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Uma história do mundo em sétima edição

terça-feira, 25 fevereiro 2014

Uma história do mundo é um instigante panorama sobre a constituição da humanidade – fruto de quarenta anos de leituras e pesquisas de David Coimbra. Uma obra que acaba de chegar à sua sétima edição, mostrando que quando informação e bom humor se cruzam, o resultado só pode ser um sucessso.

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Mas como foi que derrotamos os neandertais? Trata-se de um profundo mistério. Eles tinham tudo para nos vencer. Nós, que digo, somos os sapiens sapiens, os “homens duplamente sábios”. Verdade que fomos nós mesmos que nos pespegamos esse nome, mas, enfim, talvez seja merecido. Afinal, só nós sobramos entre todas as espécies de homos: os pitecos, os erectus, os habilis e tantos mais. Logo, se o critério for a evolução dos resultados, somos mesmo duplamente sábios.

Só que bater os pitecos, os habilis e os erectus foi fácil. Alguns deles se erguiam a pouco mais de metro de altura, a maioria possuía cerebrozinhos deste tamanho e, o principal, nenhum deles desenvolveu a mais eficiente de todas as ferramentas humanas, a linguagem.

Mas com os neandertais era diferente.

Com os neandertais, o osso era mais duro e o arroz era mais solto.

(Trecho inicial da crônica “Neandertal, o solteiro feliz” que abre o livro Uma história do mundo, de David Coimbra)

O que dar de presente para…

quarta-feira, 19 dezembro 2012

Todo ano é assim: chega perto do Natal e você lembra que faltou algum presente. Ou porque é uma pessoa que entrou agora na família ou porque é um convidado de última hora da ceia natalina.

O NAMORADO DA FILHA – Sua filha ainda está na adolescência e já tem alguém chamando você de “sogrinha”? Para ele, sugerimos algum título da Série Clássicos da Literatura em Quadrinhos como Guerra e Paz, Odisseia ou Os miseráveis. Na verdade, você pode fazer um kit com vários títulos dessa série. Assim manterá o garoto ocupado por mais tempo.

A NAMORADA DO PAI – Ela é bem mais nova do que o seu pai. Na verdade, tem quase a sua idade. E pra piorar no quesito “escolha do presente”, você não tem nenhuma intimidade com ela… Se esse for o caso, a melhor opção é Simon’s Cat, um divertido livro com o gato mais famoso do Youtube. Detalhe: ele não tem nenhuma palavra, só imagens (entendeu a indireta?).

A TIA SOLTEIRA – Não estamos falando de “tia solteirona”, pois isso é coisa do passado, mas daquela tia que já foi casada e que hoje prefere aproveitar a vida viajando com as amigas ou namorando muito. Pra ela, sugerimos Um lugar na janela, de Martha Medeiros, com histórias de viagens para ela se inspirar e seguir conquistando o mundo.

A PRIMA ENCALHADA – Se ela anda desesperada por casar ou pelo menos tem bom humor, vai adorar ganhar Por que você não se casou… ainda, um livro da americana Tracy McMillan que, como anuncia a capa, é “A conversa séria que você precisa para conseguir o relacionamento que merece”. Se der certo, provavelmente ela vai lhe convidar pra ser a madrinha do casório.

O TIO QUE NÃO É TIO – Quase toda família tem um tio agregado. Um amigo de infância do seu pai ou um primo distante que não tem filhos e que há anos aparece no Natal. E apesar disso, você nunca sabe o que dar a ele… Mas esse ano vai ser fácil! Uma história do mundo, de David Coimbra, com certeza vai fazer seu tio emprestado bem feliz.

A NOVA ESPOSA DO IRMÃO – Quando você estava se acostumando com a sua cunhada, seu irmão anuncia que se separou e que já tem outra na parada. Ou seja: você não faz a menor ideia do que dar de presente a essa nova agregada da família. Na verdade, você nem a conhece ainda! Nesse caso, um livro que não tem erro é o ótimo Uma breve história da filosofia. Ainda mais que filosofia está na moda.

O IRMÃO DO GENRO – Sua filha anunciou que vai trazer o cunhado pra festa de Natal. E você nem imagina o que dar de presente a ele. Que tal Os filhos dos dias de Eduardo Galeano? Um livro que parece condensar a história da humanidade em 366 belos textos – um para cada dia do ano. É uma obra que agrada a todos, mesmo os que não são leitores assíduos.

