Posts Tagged ‘Espelhos’

Eles estão prestes a virar pocket

quarta-feira, 13 junho 2012

Lançados originalmente em formato convencional pela L&PM, muitos livros ganham vida nova quando são relançados em pocket. Isso porque, neste novo formato, eles ficam disponíveis nos milhares de expositores que a editora mantém em todos os cantos do país; seja nas bancas de jornais do Chuí, na rede de farmácia Big Bem em Belém do Pará, na Livraria Saraiva do Shopping Manauara em Manaus, passando pelas praias de Natal no Rio Grande do Norte e chegando a dezenas de bancas na Avenida Paulista em São Paulo. Muito mais baratas, as edições da coleção L&PM POCKET, a maior coleção de livros de bolso do Brasil, estão literalmente em todos os cantos do país, com um acabamento industrial impecável e com preços que correspondem, no mínimo, a metade do que custariam em uma edição convencional. Veja abaixo o que vem por aí, livros que recentemente foram sucesso de livraria e que, ainda este ano, estarão disponíveis em edições econômicas e bem cuidadas:

Simon’s Cat: as aventuras de um gato travesso e comilão (vol. 1 e 2) – Simon Tofield

Só as mulheres e as baratas sobreviverão Claudia Tajes

Revolução Francesa (vol 1 e vol 2) – Max Gallo

Diários de Jack Kerouac – 1947-1954

As melhores histórias da mitologia egípcia – A. S. Franchini

As melhores lendas medievais – A. S. Franchini e Carmen Seganfredo

Pedaços de um caderno manchado de vinho – Charles Bukowski

A camareira – Markus Orths

Espelhos – Eduardo Galeano

Surdo mundo – David Lodge

Todos os contos de Maigret (vol. 1 e 2) – Georges Simenon

A ferro e fogo 1: Tempo de solidão Josué Guimarães

A ferro e fogo 2: Tempo de guerra Josué Guimarães

Galeano no Dia do Trabalhador

terça-feira, 1 maio 2012

No livro Espelhos, Eduardo Galeano analisa e comenta de forma sensível e poética sobre diversos assuntos, de futebol aos problemas sociais da América Latina. No Dia do Trabalhador, destacamos este texto para compartilhar com vocês:

Proibido ser operário

Carlitos levanta um pano vermelho caído na rua. Pergunta-se o que será aquilo, e de quem será, quando de repente se vê encabeçando, sem saber como, uma manifestação operária que entra em choque com a polícia.

Tempos modernos é o último filme desse personagem. E Chaplin, seu pai, não apenas está dizendo adeus à sua querida criatura. Também se despede, para sempre, do cinema mudo.

O filme não merece uma única indicação ao Oscar. Hollywood não gosta nem um pouco da desagradável atualidade do tema. É a epopéia de um homenzinho apanhado pelas engrenagens da era industrial, nos anos seguintes à crise de 1929.

Uma tragédia que faz rir, implacável e arrebatador retrato dos tempos que correm: as máquinas comem gente e roubam empregos, a mão humana não se distingue das outras ferramentas, e os operários, que imitam as máquinas, não adoecem: enferrujam.

No começo do século XIX, lorde Byron já havia comprovado:

- Agora é mais fácil fabricar pessoas que fabricam máquinas.


Eduardo Galeano abrirá prêmio Casa das Américas 2012 em Cuba

segunda-feira, 26 dezembro 2011

O escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano abrirá o Prêmio Literário Casa das Américas 2012, que será realizado no próximo dia 16 de janeiro, em Havana, informou neste domingo a imprensa local.

Galeano, que manteve um longo vínculo com a Casa das Américas, será uma espécie de convidado especial da 53º edição da premiação criada em 1959, anunciaram fontes da instituição cultural cubana.

O escritor uruguaio já recebeu três prêmios do festival literário de Havana, com: A Canção de Nós (1975) e Dias e Noites de Amor e de Guerra (1978). Na edição deste ano, o escritor recebeu o prêmio extraordinário de narrativa “José María Arguedas” com o título Espelhos – Uma História Quase Universal.

Na edição de 2012, o júri do Prêmio Casa avaliará as obras nas categorias: teatro, literatura para crianças e jovens, literatura brasileira e literatura caribenha em francês e crioulo.

A programação do festival, que será realizado durante dez dias, incluirá painéis de intelectuais, conferências e a apresentação das obras ganhadoras de 2011, entre elas A Bota Sobre o Touro Morto, do cubano Emerio Medina Peña (conto) e Seu Passo, do argentino Carlos Enrique Bischoff (literatura testemunhal).

