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Frankfurt começa em clima frio

quinta-feira, 13 outubro 2011

A gelada Islândia (Iceland!) é o país homenageado deste ano na Feira Internacional do Livro de Frankfurt (Frankfurter Buchmesse 2011 em alemão ou Frankfurt Book Fair em inglês), que começou ontem, 12 de outubro, e vai até domingo, 16 de outubro. Ironicamente, as coisas parecem andar meio frias pelos corredores dos pavilhões alemães. Segundo informações quentinhas que acabam de chegar, vindas de nossos editores que se encontram por lá – Ivan Pinheiro Machado, Caroline Chang e Janine Mogendorff – a crise européia parece ter respingado sobre as páginas e pelos corredores da Feira. Este ano, há menos gente circulando e, provavelmente menos negócios a serem fechados. Dezenas de agentes e editores europeus andam desanimados e um deles inclusive anda dizendo pelos quatro cantos dos estandes que, se não fossem os turcos e os brasileiros, o encontro literário deste ano estaria fadado ao fracasso. Ou seja: a Feira de Frankfurt 2011 reflete a Europa deprimida.

Mas obviamente, nem tudo é depressão e há excelentes livros a serem negociados e trazidos por nossos editores. Ontem, entre um encontro e outro, um senhor de cabeça raspada e boné estava conversando com Caroline e Janine quando Ivan se aproximou. O homem, bastante simpático, elogiou as edições de Simenon da Coleção L&PM POCKET e entregou o seu cartão de visitas. Só depois, Ivan (que precisou colocar os óculos para ler o nome do sujeito) percebeu que o cartão trazia o nome de John Simenon. Ninguém menos do que o filho do criador do comissário Maigret.

É por essas e por outras que, com crise ou sem crise, a Feira do Livro de Frankfurt segue sendo um programa imperdível para as editoras do mundo.

Este ano, os corredores mais vazios da Feira de Frankfurt refletem a Europa economicamente deprimida

Viajar é preciso

segunda-feira, 8 novembro 2010

Angélica Seguí*

Andar pelo mundo afora deveria ser lei. O governo, depois de deixar tudo em ordem, deveria disponibilizar uma cota dos nossos impostos pagos para que, pelo menos uma vez na vida, o cidadão pudesse viajar para um lugar bem longe de seu país. Muitos dizem que já não precisam viajar. Temos o Google Earth, os programas de transmissão via satélite em real time, fotos de anônimos quase tão boas como o velho Sebastião Salgado. Os hiperconectados que me desculpem. Viajar é preciso. E não sou apenas eu quem diz. No livro Teoria da viagem: poética da geografia,  Michael Onfray – pensador francês, autor de diversos livros de divulgação de filosofia – questiona, entre outras coisas, se o conceito de viagem ainda faz sentido. Eu digo: faz. E faz muito. Na mala apenas um par de roupas, a velha e surrada botina de caminhadas e um livro.
Viajando pela internet você não vai andar numa kombi modelo 1978 – caindo aos pedaços- com outros quinze trabalhadores peruanos, nem será salvo de um possível assalto por uma norueguesa em plena La Paz. Possivelmente também nunca viverá a emoção de encontrar um amigo por acaso no meio da multidão das ruas de uma grande metrópole. Não mesmo. Há coisas que só uma viagem faz por você: experimentar a cultura, enriquecer a mente, tentar comunicar-se em outro idioma ou simplesmente se deixar levar pela deriva.
Onfray diz ainda: “Nós mesmos, eis a grande questão da viagem. Nós mesmos e nada mais. Ou pouco mais. Certamente há muitos pretextos, ocasiões e justificativas, mas em realidade só pegamos a estrada movidos pelo desejo de partir em nossa própria busca com o propósito, muito hipotético, de nos reencontrarmos ou, quem sabe, de nos encontrarmos. A volta ao planeta nem sempre é suficiente para obter esse encontro. Tampouco uma existência inteira, às vezes. Quantos desvios, e por quantos lugares, antes de nos sabermos em presença do que levanta um pouco o véu do ser!”

Se você um dia se perdeu, se um dia precisou se encontrar, se precisou apenas sair do lugar… então viaje! Viaje sempre e sem parar! Se ainda está em dúvida, assista ao vídeo do artista norteamericano Matt Daniels. Ele reuniu imagens e sons de suas viagens pela América Central, Europa e Nova Zelandia. É emocionante.

* Jornalista e blogueira