Posts Tagged ‘Fernando Eichenberg’

Charles Aznavour Entre Aspas e para sempre entre nós

segunda-feira, 1 outubro 2018

O incansável Charles Aznavour descansou. Morreu nesta segunda-feira, 1 de outubro, aos 94 anos, em sua casa na serra das Alpilles, no sul da França. Mas mesmo com a idade avançada, o cantor continuava fazendo shows.

Nascido Chahnour Vaghinag Aznavourian, ele se tornou um dos maiores nomes da música francesa, “autor de mil canções”.

No livro “Entre Aspas – 2“, o jornalista Fernando Eichenberg conversou com Aznavour -  filho de modestos artistas de origem armênia e que foi secretário, amigo e confidente de Edith Piaf -  sobre as vezes que esteve no Brasil e, aos 90 anos (idade que tinha ao conceder a entrevista) também sobre sua relação com a morte: “A morte é mais jovem do que eu, não penso nela. Ela tem 17 anos a menos do que eu. É ela que deve ter medo de mim , não eu dela.”

Charles Aznavour foto

Leia aqui a entrevista completa (clique nas imagens para ampliá-las):

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Oscar, born to be Wilde

segunda-feira, 7 novembro 2016

06/11/2016 - Por Fernando Eichenberg* - fernandoeichenberg.wordpress.com

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Oscar Wilde fotografado por Napoleon Sarony, em 1882. © Biblioteca do Congresso dos EUA

 “A melhor maneira de livrar-se de uma tentação é ceder a ela”. “Viver é a coisa mais rara do mundo; a maioria das pessoas se contenta em existir”. “Há duas tragédias na vida: uma é satisfazer seus desejos, e a outra é não satisfazê-los”. “Dizer que um livro é moral ou imoral não tem sentido; um livro é bem ou mal escrito”. “Democracia: a opressão do povo, pelo povo e para o povo”. “Quando os deuses querem nos punir, eles atendem as nossas preces”.

Quem já não leu ou ouviu uma destas máximas? As espirituosas sentenças e aforismos se reproduzem às dezenas pela pena do escritor irlandêsoscar-wilde4 Oscar Wilde (1854-1900), de quem se diz que hoje seria um incansável fraseador do twitter de 140 caracteres. O dândi provocador, esteta, crítico de arte, dramaturgo e autor de poemas, contos, ensaios e de um romance é atualmente tema de uma inédita exposição no Petit Palais, em Paris. Desde sempre admirado na França, Wilde até hoje nunca havia sido celebrado por meio de uma mostra no país. Seu bisneto, Merlin Holland, deu sua versão, em uma entrevista, para esta lacuna: “Enquanto em 1900, a Inglaterra vilipendiava meu bisavô, que O Retrato de Dorian Gray era condenado ao desprezo por apologia da homossexualidade, e que Salomé era acusado de encorajar o incesto e a necrofilia, Wilde era adulado na França e em toda a Europa. Para os franceses, em particular, ele foi rapidamente incluído no panteão das grandes figuras literárias. O que explica, aliás, que tenha levado tanto tempo para se montar esta exposição em Paris! Não parecia necessário”.

O Petit Palais levou dois anos para organizar o aguardado evento, batizado de “Oscar Wilde, o impertinente absoluto”. O percurso coloca em perspectiva a escrita do personagem e seus objetos pessoais com obras que o influenciaram, num total de cerca de duzentas peças coletadas em todo o mundo. A visita debuta com o artista do barroco italiano Guido Reni (1575-1642) e sua obra-prima “São Sebastião”(1615), tela que raramente deixa o Palazzo Rosso de Gênova e é exposta pela primeira vez em Paris. Em 1877, Wilde se extasiou com o “ideal de beleza” da pintura, e em seus últimos anos na capital francesa adotou o pseudônimo Sebastian Melmoth, em homenagem ao padroeiro.

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“São Sebastião”, de Guido Reni / Reprodução

Há também a célebre série de retratos feita pelo fotógrafo Napoleon Sarony, quando Wilde desembarcou em 1882 em Nova York, para uma turnê de conferências no país sobre o Renascimento inglês nas artes. Paris acolheu Oscar Wilde após ele ter cumprido uma pena de dois anos de cárcere com trabalhos forçados na Inglaterra vitoriana, acusado de imoralidade. Morreu na manhã de 30 de novembro de 1900, aos 46 anos, doente e arruinado, em seu quarto no L’Hotel, no número 13 da rua des Beaux-Arts (onde também se hospedaram Jorge Luis Borges, Jim Morrison ou Serge Gainsbourg), e hoje descansa em seu visitado túmulo no cemitério Père-Lachaise. A exposição permanecerá aberta até 15 de janeiro de 2017.

