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Willem Dafoe será Van Gogh

segunda-feira, 22 maio 2017

Em um primeiro momento, a notícia de que Willem Dafoe interpretará Van Gogh causou um certo estranhamento por aqui. Afinal, o ator norte-americano tem 61 anos, enquanto Van Gogh morreu com apenas 37. Mas analisando as imagens abaixo a escolha não parece tão surreal. Sem contar que Dafoe sabe como ninguém interpretar personagens desequilibrados.

Van Gogh Defoe

O longa-metragem, que terá direção de Julian Schnabel se chamará ‘At eternity’s gate’, título de um dos últimos quadros de Van Gogh. “É um filme sobre um pintor e sua relação até o infinito”, disse diretor premiado por ‘O escafandro e a borboleta’.

“É narrado por um pintor. Contém o que me pareceram momentos essenciais de sua vida. Não é a história oficial, é a minha versão”, completou Schnabel.

O filme se concentra no período que Van Gogh passou em Arles, sul da França, e em Auvers-sur-Oise, perto de Paris, onde morreu. Ainda não há previsão de estreia.

***

Sobre Van Gogh, a L&PM publica, além de sua biografia, o livro Cartas a Théo em pocket, com a correspondência entre o pintor e seu irmão; o grande livro Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh e a HQ Vincent.

Quando os dias eram assim de verdade

quarta-feira, 17 maio 2017

Muita gente que está assistindo a minissérie “Os dias era assim” não chegou a viver a ditadura militar na pele. Mas antes de ser ficção, a repressão foi uma dura realidade. Para os que saber mais sobre este período triste da história brasileira ou mesmo sobre as demais ditaduras da América Latina, recomendamos a leitura dos seguintes livros:

capa_memorias_do_esquecimento.inddMemórias do esquecimento – Cheio de lirismo e emoção, Memórias do esquecimento, de Flávio Tavares, é um relato descarnado e cru sobre a prisão e a tortura após o golpe militar de 1964 no Brasil. Formado em Direito e professor da UnB, o jornalista Flávio Tavares participou da resistência à ditadura e foi preso. Libertado com outros catorze presos políticos em troca do embaixador dos Estados Unidos, em 1969, iniciou longo exílio no qual foi vítima (e sobrevivente) da chamada Operação Condor. Este livro é um testemunho sobre os labirintos de uma época sombria e tortuosa. Da repressão à resistência, da dor à esperança, está tudo aqui, para jamais esquecer. Vencedor do Prêmio Jabuti 2000 na categoria Reportagem.

capa_1964_golpe_flavio_tavares.indd1964: o golpe – Neste livro, também de Flávio Tavares, estão as tramas secretas, os conluios e as tramoias com que a esquerda e a direita disputavam o controle do poder político e econômico, à sombra das pressões de Washington sobre o Brasil e a América Latina, em plena Guerra Fria. Como jornalista político em Brasília nos anos 1960, Flávio acompanhou passo a passo os acertos ou desacertos do governo João Goulart. No dia 1º de abril de 1964, no Palácio do Planalto, testemunhou os derradeiros momentos do presidente Jango já em fuga e, agora, revela segredos guardados durante meio século.

liberdade_liberdadeLiberdade, liberdade – 21 de abril de 1965, em plena ditadura militar brasileira, estreava, no Rio de Janeiro, a peça Liberdade, liberdade. Escrita por Millôr Fernandes e Flávio Rangel, a partir de textos históricos, o espetáculo que mesclava protesto, humor e música tinha no elenco Paulo Autran, Nara Leão, Oduvaldo Vianna Filho e Tereza Rachel. Sucesso total de públicol, a peça foi proibida pela censura poucos meses depois de sua estreia. Publicado na Coleção L&PM Pocket, este livro traz, além do texto integral da peça, a crítica publicada pelo The New York Times em 25 de abril de 1965, mais as introduções “A liberdade de Millôr Fernandes”, “A liberdade de Flávio Rangel” e “A liberdade de Paulo Autran”.

