A paixão de Anna Akhmátova e Amedeo Modigliani

Anna Akhmátova e Amedeo Modigliani. Ela, uma poeta russa vinda da aristocracia. Ele, um artista italiano sem nenhum dinheiro no bolso. Seus encontros, na Paris de 1910 e 1911, foram capazes de despertar paixões e insuflar ainda mais inspiração nesses dois nomes que acabariam por habitar o panteão das artes. Ele virou personagem em poemas dela. Ela, modelo de desenhos e esculturas dele.

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Belos, jovens e talentosos: assim eram Amedeo Modigliani e Anna Akhmátova quando se encontraram

O momento em que seus destinos se cruzaram está no livro Modigliani, de Christian Parisot, Série Biografias L&PM:

Empreendimentos que dão errado, fracassos em cadeia, ele tem a impressão que seu horizonte escurece um pouco mais a cada dia. Mas uma clareira romântica subitamente iluminará seu caminho tortuoso: seu encontro com a poetisa Anna Adreevna Gorenko, mais conhecida sob seu pseudônimo de Anna Akhmátova, uma aristocrata russa nascida em Odessa e em viagem de núpcias em Paris com o primeiro de seus três maridos, o poeta Nicolaï Goumilev, de que se divorciará em 1916.

Ela tem vinte anos quando conhece Amedeo, que tem 26. É uma mulher muito fina, de belo rosto típico, com cabelos negros, olhos rasgados. Ela lhe lembra Maud Abrantès. Ele a corteja como sabem fazer os italianos, falando-lhe de seu país e de sua arte. Enquanto seu marido está na Sorbonne para cursos ou conferências, eles passeiam longamente pelas alamedas do Jardin du Luxembourg recitando poemas de Verlaine, que os dois conhecem de cor. Ela tem uma paixão violenta por Amedeo, por esse pintor de quem não conhece nada. “Ele morava então no Impasse Falguière. Ele era um indigente, por isso no Jardin du Luxembourg sempre nos sentávamos em bancos e não em cadeiras, que era preciso alugar. Ele não se queixava de nada, nem de sua miséria, nem do fato de não ser reconhecido.”

Quando ela volta para a Rússia, Amedeo escreve-lhe cartas de amor apaixonadas. Ela lhe responde com poemas. (…) Em 1911, enquanto seu marido parte para a a África por seis meses – não sem ter pensado em guarnecer abundantemente sua conta no banco para que não faltasse nada a ela –, Anna volta para Paris e se instala no número 10 da Rue Bonaparte. Ela reencontra Amedeo; ele lhe pede para posar:

“Nessa época, Modigliani sonhava com o Egito. Ele me convidou ao Louvre, para que eu visitasse o Departamento das Antiguidades Egípcias; ele afirmou que todo o resto não era digno de atenção. Ele desenhou minha cabeça com um penteado de rainha egípcia ou de dançarina, e me pareceu inteiramente tomado pela arte do Egito antigo… Hoje chamam esse período de período negro. Ele dizia “as joias devem ser selvagens”, a propósito de meu colar africano, e me desenhava com o colar… Ele não me desenhava na natureza mas em minha casa, e me presenteava com seus desenhos. Ganhei dezesseis.”

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Os desenhos que Modigliani deu a Anna Akhmátova foram destruídos durante a Revolução Russa. Sobreviveram aqueles que ficaram com ele como estes.

A partir da publicação de seu segundo livro, em 1914, Anna Akhmátova se tornaria um grande sucesso. Foi a primeira vez na literatura russa que uma mulher não tentava competir com os homens, mas sim criar uma expressão única ao utilizar uma linguagem concisa, direta e despida de ornamentos. A Coleção L&PM Pocket publica seus principais poemas com tradução direta do russo.

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