A suíte Oscar Wilde, no L’Hotel. © L’Hotel

A suíte Oscar Wilde, no L’Hotel. © L’Hotel

*Fernando Eichenberg é jornalista e escritor e mora em Paris, onde trabalha como correspondente internacional para diversos veículos. Pela L&PM publica os livros Entre Aspas volume 1 e Entre Aspas volume 2.

Entre amigos famosos: assim foi o lançamento de “Entre aspas” em Paris

sexta-feira, 10 junho 2016

Fernando Eichenberg é um jornalista brasileiro que vive e trabalha há muitos anos em Paris como correspondente internacional para diversos jornais e revistas. A Cidade Luz é, portante, sua cidade, seu chão, seu habitat natural. Justamente por isso, o autor de “Entre Aspas 1″ e “Entre Aspas 2″ – ambos publicados pela L&PM – não poderia deixar de lançar seu livros por lá.

Foi um encontro entre amigos que aconteceu no final da tarde de terça-feira, 7 de junho, no Le Piano Vache, um aconchegante “bar rock”. Só que Fernando Eichenberg tem amigos que, digamos, nem todo mundo tem: o compositor Chico Buarque, o fotógrafo Sebastião Salgado, a cantora Dom La Nena, o sociólogo francês Michel Maffesoli, o escritor e jornalista Alan Riding… Estavam todos lá, num encontro que teve muitas conversas, autógrafos e show de Dom La Nena para terminar a noite em grande estilo.

Chico comprou o livro

Chico comprou o livro

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E foi pegar o seu autógrafo

Buarque Salgado Riding

Bem ao centro, Alan Riding batendo papo com Sebastião Salgado

O sociólogo francês Michel Maffesoli e Fernando Eichenberg

O sociólogo francês Michel Maffesoli e Fernando Eichenberg

Dom La Nena se preparando para dar um show

Dom La Nena se preparando para dar um show

E que show!

E que show!

Foi lindo

Foi lindo

David Coimbra e o olhar de Monalisa de Fernando Eichenberg

terça-feira, 3 maio 2016

Nesta terça-feira, 3 de maio, Fernando Eichenberg autografa seus livros de entrevistas Entre Aspas 2 e Entre Aspas 1 às 19h na Livraria Saraiva do Moinhos Shopping. David Coimbra, em sua coluna no Jornal Zero Hora, comenta sobre Eichenberg, que ele considera um irmão e a quem chama de Dinho. Leia abaixo.

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“O idiota da família” no jornal O Globo

segunda-feira, 10 fevereiro 2014

Leia matéria do jornalista Fernando Eichenberg sobre o lançamento de O idiota da família, escrita diretamente de Paris e publicada no Caderno Prosa e Verso do jornal O Globo em 8 de fevereiro de 2013. Clique nas imagens para ampliá-las.

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‘O idiota da família’: uma vida passada a limpo, por Ivo Barroso

Por Ivo Barroso*

Razão tinha Flaubert quando declarou “Madame Bovary sou eu”. O comportamento dúbio, as reações sentimentais da personagem, seu modo de agir e raciocinar eram todos reflexos de condições psíquicas a que ele se impunha para analisá-las com cuidado e detença. É sabida a morosidade com que compunha seus livros, não só no que respeita à elaboração do estilo, cujas frases revia incansavelmente, mas também no ajuste final de cada gesto e de cada palavra dos seres que animava.

Sua biografia não revela grandes lances: solteirão de muitos amores mas poucas ligações permanentes, arredio da grande cidade, avesso a qualquer tipo de convenções (“As honrarias desonram, os títulos degradam, os empregos entorpecem”), Gustave Flaubert havia se refugiado na literatura, em sua propriedade rural de Canteleu-Croisset, para vencer sua aversão pela tolice humana. Esse recolhimento campestre teve, no entanto, outros determinantes. Flaubert sofria de epilepsia psicogênica, e seu pai, cirurgião-chefe no hospital de Rouen, achou conveniente que o jovem trancasse matrícula no curso de Direito em Paris e se recolhesse à província, onde seria mais bem assistido pela família. Ideal para ele, que só pensava em escrever. Mas alguns infortúnios domésticos iriam marcá-lo: o irmão mais velho, Achille, médico-cirurgião como o pai, acabou louco; a irmã Caroline, por quem tinha manifesta afeição, casou-se em 1845 com Emile Hamard e teve uma filha de mesmo nome, morrendo em seguida; Flaubert assumiu a criação da menina, pois Hamard, desesperado, enlouqueceu após a morte da esposa. O pai, seu grande esteio, morreu no ano seguinte. Restou-lhe a sra. Flaubert, descrita por ele como sua carcereira, confidente, ama, paciente, banqueira e crítica.

Contudo, muitos são os amigos fieis que o cercam, como Louis Bouilhet e Maxim du Champ, este com quem viaja para o Egito, Palestina, Grécia etc., dilapidando boa parte da herança que lhe coubera com a morte do pai. E grande é o número de correspondentes e confidentes, aos quais escreve montanhas de cartas (hoje reunidas em cinco volumes), comentando projetos literários e afãs amorosos. Visto como o “carrasco de si mesmo”, esse cultor do mot juste tornou-se um dos maiores estilistas da literatura francesa do século XIX. Seus livros mais conhecidos (“Salambô“, “Madame Bovary”, “Bouvard e Pécuchet”) trouxeram-lhe grande fama e sucesso financeiro, embora outros, como “A educação sentimental” e “A tentação de Santo Antão” não alcançassem o grande público, e, neste último caso, houvesse até a insistência dos amigos para que o jogasse fora.

Por sua importância literária era natural que Flaubert despertasse a atenção de muitos biógrafos, alguns dos quais da importância de Henry James, Guy de Maupassant, Emile Faguet e Jules Goncourt, interesse que persiste mesmo em nossos dias com a premiada biografia de Frederick Brown (2006).

Em 1971, o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre surpreendeu seus leitores com a publicação do primeiro volume de uma biografia de Flaubert intitulada “O idiota da família”. O livro tinha cerca de 1000 páginas, anunciava-se um segundo tomo já para o ano seguinte e havia o plano da publicação de mais outros dois volumes que sairiam em datas não muito distantes. Indagado sobre seu interesse por Flaubert, Sartre respondeu que via nele o seu antípoda, mas que o admirava exatamente por isso, em vez de desprezá-lo. A novidade maior do empreendimento, além de seu indubitável apelo épatant, estava (segundo o autor) na aplicação de um método investigativo que conjugava existencialismo, psicanálise e crítica literária, a fim de tratar o assunto (a vida de um autor) em sua globalidade definitiva. O objetivo foi sem dúvida obtido e a análise de fato vasculha da adega ao sótão, mas depreende-se igualmente da leitura que Sartre quis fazer uma “revisão” completa de Flaubert, como escritor e como ser humano, talvez para “aproximá-lo” um pouco mais de si. Dessa forma, poderíamos imaginar que Sartre quis fazer com Flaubert o que este fazia com seus personagens: incorporar-se neles.

Logo no início, por exemplo, Sartre se vale de um depoimento de Caroline, a sobrinha querida de Flaubert, e embora lhe dê todo o crédito, disseca-lhe as palavras como que para redesenhá-las de modo a que signifiquem a mesma coisa, mas insinuando outras mais. Cada momento da vida de Flaubert é, assim, passado a limpo, ou melhor, reanalisado de modo a aproximá-lo de seu biógrafo, aqui transformado num deus todo-poderoso capaz de reformular o destino. Sem dúvida, um trabalho de amor, de aprimoramento, talvez um impulso de fazer por outrem o que não foi possível (ou desejável) fazer para si mesmo. O resultado final é uma obra-prima do enfoque biográfico, a transformação do reflexo no espelho na imagem mental do refletido. Sartre conseguiu com esta obra assemelhar-se literariamente ao mestre amado a quem odiava no princípio.

*Ivo Barroso é tradutor e poeta

A história e o futuro dos livros de bolso

segunda-feira, 2 setembro 2013

O Prosa e Verso, caderno de literatura do Jornal O Globo, publicou no sábado, 31 de agosto, uma matéria assinada por Fernando Eichenberg que, diretamente de Paris, conta que os pockets se tornaram um fenômeno na Paris dos anos 60 e que agora seu mercado se encontra em retração. Complementando a matéria, há um texto assinado pelo repórter Maurício Meireles que, durante a Bienal, entrevistou o editor da L&PM, Ivan Pinheiro Machado, sobre como andam os livros de bolso no Brasil. Vale a pena ler:

OGlobo

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