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Os amantes de Tuareg

sexta-feira, 5 outubro 2012

Não faz muito tempo que escrevi um texto dizendo que o livro Tuareg é um romance imperdível. E parece que não sou só eu que penso assim. Uma matéria publicada no Jornal O Estado de Minas, de Belo Horizonte, em 23 de setembro passado, revelou que há um livreiro especializado em indicar este livro aos seus clientes. A história é ótima e vale ler! (Paula Taitelbaum)

Tradicional livreiro do Centro de BH fez de “Tuareg” um best-seller entre a sua vasta clientela

Eduardo Tristão Girão – EM Cultura

É fato. Se você não leu Tuareg por indicação do livreiro Johan Van Damme, conhece alguém (ou alguém que conhece alguém) que o tenha feito dessa forma. Proprietário da loja que leva seu sobrenome, no Centro de Belo Horizonte, ele ganhou fama por frequentemente sugerir aos fregueses o clássico do escritor espanhol Alberto Vázquez-Figueroa. Essa obra ocupa a primeira posição na estante batizada de “Sugestões do Sr. Van Damme”, que soma 90 títulos, à entrada da livraria.

Van Damme calcula ter vendido o livro do espanhol “a pelo menos nove mil pessoas” desde 1980, quando foi lançado no Brasil. O protagonista do romance é o tuareg Gacel Sayah, pertencente à população de costumes muito antigos e estilo de vida nômade que vive no deserto do Saara, no Norte da África. Habilidoso, o personagem domina o território e faz parte do grupo conhecido como Povo do Véu, cujo integrante jamais deixa um estranho conhecer-lhe o rosto. Só os olhos estão à vista.

A ação começa quando Sayah dá abrigo a dois fugitivos, seguindo seu próprio código de hospitalidade, sem se dar conta de quem são eles. O encontro o leva a uma aventura de desdobramentos impensáveis, envolvendo honra, costumes, estratégia, coragem e morte.

Van Damme conheceu Tuareg numa das remessas de editoras que chegam à sua livraria a todo momento, somando centenas de títulos novos por mês. “Na página 20, já estava incendiado e não consegui mais parar”, relembra o livreiro. Ele já leu o romance 14 vezes – inclusive a versão original, em espanhol. “Não perde a graça, pois é como um filme de cujo tema ou história a gente gosta”, garante. “A versão em português é excelente e não deixa nada a dever à espanhola”, completa.

O livreiro leu toda a obra de Vázquez-Figueroa. Ainda assim, Tuareg permanece no topo de suas preferências. “Esse romance toca muito. Mostra de onde tirar energia quando a gente acha não tê-la mais e como manter a tenacidade para alcançar os objetivos. É como naquela frase famosa: o covarde nunca começa, o fracassado nunca termina e o vencedor nunca desiste”, avalia.

Van Damme tem certeza de que ajuda a manter o romance espanhol popular, por meio de suas incansáveis indicações. A cada 20 meses, ele encomenda nova tiragem à editora gaúcha L&PM, cada uma com 2 mil exemplares. Tuareg está em sua 12ª edição brasileira e custa R$ 49,90 (R$ 22,00 em versão pocket).

Johan Van Damme

“Tuareg”: não dá pra não ler

segunda-feira, 6 agosto 2012

Por Paula Taitelbaum*

Tuareg” é um livro denso e ao mesmo tempo tenso. Que flui como grãos de areia esparramados pelo vento no deserto. E prende como um oásis. Nunca tinha ouvido falar nele. Vergonhosamente, nem ao menos conhecia seu autor, Alberto Vázquez-Figueroa. Até que no final do ano passado, em uma reunião aqui dentro da L&PM, o Paulo Lima (o “L” da L&PM) comentou: “Quem não leu Tuareg, tem que ler, é um livro incrível e o final é espetacular.” Foi algo assim que ele disse. E eu confesso que não levei muita fé. Mas quando fui escolher um livro para levar na mala, no feriado do Ano Novo, lembrei do que o Lima tinha dito e peguei “Tuareg”. Daí que num dia de chuva no Rio de Janeiro, li a primeira frase. E você já deve estar desconfiado do que aconteceu: eu não parei mais. “Tuareg” conta a história de um… tuareg. Esses guerreiros do deserto que seguem um código de conduta muito próprio e muito definido.

O tuareg Gacel Sayad vivia quieto na sua tenda, peregrinando com sua família e seus escravos pelo Saara, lugar que ele conhecia como a palma da mão. Aliás, mais do que a palma da mão. Até que dois desconhecidos, vindos sabe-se lá de onde, meio mortos, meio vivos, chegaram em seu acampamento. O tuareg os recebeu – porque nenhum tuareg nega abrigo – e no dia seguinte, o exército veio, matando um deles e levando o outro. Começa aí, uma incansável saga que vai envolvendo o leitor como os próprios panos que envolvem esses incríveis guerreiros do deserto. E o final, bem, o final… é realmente brilhante. Já indiquei pra vários amigos. Só faltava indicar aqui no blog.

Por sua vez, Gacel permaneceu muito quieto, observando o comboio que se afastava, até que o pó e o ruído se perderam por completo na distância. Logo, devagar, ele se encaminhou à jaima onde já se amontoavam seus filhos, a esposa e os escravos. Não precisou entrar para saber o que encontraria. O homem jovem aparecia no mesmo lugar em que o deixara, após sua última conversa, com os olhos fechados, agarrado ao sono pela morte. Unicamente um pequeno círculo vermelho na testa fazia-o parecer diferente. Observou-o com pena e raiva durante um longo instante e, em seguida, chamou Suílem.

- Enterre-o – pediu. – E prepare meu camelo.

Pela primeira vez na vida Suílem não cumpriu a ordem do amo, e uma hora depois entrou na tenda e se atirou aos seus pés, tentando beijar-lhe as sandálias.

- Não faça isso! – suplicou. – Nada conseguirá.

Gacel afastou o pé com desagrado.

- Acredita que devo consentir com semelhante ofensa? – perguntou Gacel com voz rouca. – Acredita que continuaria vivendo em paz comigo mesmo, depois de haver permitido que assassinassem um dos meus hóspedes e levassem o outro?

 

* Paula Taitelbaum é escritora e coordenadora do Núcleo de Comunicação L&PM.