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Não há perdão para Billy the Kid

terça-feira, 4 janeiro 2011
Billy the Kid

Billy the Kid

William Bonney tinha apenas 21 anos quando ficou conhecido em todo o velho oeste dos Estados Unidos pelos crimes, assassinatos e fugas espetaculares que cometeu sob o codinome Billy the Kid. Sua fama se espalhou pelo mundo e sua história já serviu de inspiração para trabalhos de Bob Dylan, Jorge Luis Borges, Sam Peckimpah e Arthur Penn.

Se com tão pouca idade ele fez tanto mal, há de se admitir também algo de heróico em sua trajetória. Pois junto com a fama de matador, Billy the Kid carrega uma aura de Robin Hood americano, que usava armas de fogo no lugar de arco e flecha.

As personas de bandido e herói se revezam de acordo com a fonte da história. Billy é apontado como culpado por cerca de 20 mortes, mas estima-se que algumas delas tenham sido cometidas por homens de seu bando e atribuídas a ele por engano – ou por comodidade.

O perdão

Em 1879, o então governador do Novo México, Lew Wallace, teria prometido perdoar os crimes de Billy em troca de seu testemunho em outro caso. O bandido teria aceitado o acordo e cumprido sua parte, mas quem faltou com a palavra foi o governador. Billy teve que fugir e no ano seguinte foi capturado pelo xerife Pat Garrett, que o matou e contou sua história no livro The Authentic Life of Billy the Kid, imortalizando a saga de uma das maiores lendas do velho oeste.

Eis que em 2010, uma advogada que vive na região onde os crimes aconteceram resolveu resgatar a história e cobrar o perdão prometido à Billy the Kid, ainda que póstumo. As famílias de alguns dos mortos se envolveram no caso para tentar impedir. Na última semana, o então governador do Novo México, Bill Richardson, recusou o pedido da advogada alegando que não cabe a ele “reescrever este capítulo proeminente” da história de seu país.

Para conhecer a história do bandido mais célebre do velho oeste, contada pelo homem que o matou, vale ler Billy the Kid, publicado pela L&PM em 1986 e reeditado na Coleção L&PM Pocket.

Veja o trailer do filme realizado por Sam Peckimpah em 1973, com trilha sonora de Bob Dylan:

Robin Woody

quarta-feira, 22 dezembro 2010

Por Paula Taitelbaum

Ele rouba dos ricos (personagens) para dar aos pobres (de espírito). É um herói, uma personalidade, uma lenda. E vive na pulsante floresta de Newyorkwood. Ele é “Robin” Woody Allen e, mais uma vez, invadiu as ruas da Inglaterra para tentar acertar os corações e mentes com sua câmera. Em Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, o cineasta parece estar no fundo da sala, espreitando como se fosse um ladrão a espera da próxima vítima. Só que dessa vez, no farfalhar do roteiro, há muito mais desconforto do que graça. Terá Woody preparado uma armadilha? O que terá ele escondido atrás daquela cena? Qual o rastro que deixará dessa vez? No lugar de respostas, quando os créditos sobem, pairam dúvidas. E fica a sensação de que ele cansou e simplesmente… cut. Passou a lâmina no rolo. Mas então, mudam os dias no calendário e surge outra hipótese. A de que “Robin” Woody Allen não estava nem um pouco interessado em resolver as tramas que criou. Ao contrário. Para ele, não há a menor importância se o bando de personagens irá resolver os seus conflitos: o casamento vai dar certo? O filho é meu? O livro vai ser um sucesso? Vou conseguir ter o meu próprio negócio? Ninguém sabe. Porque a vida é assim: apesar de desejarmos demais, não somos capazes de descobrir o que vai acontecer na cena seguinte da nossa existência.  Ou seja: sem final, a moral da história é sentida na pele. O futuro permanece uma incógnita. E só o que resta é a certeza de que, na janela ao lado, pode haver alguém que nos livre do peso da realidade. No caso do filme, os quatro personagens principais usam um coadjuvante como muleta para seguir em frente. Há uma vidente carinhosa, um chefe rico e charmoso, uma garota de programa gostosa, uma vizinha doce e deslumbrante. Todos eles se revelem uma fonte de prazer ou alívio. Mas não se iluda: mesmo encontrando o seu coadjuvante perfeito, isso não quer dizer que vai dar tudo certo. Talvez dê. Talvez não dê. Pensando bem, quem quiser saber o final da sua história que consulte uma cartomante. Ou vá viver na floresta.