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Sidney Poitier e o Oscar 1968

quarta-feira, 15 junho 2011

O ator [Rod Steiger] agradeceu à Academia, a Norman Jewison e ao público, e então respirou fundo. “Por fim, o mais importante de todos”, continuou ele. “Gostaria de agradecer ao sr. Sidney Poitier pelo prazer de sua amizade, que me deu o conhecimento e a compreensão sobre a questão do preconceito de que eu precisava para melhorar minha atuação. Muito obrigado, e nós venceremos.” Quando ele deixou o palco, a plateia estava em polvorosa. Steiger havia quebrado o protocolo – fazer referência a questões políticas em um discurso de agradecimento por uma premiação era algo raríssimo em 1968 – e escolhido o momento perfeito para fazer isso. Quando Bob Hope voltou, os aplausos para Steiger ainda não tinha cessado. “As coisas estão meio tensas, não?”, comentou o mestre de cerimônias enquanto esperava. A seguir, ele anunciou quem apresentaria o próximo prêmio: Sidney Poitier. (Depoimento de Dustin Hoffman que está no livro Cenas de uma revolução)

Clique na imagem e assista ao vídeo do Oscar 1968 com a cena descrita acima

Escrito pelo jornalista norteamericano Mark Harris, Cenas de uma revolução – o nascimento de uma nova Hollywood conta tudo e mais um pouco sobre os bastidores (e os holofotes) dos cinco filmes que concorreram ao Oscar 1968. O ator negro Sidney Poitier estrelava dois destes filmes, No Calor da Noite e Adivinhe quem vem para jantar; e quase co-estrelou um terceiro, Doutor Dolittle, além de ser considerado em 1967 a estrela número um de bilheteria dos EUA. Em entrevista exclusiva para o site L&PM, Mark Harris disse, inclusive que, se tivesse que eleger uma das personagens reais do seu livro como sendo “a mais fascinante”, seria Sidney Poitier. Clique aqui e leia a entrevista completa de Harris. Vale a pena.  

Cinco anos antes do discurso de Rod Steiger, Sidney Poitier havia sido primeiro negro a receber o Prêmio de Melhor Ator no Oscar 1963

O dia em que Bonnie e Clyde sairam de cena (e entraram no cinema)

segunda-feira, 23 maio 2011

O livro de Toland fazia referência a dois criminosos não muito conhecidos da época, Clyde Barros e Bonnie Parker. Benton era de uma pequena cidade do leste do Texas chamada Waxahachie, e tinha mais familiaridade com as façanhas do casal – que foi morto em 1934, quando ele tinha dois anos de idade – do que Newman. “Todo mundo no Texas ouvia falar de Bonnie e Clyde quando criança” afirmou Benton. “Meu pai foi ao enterro deles. Em qualquer festa de Dia das Bruxas sempre havia um menino vestido de Clyde e uma menina vestida de Bonnie.”

O filme Bonnie e Clyde: uma rajada de balas foi uma ideia do diretor de arte da revista Esquire, Robert Benton, e de seu amigo e colega David Newman, jornalista e editor da mesma revista. Benton e Newman nunca haviam escrito um roteiro para cinema antes e quase não conheciam ninguém do meio. Mas escreveram uma história que ajudou a eternizar Bonnie e Clyde e que deu origem a um dos filmes que revolucionou Hollywood – como mostra o recém lançado Cenas de uma revolução, livro de Mark Harris que conta  tudo sobre as cinco produções que concorreram ao Oscar de melhor filme 1967 (além de Bonnie e Clyde, O Fantástico Doutor Dolittle, A primeira noite de um homem, Adivinhe quem vem para jantar e No calor da noite). O trecho inicial deste post, por exemplo, está no primeiro capítulo.

E não é difícil imaginar porque o casal, que nos cinemas foi vivido por Warren Beatty e Faye Dunaway, era perfeito para ser filmado. Os verdadeiros Bonnie e Clyde tinham 20 anos quando se conheceram, em 1930. Foi amor à primeira vista e Bonnie largou tudo para seguir Clyde em uma vida cheia de aventuras e crimes. Juntos, eles formaram uma quadrilha que realizou muitos assaltos e alguns assassinatos.  Tinham ares de pop star e adoravam fazer pose para fotos que, hoje, mais parecem editoriais de moda.

Bonnie e Clyde na vida real e no cinema

A pose de Bonnie inspirou Faye

Bonnie e Clyde viraram mito ao serem mortos numa emboscada, depois de uma longa caçada, numa estrada deserta perto de Bienville Parishem, no estado da Louisiana, em 23 de maio de 1934. Ou seja: há exatamente 77 anos atrás. Abaixo, o vídeo que mostra o verdadeiro carro da dupla, cravado de balas, acompanhado de uma locução que vai dizendo o que havia dentro do automóvel no instante em que Bonnie e Clyde foram pegos pela polícia.

E o Oscar de melhor busca vai para…

quinta-feira, 17 fevereiro 2011

O Google sabe tudo. Todo o conteúdo disponível na rede mundial de computadores está registrado lá. Ele não perde uma atualização sequer e ainda consegue tornar tudo acessível  por meio de uma busca pra lá de eficiente. Como se não bastasse entender de passado e até de presente – faz buscas em tempo real no Twitter – agora o Google quer buscar o futuro. A primeira investida da empresa no ramo da futurologia diz respeito ao Oscar.

Faltam 10 dias para a grande festa e, provavelmente, os nomes ainda não foram definidos. Mas o Google diz que já sabe quais serão os ganhadores. Com base nas estatísticas de busca dos outros anos, a empresa detectou algumas coincidências, que de tanto se repetirem viraram aposta.

Segundo o Google, nos últimos três anos, o ganhador da categoria de melhor filme apresentou um aumento no volume de buscas nas quatro semanas que antecederam a premiação. Além disso, neste mesmo período houve um aumento no número de buscas feitas a partir da cidade de Nova York. Suspeito, não?

Sendo assim, se o Google realmente estiver com uma bola de cristal nas mãos, os candidatos com mais chances na categoria de melhor filme são A Rede Social (cujo volume de pesquisas aumenta há cinco semanas), Cisne Negro e O Discurso do Rei(os dois com a quantidade de buscas crescendo há quatro semanas). O site Oscar Search Trends foi criado pelo Google especialmente para acabar com qualquer mistério que ainda resta antes da premiação:

Por enquanto, as informações não passam de especulação. Podemos voltar neste assunto após o dia 27 de fevereiro, quando acontece a entrega do Oscar em Los Angeles.

E por falar em Oscar, o livro Cenas de uma revolução, escrito pelo jornalista britânico Mark Harris, chega às livrarias em março. Harris analisa de perto as histórias, os cineastas e as inovações de cinco filmes vencedores do Oscar em 1967 – Bonnie e Clyde, A primeira noite de um homem, No calor da noite, Adivinha quem vem para o jantar e Doctor Doolittle – e transforma tudo isso numa trama repleta de heróis, bandidos, intrigas e romances, em um cenário ao mesmo tempo psicodélico e turbulento. Uma ótima pedida para quem curte cinema e literatura!