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Quando a Sexta-feira e o 13 se juntam

sexta-feira, 13 janeiro 2017

Prepare a figa, o patuá, a arruda e o sal grosso. Pendure alho nas janelas, compre uma muda de trevo-de-quatro-folhas, entre com o pé direito em todos os lugares. É Sexta-feira 13. Quando, acreditam os supersticiosos, o azar está no ar. Mas qual o motivo pra esse dia ser alvo de tanto preconceito? Provavelmente porque ele é a cria do casamento entre a Sexta-feira e o número 13, dois focos de mau agouro. Cristo foi crucificado numa Sexta-feira e, afirmam alguns teólogos, foi quando começou o Dilúvio. Na Inglaterra antiga, Sexta-feira era o dia oficial dos enforcamentos e conta-se que os condenados tinham que dar exatamente 13 passos até chegar no patíbulo.

O número 13 causa tanto pânico em certas pessoas que a fobia tem até nome científico: Triskaidekaphobia. E o medo estende-se a países. Nos EUA e na Argentina, há prédios em que o andar 13 não existe. A Itália deletou este número da sua loteria federal. E, na França, há uma associação destinada a oferecer pessoas extras – e de última hora - para quebrar o azar dos jantares onde somente 13 convidados apareceram.

Mas como nós, aqui da L&PM, não temos medo de nada, publicamos não apenas várias histórias de terror, como também livros que têm o 13 e a Sexta-feira no nome. História dos trezede Honoré de Balzac, é uma triologia sobre uma sociedade secreta chamada “Os Treze Devoradores”, espécie de seita em que a amizade está acima do bem e, claro, do mal.  Em Treze à mesade Agatha Christie, um assassinato acontece justamente num jantar em que está este número “nefasto” de pessoas. Já Sexta-feira negra, de David Goodis, conta a história de Hart que, numa gelada noite de sexta dá de cara com um moribundo sussurrando em meio a uma poça de sangue: “Sexta-feira negra é um dia que jamais termina para determinadas pessoas” diz a contracapa do livro.

As três obras são ótimas e imperdíveis, mas, pra não arriscar, talvez seja melhor não deixá-las lado a lado na mesa de cabeceira. Vá que dê mesmo azar juntar o Treze com a Sexta-feira…

sexta treze livros

E adivinha qual é o livro número 13 da Coleção L&PM POCKET? O nome dele é… Armadilha mortal. Ui, agora deu medo!

“A casa torta”, de Agatha Christie, vai virar filme

quarta-feira, 11 janeiro 2017

Lançado em 1949, este romance de mistério é um dos títulos favoritos da própria autora. Na adaptação para os cinemas, ainda sem data definida para a estreia, mas terá no elenco Glenn Close, Christina Hendricks e Gillian Anderson. A direção será do francês Gilles Paquet-Brenner (“Lugares Escuros”) e o roteiro de Julian Fellowes (criador da série “Downton Abbey”) e de Tim Rose Price (“Rapa Nui”).

A Casa Torta é publicada na Coleção L&PM Pocket e uma das poucas histórias de Agatha Christie que nunca foram filmadas. Foi o diretor Neil LaBute quem iniciou o projeto, encomendando o roteiro para Fellowes em 2011, mas essa configuração não foi adiante.

Publicado em 1949, o livro é uma história clássica de mistério com a marca da escritora. Na trama, o detetive Charles Hayward tem a missão de descobrir quem foi o responsável pela morte do milionário Aristide Leonides, patriarca idealizador da famosa “casa torta”, curiosa moradia que dividia com filhos, netos, noras, cunhada e sua jovem esposa.

Além desse projeto, estão atualmente em desenvolvimento novas adaptações de Testemunha de Acusação e Assassinato no Expresso Oriente, que já foram transformados em filmes clássicos.

Casa-Torta

Originais de Machado de Assis ao seu alcance

quarta-feira, 11 janeiro 2017

Via Publishnews

A Academia Brasileira de Letras (ABL) disponibilizou essa semana para o público em geral os manuscritos originais de dois romances e um poema de seu fundador e primeiro presidente, Machado de Assis. O Arquivo Múcio Leão da ABL, dirigido pelo Acadêmico e historiador José Murilo de Carvalho, disponibilizou no site da Instituição, os documentos das obras Esaú e JacóMemorial de Aires O Almada, que antes, somente podiam ser consultados nos terminais de computadores instalados em sua sede. Os documentos mostram o processo criativo do autor, inclusive as correções nos textos, assim como mudanças dos nomes de determinados personagens. De acordo com a Chefe do Arquivo da ABL, Maria Oliveira, “a decisão de permitir o acesso aos originais, antes mesmo da conclusão do processo de migração de todo o arquivo, foi tomada a partir do grande número de usuários, provenientes de diversas partes do mundo, interessados nos manuscritos da obra de Machado de Assis que estão depositados no Arquivo Múcio Leão”.

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A L&PM tem uma série inteira dedicada a Machado de Assis.

Simone de Beauvoir: a filósofa era ela

segunda-feira, 9 janeiro 2017

Ela nasceu em 9 de janeiro de 1908 em Paris. E se tornou um dos maiores nomes da filosofia do século 20. Simone de Beauvoir foi uma das fundadoras do movimento filosófico que ficou conhecido como Existencialismo, ao lado de Jean-Paul Sartre e outros contemporâneos seus. Além disso, tornou-se ícone feminista no mundo após a publicação de O segundo sexo, em que faz uma profunda análise do papel da mulher na sociedade.

Companheira de Sartre, ela é citada diversas vezes na biografia do filósofo, escrita por Annie Cohen-Solal e publicada pela L&PM:

Em junho de 1929, 76 candidatos se apresentam às provas de mestrado de filosofia: Sartre obtém o primeiro lugar entre os 27 aprovados e depois repete a façanha entre os 17 finalistas. (…) Como primeiro colocado dessa turma de 1929 no mestrado de filosofia, Sartre ganha por pequena diferença de pontos do candidato classificado em segundo lugar e que, casualmente, é uma mulher: Simone Bertrand de Beauvoir. ‘Rigorosa, exigente, precisa e técnica’, conta também [Maurice] Gandillac, ‘era a caçula da turma: tinha apenas 21 anos; três anos mais moça que Sartre, portanto, e havia conseguido realizar a proeza de fazer dois períodos letivos em um só, pois tinha se preparado, ao mesmo tempo, para receber o diploma de estudos superiores e para prestar o concurso de mestrado. Aliás, dois dos integrantes da comissão julgadora, os professores Davy e Wahl, me confessaram mais tarde que ficaram sem saber a quem conceder o primeiro lugar, se a ela ou a Sartre. Pois se Sartre demonstrava qualidades indiscutíveis, inteligência e cultura simplesmente impressionantes, embora por vezes aproximativas, todo mundo estava pronto a concordar que a filósofa era ela.

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Khalil Gibran e suas datas de nascimento

sexta-feira, 6 janeiro 2017

Em uma rápida busca no Google pela data de nascimento de Gibran Khalil Gibran, a mais recorrente que aparece é 6 de janeiro de 1883. Mas uma pesquisa mais apurada vai nos revelar que nesse dia o autor de “O Profeta” ainda não tinha vindo ao mundo. Na verdade, ele nasceu em 6 de dezembro de 1883 na cidade de Bisharri, no sopé da montanha do Cedro, no norte do Líbano.

A confusão entre janeiro e dezembro se explica: no Líbano, os meses eram escritos como no antigo calendário babilônico (aramaico-assírio) e alguns meses em grego. O mês de dezembro era chamado de “canoun primeiro” e o de janeiro “canoun segundo”. E foi por isso que a confusão se instalou quando Assib Arida, escritor e companheiro de Gibran na Liga Literária, achou que “canoun primeiro” se referia ao primeiro mês no calendário ocidental e registrou o aniversário de Gibran como sendo 6 de janeiro na obra “Uma Lágrima e Um Sorriso”. Dizem que Gibran não questionou o erro do amigo e que até pode ter gostado porque 6 de janeiro no calendário dos cristãos ortodoxos orientais seria o verdadeiro dia em que Jesus Cristo teria nascido.

Quando tinha onze anos, o menino Gibran mudou-se com a família para a América e estabeleceu-se em uma comunidade de imigrantes libaneses no bairro chinês de Boston. Pouco depois, começou a fazer aulas de desenho e foi apresentado ao fotógrafo Fred Holland Day, que o usou como modelo para várias de suas fotos:

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Em 1923, depois de voltar ao Líbano, passar por Paris, voltar aos EUA, pintar, desenhar e escrever, finalmente publicou sua obra-prima, O profeta. Foi um sucesso imediato que nunca deixou de vender. Khalil Gibran morreu em 10 de abril de 1931, em decorrência de insuficiência hepática e tuberculose. Mas até o fim da vida jamais abandonou a paixão pelo Líbano, sua terra natal, onde foi enterrado e segue sendo considerado uma lenda.