Feira do Livro de Porto Alegre foi muito além dos tons de cinza

quarta-feira, 14 novembro 2012

A Câmara Riograndense divulgou ontem o balanço da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre. Durante seus 17 dias, o evento recebeu 1,3 milhão de pessoas e foram vendidos 411.056 livros. Já a lista dos títulos que mais venderam ficou a cargo do Jornal Zero Hora – já que a Câmara abandonou a prática de mostrar os preferidos do público.

Uma semana antes do final da Feira, Zero Hora percorreu as 106 bancas da Área Geral para elaborar o ranking. Os livreiros foram solicitados a informar os três livros nacionais e três internacionais mais procurados. Com a divulgação de que os mais vendidos da literatura nacional eram David Coimbra com Uma história do mundo e Martha Medeiros com Um lugar na janela, estes títulos da L&PM Editores passaram a ter uma procura ainda maior e fizeram com que a Feira do Livro ganhasse outras cores além dos “50 tons de cinza”.

É bom lembrar que, em meio a tantas opções de livros, a lista de mais vendidos funciona como uma indicação ao leitor que, muitas vezes, sente-se perdido no mar de títulos que vê pela frente.

Martha Medeiros autografou por quase quatro horas na Feira do Livro de Porto Alegre

A fila de David Coimbra também durou muitas horas e seu livro já está na terceira edição

Novo livro de David Coimbra na coluna de Juremir Machado da Silva

quinta-feira, 18 outubro 2012

Quarta-feira, 17 de outubro, publicamos aqui neste blog uma crônica de Martha Medeiros em que ela revela suas impressões sobre Uma história do mundo, novo livro de David Coimbra. No mesmo dia, o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva comentou sobre a mesma obra em sua coluna diária do Jornal Correio do Povo de Porto Alegre. Vale a pena ler as impressões de Juremir sobre o livro de David:

David Coimbra, o egípcio

Por Juremir Machado da Silva* 

Na época da faculdade de jornalismo, quando morava no IAPI e pegava o T1 depois da aula, quando não ia se esbaldar no bar do Maza até encher o latão de cerveja, o David Coimbra já adorava história. Creio que já naquele tempo ele lia Will Durant, historiador americano que sabia tudo dos bastidores da vida das grandes personalidades históricas. David sempre teve um fraco pela história da antiguidade. Nunca tirou o olho da Cleópatra. Tenho a impressão de que só a rainha vadia podia concorrer com a Rosane Aubin pelo coração do David naqueles trepidantes dias de 1980 a 1984. Era certo que David acabaria por escrever livros unindo as suas paixões: literatura, história, crônica e jornalismo. É o que se vê em “Uma história do mundo – como se formou a primeira cidade, como nasceu o primeiro deus único, como foi inventada a culpa”(L&PM).

David, o egípcio, é o nosso Will Durant. Como uma vantagem: escreve muito melhor.

A ambição é a mesma. A história do mundo do David terá muitos volumes (a de Will Durant tem 23). Li os originais do primeiro tomo dessa enciclopédia em tom jocoso do David. É sensacional. Agora, relendo o texto publicado, renovei o meu encantamento. Como não se maravilhar com capítulos que começam assim? “Foi no Egito que Napoleão descobriu que era um marido traído?” Napoleão, o corno. Sobre a evolução tecnológica: “Olhe para você. Veja no que você se transformou. Você passa a noite ressonando em cima de uma colchão macio como as canelas da Scarlett Johansson e debaixo de cobertores quentes como o olhar da Megan Fox”. Nessa balada de cronista, David dribla a chatice da história positivista e o cientificismo da história estruturalista e conta a vida dos nossos antepassados ilustres ou não. Tudo tem uma explicação: “O governo centralizado e forte era tão importante no Egito que o faraó foi promovido de rei a deus. Essas coisas não acontecem por acaso.   As instituições só funcionam quando as pessoas precisam”. 

Pode-se aprender na sacanagem. David sempre encontra um jeitinho para empurrar a coisa (opa!) suavemente: “Dilma Rousseff, Margaret Thatcher, Evita Perón e todas as mulheres que um dia assumiram o poder máximo em seus países jamais conseguiram se igualar às façanhas da Primeira Grande Mulher da História. Maatkare Hatshepsut fez mais do que suplantar o poder dos homens quinze séculos antes de Cristo e 3,5 mil anos antes de Angela Merkel. Hatshepsut suplantou o próprio sexo”. Como? Aí é que a porca torce o rabo (certamente David explicará a origem dessa expressão nalgum dos seus volumes).

É ler.

David Coimbra trabalhou muito, durante quatro anos, leu incansavelmente, de Heródoto a Freud. De Heródoto, aliás, pescou relatos impagáveis: “No Egito, as mulheres vão ao mercado e negociam, enquanto os homens, encerrados em casa, trabalham no tear (…) As mulheres urinam em pé; os homens, de cócoras”. Se fosse resumir o livro de David a partir do clássico título de Paul Veyne, eu diria apenas: “Como se (re)escreve a história”.

Com talento!

Aquelas viagens no T1 só poderiam levar a algum lugar.

*Pela L&PM Editores, Juremir Machado da Silva publica História regional da infâmia e lançará, na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro A orquídea e o serial killer. O texto acima foi publicado originalmente em sua coluna na pg. 2 do Jornal Correio do Povo de 17 de outubro de 2012.

Em seu livro, David Coimbra conta até a história de como surgiram as sílabas

Na crônica de Martha Medeiros, o novo livro de David Coimbra

quarta-feira, 17 outubro 2012

Simples

Martha Medeiros*

“Afugento qualquer pretensão filosófica que dificulte o trato com as coisas simples.” Quando li essa frase de Nélida Piñon, tive vontade de ampliá-la, imprimi-la e pendurá-la na parede, só não o fiz porque não seria preciso: trago esse conceito já aderido na pele e na alma.

Talvez por isso tenha gostado tanto do novo livro do David Coimbra, Uma História do Mundo, que poderia ser considerado um projeto ambicioso, não fosse o David um homem consciente do tempo em que vive: quem, hoje, consegue dedicar-se a calhamaços com milhares de páginas? A vida exige dinamismo. David conseguiu apresentar um panorama histórico desde o neandertal até o início da civilização moderna em 260 páginas. E, nessas 260 páginas, além de traduzir informações sérias para uma linguagem divertida, ele conecta passado e presente utilizando trechos de Marcel Proust, Charles Bukowski e Mario Quintana, e ainda faz graça ao explicar de onde veio o nome da banda Jethro Tull. David é pop. A história do mundo também pode ser. Como?

Simples.

A simplicidade é a principal porta de entrada para a sabedoria. Dois, três degraus, e a pessoa está dentro. Uma vez seduzida, ela então irá decidir se deseja se aprofundar no assunto, e aí, lógico, irá buscar novos acessos que a façam imergir no que lhe interessa, e a viagem se tornará ainda mais excitante e talvez ininterrupta, mas o que a faz iniciar esse percurso rumo ao conhecimento é a curiosidade, a atração e a identificação com um linguajar que estabelece uma agradável comunicação.

O professor Cláudio Moreno faz o mesmo com suas crônicas sobre a Grécia Antiga. Alain de Botton elimina ao menos seis cabeças do monstro de sete que sempre foi a filosofia. Paulo Leminsky e demais poetas da geração anos 80 demonstraram que poesia não precisava ser necessariamente chata e incompreensível. A simplicidade sempre foi um dom, apesar de levantar suspeitas. Os impressionistas (Van Gogh, Monet, Cézanne, entre outros) foram inicialmente desprezados pelos críticos da época. As primeiras exposições desses artistas que hoje são considerados gênios se deram no “Salão dos Recusados”. Os impressionistas eram assim denominados porque pintavam a impressão em detrimento do detalhe. E toda impressão pode ser rapidamente confundida com impostura.

A simplicidade concentra a verdade das coisas – não toda a verdade, mas o seu núcleo, um ponto de partida universal, de onde tudo poderá se tornar mais abrangente, grandiloquente e complexo, à escolha do freguês.

Segundo o filósofo e escritor Eduardo Gianetti, muita gente só se impressiona com o que não entende bem. Já a simplicidade é direta, translúcida e estabelece rápida conexão. Para desconsolo dos herméticos.

*Esta crônica foi publicada originalmente na pg. 2 do Jornal Zero Hora em 17 de outubro de 2012.

 

O triste fim de Edgar Allan Poe

segunda-feira, 8 outubro 2012

Edgar Allan Poe morreu em 7 de outubro de 1849. O escritor das histórias fantásticas e sombrias, dos contos extraordinários e repletos de mistérios influenciou autores como Conan Doyle, Agatha Christie, G. K. Chesterton e Jorge Luis Borges. Em sua coluna do dia 7 de outubro de 2012,  publicada no Jornal Zero Hora, o jornalista e escritor David Coimbra, autor do recém lançado Uma história do mundo, escreveu sobre o dramático fim do grande Poe:

Histórias Extraordinárias – Por David Coimbra*

Num domingo como hoje, 7 de outubro como hoje, o grande Edgar Allan Poe morreu por causa de uma eleição como a de hoje. Conta a lenda que cabos eleitorais o embriagaram e o arrastaram de uma circunscrição eleitoral a outra, a fim de que votasse várias vezes no mesmo candidato. Depois de muita bebida diferente e muito voto igual, Poe foi deixado numa rua de Baltimore. Encontraram na sarjeta no dia 4 de outubro, febril e desfalecido. Levaram-no para um hospital. Passou quatro dias delirando e morreu, miserável, aos 40 anos de idade.

Se é verdade a história dos cabos eleitorais assassinos, também é verdade que eles só conseguiram fazer isso com Poe porque Poe era um alcoólatra incurável. Bebia sem parar, embriagava-se com um único copo de vinho e, às vezes, ingeria álcool puro, tudo para escapar da melancolia. No entanto, foi a melancolia que o tornou imortal, porque só a dor torna um homem imortal. Poe casou com uma prima que tinha apenas 13 anos de idade – nos anos 30 do século 19 isso não era pedofilia. Como vivessem muito mal, sem ter dinheiro nem para comer, ela morreu de tuberculose. Para ela, Poe teceu um poema tão triste quanto terno:

Pois a lua jamais brilha sem trazer-me sonhos
Da bela Annabel Lee.
E as estrelas jamais surgem sem que eu sinta os brilhantes olhos
Da bela Annabel Lee.
E, assim, durante toda a maré noturna, deito-me ao lado
Da minha querida – minha querida –, minha vida e minha noiva
Em seu sepulcro junto ao mar,
Em sua tumba junto ao rumoroso mar.

Leia Histórias Extraordinárias, e beba um pouco da beleza sombria de Edgar Allan Poe.

* Este texto foi originalmente publicado na pg. 46 do Jornal Zero Hora de 7 de outubro de 2012, na coluna “O Código David”

A Coleção L&PM Pocket publica cinco títulos de Edgar Allan Poe.

“Uma história do mundo”: um livro que faz você se apaixonar pela História

quarta-feira, 26 setembro 2012

Por Ivan Pinheiro Machado*

Está chegando nas livrarias um grande livro: Uma história do mundo de David Coimbra. Trata-se de um projeto que poderá ter muitos volumes, mas este primeiro pretende contar para o leitor como foi que chegamos ao que somos – se é que me entedem… Explicando: David quer mostrar como aconteceu a civilização, a primeira cidade, a monogamia (!!!), como o homem civilizado chegou a um Deus único e, consequentemente, como nasceu a culpa. Com absoluto domínio do tema, o autor, dono de um texto reconhecidamente impecável, percorre os séculos numa narrativa sempre bem-humorada.

Em Uma história do mundo o leitor vai se divertir com esta jornada impressionante do ser humano rumo à civilização. Dos solteiros Neandertais a Freud, passando por Angelina Jolie, Moisés, Abraão, Alexandre Magno e Sodoma & Gomorra, o leitor terá um instigante panorama sobre a constituição da humanidade. E vai saborear a história de um outro ângulo, até então imperceptível nas visões acadêmicas e sisudas que normalmente tratam do tema. Começando com os primeiros vestígios de vida humana na terra  e viajando entre os patriarcas hebreus e os povos do Oriente Médio, o autor dá um salto no tempo para Napoleão e os grandes arquélogos da História – passando com engenhosidade e um toque de humor por Homero, Megan Fox e Dilma Rousseff, entre centenas de outros grandes personagens – retornando para o antigo Egito, onde grande parte da consciência do homem foi urdida.

A capa de "Uma história do mundo"

Atraente e vibrante como um romance, ele aborda a história de forma absolutamente precisa, entregando ao leitor a História como ela é, com “H” maiúsculo, buscada nas fontes mais confiáveis e universalmente aceitas.  Do mesmo autor de Jogo de Damas, Canibais – paixão e morte na rua do Arvoredo, Um trem para Suíça, Pistoleiros também mandam flores, entre outros sucessos.

*Ivan Pinheiro Machado é editor da L&PM Editores