicodélico, como também dirigiu o veículo. Kesey e os Pranksters gravaram toda a viagem com uma câmera 16mm, pois pretendiam fazer um documentário. Mas o filme nunca foi terminado e as imagens ficaram praticamente perdidas. Até agora. Gibney e Ellwood tiveram acesso exclusivo a este material bruto através da família de Kesey. Eles trabalharam com a Fundação de Cinema e História da “UCLA Film Archives” para restaurar mais de 100 horas de filme e áudio e conseguiram moldar um documento de valor inestimável. O filme “Magic Trip“, que conta ainda com a participação de Jack Kerouac e Allen Ginsberg, estreou no circuito underground americano em agosto deste ano. Vamos ficar torcendo pra que ele participe de algum festival de cinema alternativo por aqui também.

Clique sobre a imagem e assista ao trailer legendado pela L&PM WebTV: