48. Com os beats na alma


Alma Beat foi o trabalho mais completo editado sobre a Geração Beat no Brasil. Um painel apaixonado e preciso sobre o que eram e o que fizeram os beats. Em suas páginas, eram oferecidos textos escritos por poetas, jornalistas e escritores brasileiros que, de uma forma ou de outra, tiveram suas vidas e suas obras influenciadas pelo movimento. Além de textos inéditos dos próprios beats – como um poema de Kerouac sobre Rimbaud, um texto de Gary Snyder sobre o Brasil e um poema de Ginsberg para Che Guevara! –, Alma Beat trazia artigos de Eduardo Bueno, Antonio Bivar, Roberto Muggiati, Cláudio Willer, Leonardo Fróes, Pepe Escobar e Reinaldo Moraes sobre a ligação dos beats com o jazz, com as drogas, com o zen, com a estrada, com os autores malditos e com a tradição romântica. O livro era ainda complementado pelas autobiografias de Allen Ginsberg, Jack Kerouac, William Burroughs, Gregory Corso, Neal Cassady, Gary Snyder, Peter Orlovsky e Lawrence Ferlinghetti. E tinha também trechos de cartas e entrevistas, além de fotos que naquela época nunca haviam sido vistas no Brasil (lembre-se que em 1984 não dava para pesquisar imagens no Google).

Para completar, Alma Beat mexia com temas considerados explosivos como punk, revolução, sexo, dinheiro e drogas, além de oferecer uma ampla bibliografia. Ou seja, era uma fonte primordial para entender a história e a obra deste grupo de escritores que, mais do que qualquer outro, provocou as maiores e mais significativas mudanças no comportamento dos jovens do mundo inteiro.

Vale dizer que Alma Beat não foi apenas o nome de um livro, mas de uma Coleção criada por Eduardo Bueno que, em 1984, já oferecia Uivo, de Allen Ginsberg, Cartas do Yage, de William Burroughs e Ginsberg, Uma Coney Island da Mente, de Lawrence Ferlinghetti, O livro dos sonhos, de Jack Kerouac, Gasolina e a Lady Virgem, de Gregory Corso, Como nos velhos tempos, De Gary Snyder, O primeiro terço, de Neal Cassady e Crônicas de Motel, de Sam Shepard. Depois, claro, vieram muitos outros. Alguns dos títulos da saudosa “Coleção Alma Beat” estão na Série Beat da Coleção L&PM POCKET. É realmente um mergulho no espírito de Kerouac e sua turma. Vale a pena!

* Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o quadragésimo oitavo post da Série “Era uma vez… uma editora“.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

  1. Rody Cáceres disse:

    Só pra me deixar com água na boca. Alguém sabe me dizer onde consigo um desses?

  2. Nicollas Ranieri disse:

    vcs podiam (e digo mais: vcs deviam!) reeditar alguns desses livros que estão esgotados, especialmente (e muito especialmente), o livro com os escritos de antonin artaud com tradução do claudio willer, e outros, como o apollinaire também. acho o caso do antonin artaud mais urgente. como leitor, deixo registrada as minhas ganas e a minha dica.

  3. Concordamos com Nicollas Raniere. Vocês DEVIAM, reeditar essas livros. Acho que o mundo anda precisando muito reler e repensar os beats, principalmente sua relação com a liberdade, o não-consumo e o zen.

    • Nanni Rios disse:

      Pessoal, mandamos a sugestão de vocês lá para o núcleo editorial da L&PM. Vamos aguardar ;)

      (p.s.: nós, aqui do núcleo de comunicação, também estamos na torcida! :D )

  4. Luciana disse:

    A hora não poderia ser melhor para vcs relançarem o que têm dos beats, com o filme ano que vem. Adoro o formato pocket, tenho todos do Kerouac que vc lançaram (e o formato não-pocket também).

  5. Hilton Neves disse:

    Se for reeditar, ótimo. Só não usar a famigerada reforma ortográfica.

    Li O Capitão Saiu pro Almoço esses dias, e além de estarrecido com a tal reforma, fiquei enojado com os erros grotescos de concordância. Provavelmente estimulados pelo catamita do Marcos Bagno.

    E pra fazer poeminhas pro assassino ordinário gramscista do Che, tinha que ser o Allen Ginsberg, né?

Envie seu comentário

* Campos obrigatórios