operacao_condorOperação Condor - Em 1978, os uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Díaz foram sequestrados pela operação Condor, uma organização terrorista de Estado, fundada no Chile de Pinochet, que atropelava fronteiras nacionais e afrontava direitos humanos, forçando o desaparecimento de quem ousasse contestar os regimes de força dos generais. Naquele mesmo ano, alertados por um telefonema anônimo, o repórter Luiz Cláudio Cunha e o fotógrafo J.B. Scalco foram conduzidos até um apartamento, onde surpreenderam militares uruguaios e policiais brasileiros na fase final do sequestro de Lílian e Universindo. A denúncia dos repórteres frustrou o sequestro. A pressão da imprensa e a repercussão na opinião pública constrangeram Montevidéu e Brasília e os sequestrados escaparam vivos para contar a história de uma multinacional do terror que não costumava deixar sobreviventes. Trinta anos depois, o repórter Luiz Cláudio Cunha contou, neste livro, detalhes inéditos desta arriscada e impressionante aventura jornalística.

memorias_a_verdade_de_um_revolMemórias: a verdade de um revolucionário – Olympio Mourão Filho – Livro editado a partir dos arquivos do grande historiador brasileiro Hélio Silva. Uma obra que, literalmente, “desmancha” a elite militar da época (1977). Quando a L&PM publicou o livro, tal foi o nível das críticas e até de ofensas vindas dos chefes militares da ditadura que nenhum editor em Rio e São Paulo ousou publicá-lo. É um brado contra a ditadura e a repressão dado justamente pelo militar que chefiou as tropas em 31 de março. Disponível somente em e-book.
Capa - Golpe ou contragolpe.indd1964: Golpe ou contragolpe? -  O historiador Hélio Silva recupera com isenção e fidelidade as minúcias da preparação, da eclosão e os primeiros movimentos de uma ditadura que mergulharia o país em um longo período de obscurantismo, perseguições, desprezo às liberdades individuais e aos direitos dos cidadãos. Rigoroso na exposição dos fatos, isento no tratamento das personalidades que fizeram a história, o autor se eleva acima dos vencedores e vencidos para descrever os fatos como eles se passaram, sustentado por copiosa documentação. Como destaque deste livro, há também preciosos depoimentos de personagens diretamente envolvidos nos acontecimentos. Somente em e-book.

JangoJango, a vida e a morte no exílio – A partir de uma tese de que o presidente João Goulart teria sido morto no exílio pelos militares, Juremir Machado da Silva reconstrói os últimos momentos da vida do ex-presidente no Uruguai. O autor entrevistou dezenas de pessoas que conviveram com Jango, leu mais de dez mil páginas de documentos, processos, investigações, relatórios de CPIs, sentenças das justiças brasileira, argentina e uruguaia envolvendo o caso Goulart, relatórios do SNI, informes dos serviços de espionagem dos países onde Jango viveu, dossiês secretos e papéis do STF. Teve acesso a cartas inéditas de Jango, foi às prisões de segurança máxima do Rio Grande do Sul conversar com supostos protagonistas dos fatos e pôde vasculhar o livro inédito e os arquivos de Neira Barreiro, figura decisiva da trama em foco.

rango_35_anosRango – O primeiro livro publicado pela L&PM era um libelo contra a ditadura. O personagem criado por Edgar Vasques estava nos quadrinhos, mas também pelas ruas. Este que foi um dos mais célebres anti-heróis das tiras brasileiras, resumia na época da ditadura – e ainda resume – a miséria do nosso povo. Rango surgiu em 1970, quando o desenhista Edgar Vasques se propôs a criar um personagem que tivesse a cara do Brasil: miserável, esfomeado, marginalizado, pobre e desempregado, que vivia dentro de uma lata de lixo. Fez parte do boom de humor da década de 70, simbolizou a resistência à ditadura militar. Foi publicado em 6 volumes.

e_tarde_para_saberÉ tarde para saber – Romance de Josué Guimarães lançado pela primeira vez em 1976 e que, em muito, se parece com o enredo de “Quando os dias eram assim”. No Rio de Janeiro do década de 1970, Mariana e Cássio vivem uma grande paixão. Mas ela é filha de um rico empresário simpatizante da ditadura militar, e ele, um rapaz de origem humilde. No período mais repressivo do regime, quando todas as manifestações intelectuais e artísticas eram duramente censuradas, quando informantes do governo infiltravam-se entre os jovens nas salas de aula do país e a vida política nada mais era do que um jogo de cartas marcadas, a triste realidade faz divergir o caminho dos dois jovens. Mariana prossegue com a sua protegida existência pequeno-burguesa, enquanto Cássio envolve-se cada vez mais numa aura de mistério.

as_veias_abertas_baixaVeias abertas da América Latina – Clássico de Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina vendeu milhões de exemplares em todo o mundo. Com seu texto lírico e amargo a um só tempo, Galeano sabe ser suave e duro, e invariavelmente transmite, com sua consagrada maestria, uma mensagem que transborda humanismo, solidariedade e amor pela liberdade e pelos desvalidos. Esta edição foi relançada pela L&PM em 2010 com nova capa, índice analítico e nova tradução de Sergio Faraco, um dos mais importantes contistas do Brasil.

 
Dias_e_noites_novacapaDias e noites de amor e guerra – Histórias vividas em épocas de  violência e intolerância. Relatos de Eduardo Galeano que resgatam a memória do terror étnico e político pelo mundo, com ênfase nos “anos de chumbo” da América Latina. A rotina daqueles que, por motivos políticos, se viam obrigados a abandonar suas casas, seus países, seus parentes, formando uma enorme diáspora de uruguaios, argentinos, brasileiros, paraguaios, chilenos etc. As pequenas e as grandes tragédias de uma época em que as ditaduras militares, com enorme violência, ocupavam quase a totalidade dos países latino-americanos.

Além destes, a L&PM ainda publicou muitas outras obras a respeito deste período e que agora encontram-se esgotados: “1964, visto e comentado pela casa Branca” de Marcos Sá Correa, “Nunca mais” de Ernesto Sábato, “Opinião x censura” de J. A. Pinheiro Machado, “Antologia brasileira de humor” com 82 humoristas brasileiros protestando contra a ditadura em 1976, “Astronauta sem regime” de Jô Soares, “A pregação da Liberdade” de Teotônio Vilela, “Chega de arbítrio!”, “É hora demudar” e “O Ballet proibido” de Paulo Brossard, “Pedaços de morte no coração” de Flávio Koutzii, “1964: 20 anos de golpe militar”, “O Poder Militar” e “O poder civil” de Hélio Silva, “Jango” de Sílvio Tendler, “Ensaios insólitos” de Darcy Ribeiro, “O amor de Pedro por João” de Tabajara Ruas e “Bons tempos, Hein ?” de Millôr Fernandes.

A história do Brasil que não vai cair no Enem

quarta-feira, 10 maio 2017

Você curte história do Brasil? Então não pode deixar de assistir ao primeiro episódio da série Não vai cair no Enem, apresentada pelo escritor Eduardo Bueno (que, além de autor da casa, já foi editor aqui da L&PM e tradutor de várias obras que publicamos, em especial On The Road).

A partir de hoje, toda quarta-feira, um novo vídeo da série irá ao ar pelo canal Buenas Ideias, do YouTube, onde Eduardo contará, de forma descontraída, algo sobre momentos marcantes dos nossos primórdios.

O vídeo de estreia tem como tema o descobrimento do Brasil e se baseia em dois livros que estão na coleção L&PM Pocket: Brasil: terra à vista A carta de Pero Vaz de Caminha.

Vale assistir:

As primeiras imagens da nova adaptação de “Assassinato no Expresso Oriente”

segunda-feira, 8 maio 2017

A Entertainmente Weekly divulgou as primeiras imagens do filme Assassinato no Expresso Oriente, nova adaptação da obra de Agatha Christie que chegará aos cinemas em novembro deste ano.

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A trama é famosa: o Expresso Oriente, luxuoso trem que liga a Europa à Ásia, precisa parar na Iugoslávia por causa da neve. É nesse momento que se descobre que um passageiro foi assassinado na noite anterior. Entre os passageiros, estão diferentes tipos de pessoas, de milionários a serviçais. O famoso detetive Hercule Poirot também está à bordo. E é ele que assumirá a tarefa de descobrir quem é o frio homicida que desferiu as facadas na vítima.

A direção do filme é de Kenneth Branagh, que também vive Poirot. No elenco, ainda estão Penélope Cruz, Daisy Ridley, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Josh Gad,  Willem Dafoe, e Judi Dench.

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A L&PM publica Assassinato no Expresso Oriente em quatro formatos: convencional, pocket, quadrinhos e e-book.

Mostra com as primeiras fotos de Henri Cartier-Bresson estão em São Paulo

quarta-feira, 26 abril 2017

Até 24 de junho, oitenta fotografias do início da carreira de Henri Cartier-Bresson, o mais influente fotógrafo do século XX, poderão ser vistas em São Paulo. A mostra Henri Cartier-Bresson: Primeiras Fotografias traz fotos clássicas e algumas inéditas, percorrendo o caminho do jovem fotógrafo, entre 1932 e 1935.

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Henri Cartier-Bresson torna-se fotógrafo no dia de 1932 em que compra uma Leica em Marselha. É seu batismo de fogo. O artista encontra seu instrumento. Impossível não lembrar das palavras de Paul Morand: “Aos doze anos, me deram uma bicicleta. Depois, nunca mais me encontraram…”.

A Leica será seu objeto mitológico. Dela nunca mais se separará, seja no exterior, seja na intimidade. Na rua, em casa, na casa das pessoas, em todos os lugares e o tempo todo, nunca se sabe. Não é um hábito de artista, mas de caçador de recompensas. Sempre pronto para atirar, à espreita, de sobreaviso. mas isso não impede o sentimento. Raras vezes se viu identificação tão completa entre um homem e uma máquina, uma osmose tão feliz entre uma alma e um mecanismo. Como um casal de amantes, poderíamos dizer que ele era a contraparte dela, e ela a contraparte dele. Eles parecem feitos um para o outro. Ao prolongar seu olhar da maneira mais natural possível, a máquina faz parte dele. (Trecho de Cartier Bresson, o olhar do século, de Pierre Assouline, publicado pela L&PM em formatos convencional, pocket e e-book)

A partir do dia em que comprou sua Leica, Cartier-Bresson criou uma das mais originais e influentes narrativas visuais da história da fotografia.

Antes de ser fotógrafo, no entanto, Cartier-Bresson dedicou-se à pintura e foi discípulo de André Lhote, o cubista que também foi professor de Tarsila do Amaral. E foi com seu mestre que ele descobriu que poderia usar a proporção áurea e a simetria na construção de suas fotos. Essa ligação com a pintura é notável nas 58 imagens selecionadas pelo curador João Kulcsár para a exposição Henri Cartier-Bresson: Primeiras Fotografias que está aberta ao público na Galeria de Fotos do SESI-SP.

Lhote é apenas uma das (boas) influências de Cartier-Bresson. Filho de uma família rica, que foi a maior produtora de linhas de costura na Europa (pelo menos até o começo dos anos 1960), Cartier-Bresson foi amigo de pintores Max Ernst e Matisse e ele mesmo chegou a pintar algumas telas surrealistas, até encontrar a escritora Gertrude Stein, mecenas dos vanguardistas parisienses, que o fez abandonar definitivamente as tintas e os pincéis. Ela examinou suas pinturas, despachando-o com uma única frase: “Melhor você se dedicar aos negócios da família”.

De fato, Cartier-Bresson teria sido apenas mais um entre os pintores surrealistas. Ou outro milionário excêntrico, se uma máquina fotográfica não surgisse em sua vida. Seu amigo Robert Capa, que fundou com ele a hoje gigantesca agência Magnum Photos, jogou a pá de cal em seus sonhos de pintor: “Melhor você se dedicar ao fotojornalismo, ou vão grudar um rótulo (surrealista) em você do qual jamais conseguirá se livrar”.

Mesmo assim, o surrealismo não saiu da cabeça de Cartier-Bresson, que cultivava o desejo de filmar com o espanhol Luis Buñuel, um dos pioneiros do cinema surrealista. Acabou virando assistente de Jean Renoir, que aceitou uma encomenda do Partido Comunista Francês para fazer um filme de propaganda (La Vie Est à Nous, de 1936), que ajudou a conduzir a Frente Popular ao poder. Cartier-Bresson fez posteriormente outros filmes políticos de apoio à causa republicana durante a Guerra Civil Espanhola.

As 58 imagens da mostra foram produzidas em vários países – Bélgica, Espanha, França, Itália e México – e cobrem desde exercícios formalistas baseados nos primórdios do construtivismo russo até o registro realista de um bordel mexicano, passando por uma emulação do estilo de Kertész, o fotógrafo húngaro que Cartier-Bresson venerava – e que teve uma atuação marcante na Paris dos anos 1920, até emigrar, em 1937, para os EUA.

Marselha, França, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Marselha, França, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Bruxelas, Bélgica, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Bruxelas, Bélgica, 1932 / Foto: Henri Cartier-Bresson

EXCLUSIVO DIRETO DA FONTE

Prostitutas mexicanas em 1934 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Valência, Espanha, 1933 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Valência, Espanha, 1933 / Foto: Henri Cartier-Bresson

Henri Cartier-Bresson: Primeiras Fotografias

Galeria de Fotos do Sesi: Av. Paulista, 1.313, Fone: 3146-7439

De segunda a domingo das 10h às 20h

Até 25 de junho

Grátis

Quando todo dia era dia de índio

quarta-feira, 19 abril 2017

Calcula-se que eles eram cerca de quatro milhões, espalhados pela Terra Brasilis. Hoje, segundo o site da FUNAI, não passam de 460 mil. Os índios das Américas – assim chamados porque, em um primeiro momento, Colombo acreditou ter chegado às Índias – ganharam um dia só para eles em 19 de abril de 1940, durante o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano realizado na cidade de Patzcuaro no México.

No Brasil, o 19 de abril só virou Dia do Índio três anos depois, quando Getúlio Vargas colocou a data no calendário oficial do país. Para marcar o dia, separamos alguns trechos de livros que trazem o índio como personagem principal ou como tema central. Vale a pena ler e descobrir uma época em que, como diria Baby do Brasil (ex Baby Consuelo), “todo dia era dia de índio”.

Com as cores do amanhecer tingindo a cena de dourado, os seis ou sete homens  que estavam na praia juntaram seus arcos e flechas e se prepararam para um encontro com os desconhecidos. De onde viriam os recém-chegados? De alguma ilha ou de alguma terra além-mar? Vinham provavelmente da Terra Sem Males, julgaram os mais experientes: o lugar onde todos eram felizes e ninguém morria, e que ficava para lá da imensidão das águas salgadas (Brasil: Terra à Vista! , de Eduardo Bueno)

Nesse mesmo instante, dois segundos talvez depois que a última flecha caíra no aposento, a folhagem do óleo que ficava fronteiro à janela de Cecília agitou-se e um vulto embalançando-se sobre o abismo, suspenso por um frágil galho de árvore, veio cair sobre o peitoril. Aí agarrando-se à ombreira saltou dentro do aposento com uma agilidade extraordinária; a luz dando em cheio sobre ele desenhou o seu corpo flexível e as suas formas esbeltas. Era Peri. (O Guarani, de José de Alencar)

Toda essa gente é guerreira e possui tanta astúcia para proteger-se de seus inimigos como se fossem criados na Itália e em contínua guerra. Quando estão em guerra costumam assentar suas casas nas encostas dos morros, fazendo cavernas nestes, que é onde costumam dormir. As mulheres e as crianças são levadas par as partes mais altas, através de estreitas trilhas que abrem. Os homens andam com o corpo totalmente pintado, como forma de camuflagem. (Naufrágios & Comentários, de Álvaro Núñes Cabeza de Vaca)

Certa vez, os índios vinham ao nosso encontro para nos receber, à distância de dez léguas de uma grande vila, com víveres e viandas delicadas e toda espécie de outras demonstrações de carinho. E tendo chegado ao lugar, deram-nos grande quantidade de peixe, de pão e de outras viandas, assim como tudo quanto puderam dar. Mas es incontinenti que o Diabo se apoderara dos espanhóis e que passam a fio de espada, na minha presença e sem causa alguma… (O paraíso destruído, de Frei Bartolomé de Las Casas)

Devíamos tomar cuidados especiais com os Tupinambás duas vezes por ano, quando entravam com violência nas terras dos Tupiniquins. Uma dessas épocas é novembro, quando o milho, que eles chamam de abati, fica maduro, e com o qual preparam uma bebida que chamam de cauim. Para tanto também usam raízes de mandioca, de que empregam um pouco na mistura. (Duas viagens ao Brasil, de Hans Staden)

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Do céu a banda de dentro, / o menininho mostra a Terra, / e de dentro desse céu ele descobre / que a terra dos caxinauás não é grande / e que os rios também não são largos. / Por exemplo, diz ele, apontando para baixo, / aquele rio ali é só uma sucuri gigante / estendida no meio da relva! / E da Terra, quer dizer, do céu da Terra, / quer dizer, do céu aqui onde estou, / os narizes também não são assim tão grandes, / nem o meu corpo tão doente quanto era, / porque do céu da banda de dentro / tudo fica muito bonito, lindo de morrer, / e sabe disso até quem morre, / diz o menino levado ao céu pela andorinha. (O menino levado ao céu pela andorinha – Poemas e cantos indígenas, seleção e tradução de Sérgio Capparelli) 

Poirot, quem diria, já foi galã

terça-feira, 11 abril 2017

Desde o final da década de 1920, o famoso detetive belga criado por Agatha Christie vem ganhando diferente rostos no teatro e no cinema. Foram mais de 40 atores com diferentes nacionalidades e bigodes (ou até sem bigode) que ajudaram a desvendar os crimes criados pela Rainha do Crime.

Um dos Poirots mais lembrados é, sem dúvida, aquele que está na mais célebre adaptação de Assassinato no Expresso Oriente, de 1974. Ele foi eternizado por Albert Finney.

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Este é o célebre Poirot de Albert Finney

Quando o britânico descendente de irlandeses Albert Finney foi escalado para ser Poirot, a primeira impressão foi de estranheza. O galã de 38, bonitão e de porte atlético, não parecia se encaixar no perfil atarracado e gordinho de um detetive cinquentão.

Olha o Poirot sem maquiagem!

Olha o Poirot sem maquiagem nos bastidores do filme!

A caracterização exigiu horas de maquiagem diárias. Todas as manhãs, muito cedo, Finney era pego em sua casa e ficava dormindo no trailer enquanto os maquiadores começavam a trabalhar em sua transformação que incluía um nariz falso e um estofamento na barriga.

A maquiagem dava trabalho, mas ajudou Finney a concorrer ao Oscar de melhor ator

A maquiagem dava trabalho, mas ajudou Finney a concorrer ao Oscar de melhor ator

Finney foi o único ator a interpretar Hercule Poirot que recebeu uma indicação ao Oscar pelo papel, embora não tenha levado a estatueta. Alguns idolatram sua interpretação do detetive, outros a consideram caricata demais, mas todos concordam que sua caracterização física e seu figurino são obras-primas.

E vem aí mais um Hercule Poirot! Em 23 de novembro deste ano estreia a nova adaptação de Assassinato no Expresso Oriente com direção de Kenneth Branagh e o próprio no papel de Poirot.

A L&PM publica Assassinato no Expresso Oriente nas versões impressa e e-book.

Novo livro de Affonso Romano de Sant’Anna em destaque

sexta-feira, 7 abril 2017

Vale a pena ler a entrevista que Affonso Romano de Sant’Anna concedeu ao jornal mineiro O Tempo sobre seu novo livro, recém publicado pela L&PM. Quase Diário 1980-1999, é um livro literalmente memorável, no qual Affonso revisa sua história (e a do Brasil) e fala sobre seus muitos encontros com personalidades da cena cultural brasileira.

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Inédito: leia trecho da única crítica que Van Gogh recebeu em vida

quinta-feira, 30 março 2017

Em janeiro de 1890, o primeiro número da legendária revista Mercure de France, trazia um texto intitulado Os isolados. Escrito pelo poeta e crítico de arte Gabriel-Albert Aurier, foi o primeiro – e único – texto crítico sobre Van Gogh, publicado em vida do artista.

(…)