Desde sua criação em 1959, após o triunfo da revolução liderada pelo agora ex-presidente cubano Fidel Castro, o Prêmio Casa é considerado um dos prêmios com maior história e prestígio da literatura.

*Texto publicado originalmente no site Folha.com em 25/12/2011. Em 2012, a L&PM vai publicar um novo livro de Eduardo Galeano, “Los hijos de los días”.

13. Mais de mil pessoas na sessão de autógrafos de Eduardo Galeano

terça-feira, 1 fevereiro 2011

Por Ivan Pinheiro Machado*

Na Feira do Livro de 2008, Eduardo Galeano veio a Porto Alegre para lançar seu livro “Espelhos”, então recém editado na Espanha e em toda a América espanhola. Galeano é um homem gentil, calmo, um papo agradabilíssimo. Nos poucos dias em que ele esteve aqui em Porto Alegre na companhia de seu velho amigo, o carioca Zé Fernando Balbi, tivemos noitadas memoráveis. Junto com a equipe da L&PM, fechamos (no sentido de ser o último cliente) vários bares em conversas deliciosas e bem humoradas. Galeano gosta de Porto Alegre, seus bares e restaurantes. Evidentemente que, como bom uruguaio, não entra em churrascaria fora do seu país. Então, nosso roteiro gastronômico gaúcho foge do circuito “tradicionalista”. Entre almoços e jantares, ele fez o que devia; deu entrevistas e compareceu à leitura de seu livro e sessão de autógrafos que foi realizada no Teatro da Assembléia Legislativa. Na ocasião, ele foi entrevistado pelo jornalista Ruy Carlos Ostermann no palco do teatro, dentro da programação de “Encontros com o Professor”.

Aquilo que seria uma conservadora entrevista com um grande intelectual, acabou se transformando numa verdadeira comoção no centro da cidade.  Naquele dia ensolarado de outubro, Galeano teve o seu momento pop star. Uma multidão acumulava-se em frente ao prédio do teatro da Assembléia Legislativa. Foi permitida a entrada de cerca de 1.000 pessoas em um auditório onde cabiam 800. E mais de duas mil ficaram na rua. A solução que a administração da Assembléia encontrou, foi agilizar a transmissão ao vivo pela TV Assembléia, com a instalação de um telão em frente ao teatro que retransmitiu a palestra/entrevista para a multidão que ficou do lado de fora. Ele respondeu às perguntas do professor Ostermann e com sua voz pausada e musical leu as belas, líricas e ao mesmo tempo contundentes passagens de “Espelhos”. Foi muito aplaudido. No final, iniciou sua sessão de autógrafos. Quatro horas depois,estava muito cansado (ele dá autógrafos em pé e conversa com cada um dos leitores). Pediu-me para parar, pois não aguentava mais, queria ir embora para o hotel. A fila era imensa. Fiquei imaginando o que fazer com a multidão que se acotovelava em frente ao palco há horas, com o livro na mão, esperando a sua vez. Um editor tem que estar preparado para “administrar” uma saia justa deste porte… Tomei um ar, subi no palco e disse mais ou menos isso: “Pessoal, o Galeano está há mais de 4 horas aqui, em pé e está muito cansado. Pedimos desculpas, mas vocês que gostam dele, vão ter que compreender. Por favor, aqueles que quiserem o autógrafo, deixem o seu livro conosco, com o nome, ele autografará no hotel e os livros estarão, devidamente autografados, à disposição dos seus donos a partir das 15 horas de amanhã na barraca da Câmara Riograndense do Livro na Praça da Alfândega”. Obviamente fui vaiado. Muito vaiado. Depois de vaias e xingamentos, acabaram deixando mais de 300 livros que foram colocados em seis caixas e levados  ao hotel onde Galeano estava hospedado. Ele autografou todos os livros que foram entregues para os seus donos no dia seguinte. Um exemplo de ordem (e sorte), pois dos trezentos, não faltou nenhum e não houve nenhuma reclamação.

Eduardo Galeano é um dos grandes autores latino americanos e nós temos orgulho de editar toda a sua obra no Brasil. Em 2010, a L&PM publicou o seu grande clássico (era o único livro que não tínhamos em nosso catálogo), “As veias abertas da América Latina”, em edição convencional e em pocket, numa nova tradução do grande escritor Sergio Faraco. Também em 2010 republicamos em livro de bolso, numa caixa especial, a trilogia “Memória do Fogo” (“Nascimentos”, “As caras e as máscaras” e “O século do vento”).

Para assistir a entrevista de Eduardo Galeano com Ruy Carlos Ostermann, clique na imagem abaixo:

*Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o décimo terceiro post da Série “Era uma vez… uma editora“.