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Nova Casa de Cultura Stefan Zweig abre suas portas para o público

segunda-feira, 30 julho 2012

Stefan Zweig não é um nome muito popular no Brasil. Mas merecia ser. Famoso escritor austríaco que visitou o Brasil em 1936, Zweig era romancista, contista, ensaísta e biógrafo de personalidades como Maria Antonieta, Montaigne, Américo Vespúcio e Balzac. Ligou-se eternamente ao Brasil quando, em 1941, já morando em Petrópolis no Rio de Janeiro, lançou o clássico ufanista Brasil, um país do futuro, livro que fez grande sucesso na época. Sensível e emotivo, ficou tão deprimido pela guerra, pelo avanço do nazismo e da intolerância contra os judeus, principalmente na Áustria que, em 1942, suicidou-se junto com sua mulher na casa de Petrópolis.

Agora, finalmente, o imóvel onde Zweig passou seus últimos tempos reabriu neste domingo, 29 de julho, como um moderno centro cultural. A inauguração da Casa Stefan Zweig é o principal evento comemorativo de uma série de efemérides que se sucedem desde o ano passado: o lançamento de Brasil, um país do futuro, os 130 anos do nascimento de Zweig (que aconteceu em novembro de 1881) e os 70 anos de sua morte.

O projeto, orçado em R$ 1,2 milhão, foi financiada por amigos e admiradores do escritor. “Um bando de loucos”, segundo declarou à Folha de S. Paulo o diretor do Centro Cultural Stefan Zweig, Alberto Dines. Mais do que um museu, as pessoas encontrarão um moderno centro de memória interativo. O quarto em que o escritor se envenenou ao lado da mulher está lá e as pessoas poderão ler, em alemão, o texto de despedida de Zweig em que ele agradece a “este maravilhoso país, o Brasil”. O presidente da casa destaca como peça mais importante a máscara mortuária de Zweig, feita por um escultor amador de Petrópolis e doada pelos herdeiros.

Se você estiver passando pela cidade, não deixe de visitar.

A recém inaugurada Casa Stefan Zweig em Petrópolis

SERVIÇO

O que: Exposição Stefan Zweig e Memorial do Exílio
Quando: A partir do dia 29 de julho, sexta a domingo das 11h às 17h
Onde: Casa Stefan Zweig – Rua Gonçalo Dias, 34, Petrópolis, RJ – Fone: 24-2245-4316

De Stefan Zweig, a Coleção L&PM Pocket publica Brasil, um país do futuro, 24 horas na vida de uma mulher e Medo e outras histórias.

Stefan Zweig, o criador da expressão “Brasil, um país do futuro”

segunda-feira, 28 novembro 2011

Em 28 de novembro de 1881, nascia Stefan Zweig. Vienense, herdeiro de uma família da alta burguesia austríaca, sua trajetória se cruzaria com a do Brasil em 1936 quando, ao ser convidado para um congresso em Buenos Aires, o já famoso escritor Zweig aproveitou para visitar também o Brasil. Chegou esperando encontrar “uma daquelas repúblicas sul-americanas que não distinguimos bem umas das outras, com clima quente e insalubre, situação política instável e finanças em desordem…”, como depois escreveria. Mas ao desembarcar no Rio de Janeiro, a sensação foi outra: “Fiquei fascinado e, ao mesmo tempo, estremeci. Pois não apenas me defrontei com uma das paisagens mais belas do mundo, esta combinação ímpar de mar e montanha, cidade e natureza tropical, mas ainda com um tipo completamente diferente de civilização”. A partir de então, Zweig envolveu-se tão intensamente com o Brasil que, em 1941, junto com a mulher, mudou-se para Petrópolis, virou biógrafo de Américo Vespúcio e escreveu o apaixonado ensaio histórico Brasil, um país do futuro.

O pequeno Zweig no colo de seu pai

Foi em Petrópolis que, em 1942, o escritor e sua mulher foram encontrados abraçados e sem vida. Desiludidos com a II Guerra, eles se suicidaram ingerindo uma quantidade elevada de barbitúricos.

Além de seus livros mais conhecidos, entre eles Medo e outras histórias e 24 horas na vida de uma mulher (Coleção L&PM Pocket), Zweig deixou um legado que inclui traduções, ficções, teatro, poemas e ensaios biográficos de gente como Paul Verlaine, Rimbaud, Romain Rolland, Freud, Casanova, Stendhal, Tolstói, Américo Vespúcio e Maria Antonieta.

Brasil do futuro do passado: Stefan Zweig ao lado de Getúlio Vargas