Vamos a la playa

quarta-feira, 4 janeiro 2017

Tempo de praia, tempo de ler, tempo de descobrir que algumas personalidades que fazem parte da Série Biografias L&PM também adoravam ficar perto do mar, como mostram as fotos abaixo, aqui acompanhadas de pequenos trechos dos livros de cada um dos biografados.

“Os ‘recém casados´ não vivem por muito tempo a nova vida conjugal em La Californie. A urbanização dos altos de Cannes retirou-lhe o encanto. Como não considera instalar-se inteiramente em Vauvenargues e como as finanças não são um problema, Picasso compra uma outra propriedade, sem desfazer-se da precedente, em Mougins, onde passou vários verões com Dora e Éluard.” (Picasso, de Gilles Plazy)

Picasso em pose “ser ou não ser…” na praia de Cannes em 1965

“No começo de 1949, a única luz para a moça é sua convocação para ensaiar uma ponta no próximo filme dos Irmãos Marx. Desprovida de seus rendimentos mensais, ela vive unicamente das fotos que eventualmente lhe propõem, aceita o que der e vier, exibições de maiô ou sobre esquis (ou os dois ao mesmo tempo).” (Marilyn Monroe, de Anne Plantagent)

A jovem Marilyn toma banho de mar em 1949

 “Pela primeira vez na vida, ele tem a impressão de estar rico (o que é relativo), mas continua avarento – adia a devolução a Ginsberg dos duzentos dólares que ele lhe emprestou para que pudesse ir a Tânger e se recusa a emprestar vinte dólares a Hunckle.” (Kerouac, de Yves Buin)

Jack Kerouac, em Tânger, Marrocos, fotografado por Allen Ginsberg

Durante esses dois anos, Einstein dedica-se a conceitualizar as matérias de termodinâmica estatística e de eletrodinâmica dos corpos em movimento, bem como publica diversos artigos e exposições. Esses anos são a antecâmara da inacreditável eclosão, verdadeiro fogo de artifício criativo que está por vir.” (Albert Einstein, de Laurent Seksik)

Estaria Einstein tão tranquilo em 1945?

“Em 1966, os estúdios Warhol realizam The Chelsea Girls, que marcou uma virada, em particular, porque teve algum sucesso. Trata-se de um retrato íntimo das superstars da Factory do momento, que são filmadas em vários quartos de um hotel nova-iorquino, o Chelsea-Hotel, pelo qual muitas superstars haviam passado.” (Andy Warhol, Mériam Korichi).

Andy Warhol na praia. Ok, ela é Cannes e aqui ele está com as garotas de seu filme, “Chelsea Girls”

O dia em que Van Gogh cortou sua orelha

sexta-feira, 23 dezembro 2016

Na noite de 23 de dezembro de 1888, o pintor Van Gogh realizou o ato que simbolizaria para sempre seu desequilíbrio: cortou parte de sua orelha esquerda. A L&PM tem livros que contam (ou mostram) o que aconteceu.

Van_goghDepois de trocar palavras com Gauguin na praça, ele voltou à Casa Amarela, pegou uma navalha e, numa hora difícil de determinar, cortou um pedaço da orelha esquerda, seguramente o lóbulo, talvez um pouco mais. Correram muitos boatos sobre esse ponto e Gauguin escreveu que ele havia cortado a orelha rente à cabeça. Mas o registro do hospital fala de “mutilação voluntária de uma orelha”, as conclusões do médico-chefe do hospital de Arles dizem “que ele cortou sua orelha”, o relatório do dr. Peyron em Saint-Rémy declara também que Vincent mutilou-se “cortando a orelha”, e os testemunhos de Johanna Bonger, de Paul Signac, do dr. Gachet e do seu filho, que o viram posteriormente, vão no sentido de um a mutilação da orelha pela supressão do lóbulo. Mas os boatos tendem a exagerar os fatos. Para muitos, Vincent cortou a orelha inteira, não deixando mais que um buraco rente à cabeça, o que o tornava irremediavelmente “outro”, não humano, como o homem que perdeu sua sombra no conto de Chamisso. (Van Gogh, biografia escrita por David Haziot, Série Biografias L&PM):

***

Cartas_a_Theo_e_outros_CONVTrecho do Incidente da automutilação de Van Gogh

por Paul Gauguin

(…)

Chegando a noite, acabara meu jantar e sentia a necessidade de ir sozinho respirar o ar perfumado dos loureiros em flor. Já atravessara quase inteiramente a praça Victor Hugo, quando ouvi atrás de mim um pequeno passo bem conhecido, rápido e irregular. Virei-me no exato momento em que Vincent se precipitava sobre mim com uma navalha aberta na mão. Meu olhar nesse momento deve ter sido muito poderoso, pois ele parou e, baixando a cabeça, retomou correndo o caminho de casa.

