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Martha Medeiros e a lista nacional

sexta-feira, 28 fevereiro 2014

POR TRÁS DAS LISTAS

Valor Econômico – 28/02/2014 – Por Joselia Aguiar

Listas só com autores nacionais não costumam ser preparadas pelas livrarias e veículos da imprensa. A disputa de nacionais com estrangeiros é quase sempre inglória para os primeiros. A literatura daqui representou 4,8% do faturamento do mercado em 2013, informa a GfK. A estrangeira, com 21,3%, manteve-se como o maior dos segmentos. Para chegar a um posto entre os dez mais vendidos o título precisa alcançar num mês a marca de 15 mil exemplares vendidos. A meta a atingir numa lista exclusivamente de nacionais é bem mais razoável: 2 mil. Num ranking de 50 de literatura brasileira elaborado pela GfK, o primeiro lugar tem Paulo Leminski, com a antologia Toda poesia. Martha Medeiros surge em segundo e quinto com, respectivamente, A graça da coisa e Feliz por nada. Fernanda Torres está em terceiro com seu romance de estreia, Fim e Luis Fernando Verissimo, em quarto e décimo, com Diálogos impossíveis e Os últimos quartetos de Beethoven

(Via Publishnews)

Sucesso: "A Graça da coisa", de Martha Medeiros já está na 22ª edição.

Sucesso: “A Graça da coisa”, de Martha Medeiros já está na 22ª edição.

 

Uma opinião sobre “América”, de Andy Warhol

segunda-feira, 8 abril 2013

Revista Le Monde Diplomatique Brasil – Abril de 2013 – Por Fabian Jimenez Alonso*

Pode soar a sacrilégio, mas nunca fui muito fã das obras de Andy Warhol, nem sequer do movimento pop art que ele tão bem personifica. Mas tudo isso foi antes de ter a oportunidade de devorar América. Warhol nos oferece, nesse livro, uma compilação de mais de dez anos de compulsivos cliques, nos quais comprime em inúmeras fotos e relatos suas maiores obsessões: as celebridades, a exótica fauna nova-iorquina e sua visão pessoal do “sonho americano”. Ele sempre estava presente com sua câmera, garimpando qualquer acontecimento que o fizesse estar próximo das celebridades que ele tanto admirava e das quais, ironicamente, se sentia excluído.

A maioria das fotografias do livro não se destaca pela técnica ou preciosismo estético, e sim por um olhar especial, uma forma de ver as coisas que nos convida a mergulhar no passado e reviver o instante exato do clique. O que mais surpreende nesse livro são os textos, como se pudéssemos ouvir a voz em off do autor adereçando cada uma das páginas com um relato ingênuo, pessoal, divertido e deliciosamente inseguro sobre suas próprias convicções.

Na última parte da obra, descobrimos um Warhol analítico, intimista, irônico e que despeja um delicioso bom senso repleto de bofetadas à sociedade norte-americana. Divaga sobre uma América fora de Nova York, sobre o provincianismo, as trivialidades do American way of life, o isolamento intelectual e o hermético umbigo dos norte-americanos. Chega a se expor, num exercício de autoflagelo, ao contar anedotas e pensamentos pessoais de um frágil e inseguro geniozinho que escondia sua timidez atrás de uma câmera e um gravador.

Warhol é considerado um dos artistas mais importantes do século XX, não somente por sua hiperativa e multidisciplinar produção, mas também por ter sido uma tremenda figura, repleta de excentricidades e obsessões que genialmente se veem retratadas nessa publicação. Warhol afirmou, um dia, que “todas as pessoas teriam no futuro 15 minutos de fama”, e esse futuro já chegou.

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*Fabian Jimenez Alonso é designer de conceito, consultor criativo e fundador do núcleo de criação AssaltoCultural.