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“O caso dos dez negrinhos” por Martha Medeiros

quinta-feira, 10 março 2016

(Crônica publicada no livro Montanha Russa que acaba de chegar em uma nova e linda edição)

Se existe uma culpada pela minha quedinha por romances policiais, acuso: chama-se Agatha Christie. Foi através de seus Assassinato no Expresso OrienteCipreste triste O caso dos dez negrinhos que me rendi ao gênero e que mais tarde aprendi a gostar também de Patricia Highsmith, outra dama da literatura de suspense. Pois um amigo que mora na Alemanha e com quem troco correspondência virtual me informa que a revista Der Spiegel noticiou que os herdeiros da escritora decidiram proibir a utilização do título O caso dos dez negrinhos nas futuras reedições. Esse título é ofensivo, uma vez que negro é uma palavra pejorativa, argumentaram eles. A partir de agora o romance se chamará E não sobrou nenhum.

E não sobrou nenhum livro com o título "O caso dos dez negrinhos"

E não sobrou nenhum livro com o título “O caso dos dez negrinhos”

Com todo respeito: é levar demasiadamente a sério essa febre do politicamente correto. Se a moda pega no Brasil, alguns livros poderão sofrer rebatizados semelhantes. O Navio negreiro, de Castro Alves, e a lenda do nosso Negrinho do pastoreio poderão entrar na mira dos defensores de um vocabulário menos ultrajante e virar Navio com passageiros de cor O afro-americaninho do pastoreio. Clássicos como A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, e O mulato, de Aluísio Azevedo, com sorte, escaparão ilesos.

Esse não precisa mudar... ufa.

Esse vai escapar… ufa.

É bom lembrar que a lista de termos considerados incorretos não se restringe às classificações de raça. Notas de um velho safadode Charles Bukowski, poderá se transformar em Notas de um indivíduo de idade avançada com atenção fortemente voltada para o sexo, e a obra-prima de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, poderá trazer em suas novas edições o título Ensaio sobre o desprovimento de capacidade visual.

Será que o velho safado vai ter que mudar?

Será que o velho safado terá que se comportar melhor?

A gente poderia ficar aqui até amanhã se divertindo com essas traduções. Não nego (do verbo negar) que a expressão negrinho só é simpática para nominar aquele doce também conhecido como brigadeiro, pois ele tem um oponente, o branquinho, e assim ninguém se sente diminuído. Até pode ser que a troca do título de um livro ajude a melhorar as relações entre pessoas de raças diferentes, vá saber. Mas, sinceramente, acho uma forçação de barra, uma patrulha que cada vez mais nos enquadra num comportamento padronizado e  nos impede de ser politicamente alegres e sem ranço.

Famosa história de Agatha Christie vai estrear nos palcos brasileiros

quarta-feira, 17 dezembro 2014

“O caso dos dez negrinhos” – que agora é chamada em livro de “E não sobrou nenhum” -, uma das mais famosas histórias de Agatha Christie, vai estrear em São Paulo no dia 9 de janeiro. A direção geral é de Rafael Mallagutti, que também assina a tradução do texto, e a temporada vai até 22 de fevereiro às sextas, sábados e domingos às 20h no Teatro Brigadeiro.

Segundo o diretor, esta não é simplesmente uma adaptação, mas a tradução fiel da peça que a própria Agatha Christie criou para a Broadway a partir de sua história. Na peça, a escritora alterou o final de “O caso dos dez negrinhos”.

Quem estiver em São Paulo nesse período e quiser conferir a peça, a dica é comprar o ingresso antecipado que está com mais de 50% de desconto.

“E não sobrou nenhum” será lançado na Coleção L&PM Pocket em meados de 2015.