Será que fui covarde nesse momento e não deveria tê-lo desarmado e procurado acalmá-o? Várias vezes interroguei minha consciência e não me censurei em nada.

 (…)

Van Gogh voltou para casa e imediatamente cortou sua orelha, exatamente na base da cabeça. Deve ter levado um certo tempo para estancar a força da hemorragia, pois no dia seguinte numerosas toalhas molhadas estavam estendidas nas lajes dos dois cômodos de baixo. O sangue sujara os dois cômodos e a escadinha que subia para nosso quarto de dormir.

(…)

Na cama Vincent jazia, completamente envolto pelos lençóis, todo encolhido com os joelhos junto ao corpo: parecia inanimado. Suavemente, bem suavemente, apalpei seu corpo cujo calor era com certeza sinal de vida. Senti como se toda a minha inteligência e a minha energia estivessem voltando. (Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh)

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Página de “Vincent”, a história de Vincent Van Gogh em quadrinhos

Dia de lembrar o Nobel de Literatura 1962

terça-feira, 20 dezembro 2016

Por seus textos realistas e ao mesmo tempo imaginários, que combinam humor e percepção social afiada, John Steinbeck recebeu, em 1962, o Prêmio Nobel de Literatura. Falecido em Nova York há exatos 48 anos atrás, em 20 de dezembro de 1968, ele foi o 58º laureado com o Nobel, que começou em 1901 e é o mais consagrado de todos os méritos concedidos a um escritor. Quem já leu Ratos e homens, O inverno da nossa desesperança ou As vinhas da ira sabe que Steinbeck mereceu receber o Diploma Nobel, a medalha e o prêmio em dinheiro concedidos pela Academia Sueca, em Estocolmo.

John Steinbeck recebendo seu Nobel de Literatura em 1962

- Dois vencedores do Nobel de Literatura que se recusaram a receber seus prêmios foram Boris Pasternak (1958), por forte pressão do governo soviético, e Jean-Paul Sartre (1964), por alegar que aceitar o Nobel significaria perder a sua identidade de filósofo.
- O escritor mais jovem a receber o Nobel de Literatura foi Rudyard Kipling (1907), aos 42 anos, autor de O livro da selva. A mais velha foi a Doris Lessing que recebeu o Prêmio em 2007 aos 88 anos.
- Em 1931, o Nobel de Literatura foi concedido postumamente a Erik Axel Karlfeldt. A partir de 1974, os Estatutos da Fundação Nobel estipularam que um Prêmio Nobel não pode ser concedido in memoriam, a menos que a morte tenha ocorrido após o anúncio do Prêmio Nobel.
- 14 mulheres já receberam o Prêmio Nobel de Literatura, a primeira delas em 1909: Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf.
- Entre os anos 1940 e 1943, devido à Segunda Guerra Mundial, o Prêmio Nobel não aconteceu.
- Em 2016, o Nobel de Literatura foi concedido ao cantor e compositor Bob Dylan, pelo conjunto de suas poéticas canções com letras que, segundo a Academia Sueca, são a mais pura literatura.

L&PM e sua loja dentro da loja

segunda-feira, 19 dezembro 2016

A Coleção L&PM Pocket lançou um projeto inédito no Brasil. Inspirada nas pocket stores europeias, foram criadas as primeiras Store in Store (loja dentro da loja) feitas por uma editora brasileira. Na Store in Store que a L&PM inaugurou este ano na Livraria Cultura do Conjunto Nacional cabem mais de 2.500 livros de bolso. É praticamente um mundo encantado de pockets! Veja algumas fotos:

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Neruda num cinema perto de você

sexta-feira, 16 dezembro 2016

Estreou nesta quinta-feira, 15 de dezembro, o filme Neruda, do premiado diretor chileno Pablo Larraín (de Tony ManeroNoO Clube). Recém-indicado como melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro – e representante do Chile na corrida do Oscar –, a produção não é uma cinebiografia tradicional. Segundo Larraín, o filme é um exercício de “pura invenção”. Passada no final dos anos 1940, a obra aborda especificamente a perseguição anticomunista a que o político Neruda (ele era também senador), vivido pelo ator Luis Gnecco, foi submetido, capitaneada pelo inspetor Peluchonneau (Gael García Bernal).

Assista ao trailer:

A L&PM Editores publica vários livros de Neruda, algumas edições, inclusive, são bilíngues. Clique aqui para ver.