Posts Tagged ‘Marcas de Nascença’

Livros, livros de mão cheia

terça-feira, 23 março 2021

Se você adora conhecer novas obras e costuma ir na contramão dos best-sellers, aqui vão cinco sugestões de leituras imperdíveis.

capa_Tuareg_14x21_montada.inddTuareg, de Alberto Vázquez-Figueroa

Um livro denso e ao mesmo tempo tenso. Que flui como grãos de areia esparramados pelo vento no deserto. Seu autor, Alberto Vázquez-Figueroa, constrói uma narrativa que prende do início ao fim e que oferece um final surpreendente. O tuareg Gacel Sayad vivia quieto na sua tenda, peregrinando com sua família pelo Saara, até que dois desconhecidos, vindos sabe-se lá de onde, meio mortos, meio vivos, chegam em seu acampamento. O tuareg os recebe – porque nenhum tuareg nega abrigo – e no dia seguinte, o exército chega, matando um deles e levando o outro. Começa aí, uma incansável saga que vai envolvendo o leitor como os próprios panos que envolvem esses incríveis guerreiros do deserto.

MARCAS DE NASCENCAMarcas de Nascença, de Nancy Houston

Uma obra sensível e atemporal, escrita pela franco canadense Nancy Houston. Dividido em quatro capítulos, o livro conta as histórias de quatro membros da mesma família judia que possuem uma idêntica marca de nascença em diferentes lugares do corpo. Histórias sempre narradas do ponto de vista de uma criança de seis anos e com um estilo diferentes para cada capítulo. Dessa forma, vai se desenrolando um novelo familiar que conta em primeira pessoa a vida do bisneto, pai, avó e bisavó. Tudo começa com Solomon, passando para seu pai Randall, indo para sua avó Sadie e terminando em sua bisavó Kristina. Num período que vai de 2004 até 1945.

90778 Mona2009.cdrRoubaram a Mona Lisa!, de R. A. Scotti

No final da tarde de 20 de agosto de 1911, um domingo, três homens entraram no Museu do Louvre, em Paris. Disfarçados de funcionários, esconderam-se até o cair da noite. Dezesseis horas depois, o quadro mais famoso do mundo, a Mona Lisa, tinha desaparecido. Onde ela estava? Quem a levara? No livro Roubaram a Mona Lisa!, a escritora R.A. Scotti volta no tempo e faz um relato vívido e minucioso deste que foi o maior roubo de arte da História. A autora revisita as origens da obra-prima de Leonardo da Vinci e contrói um romance policial baseado em fatos reais. Vivo, pulsante, fluente, Roubaram a Mona Lisa! é o tipo de livro que não se consegue parar de ler.

AUTOBIOGRAFIA ALICEA autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein

Gertrude Stein foi muito mais do que uma escritora talentosa. De família riquíssima, foi uma mecenas das artes que ajudou a catapultar pintores e escritores nas primeiras décadas do século XX. Nasceu nos EUA, mas foi em Paris que morou e recebeu seus amigos artistas junto com Alice B. Toklas, sua companheira. Nesta que é sua mais famosa obra, Stein conta a sua história  pela boca de Alice; no tempo em que Paris era uma festa e Picasso, Matisse, Cézanne e toda a arte moderna pintavam, amavam, se divertiam, sofriam e passavam fome na capital de todas as revoluções. Gertrude inventou a célebre expressão “Geração Perdida” para os jovens autores americanos que ela havia descoberto pelas ruas de Paris; Ernest Hemingway e Francis Scott Fitizgerald. Uma história fascinante e verdadeira que merece ser lida.

a_fabulosa_historia_do_hospitalA fabulosa história do hospital, de Jean-Noël Fabiani

Neste delicioso livro, Jean-Noël Fabiani – renomado cirur­gião francês e um dos maiores especialistas em história da medicina – descortina um dos mais incríveis legados da humanidade: a evolução dos hospitais e da medicina, num relato repleto de humor e erudição. Veremos que as primei­ras cirurgias eram realizadas por barbeiros!; como se deu a invenção do estetoscópio; a importância da decisão da rai­nha Vitória de dar à luz sem dor sob efeito do clorofórmio e, segundo alguns, contrariando a Bíblia; o nascimento da medicina humanitária com a Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras; o fortuito papel do acaso na invenção do Viagra, e muito mais. Todo o gênio e toda a ingenuidade humana são aqui pos­tos a nu, na incansável busca pelo viver mais e melhor.

 

 

Um romance marcante

terça-feira, 13 novembro 2012

Por Paula Taitelbaum*

Antes de trabalhar na L&PM, eu já tinha uma ligação forte com essa casa. Primeiro, porque como escritora venho publicando por aqui desde 1999. Segundo, porque há alguns anos sou colaboradora de jornais e revistas – o que fazia de mim uma potencial habitante do mailing da editora. Digo isso para contar que eu costumava receber muitos dos lançamentos da L&PM. Foi assim que, um certo dia lá por novembro de 2007, cheguei em casa e encontrei mais um  embrulho em papel pardo. Ao abrir o pacote, dei de cara com um nome que nunca tinha ouvido falar na vida: Nancy Huston. Além do nome da autora, o livro recém chegado trazia a foto de uma menina em preto e branco e possuía um título bastante poético: Marcas de Nascença.

Confesso que quase nunca eu folheava o livro na hora em que ele chegava – muito porque eu sempre estava atrasada para ir ou fazer alguma coisa –, mas Marcas de Nascença foi como um imã e, ali mesmo, de pé na sala, abri na primeira página. Instanteneamente, fui sugada pela história, pelas frases que não chegavam ao fim do parágrafo e pelos espaçamentos diferentes que soavam como um poema, além do fluxo de pensamento muitas vezes sem vírgula, ponto:

Estou acordado.
É como ligar o interruptor e encher o quarto de luz.
Assim que escapo do sono, estou ligado alerta     eletrificado,     com a cabeça e o corpo funcionando perfeitamente. Tenho seis anos e sou um gênio. Esse é o primeiro pensamento do dia.
O meu cérebro preenche o mundo e o mundo preenche o meu cérebro,
eu controlo e possuo cada parcela dele.
Domingo de Ramos                 muito cedo
A bisa de visita aqui em casa
A mamãe e o papai ainda estão dormindo um domingo
ensolarado             sol           sol         sol        Rei sol
Sol           Solly       Solomon
Sou uma onda de luz                instantânea             invisível       e    todo-poderosa que se espalha pelos cantos mais sombrios do universo se a menor dificuldade

Aquelas palavras – e todas as que vieram a seguir – pareciam ser tudo o que eu queria ter escrito na vida. Não larguei mais o livro. Dividido em quatro capítulos, ele conta as histórias de quatro membros da mesma família judia que possuem uma idêntica marca de nascença em diferentes lugares do corpo. Histórias sempre narradas do ponto de vista de uma criança de seis anos e com um estilo diferentes para cada capítulo. Dessa forma, vai se desenrolando um novelo familiar que conta em primeira pessoa a vida do bisneto, pai, avó e bisavó. Tudo começa com Solomon, passando para seu pai Randall, indo para sua avó Sadie e terminando em sua bisavó Kristina. Num período que vai de 2004 até 1945.

Digo, com certeza, que Marcas de Nascença foi um dos melhores livros que já li na vida. E este ano, ele foi relançado na Coleção L&PM Pocket. Ou seja: provavelmente é fácil encontrá-lo por aí. Vá atrás!

* Toda semana, a Série “Relembrando um grande livro” traz um texto assinado em que grandes livros são (re)lembrados. Livros imperdíveis e inesquecíveis.