Posts Tagged ‘O vermelho e o negro’

Os cartazes de “O vermelho e o negro”

quarta-feira, 4 setembro 2013

Entre todos os romances produzidos na história da literatura mundial, há quem defenda que O vermelho e o negro, de Stendhal, é o mais clássico, vasto, célebre, radical e brilhante. A saga romântica de Julien Sorel, o filho detestado de uma família de camponeses, e suas “eternas e definitivas” amadas sra. De Rênal e Mathilde de La Mole foi inspirado em fatos reais (um escândalo entre famílias de destaque da burguesia francesa).

O vermelho e o negro rompeu com a tradição do romantismo e introduziu o realismo no romance francês.

Em 1954, o livro de Stendhal foi adaptado para os cinemas pelo diretor Claude Autant-Lara. Encontramos muitas versões de posters para essa que é a única superprodução com a saga de Julien Sorel feita nesses 60 anos. Dê uma olhada:

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O vermelho e o negro, com tradução de Paulo Neves, acaba de sair em formato convencional pela L&PM Editores.

Os livros preferidos de Hemingway

quarta-feira, 9 maio 2012

A edição de fevereiro de 1935 da Revista Esquire trazia um artigo de Ernest Hemingway no qual o escritor revelava os 17 livros que ele gostaria de ler novamente como se fosse a primeira vez. Na lista, há alguns títulos publicados pela L&PM: O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë; Madame Bovary, de Gustave Flaubert; Guerra e Paz, de Tolstói; As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain; O vermelho e o negro, de Stendhal e Os dublinenses, de James Joyce.

Hemingway na sua mesa de trabalho, cercado por seus livros favoritos

Se você deseja ter a sensação que Hemingway queria repetir – a de ler estes livros pela primeira vez – aqui está a chance de começar…

Autor de hoje: Stendhal

domingo, 2 outubro 2011

Grenoble, França 1783 – † Paris, França, 1842

Pseudônimo de Marie-Henri Beyle, desde cedo manifestou tendências republicanas e anticlericais, em dissonância com o meio em que vivia. Devido a essas tendências, participou da campanha de Napoleão, na Itália, como integrante do Regimento de Dragões. Depois disso, abandonou o exército para dedicar-se à literatura, mas a ele retornou por necessidades financeiras. Com a queda do Império Napoleônico, mudou-se para Milão, vindo a exercer outras funções e cargos públicos na Itália e na França. Autor de um estilo sóbrio, criou personagens de grande complexidade psicológica, que se debatiam entre a conduta racional e o comportamento sensual. Embora tenha escrito seus romances em pleno Romantismo, a isenção de sentimentalismo e as profundas análises de personagens caracterizam sua obra como representativa do Realismo francês.

OBRAS PRINCIPAIS: O vermelho e o negro, 1830; A cartuxa de Parma, 1839

STENDHAL por Carlos Jorge Appel

Celebrizado sob o pseudônimo de Stendhal, Henri Beyle viria universalizar o conceito de beylismo, que postula a valorização da felicidade como fator vital para a consecução da plenitude humana. Em Racine e Shakespeare (1823), um dos mais vigorosos manifestos românticos, incompreendido até mesmo por Victor Hugo, Stendhal revela uma lucidez anti-sentimental que rompe com os postulados românticos vigentes até então na Europa. Balzac o saúda como um gênio, em 1840, e diz que ele escrevia “para seus contemporâneos de inteligência já realista”. Convém lembrar que sua infância e adolescência transcorreram em meio às profundas transformações históricas da Revolução Francesa e ao advento da Era Napoleônica. Em dissonância com o meio em que vivia, com sérios problemas de relacionamento familiar, cedo manifestou tendências anticlericais e republicanas, visíveis em suas crônicas, ensaios e romances. Participou da campanha de Napoleão na Itália como ajudante-de-campo do general Michaud, viajou e conheceu de perto a cultura italiana, seus pintores, escultores, músicos e escritores e elegeu Milão como sua cidade preferida. Essa vivência foi fundamental para seus ensaios A vida de Napoleão, Do amor, A batalha de Waterloo e o romance A cartuxa de Parma.

Forjou a palavra “egotismo” para designar a psicose romântica de palavroso subjetivismo sentimental e contrapôs-lhe uma arte de ser individualmente feliz, sem ilusões, à base do conhecimento possível dos homens, das circunstâncias que os modelam e do progresso social inevitável. Contrapôs a objetividade da tradição iluminista à histeria sentimentalista, ao sonho medievalista ou fantasmagórico. Graças ao seu domínio intelectual, Stendhal se tornaria o mestre do melhor realismo já encartado na segunda metade do século XIX. Seu estilo é a consumação perfeita de um pensamento e de uma funda experiência que se exprimem, sobretudo, em seus romances O vermelho e o negro, A cartuxa de Parma e Lucien Leuwen, romance incompleto e editado em 1901, que Otto Maria Carpeaux considera o melhor de sua obra. Dele diria Nietzsche: “Stendhal, esse notável precursor que, qual Napoleão, percorreu a sua Europa, os vários séculos de alma européia, iluminando-a e descobrindo-a; foram necessárias duas gerações para com preendê-lo, para adivinhar alguns dos enigmas que o exaltavam, a ele, epicurista admirável e curioso indagador, que foi o último grande psicólogo da França”.

* Guia de Leitura – 100 autores que você precisa ler é um livro organizado por Léa Masina que faz parte da Coleção L&PM POCKET. Todo domingo,você conhecerá um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos clássicos, Léa convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores. Veja os outros autores já publicados neste blog.