O caso dos dez negrinhos peca 2

 

Agatha Christie já inspirou história da Turma da Mônica

segunda-feira, 20 janeiro 2014

Inspirado em Agatha Christie, o estúdio Mauricio de Sousa criou, em 1988, uma história chamada O caso dos 10 porquinhos. Publicada na revista ‘Cascão nº 42′, esta aventura da Turma da Mônica começa avisando que um suspense e mistério estava ocorrendo em uma terrível festinha de aniversário. Na história, há dez convidados no aniversário de Cascão que, de surpresa, recebe 10 estatuetas de porquinhos de presente dos amigos. A partir de então, um a um, os convidados vão desaparecendo da comemoração ao mesmo tempo em que os porquinhos também somem. Quando Cascão comenta com Franjinha o que está acontecendo, o amigo lembra de um livro que leu, com a diferença que a cada estátua que sumia, uma pessoa era assassinada. Franjinha estava falando, é claro, de O caso dos dez negrinhos.

dezPorquinhos

A história dos bestsellers

segunda-feira, 19 setembro 2011

Quem nunca leu um Bestseller? Velho conhecido do público leitor, ele significa, literalmente, “Melhor vendido” ou, num português mais sonoro, o livro “Mais vendido”. O termo foi registrado pela primeira vez em 1889 pelo jornal norteamericano “The Kansas Times & Star”, mas o fenômeno da popularidade imediata de um livro é bem anterior a isso.

Os primeiros Bestsellers que se têm notícia eram, em sua maioria, religiosos. E não estamos falando da Bíblia que, quando começou a ser vendida, era considerada uma publicação “cara”. Para figurar no topo da lista, era fundamental que um livro fosse pequeno e, portanto, barato. Versões em pocket do Apocalipse, por exemplo, eram muito populares e vendidas em larga escala num formato que era chamado de “block-book”.

Na lista dos maiores bestsellers da história estão A Tale of Two Cities (Um conto de duas cidades) de Charles Dickens, publicado originalmente em 1859 e que vendeu mais de 200 milhões de cópias. Também está lá O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien que, lançado em 1954, teve venda superior a 150 milhões de livros. O sonho da câmera vermelha, de Cao Xueqin, originalmente lançado em chinês, vendeu mais de 100 milhões. Nesta faixa, aparece também Agatha Christie cujo maior sucesso, O caso dos dez negrinhos (que a L&PM publica em quadrinhos) também chegou aos 100 milhões de livros vendidos. Claro que aqui não estamos contando a Bíblia, o Alcorão e outros do gênero que já venderam bilhões pelo mundo afora.

E por falar em Bestseller, Feliz por nada, de Martha Medeiros, está mais uma vez no topo da lista dos mais vendidos da Revista Veja desta semana. Uma notícia que é… “the best” pra nós.

Um jardim com todas as plantas venenosas das histórias de Agatha Christie

sexta-feira, 30 abril 2010

55 assassinatos por envenenamento foram cometidos nos livros de Agatha / Divulgação

A Coleção L&PM POCKET já soma mais de vinte títulos de Agatha Christie. Perfeitos para serem levados na mala, eles ainda podem servir de motivação para um tour pelo sul da Inglaterra.
Ao visitar o condado de Devon, onde a escritora nasceu, você poderá conhecer Greenway, a casa de veraneio da família Christie, e dar uma passada pela Ilha do Burgh, que inspirou a Rainha do Crime a escrever O caso dos dez negrinhos. Também terá a opção de ficar hospedado no The Grand Hotel, em Torquay, onde Agatha passou a noite de núpcias com o primeiro marido.
Em Torquay, aliás, cidade do condado às margens do Canal da Mancha, há ainda um museu com uma ala inteira dedicada à escritora e um jardim venoso em homenagem a ela. O jardim apresenta todas as plantas venenosas que aparecem em seus livros – dos 80 casos de assassinatos, 55 foram cometidos por envenenamento. O interessante é que o jardim tem um clima de mistério, pois além das ervas letais que apresenta, ainda oferece pistas que permitem ao visitante tentar descobrir os segredos de algumas delas.
 Torquay, chamada de “Riviera inglesa” pelo seu clima ameno, será o principal palco das celebrações dos 120 anos do nascimento da escritora que começam em setembro deste ano. Se você é fã, prepare as malas.