Sob céus ora talhados no ofuscamento das safiras ou das turquesas, ora feitos de não sei que súlfures infernais, quentes, deletérios e cegantes; sob céus como moldes de metais e cristais em fusão, onde, por vezes, propagam-se, difusos, tórridos discos solares; sob a incessante e formidável correnteza de todas as luzes possíveis, em atmosferas pesadas, flamejantes, abrasadoras, que parecem exalar de fantásticas fornalhas onde se volatilizariam ouros, diamantes e gemas singulares – este é o mostruário inquietante, perturbador, de uma estranha natureza, verdadeiramente real e ao mesmo tempo quase sobrenatural, de uma natureza excessiva onde tudo, seres e coisas, sombras e luzes, formas e cores, se empinam, se erguem numa vontade raivosa de gritar sua essencial e própria canção, com o timbre mais intenso, o mais ferozmente superagudo; são árvores, retorcidas como gigantes em batalha, proclamando com o gesto de seus braços nodosos que ameaçam e com o trágico esvoaçar de suas verdes cabeleiras, sua força indomável, o orgulho de sua musculatura, sua seiva quente como sangue, seu eterno desafio ao furacão, ao relâmpago, à natureza nociva; são ciprestes erguendo suas pesadelares silhuetas de labaredas, que seriam negras; montanhas arqueando dorsos de mamutes ou de rinocerontes; pomares brancos, rosados e amarelados, como ideais sonhos de virgens; casas acocoradas, que se contorcem apaixonadamente como indivíduos que gozam, sofrem, pensam; pedras, terrenos, arbustos, gramados, jardins, rios que parecem esculpidos na forma de minerais desconhecidos, polidos, reluzentes, irisados, feéricos; são flamejantes paisagens que parecem a ebulição de multicoloridos vernizes em algum diabólico cadinho de alquimista, folhagens que parecem bronze antigo, cobre novo, vidro filetado; canteiros de flores que parecem menos flores do que riquíssimas joalherias de rubis, ágatas, ônix, esmeraldas, coríndons, crisoberilos, ametistas e calcedônias; é a universal, louca e ofuscante fulguração das coisas; é a matéria, a natureza inteira retorcida freneticamente, paroxizada, levada ao auge da exacerbação; é a forma que se torna pesadelo, a cor que se torna labareda, lava e pedraria, a luz que se faz incêndio, a vida, febre ardente.

Tal é a impressão, nada exagerada, ainda que assim se possa pensar, deixada na retina pelo primeiro olhar sobre as obras estranhas, intensas e febris de Vincent Van Gogh, compatriota e não indigno descendentes dos velhos mestres holandeses.

(…)

Trecho de Os isolados, tradução de Julia da Rosa Simões

Este texto nunca foi traduzido e publicado no Brasil na íntegra, mas ele será acrescentado à próxima edição de Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh.

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Ao que tudo indica, foi somente cinco meses depois da publicação do artigo de Aurier, e da resposta quase imediata do pintor por carta, em fevereiro, transmitida por Theo, que ele e Van Gogh conheceram, na casa deste, no domingo, 6 de julho, na presença de Émile Bernard e Toulouse-Lautrec. Depois da morte de Vincent, Théo convidou Aurier a escrever o catálogo das obras do pintor e um livro sobre ele. Mas o projeto não se concretizou.

Após sua morte, em 5 de outubro de 1892, vítima de uma febre tifóide,  Paul Gauguin escreveu a Daniel de Monfreid: “O pobre Aurier está morto. Decididamente, não estamos com sorte. Van Gogh, depois Aurier, o único crítico que nos compreendia e que um dia nos teria sido útil”.

Aurier,_Albert,_BNF_Gallica

Clique para ampliar a foto e impressione-se com o olhar de Aurier

 

30 de março de 1853, nasce um gênio

quinta-feira, 30 março 2017

Vincent Van Gogh aos 13 anos

“Desde o seu nascimento, Vincent Willem Van Gogh viveu em dificuldade. Nasceu em 30 de março de 1853, exatamente um ano após uma criança natimorta chamada, como ele, Vincent Willem Van Gogh. O túmulo desse primeiro Vincent se achava a poucos passos da igreja onde o pai oficinava como pastor de Groot Zundert, pequena aldeia rural de uma centenas de habitantes no sul da Holanda. Assim, tão logo aprendeu a ler, o pequeno Vincent pôde ver seu nome como em seu próprio túmulo. Ele seria um eterno substituto.

(Trecho inicial de Van Gogh, premiado livro de David Haziot que faz parte da Série Biografias

O gênio atormentado, o pintor fervoroso, o observador louco, o desenhista libertário, o artista sem igual que usou o próprio corpo como a matéria-prima de sua arte. Assim foi Vincent Van Gogh. Hoje cultuado, esse pintor de sóis silenciosos e girassóis de ouro nunca vendeu um quadro quando vivo. Hoje, suas obras valem milhões.

vincent van gogh - auto-retrato e retrato do pintor

Sobre Van Gogh, a L&PM publica, além de sua biografia, o livro Cartas a Théo em pocket, com a correspondência entre o pintor e seu irmão; o grande livro Cartas a Theo e outros documentos sobre a vida de Van Gogh e a HQ Vincent.